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domingo, 2 de julho de 2017

Triunfaram os clássicos na Corrida de Gala – 3ª Corrida da Feira de S. João

Doze anos depois, o Neto deu início às Cortesias na Monumental “Ilha Terceira”. A Corrida de Gala Antiga Portuguesa teve assim o seu início com o ritual alusivo à época.

Toiros de João Gaspar e Francisco Sousa. De tricórnio Tiago Pamplona, Manuel Telles Bastos e Miguel Moura. De jaqueta enramada, os Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT) e os Amadores do Ramo Grande (GFARG).

Não interessa como se começa, mas como se acaba! Este bem podia ser o resumo da noite de Tiago Pamplona. Após a recolha do toiro (FS, nº15, 410Kg) que se inutilizou, depois da cravagem de dois compridos, recebeu o segundo do seu lote com uma lide em crescendo. O toiro (JG, nº27, 515Kg) era volumoso e entregou-se com codícia, tendo tido duração. O Marialva do Posto Santo procurou o triunfo e mostrou boa ligação com o público. Esteve criterioso na escolha de terrenos e mostrou os seus dotes de excelente equitador. Encerrou uma lide triunfal com um excelente ferro curto ao estribo, antecedido por uma viagem plena de temple. Nota para o facto de ter saído da arena no momento certo sem se deixar deslumbrar pelo pedido de “mais um”!

Manuel Telles Bastos lidou um exemplar (FS, nº11, 436Kg) cumpridor que se foi defendendo em alguns momentos, mas sem complicar. Uma lide de entrega e saber, a trazer ao de cima as qualidades do toiro e a romper para o triunfo. Mostrou bonitos pormenores do classicismo que o caracteriza, aliando a sua maestria de equitador à intuição de lidador. O toiro (JG, nº28, 433Kg), com que encerrou a sua participação na Feira, saiu com pata e revelou-se muito andarilho, tendo dificuldade em fixar-se. Há a destacar a cravagem correctíssima dos compridos e a precisão milimétrica com que cravou cada uma das farpas, durante toda a lide. Mostrou-se entendedor do oponente e optou por uma lide de proximidade, pisando os terrenos do toiro e lidando ao melhor estilo português.

A Miguel Moura calhou o lote menos luzido, mas que ainda assim cumpriu sem complicar muito. O primeiro toiro (JG, nº18, 433Kg) era voluntarioso, mas viria a rachar no final. Moura foi desenrolando a lide com bons pormenores. Uma lide à maneira da escola mourista a chegar bem ao público. Pecou por ter prolongado a lide em demasia. O último toiro (FS, nº7, 494Kg) era distraído e parava-se na reunião, saindo desligado das sortes. Fica a sensação que o Cavaleiro o podia ter alegrado mais. A lide resultou sem som e própria para hipertensos. Algum luzimento no final, mas sem grande transmissão à assistência.

Nas pegas destacaram-se Daniel Brasil do GFARG e Francisco Matos do GFATTT. Ambos realizaram rijas pegas, à primeira, a aguentar bem e a mostrar querer ficar na cara do toiro! Pegaram ainda Luís Sousa (GFATTT) à segunda e a sesgo, Rui Dinis (GFARG) que com uma boa pega se fechou à segunda tentativa e João Pedro Ávila (GFATTT) à segunda com uma boa ajuda do grupo.

A corrida foi dirigida com diligência por Rogério Silva, sendo assessorado por Vielmino Ventura.
Abrilhantou a Banda Filarmónica Divino Espírito Santo de Artesia. Um reparo para o facto de ter havido alguma falta de moderação no volume da interpretação musical. Não está em causa a qualidade da banda, que é de facto muito boa, mas numa praça de toiros a banda deve complementar e não se sobrepor a todo o resto.


Bruno Bettencourt
Foto: André Pimentel

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Espectáculo Misto de sabor agradável – 2ª da Feira de São João


Decorreu em ritmo agradável aquela que foi a segunda corrida da Feira de São João 2017. A Monumental “Ilha Terceira”, com as bancadas bem compostas, acolheu o espectáculo misto com Marcos Bastinhas, Álvaro Lorenzo e Ginés Marin. Dois toiros da Casa Agrícola José Albino Fernandes (JAF) para a lide equestre e quatro de Falé Filipe (FF) para o toureio a pé.

Marcos Bastinhas recebeu o primeiro da tarde (JAF, nº431, 522Kg), uma estampa que revelou muito boas condições de lide, empregando-se e indo a galope com bravura. O Cavaleiro de Elvas superou as suas prestações do dia anterior. Lide séria e emotiva, com um toureio mais pausado, sem recorrer a adornos desnecessários. Lidou praticamente sempre com a mesma montada durante toda a lide, rubricando cravagens poderosas nos curtos, dando sempre vantagens ao oponente. O seu segundo toiro (JAF, nº426, 474Kg) também cumpriu e mostrou-se lutador. A lide aqui resultou em menor plano, com cravagens bastante irregulares resultantes de quarteios mal medidos após batidas ao pitón contrário. Fechou com um violino que chegou bem às bancadas.

Álvaro Lorenzo provou o oponente (FF, nº46, 472Kg) com o Capote, para depois dar lugar ao tércio de Bandarilhas onde se destacou João Pedro Silva. Com a Muleta foi encaminhando o oponente que, apesar de muito brusco pela esquerda, se foi entregando à lide com alguma nobreza. Uma lide de entrega onde se mostrou trabalhador, baseando a contenda na mão direita, mostrando profundidade e bons pormenores artísticos. Posteriormente haveria de lidar aquele que foi o melhor exemplar da tarde (FF, nº29, 494Kg). Este, entregou-se com recorrido durante toda a lide e sem nunca parar de investir. Houvesse mais tempo de lide no regulamento e mais investida haveria. O Matador tirou partido destas condições e foi passeando a flanela vermelha por ambos os lados. A cada passe, o temple e a profundidade iam aumentando, assistindo-se a belos momentos de arte e ofício. Terminou, adornando-se por Luquecinas e fazendo vibrar a assistência. Lorenzo mostrou muito boas maneiras nesta sua passagem pela ilha Terceira.

Com Ginés Marin vinha a expectativa alimentada pelo grande momento que atravessa na sua carreira. O seu primeiro oponente (FF, nº16, 476Kg) empregava-se, mas a falta de força condicionou-lhe a forma de investir e consequentemente o desenrolar da lide. O ofício iniciou-se com uma vistosa série de Verónicas. No tércio de bandarilhas, destacou-se Gonçalo Toste. Com a Muleta foi corrigindo a altura da mão, de forma a auxiliar o exemplar de Falé Filipe e assim evitar que este caísse por terra. A faena desenrolou-se por ambos os lados e ao longo da zona de sombra, terminando à porta dos curros. Marin mostrou-se um toureiro de recursos, capaz de contornar as dificuldades que lhe são colocadas e ao mesmo tempo conseguir sacar o que de bom o toiro tinha. Falta de força também tinha o exemplar com que fechou a corrida (FF, nº2, 487Kg). Apesar disso, entregou-se com nobreza, superando as condicionantes físicas. Com a mão esquerda, o Matador foi expondo quietude em cada uma das viagens. Citou por ambos os lados e arrimou-se, mas sem nunca conseguir romper para uma lide plena de triunfo.

As duas pegas da tarde ficaram a cargo do Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT). Francisco Matos pegou à segunda com uma primeira ajuda de grande nível por parte de Fernando “Mangueira”. A segunda da tarde ficou a cargo de Helénio Melo que se fechou com valentia ao segundo intento, fazendo assim a sua despedida, ao fim de 25 anos de forcado!!
Uma nota para este que é um dos forcados históricos do GFATT, um dos mais rijos da geração que nos últimos anos tem entregue a jaqueta. Com todo o mérito, o seu percurso ficará registado na galeria dos maiores forcados desta ilha!

