About

Mostrar mensagens com a etiqueta Sanjoaninas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sanjoaninas. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 4 de julho de 2017

Garrido (e) mais completo – 4º da Feira de S. João


Um curro de Rego Botelho encerrou a Feira de S. João 2017. Lide apeada a cargo de Román, José Garrido e Joaquin Galdós.

O primeiro exemplar da tarde (RB, nº93, 522Kg) mostrou-se distraído e brusco, acabando por se entregar no decorrer da lide, mercê do desempenho do Matador. Román esteve variado com o Capote, mostrando recursos e querer dar espectáculo. Com a Muleta lidou sempre no centro da arena, com ofício e a dar tudo para tudo tirar do oponente. Lidou maioritariamente pela direita, de forma cada vez mais templada. O seu segundo (RB, nº83, 431Kg) era nobre, com algum recorrido, vindo a rachar no final. O Matador imprimiu maior profundidade na lide. Esta resultou com bastante duração, ficando na retina a entrega do Toureiro através de bons pormenores com a Muleta.

José Garrido tirou bom partido dos exemplares que lhe couberam em sorte. O primeiro (RB, nº92, 458Kg) era muito voluntarioso, indo ao cite com nobreza e codícia. A lide mostrou a plasticidade e os pormenores artísticos que Garrido emprega. Esteve “mandão” com a Muleta e mostrou o porquê de ser apontado como uma das grandes figuras do toureio. Uma grande lide terminada com circulares invertidos junto às tábuas. O seu segundo (RB, nº73, 502Kg) também se entregava à luta, vindo a rachar no final. O Matador agarrou o oponente e toureou a gosto, recriando-se e mostrando a sua arte. Uma boa lide encerrada com Bernardinas que chegaram às bancadas. Neste toiro, Garrido desafiou os alternantes para o tércio de bandarilhas. O mesmo foi cumprido de forma desigual.

Joaquín Galdós recebeu um exemplar (RB, nº77, 516Kg) bruto e sem recorrido. Ensinou-o a investir para depois mostrar um toureio de quietude e proximidade. Mostrou algumas dificuldades em medir as distâncias, ainda assim mostrou bons pormenores numa lide de altos e baixos. O último do espectáculo (RB, nº91, 507Kg), revelou-se o exemplar com melhores condições de lide. Duração de investida e nobreza que foram aproveitadas por Galdós. Lidou com seriedade e poder. Novamente fez-se mostrar através de um toureio de proximidade e quietude, pisando terrenos de compromisso. Terminou por Luquesinas, adornando assim uma boa lide. Neste último também foram os matadores a cumprir o tércio de bandarilhas, tendo resultado novamente desigual.

Uma vez mais, os bandarilheiros açorianos estiveram num patamar superior. João Pedro Silva e Jorge Silva executaram os melhores pares da tarde. Já é normal assistir-se a um bom desempenho dos locais, o que tem (entre muitos outros) o benefício de fazer com que o público seja cada vez mais exigente com os de fora.

A corrida foi dirigida por Carlos João Ávila que se despediu do cargo após 20 anos de funções. Apenas um reparo para a dúvida em relação ao critério utilizado para atribuição de música durante as lides. Foi assessorado por José Paulo Lima.

Abrilhantou a Banda da Sociedade Filarmónica rainha Santa Isabel da Doze Ribeiras. Abrilhantou e bem! Se na corrida anterior a música tinha estado em excesso, aqui as interpretações foram executadas na medida certa, com o volume certo, a complementar as lides!

Antes do início do espectáculo, foi homenageado o Matador californiano e luso-descendente Dennis Borba pelos seus 30 anos de Alternativa. Durante o intervalo, foi homenageado Carlos João Ávila pelos seus 20 anos de Director de Corridas e por todo o precioso contributo que tem dado à Festa Brava nos Açores.


Bruno Bettencourt
Foto: António Valinho

domingo, 2 de julho de 2017

Triunfaram os clássicos na Corrida de Gala – 3ª Corrida da Feira de S. João

Doze anos depois, o Neto deu início às Cortesias na Monumental “Ilha Terceira”. A Corrida de Gala Antiga Portuguesa teve assim o seu início com o ritual alusivo à época.

Toiros de João Gaspar e Francisco Sousa. De tricórnio Tiago Pamplona, Manuel Telles Bastos e Miguel Moura. De jaqueta enramada, os Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT) e os Amadores do Ramo Grande (GFARG).

Não interessa como se começa, mas como se acaba! Este bem podia ser o resumo da noite de Tiago Pamplona. Após a recolha do toiro (FS, nº15, 410Kg) que se inutilizou, depois da cravagem de dois compridos, recebeu o segundo do seu lote com uma lide em crescendo. O toiro (JG, nº27, 515Kg) era volumoso e entregou-se com codícia, tendo tido duração. O Marialva do Posto Santo procurou o triunfo e mostrou boa ligação com o público. Esteve criterioso na escolha de terrenos e mostrou os seus dotes de excelente equitador. Encerrou uma lide triunfal com um excelente ferro curto ao estribo, antecedido por uma viagem plena de temple. Nota para o facto de ter saído da arena no momento certo sem se deixar deslumbrar pelo pedido de “mais um”!

Manuel Telles Bastos lidou um exemplar (FS, nº11, 436Kg) cumpridor que se foi defendendo em alguns momentos, mas sem complicar. Uma lide de entrega e saber, a trazer ao de cima as qualidades do toiro e a romper para o triunfo. Mostrou bonitos pormenores do classicismo que o caracteriza, aliando a sua maestria de equitador à intuição de lidador. O toiro (JG, nº28, 433Kg), com que encerrou a sua participação na Feira, saiu com pata e revelou-se muito andarilho, tendo dificuldade em fixar-se. Há a destacar a cravagem correctíssima dos compridos e a precisão milimétrica com que cravou cada uma das farpas, durante toda a lide. Mostrou-se entendedor do oponente e optou por uma lide de proximidade, pisando os terrenos do toiro e lidando ao melhor estilo português.

