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terça-feira, 30 de junho de 2009

Tarde de JAF, RB, Vítor Ribeiro e José Vicente do GFATTT

Uma vez mais, Concurso de Ganadarias é sinónimo de praça cheia em Angra do Heroísmo. Tarde de Domingo, última corrida integrada na Feira de São João de 2009. A disputar o prémio para melhor lide a cavalo Vítor Ribeiro, Manuel Lupi e Marcos Tenório Bastinhas. Na contenda para melhor pega da tarde, o Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT) e os Amadores do Ramo Grande (GFARG). Para os prémios Apresentação e Bravura, os que despertam sempre mais atenção e discussão entre a aficion terceirense, ganadarias de Rego Botelho (RB), Casa Agrícola José Albino Fernandes (JAF) e Irmãos Toste (IT). A dirigir, José Valadão com o Dr. Vielmino Ventura. Pasodobles a cargo da Sociedade Filarmónica Instrução e Recreio dos Artistas.

Abriu praça Vítor Ribeiro. Recebeu o “Benfica” nº241 JAF (440Kg), um toiro bravo e com codícia. Entregou-se durante toda a lide e a par com a toureria de Vítor Ribeiro possibilitou a que se assistisse a uma grande lide. Primeiro ferro comprido correcto seguido de outro ferro de castigo de praça a praça e de encher o olho. Aproveitando as boas condições do oponente, o cavaleiro desenvolveu uma lide a gosto. Tal como tinha deixado vislumbrar no dia anterior, anda irrepreensível nas bregas, adorna-se e deixa no alto do morrilho 4 ferros curtos que foram chegando de forma cada vez mais sonora às bancadas. E porque a sorte lhe tinha ditado o melhor lote da corrida, em segundo lugar coube-lhe o “Toupeiro” nº493 RB (485Kg). Novamente, assistiu-se a um lidador que, desfrutando da entrega e boas características do oponente, soube desenvolver uma lide plena de entrega e seriedade. Dois bons ferros curtos a abrir foram seguidos de 3 ferros curtos de correcta colocação. O marialva andou sempre cingido com o oponente o que lhe valeu um pequeno toque na montada. Encerra a lide com dois bons ferros frontais, abrindo o quarteio na medida certa e cravando ao estribo.

Para Manuel Lupi havia de sair o primeiro mansote da tarde. O “Desejado” nº93 IT (410Kg) não fez jus ao nome, apesar da bonita morfologia, era parco de peso e de bravura. Foi-se mostrando curto na investida e ao longo da lide elegeu as tábuas como aliado. O cavaleiro Rio Frio testou-o com dois ferros compridos correctos. Na segunda parte da lide mostrou conhecimento e conseguiu por vezes pôr no toiro a bravura que lhe faltava. Deu vantagens, bregou de forma correcta e iniciou com vistoso ferro a câmbio. Lide agradável encerrada com 3 bons ferros curtos. O “Escandaloso” nº479 RB (600Kg) trazia melhores condições de lide do que o primeiro do lote de Lupi. Após 2 ferros compridos falhados, o cavaleiro deixa um bom ferro comprido e num gesto pouco ortodoxo atira a extremidade maior para a arena. Segue-se outro bom comprido. Com a ferragem curta foi possível assistir-se a uma lide um pouco mais ao jeito daquelas que lhe são características. Entrega-se e fazendo uso do seu sentido de colocação dos toiros crava 3 ferros curtos de boa nota, após bregas bem executadas. Arremata a lide com um ferro de violino a chegar aos sectores da praça.

Marcos Tenório Bastinhas mostrou-se mais sereno e ponderado nesta corrida, ao contrário do que tinha acontecido na 2ª corrida da feira. O primeiro do seu lote, o “Bondoso” nº218 JAF (505Kg) mostrou-se cooperante apesar de nunca ter rompido e se ter mostrado, por vezes, tardo na investida. O ginete de Elvas iniciou com 2 ferros compridos correctos. Já nos curtos, e após uma primeira cravagem descaída, mostra menos velocidade nas reuniões e deixa 3 bons ferros que agarraram o público. Assim foi desenrolando uma lide alegre e conectada com assistência. Encerra-se com dois ferros de palmo muito bem colocados. O “Fuzileiro” nº91 IT (465Kg) mostrou-se sempre reservado e por vezes desligado fazendo transparecer alguma mansidão, tal como o seu irmão de camada. O cavaleiro partiu para cima do oponente e procurou alegrá-lo. Dois compridos seguidos de 3 bons ferros curtos ao estribo foram resultado de uma lide de entrega frente a um oponente complicado. A terminar, 2 palmitos a arrancarem fortes aplausos.