Mário Martins dirigiu a corrida, sendo assessorado por José Paulo Lima. Abrilhantou a Banda da Sociedade Filarmónica da Serreta.

Bruno Bettencourt
Foto: André Pimentel

Rego Botelho, Pamplona e Vila Franca – 1ª da Feira de S. João

Começou a Feira de S. João 2017! Começou com o emblemático Concurso de Ganadarias no dia do santo que lhe dá o nome. Uma praça cheia assistiu a uma tarde de toiros que decorreu num ritmo muito agradável. Em disputa os prémios para Melhor Toiro, Melhor Apresentação, Melhor Lide e para Melhor Grupo de Forcados, prémio que vem substituir (e bem!) o até agora Prémio para Melhor Pega.

O primeiro da tarde ostentava o ferro de Murteira Grave (nº50, 492Kg). Este “cinqueño” era muito harmonioso, mas ficou-se por aí a qualidade demonstrada. A início parecia ter problemas de visão, mas os problemas eram bem maiores do que isso. Virou a cara à luta e por três vezes o toiro se deitou na arena. Este comportamento invulgar deixa a desconfiança da existência de alguma debilidade física. Manuel Telles Bastos nada pode fazer. Iniciou com três curtos e ainda cravou um curto após tentar sacar água daquele poço vazio.

O exemplar de Rego Botelho (nº66 532Kg) haveria de apagar a imagem do toiro anterior. Saiu alegre e com som a mostrar muita codícia. Não se ressentiu dos castigos e arrancava-se de largo aos cites, empregando-se até ao final da lide. Aliado a tudo isto, o trapio e a bonita presença física deste exemplar. Marcos Bastinhas esperou-o na porta dos curros e mostrou querer agarrar o triunfo, e a assistência, logo de início. Uma lide em crescendo que transpirou a “marca Bastinhas” por todos os poros. O Cavaleiro de Elvas deu sempre vantagens ao oponente, no entanto algumas das sortes pecam pelas passagens em falso e pelas cravagens aliviadas. Encerrou com um bom par de bandarilhas.

Da Casa Agrícola José Albino Fernandes (nº416, 493Kg) saiu um exemplar harmonioso e bastante em tipo da ganadaria. O toiro investiu sempre sem complicar. No final da lide foi ficando curto de investida, tapando-se, no entanto sem nunca complicar. João Pamplona recebeu-o com um bom ferro à “Porta Gaiola”, mostrando que também ele ali estava por mérito próprio. Lide onde a ligação com o público foi crescendo e, ferro após ferro, o perfume do triunfo foi-se fazendo sentir. Esteve lidador, a mexer com o toiro e não se limitando a cravar.

O exemplar jorgense de Álvaro Amarante (nº155, 403Kg) marcou a estreia da ganadaria da ilha do dragão nesta Feira. Era bonito e muito “bem desenhado” apesar de ter menos volume. Trazia ímpeto e, apesar de ter perdido algum fogo com o desenrolar da lide, cumpriu e mostrou bons modos, mas foi-se defendendo por alto no decorrer da lide. Aqui, Manuel Telles Bastos já conseguiu mostrar algum do toureio que traz dentro de si. Andou ligado ao hastado e, apesar de algum desacerto na cravagem, acabou por realizar uma boa lide onde se destacam os 3º e 4º ferros curtos, cravados como mandam os cânones da cavalaria portuguesa.

O exemplar de João Gaspar (nº30, 526Kg) encheu os olhos à assistência. Bonito e volumoso. Revelou bom andamento e entrega durante o desenrolar da lide. No final da lide foi-se parando e mostrando o andamento típico do encaste murube, ao qual pertence. Marcos Bastinhas montou um vistoso Palomino e procurou dar espectáculo com adornos à boa maneira espanhola. Tentou agarrar o público através das piruetas e dos câmbios em cima dos terrenos do toiro. Faltou o fundamental: cravou e não lidou!

Era de Francisco Sousa (nº16, 419Kg) o último da tarde. Saiu alegre e com pata, mostrando codícia na investida. A meio da lide deu alguns sinais de perda de ímpeto, encurtecendo a investida, no entanto, despertou novamente e voltou a entrar na luta com a bravura inicial. João Pamplona tirou partido das condições do toiro da divisa verde e lilás. Indo em crescendo, foi galvanizando as bancadas. Esteve bem na escolha de terrenos, lidando a gosto. O seu 4º ferro foi o melhor da tarde! Muito bem esteve o mais novo cavaleiro da Quinta do Malhinha!

Como já foi referido, este ano esteve em disputa o prémio para “Melhor Grupo”, destacando assim todo o desempenho dos forcados ao logo da corrida. Pelos Amadores de Vila Franca estiveram na cara: Márcio Francisco, que aguentou a viagem ensarilhada do toiro e se fechou à primeira, Francisco Farinha, que à segunda aguentou um derrote muito alto e se fechou com querer, e Rui Godinho, numa boa pega à primeira, sem dificuldade. Pelos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, pegaram: Luís Cunha, à terceira, após duas tentativas em que sentiu dificuldade em medir a investida do toiro, João Silva (a dobrar Carlos Vieira que saiu lesionado) com querer a fechar-se com valentia e com preciosa ajuda do grupo e, por fim, Luís Sousa numa grande pega à segunda tentativa.

Uma nota final apenas para referir um aspecto que foi por demais evidente nesta corrida: se até há algum tempo era pontual o uso de ferramentas auxiliares, hoje parece ter-se generalizado o uso de gamarras e serretas. Nesta corrida concurso, não chega a uma mão cheia o nº de montadas que não tinha pelo menos uma gamarra. As qualidades de equitador dos intervenientes são conhecidas de todos, mas usar e abusar de “travões auxiliares” tira-lhes todo o brio.

A corrida foi dirigida por Rogério Silva, assessorado por Vielmino Ventura. Abrilhantou a Banda da Sociedade Filarmónica Espírito Santo da Agualva.

Foram distribuídos assim os prémios:

- Melhor toiro: “Bandeirote”, nº 66, 532kg, Rego Botelho
- Melhor apresentação: “Bandeirote”, nº 66, 532kg, Rego Botelho
- Melhor lide: João Pamplona
- Melhor grupo de forcados: Amadores de Vila Franca de Xira

Bruno Bettencourt
Foto: António Valinho

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Triunfo com “P” maiúsculo: Passanha, Pamplona e Pires

Uma praça cheia assistiu aos triunfos da ganadaria Passanha, do Cavaleiro João Pamplona e de Manuel Pires do Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande. A Praça de Toiros “Ilha Terceira” acolheu desta forma mais uma edição da Corrida Concurso integrada nas Festas da Praia.

O curro era das ganadarias de Passanha (P), Casa Agrícola José Albino Fernandes (JAF) e Herdeiros de Ezequiel Rodrigues (ER). Apresentou-se desigual em termos morfológicos, no entanto, ao nível do comportamento todos cumpriram sem criar grandes dificuldades aos Cavaleiros. A destacar o de Passanha lidado em terceiro lugar.

Três bons ferros compridos, cravados por António Telles, abriram praça e foram o mote para uma boa lide a dar vantagens ao exemplar ER (nº339, 419Kg). O toiro investia de pronto, mas revelou-se distraído. Apesar de diminuído da mão direita, não se negou à luta. O da Torrinha foi-lhe entrando pelos terrenos, consentindo a investida no momento das reuniões e templando o ímpeto do oponente. Utilizou apenas uma montada durante a lide. Frente ao segundo do seu lote (P, nº104, 556Kg) chegou mais às bancadas. Lidou com maestria, mostrando o porquê de ser o expoente máximo do classicismo equestre português. O toiro apesar de ter uma investida curta na reunião foi colaborando, crescendo em termos de comportamento. Destaque para os dois ferros curtos com que encerrou a lide.