A Miguel Moura calhou o lote menos luzido, mas que ainda assim cumpriu sem complicar muito. O primeiro toiro (JG, nº18, 433Kg) era voluntarioso, mas viria a rachar no final. Moura foi desenrolando a lide com bons pormenores. Uma lide à maneira da escola mourista a chegar bem ao público. Pecou por ter prolongado a lide em demasia. O último toiro (FS, nº7, 494Kg) era distraído e parava-se na reunião, saindo desligado das sortes. Fica a sensação que o Cavaleiro o podia ter alegrado mais. A lide resultou sem som e própria para hipertensos. Algum luzimento no final, mas sem grande transmissão à assistência.

Nas pegas destacaram-se Daniel Brasil do GFARG e Francisco Matos do GFATTT. Ambos realizaram rijas pegas, à primeira, a aguentar bem e a mostrar querer ficar na cara do toiro! Pegaram ainda Luís Sousa (GFATTT) à segunda e a sesgo, Rui Dinis (GFARG) que com uma boa pega se fechou à segunda tentativa e João Pedro Ávila (GFATTT) à segunda com uma boa ajuda do grupo.

A corrida foi dirigida com diligência por Rogério Silva, sendo assessorado por Vielmino Ventura.
Abrilhantou a Banda Filarmónica Divino Espírito Santo de Artesia. Um reparo para o facto de ter havido alguma falta de moderação no volume da interpretação musical. Não está em causa a qualidade da banda, que é de facto muito boa, mas numa praça de toiros a banda deve complementar e não se sobrepor a todo o resto.


Bruno Bettencourt
Foto: André Pimentel

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Espectáculo Misto de sabor agradável – 2ª da Feira de São João


Decorreu em ritmo agradável aquela que foi a segunda corrida da Feira de São João 2017. A Monumental “Ilha Terceira”, com as bancadas bem compostas, acolheu o espectáculo misto com Marcos Bastinhas, Álvaro Lorenzo e Ginés Marin. Dois toiros da Casa Agrícola José Albino Fernandes (JAF) para a lide equestre e quatro de Falé Filipe (FF) para o toureio a pé.

Marcos Bastinhas recebeu o primeiro da tarde (JAF, nº431, 522Kg), uma estampa que revelou muito boas condições de lide, empregando-se e indo a galope com bravura. O Cavaleiro de Elvas superou as suas prestações do dia anterior. Lide séria e emotiva, com um toureio mais pausado, sem recorrer a adornos desnecessários. Lidou praticamente sempre com a mesma montada durante toda a lide, rubricando cravagens poderosas nos curtos, dando sempre vantagens ao oponente. O seu segundo toiro (JAF, nº426, 474Kg) também cumpriu e mostrou-se lutador. A lide aqui resultou em menor plano, com cravagens bastante irregulares resultantes de quarteios mal medidos após batidas ao pitón contrário. Fechou com um violino que chegou bem às bancadas.

Álvaro Lorenzo provou o oponente (FF, nº46, 472Kg) com o Capote, para depois dar lugar ao tércio de Bandarilhas onde se destacou João Pedro Silva. Com a Muleta foi encaminhando o oponente que, apesar de muito brusco pela esquerda, se foi entregando à lide com alguma nobreza. Uma lide de entrega onde se mostrou trabalhador, baseando a contenda na mão direita, mostrando profundidade e bons pormenores artísticos. Posteriormente haveria de lidar aquele que foi o melhor exemplar da tarde (FF, nº29, 494Kg). Este, entregou-se com recorrido durante toda a lide e sem nunca parar de investir. Houvesse mais tempo de lide no regulamento e mais investida haveria. O Matador tirou partido destas condições e foi passeando a flanela vermelha por ambos os lados. A cada passe, o temple e a profundidade iam aumentando, assistindo-se a belos momentos de arte e ofício. Terminou, adornando-se por Luquecinas e fazendo vibrar a assistência. Lorenzo mostrou muito boas maneiras nesta sua passagem pela ilha Terceira.

Com Ginés Marin vinha a expectativa alimentada pelo grande momento que atravessa na sua carreira. O seu primeiro oponente (FF, nº16, 476Kg) empregava-se, mas a falta de força condicionou-lhe a forma de investir e consequentemente o desenrolar da lide. O ofício iniciou-se com uma vistosa série de Verónicas. No tércio de bandarilhas, destacou-se Gonçalo Toste. Com a Muleta foi corrigindo a altura da mão, de forma a auxiliar o exemplar de Falé Filipe e assim evitar que este caísse por terra. A faena desenrolou-se por ambos os lados e ao longo da zona de sombra, terminando à porta dos curros. Marin mostrou-se um toureiro de recursos, capaz de contornar as dificuldades que lhe são colocadas e ao mesmo tempo conseguir sacar o que de bom o toiro tinha. Falta de força também tinha o exemplar com que fechou a corrida (FF, nº2, 487Kg). Apesar disso, entregou-se com nobreza, superando as condicionantes físicas. Com a mão esquerda, o Matador foi expondo quietude em cada uma das viagens. Citou por ambos os lados e arrimou-se, mas sem nunca conseguir romper para uma lide plena de triunfo.

As duas pegas da tarde ficaram a cargo do Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT). Francisco Matos pegou à segunda com uma primeira ajuda de grande nível por parte de Fernando “Mangueira”. A segunda da tarde ficou a cargo de Helénio Melo que se fechou com valentia ao segundo intento, fazendo assim a sua despedida, ao fim de 25 anos de forcado!!
Uma nota para este que é um dos forcados históricos do GFATT, um dos mais rijos da geração que nos últimos anos tem entregue a jaqueta. Com todo o mérito, o seu percurso ficará registado na galeria dos maiores forcados desta ilha!

Mário Martins dirigiu a corrida, sendo assessorado por José Paulo Lima. Abrilhantou a Banda da Sociedade Filarmónica da Serreta.

Bruno Bettencourt
Foto: André Pimentel

Rego Botelho, Pamplona e Vila Franca – 1ª da Feira de S. João

Começou a Feira de S. João 2017! Começou com o emblemático Concurso de Ganadarias no dia do santo que lhe dá o nome. Uma praça cheia assistiu a uma tarde de toiros que decorreu num ritmo muito agradável. Em disputa os prémios para Melhor Toiro, Melhor Apresentação, Melhor Lide e para Melhor Grupo de Forcados, prémio que vem substituir (e bem!) o até agora Prémio para Melhor Pega.