A primeira pega da tarde coube ao experiente Helénio Melo do GFATTT. De forma poderosa, agarra-se à córnea efectuando uma grande pega.
Com o 2º toiro da tarde viriam as primeiras complicações. César Pires do GFARG fez de tudo para conseguir arrancar este manso das tábuas. Após opção por pegar a sesgo, as duas tentativas saíram goradas, fruto dos maus modos de investida do toiro. A partir daí, assistiram-se a atitudes menos correctas por parte de alguns elementos do grupo. A falta de respeito, pelo toiro e por quem assiste, e o desespero não devem ser características dos elementos de um grupo de forcados (friso elementos e não grupo, já que, felizmente, a maioria do GFARG manteve a postura correcta, apesar da situação). Dois avisos depois e abertas as portas, Manuel e Miguel Pires saltam à arena para uma tentativa de cernelha que não foi totalmente consumada.
Na cara do 3º, o cabo Adalberto Belerique do GFATTT aguenta duro derrote e consuma numa boa pega, sendo bem auxiliado pelo grupo após queda do toiro na arena.
A Alex Rocha do GFARG faltou grupo. Efectua 3 tentativas com uma querença e vontade excepcionais, aguentando duríssimos derrotes. Faltou entendimento no grupo para consumar a pega, não era possível pedir mais ao forcado da cara. Após sair visivelmente maltratado, foi dobrado por Manuel Pires que após tentativa falhada, novamente pelos mesmos motivos, efectua uma duríssima pega consumando à 5ª tentativa.
José Vicente do GFATTT esteve enorme na cara do toiro. Fecha-se de forma correcta e com a preciosíssima primeira ajuda de João Pedro Ávila, efectua a pega da tarde.
No término da corrida, André Parreira do GFARG fecha-se à primeira numa boa pega, aguentando alguns derrotes e sem comprometer.

De forma justa e acertada, prémio para Melhor Toiro (Bravura) atribuído ao nº241 “Benfica” de JAF, lidado em primeiro lugar, Melhor Apresentação para o nº475 “Escandaloso” de RB, lidado em 5º lugar, Melhor Lide a Cavalo para Vítor Ribeiro e Melhor Pega para José Vicente do GFATTT.

Bruno Bettencourt

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Grandioso Concurso de Ganadarias - imagens

Majestosa Corrida - video

domingo, 28 de junho de 2009

Imponente mano-a-mano, chuvoso mas de bom grado

Apesar da chuva que teimou em cair durante as quase 3 horas de espectáculo, assistiu-se a uma boa corrida. A cavalo apresentou-se Vitor Ribeiro e na lide apeada Pedrito de Portugal (que substituiu El Fundi). Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande (GFARG), para as pegas. Curro composto por 4 toiros da Casa Agrícola José Albino Fernandes (JAF) e 2 toiros de Ganadaria de Falé Filipe (FF). Apesar da presença da ganadaria que mais público leva à Praça de Toiros “Ilha Terceira”, registaram-se uns tímidos ¾ de casa. Na direcção da corrida esteve Carlos João Ávila assessorado pelo Dr. Vielmino Ventura. A abrilhantar a corrida, a Sociedade Musical Recreio da Terra-Chã.

Boa presença de Vitor Ribeiro. Desenvolveu 3 lides muito acertadas e de grande nível. Mesmo com um piso que se foi degradando ao longo das lides, não “levantou o pé” e mostrou que estava ali para um toureio sério e com ganas de triunfo. O nº222 JAF (470Kg) desde cedo mostrou codícia. O cavaleiro andou com o toiro enfeitando-o com 2 bons ferros compridos. Já nos curtos desenvolve uma brega acertada, estando sempre correcto na preparação e colocação do toiro para as sortes. Executa 4 cravagens de grande nível. Destaque para o terceiro ferro. Abre o quarteio na medida certa e crava de alto a baixo, rematando de forma vistosa e acertada. Boa lide.
O nº223 JAF (480Kg), segundo do lote de Ribeiro, deu bom jogo apesar de se reservar em alguns momentos. O cavaleiro anda em cima dele e desenvolve mais uma função laboriosa e com muito valor. Após dois ferros compridos à tira, crava 5 curtos com grande precisão. O ginete consegue chegar às bancadas e os aplausos faziam por momentos esquecer a chuva que caía.
Com o nº230 JAF (460Kg), nova dose de bom e sério toureio a cavalo. O toiro mostrava-se tardo na investida e por vezes alguma distracção. Uma vez mais, o cavaleiro não facilita e dando vantagens ao oponente, desenha mais uma boa lide. Bregas e colocações correctas resultaram em 2 bons ferros compridos aos quais se seguiram 3 cravagens curtas de grande nível, arrematadas com um grande ferro ao estribo. Mostrou que também as lides mais clássicas são capazes de transmitir e de chegar às bancadas.

Nas pegas o GFARG abriu com Miguel Pires a fechar-se à barbela sem dificuldades. Alex Rocha mostrou querer e poder e fechou-se de forma rija na cara do 3º da tarde. A fechar, e após primeira tentativa de Rodrigo Silva que se fecha de má forma e sai maltratado, César Pires consuma uma grande pega.