A presença de Ana Batista começou de forma um pouco nervosa. Aliada à dificuldade de colocação dos ferros compridos, pareceu haver algum problema no arpão dos mesmos. A lide resultou irregular e desacertada, encontrando-se apenas no final da mesma. Mexeu pouco com o oponente (JAF, nº393, 483Kg) que não complicou a tarefa, ficando reservado mercê da falta de uma lide mais adequada. Frente ao ER (nº330, 442Kg) esteve bem melhor. Em plano ascendente, foi palmilhando terreno e entendendo o toiro que também foi melhorando de comportamento, apesar da tendência em tapar-se na reunião. Muito correcta nas cravagens e a fazer vibrar as bancadas com os dois ferros com que encerrou a sua prestação.

João Pamplona agarrou a assistência logo na cravagem comprida. Sempre muito comunicativo, não tardou em ter as hostes do redondel angrense do seu lado. O toiro (P, nº118, 505Kg) foi-se alegrando ao longo da lide investindo de pronto e de forma franca. O Cavaleiro da Quinta do Malhinha esteve correcto na generalidade dos curtos. A cada cravagem faziam-se ouvir as bancadas, estando assim aberto o caminho para o triunfo. Destaque para a forma como escolheu os terrenos e para a forma como se adornou nas bregas. Apesar de menos emotiva, a lide frente ao JAF (nº365, 428Kg) também conquistou a preferência do público. Uma lide mais serena e igualmente eficaz, diante de um oponente que se prestou bem à luta investindo sempre que lhe era pedido. Uma nota positiva para o facto de em nenhuma das lides se ter deixado levar pela euforia do triunfo, não acedendo aos típicos “mais um”, quando se preparava para sair da arena.

O Grupo de Forcados Amadores de Lisboa revelou alguma ineficácia técnica na sua presença em terras açorianas. Duarte Mira pegou à segunda sem dificuldades, após uma primeira tentativa em que esteve mal na cara do toiro. Pedro Gil fechou-se à segunda com uma boa pega, depois do toiro lhe ter metido mal a cara na primeira vez que lá foi. João Galamba esteve precipitado na cara do toiro à primeira tentativa, agarrando o toiro a sesgo e à meia volta após três ensejos que apenas serviram para o brutalizar fisicamente. Pelo Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande pegou César Pires que se fechou bem à primeira, sem dificuldade. Luís Valadão, também à primeira, efectuou uma grande pega à córnea e a fechar o espectáculo, Manuel Pires fechou-se à primeira naquela que foi a pega da noite. Aguentou um derrote por alto e nunca mais largou o toiro que teimava em levá-lo para fora do grupo. Destaque para o primeiro ajuda que foi fundamental na realização da pega.

Dirigiu a corrida, com critério, Carlos João Ávila sendo assessorado pelo médico-veterinário José Paulo Lima. Abrilhantou, de forma eficaz, a banda da Sociedade Progresso Lajense.

O júri constituído por António Lopes, António Rijo e Duarte Bettencourt, decidiu:
- Melhor lide a cavalo: João Pamplona (lide ao 3º da ordem)
- Melhor Pega: Manuel Pires (GFARG)
- Melhor Apresentação: Passanha (nº104, 556Kg) lidado em 4º lugar
- Melhor Toiro: Passanha (nº118, 505Kg), lidado em 3º lugar

Bruno Bettencourt
Foto: António Valinho

segunda-feira, 27 de junho de 2016

“Casas comigo? Vai por ti!” – Crónica da terceira da Feira de S. João

A Corrida comemorativa do 50º aniversário da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (TTT) decorreu agradável na generalidade. Na Praça de Toiros “Ilha Terceira” lidaram-se toiros da Casa Agrícola José Albino Fernandes (JAF) e de João Gaspar (JG) numa tarde fresca que ameaçava chuva.

O primeiro da tarde (JG, nº19, 429Kg) saía bem ao cite e empregava-se, no entanto foi-se reservando no final da lide, mercê de uma aparente lesão na mão direita. Gilberto Filipe aplicou-lhe uma lide correcta a procurar dar vantagens, mas sem aquecer a assistência e a passar quase despercebido com cravagens menos conseguidas. Com o quarto da ordem (JAF, nº415, 469Kg), o Cavaleiro de Alcochete esteve igual. Procurou sacar alguma coisa do oponente que se mostrou distraído e que investia com a cara alta, mas a lide não passou além da arena, não deixando de ser agradável apesar da pouca história.

O segundo toiro da tarde (JAF, nº404, 515Kg) estava muito bem apresentado e foi recebido à porta dos curros por Marcos Bastinhas. O ginete tirou partido da investida pronta do oponente e após dois ferros compridos de praça a praça, cravou um ferro curto da mesma forma. Uma boa lide a fazer vibrar o público angrense pela particularidade de ter efectuado as cravagens de um ferro de palmo e de dois pares de bandarilhas logo após o primeiro curto. O nº 413 JAF (410Kg) era pequenote, mas o Cavaleiro de Elvas esteve grande. O toiro investia de largo e dava boa réplica de si. A lide foi em crescendo tendo sido baseada em batidas ao piton contrário. Terminou a sua passagem triunfal pela Feira de S. João com mais um par de bandarilhas de frente.

João Pamplona recebeu um toiro cornalão (JG, nº12, 513Kg) que havia estado anunciado para a Corrida Concurso do dia anterior. O toiro saía de pronto mas parava-se na reunião, carregando pouco. João esteve ao seu jeito, a mostrar querer e a procurar o triunfo, chegando de boa forma às bancadas. Esteve correcto na preparação das sortes e na brega, no entanto terá usado velocidade a mais no momento das cravagens. O sexto da tarde (JAF, nº411, 484Kg) foi sem dúvida o melhor toiro da corrida. Tinha pata e deu luta investindo com codícia e vontade. João Pamplona esteve a gosto, mais sereno. Mexeu-lhe os terrenos e tirou partido das condições que tinha por diante. Terminou uma boa lide com o bom ferro curto a esperar e a cravar como mandam as regras.

Os forcados eram do Grupo de Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT) e do Grupo de Amadores de Turlock (GFAT) que este ano celebra 40 anos de existência e de perpetuação da cultura portuguesa em terras californianas. Abriu praça Carlos Vieira (GFATTT) que se fechou à primeira sem dificuldades. João Salvação (GFAT) que se apresentou fardado pelo grupo americano, pegou à quarta tentativa, mercê de cites um pouco precipitados e de falta de ajuda do grupo. Tomás Ortins (GFATTT) mostrou raça e pegou à primeira ao aguentar-se na cara do toiro, ainda que tivesse ficado com as pernas penduradas num dos pitons. David Sanchez (GFAT) pegou à primeira com valentia. Não fora o seu querer, a falta de grupo poderia ter prejudicado a concretização. João Silva (GFATTT) teve dose dupla. Brinda à namorada e pede-lhe em casamento para depois se fechar à primeira na cara do toiro, esteve muito bem o grupo a ajudar. Concretizada a pega, recebeu o desejado “Sim!” e a consequente ovação dos presentes. Fechou a tarde/noite George Martins (GFAT) com uma grande pega a mostrar técnica e a aguentar um derrote por cima. Uma vez mais valeu ao grupo a eficácia do forcado da cara.

Um reparo para o facto de não terem sido acesos os holofotes da praça. João Pamplona lidou o sexto da ordem quase às escuras.

Dirigiu a corrida Carlos João Ávila, tendo sido assessorado pelo médico-veterinário Vielmino Ventura. Abrilhantou a Corrida a Banda Filarmónica Lira Açoriana de Livingston (Califórnia). No intervalo foi descerrada uma lápide, no interior da praça, de forma a assinalar o 50º Aniversário da TTT.