O primeiro da tarde ostentava o ferro de Murteira Grave (nº50, 492Kg). Este “cinqueño” era muito harmonioso, mas ficou-se por aí a qualidade demonstrada. A início parecia ter problemas de visão, mas os problemas eram bem maiores do que isso. Virou a cara à luta e por três vezes o toiro se deitou na arena. Este comportamento invulgar deixa a desconfiança da existência de alguma debilidade física. Manuel Telles Bastos nada pode fazer. Iniciou com três curtos e ainda cravou um curto após tentar sacar água daquele poço vazio.

O exemplar de Rego Botelho (nº66 532Kg) haveria de apagar a imagem do toiro anterior. Saiu alegre e com som a mostrar muita codícia. Não se ressentiu dos castigos e arrancava-se de largo aos cites, empregando-se até ao final da lide. Aliado a tudo isto, o trapio e a bonita presença física deste exemplar. Marcos Bastinhas esperou-o na porta dos curros e mostrou querer agarrar o triunfo, e a assistência, logo de início. Uma lide em crescendo que transpirou a “marca Bastinhas” por todos os poros. O Cavaleiro de Elvas deu sempre vantagens ao oponente, no entanto algumas das sortes pecam pelas passagens em falso e pelas cravagens aliviadas. Encerrou com um bom par de bandarilhas.

Da Casa Agrícola José Albino Fernandes (nº416, 493Kg) saiu um exemplar harmonioso e bastante em tipo da ganadaria. O toiro investiu sempre sem complicar. No final da lide foi ficando curto de investida, tapando-se, no entanto sem nunca complicar. João Pamplona recebeu-o com um bom ferro à “Porta Gaiola”, mostrando que também ele ali estava por mérito próprio. Lide onde a ligação com o público foi crescendo e, ferro após ferro, o perfume do triunfo foi-se fazendo sentir. Esteve lidador, a mexer com o toiro e não se limitando a cravar.

O exemplar jorgense de Álvaro Amarante (nº155, 403Kg) marcou a estreia da ganadaria da ilha do dragão nesta Feira. Era bonito e muito “bem desenhado” apesar de ter menos volume. Trazia ímpeto e, apesar de ter perdido algum fogo com o desenrolar da lide, cumpriu e mostrou bons modos, mas foi-se defendendo por alto no decorrer da lide. Aqui, Manuel Telles Bastos já conseguiu mostrar algum do toureio que traz dentro de si. Andou ligado ao hastado e, apesar de algum desacerto na cravagem, acabou por realizar uma boa lide onde se destacam os 3º e 4º ferros curtos, cravados como mandam os cânones da cavalaria portuguesa.

O exemplar de João Gaspar (nº30, 526Kg) encheu os olhos à assistência. Bonito e volumoso. Revelou bom andamento e entrega durante o desenrolar da lide. No final da lide foi-se parando e mostrando o andamento típico do encaste murube, ao qual pertence. Marcos Bastinhas montou um vistoso Palomino e procurou dar espectáculo com adornos à boa maneira espanhola. Tentou agarrar o público através das piruetas e dos câmbios em cima dos terrenos do toiro. Faltou o fundamental: cravou e não lidou!

Era de Francisco Sousa (nº16, 419Kg) o último da tarde. Saiu alegre e com pata, mostrando codícia na investida. A meio da lide deu alguns sinais de perda de ímpeto, encurtecendo a investida, no entanto, despertou novamente e voltou a entrar na luta com a bravura inicial. João Pamplona tirou partido das condições do toiro da divisa verde e lilás. Indo em crescendo, foi galvanizando as bancadas. Esteve bem na escolha de terrenos, lidando a gosto. O seu 4º ferro foi o melhor da tarde! Muito bem esteve o mais novo cavaleiro da Quinta do Malhinha!

Como já foi referido, este ano esteve em disputa o prémio para “Melhor Grupo”, destacando assim todo o desempenho dos forcados ao logo da corrida. Pelos Amadores de Vila Franca estiveram na cara: Márcio Francisco, que aguentou a viagem ensarilhada do toiro e se fechou à primeira, Francisco Farinha, que à segunda aguentou um derrote muito alto e se fechou com querer, e Rui Godinho, numa boa pega à primeira, sem dificuldade. Pelos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, pegaram: Luís Cunha, à terceira, após duas tentativas em que sentiu dificuldade em medir a investida do toiro, João Silva (a dobrar Carlos Vieira que saiu lesionado) com querer a fechar-se com valentia e com preciosa ajuda do grupo e, por fim, Luís Sousa numa grande pega à segunda tentativa.

Uma nota final apenas para referir um aspecto que foi por demais evidente nesta corrida: se até há algum tempo era pontual o uso de ferramentas auxiliares, hoje parece ter-se generalizado o uso de gamarras e serretas. Nesta corrida concurso, não chega a uma mão cheia o nº de montadas que não tinha pelo menos uma gamarra. As qualidades de equitador dos intervenientes são conhecidas de todos, mas usar e abusar de “travões auxiliares” tira-lhes todo o brio.

A corrida foi dirigida por Rogério Silva, assessorado por Vielmino Ventura. Abrilhantou a Banda da Sociedade Filarmónica Espírito Santo da Agualva.

Foram distribuídos assim os prémios:

- Melhor toiro: “Bandeirote”, nº 66, 532kg, Rego Botelho
- Melhor apresentação: “Bandeirote”, nº 66, 532kg, Rego Botelho
- Melhor lide: João Pamplona
- Melhor grupo de forcados: Amadores de Vila Franca de Xira

Bruno Bettencourt
Foto: António Valinho

sábado, 24 de junho de 2017

Feira de São João 2017 - Começa hoje!!


terça-feira, 11 de abril de 2017

Feira de São João 2017 - cartaz


Apresentação da Feira de São João 2017

 A apresentação do cartaz da Feira de S. João 2017 ocorreu na manhã de 11 de Abril no Salão Nobre da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo.
Coube a Arlindo Teles, Presidente da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, entidade organizadora do certame, a apresentação do mesmo. A Feira, orçada em perto de 280.000 euros, conta com a realização de 4 espectáculos em praça, retomando assim o “modelo tradicional” da feira, ao contrário dos anos anteriores. Segundo a organização, a realização de mais uma corrida espelha o facto das ganadarias locais estarem melhor preparadas ao nível do número de efectivos e por outro lado constitui uma maior oportunidade para os artistas locais.
Assim sendo, e em termos de corridas, será mantida a Corrida Concurso de Ganadarias (dia 24 de Junho), um Espectáculo Misto (dia 25 de Junho), uma Corrida de Gala à Antiga Portuguesa (dia 30 de Junho) e a finalizar, um espectáculo apeado intitulado “Grandioso Espectáculo” (dia 02 de Julho) que tem sido a “grande bandeira de promoção internacional desta Feira”.

No cartaz destacam-se os nomes de Ginés Marín e José Garrido no toureio a pé, Manuel Telles Bastos, Marcos Bastinhas e Tiago Pamplona, no que ao toureio equestre diz respeito. O Cavaleiro Miguel Moura fará a sua estreia nesta feira. Serão lidados ao longo da Feira toiros das ganadarias de Murteira Grave, Rego Botelho, Casa Agrícola José Albino Fernandes, Álvaro Amarante (que se estreia nesta feira), João Gaspar e Francisco Sousa (triunfadora da edição de 2016). Em praça estarão ainda os Grupos de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, Tertúlia Tauromáquica Terceirense e Ramo Grande.

Em relação à restante composição da Feira de São João, realizar-se-á o habitual “Espectáculo da Juventude” na Praça de Toiros “Ilha Terceira”, no dia 28 de Junho. Serão lidados novilhos de Rego Botelho e actuará ainda o Grupo Juvenil do GFATTT a par de uma jovem promessa do toureio equestre e do toureio apeado. Haverão ainda actividades na arena para os mais novos.
Os espectáculos de tauromaquia popular contam com as tradicionais Esperas de Gado (dia 24 e dia 26 para crianças), Touradas à Corda nas Doze Ribeiras, nos Altares e a tradicional Tourada no Porto das Pipas. Estes eventos contarão com exemplares de diversas divisas terceirenses.

Ainda, segundo a organização, o reflexo das apostas efectuadas nesta feira, em anos anteriores, vai-se sentindo cada vez mais ao nível do turismo taurino. Este ano são vários os grupos que se deslocarão à ilha propositadamente para assistir aos eventos da feira. Em termos de retorno económico, calcula-se que sejam gerados 115.500 euros para a economia local.

FEIRA DE SÃO JOÃO 2017

CONCURSO DE GANADARIAS
Dia 24 de Junho, 18h00

-TOIROS-
Murteira Grave
Rego Botelho
Casa Agrícola José Albino Fernandes
Álvaro Amarante
João Gaspar
Francisco Sousa

-CAVALEIROS-
Manuel Telles Bastos
Marcos Bastinhas
João Pamplona

-FORCADOS-
Amadores de Vila Franca de Xira
Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense

-BANDA-
Sociedade Filarmónica Espírito Santo da Agualva


ESPECTÁCULO MISTO
Dia 25 de Junho, 18h00

-TOIROS-
Casa Agrícola José Albino Fernandes

-CAVALEIRO-
Marcos Bastinhas

-MATADORES-
Álvaro Lorenzo
Ginés Marín

-FORCADOS-
Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense

-BANDA-
Sociedade Filarmónica Recreio Serretense


CORRIDA DE GALA À ANTIGA PORTUGUESA
Dia 30 de Junho, 22h00

-TOIROS-
João Gaspar
Francisco Sousa

-CAVALEIROS-
Tiago Pamplona
Manuel Telles Bastos
Miguel Moura

-FORCADOS-
Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense
Amadores do Ramo Grande

-BANDA-
Filarmónica Artesia Divino Espírito Santo


GRANDIOSO ESPECTÁCULO
Dia 02 de Julho, 18h00
-TOIROS-
Rego Botelho

-MATADORES-
Román José Garrido
Joaquín Galdós

-BANDA-
Sociedade Filarmónica Rainha Santa Isabel das Doze Ribeiras

Bruno Bettencourt

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Video resumo da terceira corrida da Feira de S. João 2016


Aqui fica o video com o resumo da terceira corrida da Feira de São João:


“Casas comigo? Vai por ti!” – Crónica da terceira da Feira de S. João

A Corrida comemorativa do 50º aniversário da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (TTT) decorreu agradável na generalidade. Na Praça de Toiros “Ilha Terceira” lidaram-se toiros da Casa Agrícola José Albino Fernandes (JAF) e de João Gaspar (JG) numa tarde fresca que ameaçava chuva.

O primeiro da tarde (JG, nº19, 429Kg) saía bem ao cite e empregava-se, no entanto foi-se reservando no final da lide, mercê de uma aparente lesão na mão direita. Gilberto Filipe aplicou-lhe uma lide correcta a procurar dar vantagens, mas sem aquecer a assistência e a passar quase despercebido com cravagens menos conseguidas. Com o quarto da ordem (JAF, nº415, 469Kg), o Cavaleiro de Alcochete esteve igual. Procurou sacar alguma coisa do oponente que se mostrou distraído e que investia com a cara alta, mas a lide não passou além da arena, não deixando de ser agradável apesar da pouca história.

O segundo toiro da tarde (JAF, nº404, 515Kg) estava muito bem apresentado e foi recebido à porta dos curros por Marcos Bastinhas. O ginete tirou partido da investida pronta do oponente e após dois ferros compridos de praça a praça, cravou um ferro curto da mesma forma. Uma boa lide a fazer vibrar o público angrense pela particularidade de ter efectuado as cravagens de um ferro de palmo e de dois pares de bandarilhas logo após o primeiro curto. O nº 413 JAF (410Kg) era pequenote, mas o Cavaleiro de Elvas esteve grande. O toiro investia de largo e dava boa réplica de si. A lide foi em crescendo tendo sido baseada em batidas ao piton contrário. Terminou a sua passagem triunfal pela Feira de S. João com mais um par de bandarilhas de frente.

João Pamplona recebeu um toiro cornalão (JG, nº12, 513Kg) que havia estado anunciado para a Corrida Concurso do dia anterior. O toiro saía de pronto mas parava-se na reunião, carregando pouco. João esteve ao seu jeito, a mostrar querer e a procurar o triunfo, chegando de boa forma às bancadas. Esteve correcto na preparação das sortes e na brega, no entanto terá usado velocidade a mais no momento das cravagens. O sexto da tarde (JAF, nº411, 484Kg) foi sem dúvida o melhor toiro da corrida. Tinha pata e deu luta investindo com codícia e vontade. João Pamplona esteve a gosto, mais sereno. Mexeu-lhe os terrenos e tirou partido das condições que tinha por diante. Terminou uma boa lide com o bom ferro curto a esperar e a cravar como mandam as regras.