E termina assim a Feira de São João de 2016!

Bruno Bettencourt
Foto: António Valinho

domingo, 26 de junho de 2016

“Oceano” de bravura – crónica da segunda da Feira de S. João

A sair de largo ao cite, pleno de codícia, investida vibrante e sonora que se prolongou até ao final. Foi assim o “Oceano” da ganadaria de Francisco Sousa (nº2, 454Kg). O ferro mais antigo da ilha Terceira fez a sua estreia em corridas oficiais da forma mais auspiciosa! Antiguidade de 25 de Junho de 2016 que fica assim registada com a melhor das recordações. E dele tirou partido Marcos Bastinhas. Uma lide superior com cites de praça a praça a galvanizar a assistência. O toiro deu-lhe tudo e ele tudo agarrou. Sortes plenas de verdade e emoção. Desnecessária a volta á arena acompanhado de duas das montadas. 

Mas voltemos à ordem cronológica da “Corrida Concurso de Ganaderias” inserida na Feira de São João 2016. No início das cortesias fez-se um minuto de silêncio em memória de Mestre David Ribeiro Telles.

Gilberto Filipe enfrentou um bonito exemplar de Juan Pedro Domecq (nº125, 460Kg). O toiro apesar de parecer mostrar alguma querença, respondia bem ao cite e foi colaborante. Filipe mostrou que estava para triunfar e esteve correcto na abordagem das sortes e nas escolhas dos terrenos. Destaque para o quarto ferro curto. O segundo do seu lote era da Casa Agrícola José Albino Fernandes (nº397, 503Kg). Um toiro muito em tipo da ganadaria e a entregar-se, investindo de pronto. O Cavaleiro andou um pouco aquém da sua primeira lide. Apesar de lidar de forma correcta, prolongou para além do aceitável. É verdade que há um tempo regulamentar de lide, mas não é cravar em quantidade que conta.

Tiago Pamplona mostrou o toureio que lhe corre nas veias. Celebra 10 anos de alternativa e os anos vêm mostrando o seu valor. Lidou um exemplar de Murteira Grave (nº42, 434Kg) que de início parecia estar diminuído em termos de visão. Foi-se fixando ao longo da lide indo ao cite e cumprindo. Tiago lidou a gosto, muito correcto nas cravagens e na brega, chegando ao público. Um boa lide marcada pelos 2º, 3º e 4º ferros curtos. Era da ganadaria de João Gaspar (nº15, 573Kg) o segundo do seu lote. O murube era volumoso e colaborante, investindo quando lhe era exigido. O Marialva da Quinta do Malhinha superou-se e preparava-se para rubricar uma lide triunfal. Três bons ferros curtos a dar vantagens e a tirar partido das boas condições do oponente. Por azar o toiro havia de se lesionar num dos membros, obrigando a abreviar a lide.

Voltando a Marcos Bastinhas, esperou à porta dos curros o nº35 (567Kg) de Rego Botelho. O toiro não dificultou, no entanto era tardo a sair ao cite. Bastinhas foi palmilhando a lide sempre em crescendo até conseguir agarrar a assistência. Compreendeu bem as necessidades do toiro e cravou entrando em terrenos de compromisso. Encerrou com um par de bandarilhas em terrenos de dentro.

Nas pegas estiveram em competição o Grupo de Forcados Amadores de Santarém (GFAS) e o Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT). Pelo GFAS saltaram à arena David Inácio que se fechou à córnea ao primeiro intento com o grupo a ajudar bem, João Brito que pegou à terceira com ajudas carregadas após ter sofrido violentos derrotes nas tentativas anteriores e o Cabo João Grave que se fechou à primeira com uma boa pega a mostrar técnica e valor. Pelo GFATTT abriu praça Helénio Melo que realizou uma grande pega à primeira aguentando derrotes e a aguentar-se bem fechado, João Pedro Ávila à primeira fechou-se com toda a sua experiência sendo levado até às tábuas e aguentando a violência dos embates, Luís Cunha pegou à segunda com uma boa pega após ter sido derrotado na tentativa anterior.

Dirigiu a corrida o estreante director Rogério Silva, antigo Bandarilheiro, sendo assessorado pelo médico-veterinário José Paulo Lima. Abrilhantou a Banda da Sociedade Musical da Terra-Chã.

No final o júri deliberou:
- Melhor Lide a Cavalo: Marcos Bastinhas (pela lide ao 6º da ordem) 
- Melhor Pega: João Pedro Ávila (GFATTT)
- Melhor Apresentação: “Espia”, nº125 da ganadaria de Juan Pedro Domecq
- Melhor Toiro: “Oceano”, nº2 da ganadaria Francisco Sousa

Bruno Bettencourt
Foto: António Valinho

sábado, 25 de junho de 2016

Leal de novo – crónica da primeira da Feira de S. João

A Feira de S. João de 2016 em Angra do Heroísmo, já começou! No dia 24 de Junho, pelas 18h30, iniciaram-se as cortesias do anunciado “Grandioso Espectáculo” com os Matadores Daniel Luque, Juan Leal e José Garrido. Lidaram-se novilhos de Rego Botelho, bem apresentados e morfologicamente muito em tipo da ganadaria.

Daniel Luque recebeu com o Capote, desenhando uma série cingida de Chicuelinas. Com a Muleta, provou o oponente por ambos os lados, no entanto baseou a lide na mão direita. O nº57 (450Kg, RB) não se negava à luta, no entanto foi ficando em curto, revelando sempre bastante aspereza ao derrotar no engano. Luque mostrou o seu toureio, pena que não tivesse havido mais nobreza por parte do novilho. Com o “Descornado” (nº64, 462Kg, RB) esteve num patamar superior ao anterior. O borralho tinha recorrido e nobreza de investida. No início da lide abriu a unha do membro anterior esquerdo, mas isso não foi impedimento para a sua investida continua. O Matador de Gerena armou taco e com a muleta conseguiu chegar às bancadas. Duas séries de Derechazos templados e profundos, marcaram uma lide em crescendo que terminou com Luquesinas. Apesar do desempenho artístico e da entrega, a segunda volta à arena não teve cabimento.

Juan Leal já goza de grande popularidade entre a afición terceirense. Por vários momentos vem à ilha Terceira e, aliado a isso, já começa a perceber a receita ideal para agarrar o triunfo em terras atlânticas. Entrega e dedicação são dois pontos fundamentais. Se assim o sabe, assim o executou diante do “Lagunero” (nº53, 506Kg, RB). O hastado tinha muito boas condições de lide. Investida longa (que veio a ficar em curto) nobreza e entrega. Foi recebido por Cordobinas às quais se seguiram as sempre vistosas Zapopinas que chegaram aos sectores. Com a Muleta recebeu o oponente pelas costas para depois seguir toureando pela direita, baixando a mão e templando a gosto. A cada cite foi fechando o compasso e dando cada vez mais plasticidade à função. No final desta lide triunfal, sofre uma voltareta quando simulava a morte e, após ter embatido no solo, perdeu a noção de espaço e equilíbrio, mas sem consequências de maior. A sua segunda lide diante do nº58 (526Kg, RB) tem pouca história. O novilho lesionou-se num dos membros anteriores e foi recolhido. Fica o destaque dos dois pares cravados pelo Bandarilheiro João Pedro Silva que agradeceu de Montera em mão.