Os forcados eram do Grupo de Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT) e do Grupo de Amadores de Turlock (GFAT) que este ano celebra 40 anos de existência e de perpetuação da cultura portuguesa em terras californianas. Abriu praça Carlos Vieira (GFATTT) que se fechou à primeira sem dificuldades. João Salvação (GFAT) que se apresentou fardado pelo grupo americano, pegou à quarta tentativa, mercê de cites um pouco precipitados e de falta de ajuda do grupo. Tomás Ortins (GFATTT) mostrou raça e pegou à primeira ao aguentar-se na cara do toiro, ainda que tivesse ficado com as pernas penduradas num dos pitons. David Sanchez (GFAT) pegou à primeira com valentia. Não fora o seu querer, a falta de grupo poderia ter prejudicado a concretização. João Silva (GFATTT) teve dose dupla. Brinda à namorada e pede-lhe em casamento para depois se fechar à primeira na cara do toiro, esteve muito bem o grupo a ajudar. Concretizada a pega, recebeu o desejado “Sim!” e a consequente ovação dos presentes. Fechou a tarde/noite George Martins (GFAT) com uma grande pega a mostrar técnica e a aguentar um derrote por cima. Uma vez mais valeu ao grupo a eficácia do forcado da cara.

Um reparo para o facto de não terem sido acesos os holofotes da praça. João Pamplona lidou o sexto da ordem quase às escuras.

Dirigiu a corrida Carlos João Ávila, tendo sido assessorado pelo médico-veterinário Vielmino Ventura. Abrilhantou a Corrida a Banda Filarmónica Lira Açoriana de Livingston (Califórnia). No intervalo foi descerrada uma lápide, no interior da praça, de forma a assinalar o 50º Aniversário da TTT.

E termina assim a Feira de São João de 2016!

Bruno Bettencourt
Foto: António Valinho

domingo, 26 de junho de 2016

Video resumo da Corrida Concurso de Ganadarias da Feira de S. João 2016


Aqui fica o video com o resumo da Corrida Concurso de Ganadarias da Feira de São João:

“Oceano” de bravura – crónica da segunda da Feira de S. João

A sair de largo ao cite, pleno de codícia, investida vibrante e sonora que se prolongou até ao final. Foi assim o “Oceano” da ganadaria de Francisco Sousa (nº2, 454Kg). O ferro mais antigo da ilha Terceira fez a sua estreia em corridas oficiais da forma mais auspiciosa! Antiguidade de 25 de Junho de 2016 que fica assim registada com a melhor das recordações. E dele tirou partido Marcos Bastinhas. Uma lide superior com cites de praça a praça a galvanizar a assistência. O toiro deu-lhe tudo e ele tudo agarrou. Sortes plenas de verdade e emoção. Desnecessária a volta á arena acompanhado de duas das montadas. 

Mas voltemos à ordem cronológica da “Corrida Concurso de Ganaderias” inserida na Feira de São João 2016. No início das cortesias fez-se um minuto de silêncio em memória de Mestre David Ribeiro Telles.

Gilberto Filipe enfrentou um bonito exemplar de Juan Pedro Domecq (nº125, 460Kg). O toiro apesar de parecer mostrar alguma querença, respondia bem ao cite e foi colaborante. Filipe mostrou que estava para triunfar e esteve correcto na abordagem das sortes e nas escolhas dos terrenos. Destaque para o quarto ferro curto. O segundo do seu lote era da Casa Agrícola José Albino Fernandes (nº397, 503Kg). Um toiro muito em tipo da ganadaria e a entregar-se, investindo de pronto. O Cavaleiro andou um pouco aquém da sua primeira lide. Apesar de lidar de forma correcta, prolongou para além do aceitável. É verdade que há um tempo regulamentar de lide, mas não é cravar em quantidade que conta.

Tiago Pamplona mostrou o toureio que lhe corre nas veias. Celebra 10 anos de alternativa e os anos vêm mostrando o seu valor. Lidou um exemplar de Murteira Grave (nº42, 434Kg) que de início parecia estar diminuído em termos de visão. Foi-se fixando ao longo da lide indo ao cite e cumprindo. Tiago lidou a gosto, muito correcto nas cravagens e na brega, chegando ao público. Um boa lide marcada pelos 2º, 3º e 4º ferros curtos. Era da ganadaria de João Gaspar (nº15, 573Kg) o segundo do seu lote. O murube era volumoso e colaborante, investindo quando lhe era exigido. O Marialva da Quinta do Malhinha superou-se e preparava-se para rubricar uma lide triunfal. Três bons ferros curtos a dar vantagens e a tirar partido das boas condições do oponente. Por azar o toiro havia de se lesionar num dos membros, obrigando a abreviar a lide.

Voltando a Marcos Bastinhas, esperou à porta dos curros o nº35 (567Kg) de Rego Botelho. O toiro não dificultou, no entanto era tardo a sair ao cite. Bastinhas foi palmilhando a lide sempre em crescendo até conseguir agarrar a assistência. Compreendeu bem as necessidades do toiro e cravou entrando em terrenos de compromisso. Encerrou com um par de bandarilhas em terrenos de dentro.

Nas pegas estiveram em competição o Grupo de Forcados Amadores de Santarém (GFAS) e o Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT). Pelo GFAS saltaram à arena David Inácio que se fechou à córnea ao primeiro intento com o grupo a ajudar bem, João Brito que pegou à terceira com ajudas carregadas após ter sofrido violentos derrotes nas tentativas anteriores e o Cabo João Grave que se fechou à primeira com uma boa pega a mostrar técnica e valor. Pelo GFATTT abriu praça Helénio Melo que realizou uma grande pega à primeira aguentando derrotes e a aguentar-se bem fechado, João Pedro Ávila à primeira fechou-se com toda a sua experiência sendo levado até às tábuas e aguentando a violência dos embates, Luís Cunha pegou à segunda com uma boa pega após ter sido derrotado na tentativa anterior.

Dirigiu a corrida o estreante director Rogério Silva, antigo Bandarilheiro, sendo assessorado pelo médico-veterinário José Paulo Lima. Abrilhantou a Banda da Sociedade Musical da Terra-Chã.

No final o júri deliberou:
- Melhor Lide a Cavalo: Marcos Bastinhas (pela lide ao 6º da ordem) 
- Melhor Pega: João Pedro Ávila (GFATTT)
- Melhor Apresentação: “Espia”, nº125 da ganadaria de Juan Pedro Domecq
- Melhor Toiro: “Oceano”, nº2 da ganadaria Francisco Sousa

Bruno Bettencourt
Foto: António Valinho

sábado, 25 de junho de 2016

Video resumo da primeira Corrida da Feira de S. João 2016


Aqui fica o video com o resumo da primeira corrida da Feira de São João:


Leal de novo – crónica da primeira da Feira de S. João

A Feira de S. João de 2016 em Angra do Heroísmo, já começou! No dia 24 de Junho, pelas 18h30, iniciaram-se as cortesias do anunciado “Grandioso Espectáculo” com os Matadores Daniel Luque, Juan Leal e José Garrido. Lidaram-se novilhos de Rego Botelho, bem apresentados e morfologicamente muito em tipo da ganadaria.

Daniel Luque recebeu com o Capote, desenhando uma série cingida de Chicuelinas. Com a Muleta, provou o oponente por ambos os lados, no entanto baseou a lide na mão direita. O nº57 (450Kg, RB) não se negava à luta, no entanto foi ficando em curto, revelando sempre bastante aspereza ao derrotar no engano. Luque mostrou o seu toureio, pena que não tivesse havido mais nobreza por parte do novilho. Com o “Descornado” (nº64, 462Kg, RB) esteve num patamar superior ao anterior. O borralho tinha recorrido e nobreza de investida. No início da lide abriu a unha do membro anterior esquerdo, mas isso não foi impedimento para a sua investida continua. O Matador de Gerena armou taco e com a muleta conseguiu chegar às bancadas. Duas séries de Derechazos templados e profundos, marcaram uma lide em crescendo que terminou com Luquesinas. Apesar do desempenho artístico e da entrega, a segunda volta à arena não teve cabimento.

Juan Leal já goza de grande popularidade entre a afición terceirense. Por vários momentos vem à ilha Terceira e, aliado a isso, já começa a perceber a receita ideal para agarrar o triunfo em terras atlânticas. Entrega e dedicação são dois pontos fundamentais. Se assim o sabe, assim o executou diante do “Lagunero” (nº53, 506Kg, RB). O hastado tinha muito boas condições de lide. Investida longa (que veio a ficar em curto) nobreza e entrega. Foi recebido por Cordobinas às quais se seguiram as sempre vistosas Zapopinas que chegaram aos sectores. Com a Muleta recebeu o oponente pelas costas para depois seguir toureando pela direita, baixando a mão e templando a gosto. A cada cite foi fechando o compasso e dando cada vez mais plasticidade à função. No final desta lide triunfal, sofre uma voltareta quando simulava a morte e, após ter embatido no solo, perdeu a noção de espaço e equilíbrio, mas sem consequências de maior. A sua segunda lide diante do nº58 (526Kg, RB) tem pouca história. O novilho lesionou-se num dos membros anteriores e foi recolhido. Fica o destaque dos dois pares cravados pelo Bandarilheiro João Pedro Silva que agradeceu de Montera em mão.

Para José Garrido estava anunciado o nº65 (530Kg, RB). O novilho pouco depois de ter saído nos curros embateu violentamente num burladero, tendo lesionado a medula e caído praticamente morto. Saiu então o sobrero (nº51, 484Kg, RB). O novilho era bisco e cumpriu bem o que lhe era pedido. Foi recebido de joelhos com uma Larga Cambiada seguindo-se uma série de Verónicas. Com a muleta Garrido esteve eficiente, no entanto as séries resultaram pouco ligadas, mercê da aparente falta de força do novilho. O Matador deveria ter dado mais espaço ao oponente. O toureio quer-se cingido, mas nem sempre é possível. Ainda assim o jovem Matador mostrou querer, numa lide que resultou agradável. O nº55 (530Kg, RB) que lidou em segundo lugar veio destoar um pouco o comportamento dos irmãos de camada. Saía solto das sortes não permitindo a conexão necessária. O Matador começou por prová-lo por ambos os lados, e procurou ligar-se. Já perto do final da lide, o novilho lesionou-se num dos membros e teve que ser recolhido.

Destaque ainda para Gonçalo Toste que tomou a Alternativa de Bandarilheiro Professional.

Duas considerações finais que se impõe: à vista fica a ideia que o piso da arena da Monumental Ilha Terceira está demasiado solto. As lesões verificadas nos animais poderão estar relacionadas com tal facto, uma vez que as mesmas ocorreram sempre durante investidas circulares em que os novilhos ficavam com os membros presos na quantidade abundante de piso solto.
É urgente que quem está na trincheira perceba que não se pode movimentar de ânimo leve durante as lides. Existem burladeros na trincheira para que as pessoas se coloquem ou, caso não exista espaço, encostem-se à parede. Não se percebe como é que não se toma uma atitude em relação a quem está na trincheira, sem saber lá estar.

Dirigiu a corrida, com critério, Carlos João Ávila, tendo sido assessorado pelo médico-veterinário Vielmino Ventura. Abrilhantou (e bem!) a Banda da Associação Cultural do Porto Judeu. Assim se mostra que as bandas estão presentes para acompanhar o espectáculo no plano certo, não para se sobrepor sonoramente a todo o resto.