Para José Garrido estava anunciado o nº65 (530Kg, RB). O novilho pouco depois de ter saído nos curros embateu violentamente num burladero, tendo lesionado a medula e caído praticamente morto. Saiu então o sobrero (nº51, 484Kg, RB). O novilho era bisco e cumpriu bem o que lhe era pedido. Foi recebido de joelhos com uma Larga Cambiada seguindo-se uma série de Verónicas. Com a muleta Garrido esteve eficiente, no entanto as séries resultaram pouco ligadas, mercê da aparente falta de força do novilho. O Matador deveria ter dado mais espaço ao oponente. O toureio quer-se cingido, mas nem sempre é possível. Ainda assim o jovem Matador mostrou querer, numa lide que resultou agradável. O nº55 (530Kg, RB) que lidou em segundo lugar veio destoar um pouco o comportamento dos irmãos de camada. Saía solto das sortes não permitindo a conexão necessária. O Matador começou por prová-lo por ambos os lados, e procurou ligar-se. Já perto do final da lide, o novilho lesionou-se num dos membros e teve que ser recolhido.

Destaque ainda para Gonçalo Toste que tomou a Alternativa de Bandarilheiro Professional.

Duas considerações finais que se impõe: à vista fica a ideia que o piso da arena da Monumental Ilha Terceira está demasiado solto. As lesões verificadas nos animais poderão estar relacionadas com tal facto, uma vez que as mesmas ocorreram sempre durante investidas circulares em que os novilhos ficavam com os membros presos na quantidade abundante de piso solto.
É urgente que quem está na trincheira perceba que não se pode movimentar de ânimo leve durante as lides. Existem burladeros na trincheira para que as pessoas se coloquem ou, caso não exista espaço, encostem-se à parede. Não se percebe como é que não se toma uma atitude em relação a quem está na trincheira, sem saber lá estar.

Dirigiu a corrida, com critério, Carlos João Ávila, tendo sido assessorado pelo médico-veterinário Vielmino Ventura. Abrilhantou (e bem!) a Banda da Associação Cultural do Porto Judeu. Assim se mostra que as bandas estão presentes para acompanhar o espectáculo no plano certo, não para se sobrepor sonoramente a todo o resto.


Bruno Bettencourt
Foto: António Valinho

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Espectáculo de Beneficência - Crónica

Depois da polémica, da indignação, do apelo à adesão e do aparente despertar da vontade terceirense, realizou-se, na Praça de Toiros “Ilha Terceira”, o anunciado Espectáculo de Beneficência a favor do Serviço Especializado de Epidemiologia e Biologia Molecular do Hospital de Santo Espírito da ilha Terceira, pela investigação que desenvolve na área oncológica. O dia não estava convidativo mas, apesar disso, é pena que muitos dos indignados das redes sociais se tenham deixado ficar por aí… Pelas redes sociais e por casa. Meia praça a assistir ao evento provando ainda assim que: p’ra cá de duas horas de avião, mandam os que cá estão!

No que à parte artística diz respeito, existiram alguns momentos de interesse. Tiago Pamplona esteve bem diante de um novilho áspero e com pata (nº88, Rego Botelho-RB), mas que não complicou. O Marialva esteve sempre por cima do oponente, correcto nas cravagens, a entrar pelos terrenos e a tirar partido da colaboração do “Zangado” cuja presença e espírito toureiro, já não deixa a assistência indiferente.

João Pamplona esteve aquém do que lhe vem sendo hábito. O nº412 da Casa Agrícola José Albino Fernandes (JAF) estava bem apresentado e tinha codícia, cumprindo bem o seu papel na contenda. A lide ficou marcada pela pouca disponibilidade do cavalo “Manzanares”. A montada negou-se algumas vezes e atravessava-se no momento da reunião, resultando daí sortes aliviadas. Há dias assim! Nota positiva para o terceiro ferro curto a consentir a investida do toiro, apesar do toque na montada.

Javier Castaño voltou ao redondel angrense, numa altura em que se encontra a recuperar de tratamento oncológico. Lide de entrega a mostrar todos os seus recursos e a procurar sacar tudo o que havia no oponente, ainda que os passes resultassem com pouca profundidade. O nº390 JAF era escorrido e parco de forças, notando-se alguma dificuldade no membro anterior direito. Muitas vezes ficou caído na arena, facto que prejudicou a lide. Fica a primeira série pela direita, até à queda do oponente e o bom par de bandarilhas cravado por Jorge Silva.

Julio Benítez “El Cordobés” tentou tirar água do poço, mas o nº430 JAF foi-se secando. Recebeu com uma Larga de joelhos em terra e uma bonita série de Verónicas bem templadas. Diogo Coelho deixou um bom par de bandarilhas e a história da lide ficar-se-ia por aí. Com a muleta viram-se passes desligados, variados e uma série pela esquerda. Pouco mais havia a fazer.

O nº70 RB era descomposto de cara e foi recebido no capote de António Nazaré com uma boa série de Verónicas. Ao quite, Dias Gomes brindou a assistência com uma série curta de Chicuelinas bem cingidas. Nas bandarilhas, destaque para o primeiro par de Gonçalo Toste. Nazaré ligou-se e conseguiu sacar algumas séries interessantes, destacando-se com a mão esquerda com que rubricou uma lide sóbria, mas eficaz, tirando partido do ímpeto do oponente, até este se “rachar” e abandonar por completo a luta e saltar por duas vezes a trincheira.

Manuel Dias Gomes lidou o novilho melhor apresentado (nº49 RB), no que concerne ao toureio apeado. Se a início o hastado demonstrou bons modos, logo foi ficando em curto mostrando-se distraído. Uma vez mais assistiu-se a uma lide com passes isolados, excepção feita a duas séries pela direita. O Matador procurou arrimar-se mas pouco mais lhe era permitido.

As pegas estiveram a cargo dos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense que, logo nas cortesias, mostraram que a aposta iria estar em elementos mais jovens. Francisco Matos estreou-se com uma pega à primeira, muito bem tecnicamente e sem dificuldades. Carlos Vieira saltou à arena para pegar o quinto da tarde, no entanto o novilho havia de derrotar alto no momento da reunião e o forcado ficou inconsciente após ser atingido na cara, saindo em maca. Na dobra esteve Tomás Ortins que, apesar do visível nervosismo no seio da formação e da demora na colocação do novilho, resolveu ao primeiro intento.

O espectáculo terminaria por aqui, no entanto, foi anunciado que El Cordobés se havia disponibilizado para lidar o sobrero. Sem certezas quanto aos regulamentos, penso que o evento deveria ter sido dado como finalizado e então depois se procederia à lide do referido exemplar.

O exemplar nº418 JAF foi dando boa conta de si. Disso tirou partido o diestro que traçou três boas séries pela direita, depois de ter conduzido o novilho, de joelhos em terra. El Cordobés mostrou raça e querer. Numa altura em que o novilho já procurava o vulto, cortando-se por dentro, o Matador decidiu prolongar a lide. Quando lidava novamente de joelhos, acabou por acontecer o que se previa, sendo colhido e ficando preso pela jaqueta à mercê do oponente, mas sem consequências. Terminou por Manoletinas.

Dirigiu a corrida Carlos João Ávila assessorado por José Paulo Lima, médico veterinário. Abrilhantou a banda da Sociedade Musical Recreio da Terra-Chã.

Bruno Bettencourt

domingo, 24 de abril de 2016

VII Festival Luis Fagundes – crónica

Um Festival de início de temporada é muitas vezes o momento utilizado para experimentações: estrear montadas, “rodar” outras, apresentar Cavaleiros e mostrar novos forcados. A sétima edição do Festival Luis Fagundes, em Angra do Heroísmo, não foi excepção.