Bruno Bettencourt
Foto: António Valinho

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Feira de S. João 2016 - Começam hoje as corridas!!


quarta-feira, 4 de maio de 2016

Feira de S. João 2016


domingo, 28 de junho de 2015

A lealdade de Juan (parte II) - Porta Grande

Não é toureiro quem quer, mas sim quem pode. A afición terceirense sente isso e valoriza-o. Mais do que se deixar embalar pela cadência de um lance pleno de temple, ou pela plasticidade da flanela rubra ante a fúria de um bravo, esta emociona-se com a entrega de um toureiro. Foi assim que Juan Leal tocou fundo nos quase ¾ de casa que estavam na Praça de Toiros “Ilha Terceira” no passado dia 28 de Junho. Uma tarde ventosa em que a chuva caiu até pouco antes do início da corrida. A Feira era a de S. João e, a confirmar o nome do patrono, Juan foi levado em ombros como se estivesse a ser passeado num andor.
O triunfo ganhou cor no segundo do seu lote, um Jandilla (J) (nº100, 460Kg) que investia a galope e de forma repetida, nunca virando a cara à luta. O melhor exemplar da tarde. O diestro francês foi recebê-lo à porta dos curros, de joelhos, com uma larga afarolada, lance que repetiu já com o oponente em praça. Continuou lanceando sempre de joelhos em terra fazendo soar a primeira ovação da tarde. Após alguma chicuelinas bem desenhadas, prossegiu por zapopinas rematadas com nova larga de joelhos. No remate é colhido na zona do tronco e temeu-se alguma gravidade, mas logo se levantou e continuou lanceando para delírio da assistência. A praça era sua. Com a muleta, baseou-se na mão direita. Sacou séries de derechazos com temple e profundidade, as quais foi intercalando com circulares invertidos. Terminou, com bernardinas, uma lide triunfal que levantou as bancadas e lhe proporcionou duas voltas à arena. Para que esta função fosse mais completa, João Pedro Silva “Açoreano” e Gonçalo Toste estiverem em grande plano nas bandarilhas, ainda que o primeiro não se tivesse livrado de um valente susto após a cravagem do seu segundo par.
No primeiro do seu lote (Rego Botelho (RB), nº 46, 475Kg), Leal já havia mostrado que vinha para triunfar. Ante um exemplar que se metia por dentro e procurava o vulto quando lidado pela esquerda, o Matador arriscou e foi ao limite, traçando uma lide agradável que chegou às bancadas, fruto da sua entrega e persistência.

Diego Urdiales abriu praça diante de um RB (nº42, 415Kg) distraído que foi melhorando um pouco ao longo da lide, até ter rachado. O de La Rioja entregou-se e apesar da pouca réplica do oponente, escolheu os terrenos e tapou alguns dos defeitos do hastado, sacou-lhe a atenção e desenhou séries pela direita, de grande valor. O exemplar de J (nº 97, 445Kg), que lidou já na segunda parte, investia com a cara a meia altura e por vezes saía das sortes, vindo a menos. Urdiales procurou corrigi-lo lanceando com o Capote por baixo, repetindo-o com a Muleta. Deu vantagens ao novilho na escolha de terrenos e procurou sobressair com algumas séries de interesse, no entanto, a matéria-prima que tinha por diante não permitia melhor.

A Jiménez Fortes coube o lote de menor qualidade. O RB (nº30, 465kg) era bonito e deu boas indicações na saída, no entanto foi ficando curto de investida, metia-se por dentro e derrotava alto pela esquerda. A iniciar o tércio de Muleta, o Matador foi destapado pelo vento e foi volteado sofrendo um “puntazo” na coxa direita. Esteve laborioso e procurou fazer o que era possível diante de um novilho que não transmitia. Prolongou a lide em demasia. Na sua segunda aparição em praça, esteve em melhor plano. O novilho (J, nº16, 495Kg) foi dando boa réplica de início permitindo duas séries pela direita com bom ritmo e bem ligadas, no entanto havia de encurtecer a investida. Terminou assim a sua presença com uma lide agradável mas sem grandes motivos de realce.

Em dia de aniversário, Manuel Dias Gomes apresentou-se em Portugal como Matador de toiros. Diante de um exemplar RB (nº44, 430Kg) rubricou uma grande lide. Tirou partido das boas condições do oponente e com a mão direita imprimiu profundidade e arte, fixando o pé e fechando o compasso ao longo das séries. Mostrou entrega, saber e vontade de triunfar. O seu segundo (RB, nº45, 520Kg) era mais desluzido do que o anterior. Manteve sempre a cara a meia altura. Uma vez mais, Dias Gomes andou acoplado ao novilho. A destacar uma das séries de derechazos, longa, cingida e plena de temple. Apesar da entrega, não suplantou a sua primeira lide.

Voltando ao princípio, a corrida dirigida por Carlos João Ávila assessorado pelo Dr. José Paulo Lima, iniciou-se com um “passeíllo” onde estiveram incluídos picadores. Apesar de ser discutível esta inclusão, tendo em conta a proibição da sorte de varas há já alguns anos nos Açores, não deixa de ser uma presença simbólica e até uma forma de protesto, aliada às raias que se encontravam desenhadas na arena. Se nas corridas de Gala à Antiga Portuguesa, as cortesias são plenas de simbolismo e evocação de tempos idos, o mesmo também poderá acontecer nas corridas em que só actuem Matadores de toiros, as corridas “à espanhola”.

Abrilhantou a Banda da Sociedade Filarmónica Rainha Santa Isabel das Doze Ribeiras.


Bruno Bettencourt

quinta-feira, 25 de junho de 2015

II Corrida da História

Hoje, dia 25 de Junho, acontecerá a projecção de mais um momento taurino intitulado "Corrida da História". O evento, com entrada gratuita, terá lugar no Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo e decorrerá de acordo com o cartaz em baixo.

Corrida agradável em dia de S. João

A tarde parecia ser o reflexo da noite anterior, a mais longa noite do ano nos Açores, a noite de São João em Angra do Heroísmo. O céu apresentava-se cansado e nublado. Temeu-se chuva, mas a Corrida à Portuguesa, que estava anunciada, acabou por decorrer em ambiente agradável. Luís Rouxinol, Vítor Ribeiro e Gilberto Filipe, Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT) e Amadores do Aposento da Moita (GFAAM). Um exemplar de Rego Botelho (RB) e cinco de Assunção Coimbra (AC) para serem lidados que, apesar do trapio, tinham uma média de pesos na ordem dos 414Kg. A abrilhantar a Portuguese Band of San Jose. As bancadas registaram ¾ de praça. 

Luís Rouxinol teve pela frente um exemplar (RB, nº8, 430Kg) que respondia bem ao cite e se empregava no momento da reunião. Ligou-se ao toiro e mexeu-lhe os terrenos, numa lide regular em que soube tirar partido da boa colaboração do oponente. Na cravagem comprida andou algo irregular, corrigindo depois na cravagem curta. Destaque para o terceiro ferro cravado ao estribo, a consentir a investida do oponente. O segundo do seu lote (AC, nº95, 420Kg) era desligado e distraído. O Cavaleiro, face às dificuldades que tinha pela frente, desenhou uma lide em crescendo, dando vantagens e sacando toda a água do fundo do poço, mesmo quando este parecia já ter secado.

O pior lote da corrida havia de caber em sorte a Vítor Ribeiro. O nº108 de ferro AC (400Kg) mostrou-se igualmente distraído, parava-se no momento da reunião e tinha que ser incentivado pela voz do Cavaleiro. Ribeiro entendeu-o e foi-lhe pisando cada vez mais os terrenos, numa lide de entrega frente a um oponente que não transmitia ligação à contenda. O segundo do seu lote (AC, nº81, 400Kg), apesar de colaborador, adiantava-se e tapava-se no momento da cravagem. Uma lide agradável, mas sem deslumbrar, em que se verificou um bom desenho das sortes apesar das cravagens terem resultado traseiras.

O triunfo haveria de sorrir novamente a Gilberto Filipe, tal como acontecera na primeira corrida da feira. O AC nº100 (425Kg) apresentou-se distraído, aliás uma característica comum a estes exemplares que viajaram até aos Açores. A investida era curta e atravessava-se um pouco na reunião. Com o desenrolar da lide foi melhorando de comportamento, mercê também da acção do Cavaleiro. Filipe entregou-se e sacou o melhor que o toiro tinha dentro de si, chegando assim de forma sonora às bancadas. Destaque para o grande ferro cravado em terceiro lugar. Para finalizar a corrida, havia de lhe calhar um bom exemplar (AC, nº80, 410Kg). O toiro foi cumpridor, mostrou grandes condições de lide e entregou-se à luta. O Cavaleiro de Alcochete esteve em bom plano agarrando em definitivo o triunfo. Terminou com um grande ferro curto em que fez tudo bem feito.

No capítulo da forcadagem, a tarde começou com uma grande pega de João Silva (GFATTT) ao primeiro intento, aguentando alguns derrotes até chegar ao grupo. Seguiu-se-lhe José Maria Bettencourt (GFAAM) que à primeira também efectuou uma grande pega, destacando-se igualmente a intervenção do seu primeiro ajuda. José Sousa (GFATTT) demonstrou alguma imaturidade ao descobrir o grupo e adiantar as mãos nas primeiras tentativas, vindo a pegar à terceira com boa ajuda dos companheiros. Leonardo Mathias (GFAAM) fechou-se numa boa pega à terceira tentativa, após um primeiro intento em que aguentou barbaridades na cara do toiro, mas que a falta de grupo levou a que não conseguisse consumar. Carlos Vieira (GFATTT) efectuou uma valente pega, à primeira, com o grupo a ajudar de forma eficiente. Fechou a tarde Martim Oliveira (GFAAM), à primeira, com uma grande pega a aguentar longa viagem.

Dirigiu o espectáculo Carlos João Ávila, assessorado pelo Dr. José Vielmino Ventura.

Bruno Bettencourt

terça-feira, 23 de junho de 2015

Comunicado - Rabo Torto Blogue Tauromáquico



Tendo em conta todas as incidências que têm rodeado a Feira de S. João 2015 e o facto do artigo referente à apresentação da mesma, que foi publicado a 16 de Abril no blogue tauromáquico “Rabo Torto” e no sítio Taurodromo.com, escrito por mim, Bruno Bettencourt, estar a ser partilhado com uma frequência acima do normal, nas redes sociais, comunico o seguinte: 

A ordem das ganadarias que aparece no artigo é da minha autoria e não da organização da feira. Aquando da conferência de imprensa, não tinha em meu poder o cartaz, pelo que fui anotando os nomes das divisas que iriam estar presentes. Mais tarde, durante a escrita do artigo, foi feito o resumo da constituição de cada uma das corridas, como se pode ver no final do mesmo. Ordenei as ganadarias pela ordem de antiguidade nos países de origem das mesmas, assim como fiz com os restantes intervenientes. O facto de ter optado por listar os nomes desta forma, não está relacionado com nenhum outro factor que não tenha sido uma opção meramente pessoal, tendo por isso o valor que tem. No dia seguinte, 17 de Abril, foi-me enviado, após solicitação, o cartaz da Feira de S. João 2015 que foi publicado no blogue tauromáquico “Rabo Torto”, nesse mesmo dia. A ordem dos intervenientes presentes no cartaz oficial difere de facto da ordem que havia sido escrita no artigo. 

Independentemente das posições assumidas por cada pessoa, grupo e/ou organismo, e procurando manter-me pessoalmente (e ao que escrevo) de forma isenta e o mais distante possível de toda a polémica que tem havido na Feira, importa que os factos fiquem esclarecidos para que não dêem origem a mais confusão.

A Festa Brava já possui inimigos mais do que suficientes e por tal, não há necessidade que os agentes, intervenientes e/ou outros elementos da mesma se envolvam em dissidências levando a que em vez de se viver, divulgar, preservar e perpetuar a Festa dos Toiros, se produza efectivamente o efeito contrário. Quando o bom senso e a clarividência não imperam, por vezes acabamos por nos esquecer da razão porque estamos a esgrimir argumentos e acabamos por destruir aquilo que pensávamos estar a defender.

Bruno Bettencourt

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Comprometida a presença de Ferrera na Feira de S. João

A presença do Matador António Ferrera na Feira de S. João foi comprometida após a colhida sofrida ontem, Domingo, em Muro. Quando se preparava para matar o segundo toiro do seu lote, o Diestro "extremaño" foi violentamente tocado.
Segundo avançam o portal MundoToro.com e o jornal espanhol ABC, foi confirmada, após exame radiológico, uma fractura com deslocamento no rádio do braço direito.
Segundo os mesmo orgão de comunicação, o Matador que é anunciado como cabeça de cartaz da Corrida do próximo dia 28 de Julho e que neste momento atravessa um grande momento, terá que interromper a temporada.
Citando o diário ABC, "irá perder, de momento, a Feira de San Juan de Badajoz, na próxima quarta-feira, a corrida de dia 28 nos Açores, a presença na Feira de San Fermín (Pamplona) a 8 de Julho [...] e a corrida com "vitorinos" em Mont de Marsan a 26 de Julho [...]"


Bruno Bettencourt
Foto: Edgardo Vieira

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More