Abriu praça Tiago Pamplona que se apresentava pela primeira vez após o acidente sofrido, em Agosto passado, na Feira Taurina da Graciosa. Pela frente teve o exemplar nº329 de Herdeiros de Ezequiel Rodrigues (ER). Apesar de pequenote e fechado de agulhas, o novilho estava bem apresentado. Mostrou-se distraído, interessando-se mais pelo que se passava fora da arena, no entanto saía de pronto ao cite empregando-se nas reuniões. O Cavaleiro teve uma lide esforçada e em crescendo, procurando ligar-se ao oponente, de forma a contornar as dificuldades do mesmo. Estudou bem os terrenos e andou variado nas sortes. Destaque para o terceiro ferro curto montando o craque “Zangado”, um dos melhores ferros da tarde com um cavalo cada vez mais estrela. O segundo do seu lote era o nº131 de João Gaspar (JG), que ostentava o ferro de Duarte Pires, tal como os restantes provenientes de JG. O exemplar adiantava-se à montada de início, andando sempre ligado ao cavalo e mostrando ímpeto de investida. Tiago tirou bom partido das condições do oponente, no entanto andou um pouco irregular na cravagem dos ferros. Terminou com um bom ferro ao estribo, daqueles descritos nas regras. Acima de tudo mostrou que está de volta e que saradas as feridas, temos cavaleiro!

A João Pamplona, também regressado tal como o seu irmão, coube o nº130 JG (ferro DP) que a fazer fé no nº2 ostentado na pá da mão era um exemplar com 4 anos. O toiro era muito bonito, tivesse mais um pouco de cara e era uma verdadeira estampa. Pena o comportamento não ser proporcional. Era bruto, distraído e investia com arreões, mostrando sentido ao tapar-se cada vez mais durante a lide. O João foi-lhe pisando os terrenos e logo no primeiro ferro comprido não se livrou de um violento embate que fez temer uma queda. Esteve bem nas cravagens, numa lide regular e com o interesse de se ter assistido à boa estreia das novas montadas. O nº361 de ER era bonito de pelagem, mas também era distraído. Em alguns momentos deu a sensação que tinha problemas de visão, saindo só em curto. Após uma primeira cravagem comprida onde abriu em demasia a sorte, o benjamim da casa Pamplona foi palmilhando uma lide em crescendo, ainda que o oponente não lhe facilitasse a vida. Pecou apenas pela pouca fluidez da lide, mas tal facto esteve associado à procura de testar novas montadas. Mostrou também que está de volta e que tal como Tiago, o legado da família tem continuidade e está em boas mãos.

Manuel Sousa, Cavaleiro Amador luso-descendente, veio da Califórnia para estar presente. Já tinha estado anteriormente na Praça de Toiros “Ilha Terceira”, mas num espectáculo de variedades taurinas. Utilizou montadas dos irmão Pamplona, mas entendeu-se pouco com as mesmas. O seu primeiro exemplar tinha o nº355 ER e entregava-se à luta, fica a sensação que merecia outra lide para se poder mostrar. O Cavaleiro esteve num patamar inferior. Sortes desacertadas e muitas dificuldades técnicas. Mostrou vontade e querer, no entanto faltam-lhe algumas das bases exigidas para se poder apresentar num espectáculo desta natureza. Frente ao nº120 de JG (ferro DP) esteve um pouco melhor, porém acabaram por vir à tona as mesmas dificuldades. O hastado foi cumpridor e procurou facilitar a vida ao Cavaleiro, mas quando não se domina a “ferramenta”, tudo são dificuldades. Destaque para o ferro curto com que encerrou a lide. Apesar de tudo, é de salutar que um jovem americano se dedique à Arte de Marialva. Manuel Sousa ainda tem tenra idade e uma grande margem de progressão. Assim continue a trabalhar de forma a fazer-se Cavaleiro Tauromáquico.

As pegas estiveram a cargo do Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande, organizador do evento. Sob as ordens do cabo Filipe Pires, viu-se que o grupo se encontra em constante renovação, apresentando muitas caras novas. André Lourenço, em dia de estreia, realizou uma boa pega à terceira tentativa, após ter acusado o nervosismo nas tentativas anteriores. Luís Valadão pegou à meia volta e com ajudas carregadas à terceira tentativa. Rui Dinis fechou-se à primeira sem dificuldades. Délcio Gomes fechou-se à primeira de forma um pouco atabalhoada, valeu-lhe a “bondade” do oponente. Daniel Brasil pegou à primeira com uma pega limpa. Fechou o espectáculo Valter Silva, a mostrar experiência e a ficar na cara sem problemas.

As bancadas ostentavam 1/3 de casa, num espectáculo com momentos de interesse a começar a época taurina nos Açores, dirigido sem dificuldades pelo antigo bandarilheiro e agora estreante Director de Corrida Rogério Silva, assessorado pelo médico veterinário José Paulo Lima.

Abrilhantou (e bem!) a banda da Sociedade Filarmónica Espírito Santo da Agualva.

Bruno Bettencourt
Foto: António Valinho

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Quando o triunfo tem um nome: Manuel! (Bastos e Pires)

Muitas vezes, no final está o princípio. No final das lides, no final das corridas. A Corrida das Festas da Praia 2015 que decorreu na Praça de Toiros “Ilha Terceira”, no passado dia 3 de Agosto, assim o provou. Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT), Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande (GFARG), seis pegas à primeira tentativa, umas com mais dificuldade, outras com menos, uma que talvez nem tenha sido bem… No final: um pegão de Manuel Pires! Um monumento na Catedral do Toureio Açoriano! Uma pega que, a par das duas que ocorreram no Campo Pequeno (por Marcelo Lóia e António Goes), constará sem dúvida alguma no leque das melhores da década!
O toiro investiu de pronto numa viagem recta, o homem do Ramo Grande fechou-se e foi levado até às tábuas. Aguentou derrotes e confusão nas ajudas. Quando parecia que tudo ia ficar por ali, o toiro sai do grupo e ruma em sentido contrário, derrotando sempre. O forcado aguentou com valentia, tendo sido muito importante a ajuda de dois dos companheiros que sempre o acompanharam. Estava assim consumada a pega de Manuel Pires, o clímax da corrida.

Mesmo que os homens das jaquetas tenham tido o maior destaque, a Corrida também teve (como é natural) a presença meritória dos restantes intervenientes. Desde logo, o grande aliciante era o curro da Casa Agrícola José Albino Fernandes (JAF). Pelas mais diversas razões, este era o curro que mais curiosidade despertou no decorrer da época taurina açoriana. Saíram bem apresentados, na generalidade, e com comportamento bastante semelhante. Não complicaram em demasia a tarefa aos cavaleiros, mas mostraram algumas reservas, faltando-lhes ímpeto necessário no momento das reuniões, para que as sortes resultassem mais emotivas. A destacar, em alguns momentos, os quinto e sexto da ordem. A arte de Marialva esteve representada por Rui Salvador, Tiago Pamplona e Manuel Telles Bastos.

Rui Salvador teve pela frente o lote mais desluzido em termos de comportamento. Frente ao primeiro da tarde traçou uma lide de bastante mérito, apesar de não terem existido momentos de grande realce, à excepção do seu 4º ferro curto. O toiro era uma estampa (nº374, 530Kg), mas era curto na investida e parava-se na reunião. O Cavaleiro ligou-se e veio ao de cima a sua veterania, ficando ainda assim a sensação que poderia ter escolhido melhor os terrenos. A sua segunda aparição em praça subiu o tom. Sempre em crescendo e a tapar as dificuldades do toiro (nº467, 460Kg), foi levando a água ao seu moinho, culminando com um grandioso ferro curto, a entrar pelo toiro e a pisar os seus terrenos.

Tiago Pamplona andou bem ligado ao segundo toiro da tarde (nº362, 500Kg). Entendeu o oponente e os terrenos que este pedia. No entanto, a pouca entrega do JAF na reunião, resultou em algumas passagens em falso. O quinto da ordem revelou-se cumpridor (nº377, 500Kg). Na saída partiu o portão da trincheira, na zona de acesso à Porta Grande. Após a cravagem dos compridos, executada com muita eficiência, a lide do Cavaleiro da Quinta do Malhinha havia de vir a menos. As primeiras sortes foram feitas com a medida certa, no entanto e de forma inexplicável, os ferros teimavam em não ficar cravados no toiro. E foram colocados no sítio certo! Tiago começou a desconcentrar-se e procurou corrigir de imediato sem o cuidado de colocar o toiro, precipitando-se. O exemplar JAF merecia outra lide.

O triunfo, a cavalo, haveria de sorrir novamente a Manuel Telles Bastos. Andou assertivo com o seu primeiro toiro (nº368, 495Kg), insistiu e obrigou-o a mexer-se. Uma boa lide que apenas foi beliscada pelos dois últimos ferros curtos que resultaram mal. O triunfo havia de consumar-se frente ao último toiro (nº380, 510Kg). O toiro deu boa réplica e foi evoluindo ao longo da lide. A cravagem dos curtos fez esquecer a colocação traseira dos compridos. Cinco ferros curtos a dar vantagens, a pisar os terrenos e a esperar pela investida de forma bastante cingida. Uma grande lide onde a entrega e o saber vieram ao de cima. Para além das qualidades de lidador de Telles Bastos, continuam a encantar a assistência as suas qualidades de grande equitador.

Voltemos à forcadagem! Pelo GFATTT João Pedro Ávila abriu praça com uma pega irrepreensível, fechando-se à córnea. Carlos Vieira vem-se afirmando de forma cada vez mais sólida e a provar esse facto, ficou a grande pega que efectuou ao terceiro toiro da tarde. Tomás Ortins fechou a participação do seu grupo com uma pega enorme, plena de querer, corrigindo-se sozinho na córnea do toiro, após este ter colocado a cara de forma descomposta. O GFARG fez-se representar por Luís Valadão, que executou sem grandes dificuldades. O quarto da tarde havia de ser pegado por César Pires, um dos homens de garra e de confiança. Apesar de ter sido dada como consumada, fica a percepção que o forcado terá ficado fora da cara. A finalizar, o triunfador da noite, Manuel Pires!

Dirigiu o espectáculo Carlos João Ávila que teve alguma dualidade de critérios quanto à atribuição de música. A assessoria esteve a cargo do médico veterinário José Vielmino Ventura. Abrilhantou a Banda da Sociedade Recreio Lajense.

Bruno Bettencourt
Foto: Samuel Fagundes

domingo, 28 de junho de 2015

A lealdade de Juan (parte II) - Porta Grande

Não é toureiro quem quer, mas sim quem pode. A afición terceirense sente isso e valoriza-o. Mais do que se deixar embalar pela cadência de um lance pleno de temple, ou pela plasticidade da flanela rubra ante a fúria de um bravo, esta emociona-se com a entrega de um toureiro. Foi assim que Juan Leal tocou fundo nos quase ¾ de casa que estavam na Praça de Toiros “Ilha Terceira” no passado dia 28 de Junho. Uma tarde ventosa em que a chuva caiu até pouco antes do início da corrida. A Feira era a de S. João e, a confirmar o nome do patrono, Juan foi levado em ombros como se estivesse a ser passeado num andor.
O triunfo ganhou cor no segundo do seu lote, um Jandilla (J) (nº100, 460Kg) que investia a galope e de forma repetida, nunca virando a cara à luta. O melhor exemplar da tarde. O diestro francês foi recebê-lo à porta dos curros, de joelhos, com uma larga afarolada, lance que repetiu já com o oponente em praça. Continuou lanceando sempre de joelhos em terra fazendo soar a primeira ovação da tarde. Após alguma chicuelinas bem desenhadas, prossegiu por zapopinas rematadas com nova larga de joelhos. No remate é colhido na zona do tronco e temeu-se alguma gravidade, mas logo se levantou e continuou lanceando para delírio da assistência. A praça era sua. Com a muleta, baseou-se na mão direita. Sacou séries de derechazos com temple e profundidade, as quais foi intercalando com circulares invertidos. Terminou, com bernardinas, uma lide triunfal que levantou as bancadas e lhe proporcionou duas voltas à arena. Para que esta função fosse mais completa, João Pedro Silva “Açoreano” e Gonçalo Toste estiverem em grande plano nas bandarilhas, ainda que o primeiro não se tivesse livrado de um valente susto após a cravagem do seu segundo par.
No primeiro do seu lote (Rego Botelho (RB), nº 46, 475Kg), Leal já havia mostrado que vinha para triunfar. Ante um exemplar que se metia por dentro e procurava o vulto quando lidado pela esquerda, o Matador arriscou e foi ao limite, traçando uma lide agradável que chegou às bancadas, fruto da sua entrega e persistência.

Diego Urdiales abriu praça diante de um RB (nº42, 415Kg) distraído que foi melhorando um pouco ao longo da lide, até ter rachado. O de La Rioja entregou-se e apesar da pouca réplica do oponente, escolheu os terrenos e tapou alguns dos defeitos do hastado, sacou-lhe a atenção e desenhou séries pela direita, de grande valor. O exemplar de J (nº 97, 445Kg), que lidou já na segunda parte, investia com a cara a meia altura e por vezes saía das sortes, vindo a menos. Urdiales procurou corrigi-lo lanceando com o Capote por baixo, repetindo-o com a Muleta. Deu vantagens ao novilho na escolha de terrenos e procurou sobressair com algumas séries de interesse, no entanto, a matéria-prima que tinha por diante não permitia melhor.

A Jiménez Fortes coube o lote de menor qualidade. O RB (nº30, 465kg) era bonito e deu boas indicações na saída, no entanto foi ficando curto de investida, metia-se por dentro e derrotava alto pela esquerda. A iniciar o tércio de Muleta, o Matador foi destapado pelo vento e foi volteado sofrendo um “puntazo” na coxa direita. Esteve laborioso e procurou fazer o que era possível diante de um novilho que não transmitia. Prolongou a lide em demasia. Na sua segunda aparição em praça, esteve em melhor plano. O novilho (J, nº16, 495Kg) foi dando boa réplica de início permitindo duas séries pela direita com bom ritmo e bem ligadas, no entanto havia de encurtecer a investida. Terminou assim a sua presença com uma lide agradável mas sem grandes motivos de realce.

Em dia de aniversário, Manuel Dias Gomes apresentou-se em Portugal como Matador de toiros. Diante de um exemplar RB (nº44, 430Kg) rubricou uma grande lide. Tirou partido das boas condições do oponente e com a mão direita imprimiu profundidade e arte, fixando o pé e fechando o compasso ao longo das séries. Mostrou entrega, saber e vontade de triunfar. O seu segundo (RB, nº45, 520Kg) era mais desluzido do que o anterior. Manteve sempre a cara a meia altura. Uma vez mais, Dias Gomes andou acoplado ao novilho. A destacar uma das séries de derechazos, longa, cingida e plena de temple. Apesar da entrega, não suplantou a sua primeira lide.

Voltando ao princípio, a corrida dirigida por Carlos João Ávila assessorado pelo Dr. José Paulo Lima, iniciou-se com um “passeíllo” onde estiveram incluídos picadores. Apesar de ser discutível esta inclusão, tendo em conta a proibição da sorte de varas há já alguns anos nos Açores, não deixa de ser uma presença simbólica e até uma forma de protesto, aliada às raias que se encontravam desenhadas na arena. Se nas corridas de Gala à Antiga Portuguesa, as cortesias são plenas de simbolismo e evocação de tempos idos, o mesmo também poderá acontecer nas corridas em que só actuem Matadores de toiros, as corridas “à espanhola”.

Abrilhantou a Banda da Sociedade Filarmónica Rainha Santa Isabel das Doze Ribeiras.


Bruno Bettencourt

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Corrida agradável em dia de S. João

A tarde parecia ser o reflexo da noite anterior, a mais longa noite do ano nos Açores, a noite de São João em Angra do Heroísmo. O céu apresentava-se cansado e nublado. Temeu-se chuva, mas a Corrida à Portuguesa, que estava anunciada, acabou por decorrer em ambiente agradável. Luís Rouxinol, Vítor Ribeiro e Gilberto Filipe, Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT) e Amadores do Aposento da Moita (GFAAM). Um exemplar de Rego Botelho (RB) e cinco de Assunção Coimbra (AC) para serem lidados que, apesar do trapio, tinham uma média de pesos na ordem dos 414Kg. A abrilhantar a Portuguese Band of San Jose. As bancadas registaram ¾ de praça. 

Luís Rouxinol teve pela frente um exemplar (RB, nº8, 430Kg) que respondia bem ao cite e se empregava no momento da reunião. Ligou-se ao toiro e mexeu-lhe os terrenos, numa lide regular em que soube tirar partido da boa colaboração do oponente. Na cravagem comprida andou algo irregular, corrigindo depois na cravagem curta. Destaque para o terceiro ferro cravado ao estribo, a consentir a investida do oponente. O segundo do seu lote (AC, nº95, 420Kg) era desligado e distraído. O Cavaleiro, face às dificuldades que tinha pela frente, desenhou uma lide em crescendo, dando vantagens e sacando toda a água do fundo do poço, mesmo quando este parecia já ter secado.

O pior lote da corrida havia de caber em sorte a Vítor Ribeiro. O nº108 de ferro AC (400Kg) mostrou-se igualmente distraído, parava-se no momento da reunião e tinha que ser incentivado pela voz do Cavaleiro. Ribeiro entendeu-o e foi-lhe pisando cada vez mais os terrenos, numa lide de entrega frente a um oponente que não transmitia ligação à contenda. O segundo do seu lote (AC, nº81, 400Kg), apesar de colaborador, adiantava-se e tapava-se no momento da cravagem. Uma lide agradável, mas sem deslumbrar, em que se verificou um bom desenho das sortes apesar das cravagens terem resultado traseiras.

O triunfo haveria de sorrir novamente a Gilberto Filipe, tal como acontecera na primeira corrida da feira. O AC nº100 (425Kg) apresentou-se distraído, aliás uma característica comum a estes exemplares que viajaram até aos Açores. A investida era curta e atravessava-se um pouco na reunião. Com o desenrolar da lide foi melhorando de comportamento, mercê também da acção do Cavaleiro. Filipe entregou-se e sacou o melhor que o toiro tinha dentro de si, chegando assim de forma sonora às bancadas. Destaque para o grande ferro cravado em terceiro lugar. Para finalizar a corrida, havia de lhe calhar um bom exemplar (AC, nº80, 410Kg). O toiro foi cumpridor, mostrou grandes condições de lide e entregou-se à luta. O Cavaleiro de Alcochete esteve em bom plano agarrando em definitivo o triunfo. Terminou com um grande ferro curto em que fez tudo bem feito.

No capítulo da forcadagem, a tarde começou com uma grande pega de João Silva (GFATTT) ao primeiro intento, aguentando alguns derrotes até chegar ao grupo. Seguiu-se-lhe José Maria Bettencourt (GFAAM) que à primeira também efectuou uma grande pega, destacando-se igualmente a intervenção do seu primeiro ajuda. José Sousa (GFATTT) demonstrou alguma imaturidade ao descobrir o grupo e adiantar as mãos nas primeiras tentativas, vindo a pegar à terceira com boa ajuda dos companheiros. Leonardo Mathias (GFAAM) fechou-se numa boa pega à terceira tentativa, após um primeiro intento em que aguentou barbaridades na cara do toiro, mas que a falta de grupo levou a que não conseguisse consumar. Carlos Vieira (GFATTT) efectuou uma valente pega, à primeira, com o grupo a ajudar de forma eficiente. Fechou a tarde Martim Oliveira (GFAAM), à primeira, com uma grande pega a aguentar longa viagem.

Dirigiu o espectáculo Carlos João Ávila, assessorado pelo Dr. José Vielmino Ventura.

Bruno Bettencourt

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Gilberto Filipe, Vinhas e Assunção Coimbra triunfam na primeira das Sanjoaninas

A fusão entre a classe de um toiro de Vinhas, de sangue Santa Coloma, e o temple na lide do cavaleiro Gilberto Filipe foi o momento de maior brilhantez da corrida concurso de ganaderias que abriu ontem domingo o abono das Sanjoaninas na Ilha Terceira.
“Tabaquero”, que assim se chamou o toiro de quatro anos premiado, não parou de investir com classe e um rítmico galope aos cavalos do marialva de Alcochete, o que este aproveitou para lhe fazer uma lide de grande precisão, na qual brilhou mais na hora de levar enganchado o toiro de Vinhas de um lado ao outro da praça do que ao cravar a ferragem, quando mostrou certa desigualdade.

Antes havia aberto praça o esperado toiro de Miura, com o que a lendária divisa sevilhana fazia a sua apresentação nos Açores. O exemplar de pelagem salgada “Artillero”, muito no tipo da sua estirpe, resultou num hastado nobre mas com pouco fundo. Acabou colocando a cara por cima ante os cavalos de Luís Rouxinol, quem jogou bem com os terrenos para tirar-lhe partido com eficácia e sobriedade.

O outro toiro espanhol, com o ferro de Jandilla, lidou-se em segundo lugar e foi o de maior imponência e peso dos seis. Tanto o “domecq” como a lide de Vítor Ribeiro foram de menos a mais, com uma segunda metade em que o cavaleiro brilhou especialmente com o seu grande cavalo “Cochicho”. As reuniões para cravar as bandarilhas foram as de maior frontalidade de todas quantas se viram durante a tarde.

A segunda parte da corrida resultou menos luzida na medida em que aos cavaleiros açoreanos lhes corresponderam também os hastados mais complexos ou desluzidos. Tiago Pamplona pôs vontade mas passou apuros ante o “jandilla” da ganaderia local de Rego Botelho, que tocou várias vezes nas suas montadas.

Pela sua parte, Rui Lopes também teve certos problemas ante o encastado quinto, de Assunção Coimbra, até que o toiro perdeu ímpeto e pôde luzir-se cravando pelos terrenos de dentro.
E já a encerrar, João Pamplona, resolveu discretamente ante um “murube” da divisa terceirense de João Gaspar que teve muito escassas forças.
 
Quanto aos forcados, uma vez que o anunciado grupo do Ramo Grande caiu do cartel pelo seu desacordo com a ordem de lide dos toiros, as seis pegas ficaram a cargo do Grupo da Tertúlia Tauromáquica Terceirense. De entre todas elas, numa excelente demostração de capacidade de todos os membros do grupo, destacou-se pelo seu mérito a de José Vicente, que se retirava da actividade, ao poderoso toiro de Jandilla.

As pegas ficaram a cargo de Fernando Sousa (à segunda tentativa), José Vicente, Carlos Vieira, Luís Cunha (à terceira tentativa), João Pedro Ávila (à segunda tentativa) e João Silva. A mais destacada foi a de José Vicente, que se retirava e deu a volta à arena em ombros dos seus companheiros.

A praça quase esgotou.
 
Ao início das cortesias observou-se um minuto de silêncio em memória do crítico taurino João Mascarenhas e do picador Rafael Trancas, ambos falecidos recentemente.

O júri designado para o efeito concedeu os seguintes prémios na corrida concurso:
- Melhor Lide: Gilberto Filipe, ao toiro de Vinhas.
- Melhor toiro: “Tabaquero”, nº 37, de 465 kilos, negro bragado meano, de Vinhas.
- Apresentação: “Ramero”, nº 103, de 445 kilos, flavo, de Assunção Coimbra.
- Melhor Pega: José Vicente, ao toiro de Jandilla.

Fonte: Sanjoaninas 2015

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