Pedrito de Portugal apresentou-se com vontade de não deixar fugir a oportunidade de estar presente na ilha Terceira. Desde cedo foi notório o carinho que lhe é tributado pelos aficionados terceirenses, fruto das suas faenas anteriormente ocorridas na arena de Angra do Heroísmo.
Desenhou uma lide profunda e artística com o primeiro do seu lote, nº23 de FF (475Kg). O toiro tinha muito boas condições e o matador soube aproveitá-las da melhor forma. Recebe com uma série de Paróns e Chicuelinas rematadas por sonora Revolera. Arranca alguns “Olé!” com uma bonitas Chicuelinas encadeadas com Tafarellas, rematando de forma vistosa. Correcta cravagem de bandarilhas à qual se seguiu uma faena de muleta com muita entrega. Recebe por Estatuários cambiados e prossegue com séries de Derechazos bem templados e ao gosto da assistência. Já com a mão esquerda, procurou imprimir nova profundidade à lide e saca Naturais de boa nota. Aplica-se e após uma série de passes de peito. Encerra esta boa prestação com bonitos Circulares.
Da lide ao segundo do seu lote nº240 de JAF (470Kg), pouca história ficou. Um toiro que cedo se revelou muito áspero e de pouca entrega, investindo com a cara um pouco alta. Com o Capote, o matador limitou-se a prová-lo com algumas Largas. Uma vez mais boa nota para os subalternos na cravagem das bandarilhas. Com a Muleta era exigida paciência e assim foi. Trabalhador e sob os conselhos de Rui Bento Vasques, que se faziam ouvir na trincheira, foi palmilhando terreno com muletazos pela direita. A pouco e pouco foi chegando ao oponente mas pouco mais havia a fazer.
O último do seu lote nº21 (495Kg, FF), apesar de distraído, cumpriu minimamente o que lhe ia sendo solicitado pelo diestro. As Verónicas do capote de Pedrito deram lugar às pouco arrimadas Verónicas de Salvador Ruano que saiu ao quite. Com a muleta cita de largo por Estatuários. O terreno encontrava-se bastante empapado e pesado, fruto da chuva. O toureiro lisboeta não facilita e desenvolve uma lide agradável baseada em ambos os pitóns. Bonitas tandas de Derechazos no decorrer da lide. Quando lanceava por Naturais é desarmado. Descalça as “zapatillas” e prossegue com novas passagens pelo lado esquerdo. Uma lide com agrado que pecou por se ter prolongada em demasia, quando era mais do que evidente que já se tinha acabado o toiro.

Bruno Bettencourt

Concurso de Ganadarias


Majestoso Juli na Majestosa Corrida

Tarde histórica em Angra do Heroísmo, não só pela presença de Julián López Escobar “El Juli”, mas, principalmente, pelo seu desempenho e parceria com o “Guarda”, nº474 da ganadaria de Rego Botelho. Vinte e dois anos depois de ter sido aberta pela primeira vez para o maestro Victor Mendes, novamente se movem as dobradiças da Porta Grande da Monumental “Ilha Terceira” para que passe, em apoteose, El Juli.

Além do matador espanhol, constavam no cartaz os nomes de Manuel Lupi, Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT). Ganadaria de Rego Botelho (RB). Três quartos de casa numa corrida dirigida por José Valadão, acompanhado pelo Dr. Vielmino Ventura. A abrilhantar a Sociedade Filarmónica Recreio Serretense.

A Manuel Lupi coube em sorte um lote com jogo desigual. Com o primeiro, nº479 (495Kg), desenvolveu uma lide pouco luzidia. Após 2 ferros compridos “a despachar”, iniciou os curtos com um bom ferro ao estribo. O toiro mostrou-se distraído e reservado ao longo da lide, parando-se por vezes a meio da viagem. Mesmo mostrando entendimento quanto à colocação do oponente, foram notórias as dificuldades aquando das cravagens. Deixa um ferro curto em terrenos de dentro e termina com um ferro de violino.
O “Laranjito”, nº499 (480Kg), trazia mais sumo, investindo com ganância e deixando-se embeber pela garupa da montada de Lupi. Na ferragem comprida, nota para o segundo ferro cravado como mandam os cânones. O cavaleiro de Alcochete mostrou saber aquando do primeiro curto. Após batida excessiva ao pitón contrário, corrige a viagem, consente a investida e crava um bom ferro. Na preparação do toiro para a segunda cravagem, vive momentos de apuro quando se vê apertado contra as tábuas. Sempre com o mesmo timbre, deixa ainda mais 3 ferros (um deles traseiro) a enfeitar toiro. Lide agradável, apesar dos percalços.
Finaliza a sua presença recebendo o nº 476 (530Kg). Novamente um toiro com dificuldades em se fixar procurando querença na zona da porta das quadrilhas. O cavaleiro mostra-se trabalhador e liga-se ao toiro, sacando dele tudo que de melhor havia. Após 2 bons ferros compridos. Crava 3 bandarilhas de grande nível e arremata a lide com dois ferros de palmo que conseguem chegar às bancadas. Presença em crescendo no redondel angrense.

A abrir a presença do GFATTT, Álvaro Dentinho, ao primeiro intento, fecha-se à barbela numa rija pega. No 3º da tarde, Leonardo Gonçalves após ter sido varrido da cara na primeira tentativa, mostra querer e à segunda fecha-se com garra, à córnea. Na última pega, César Fonseca. Passadas 2 tentativas em que a falta de ajudas foi notória e com visíveis dificuldades no braço esquerdo, fecha-se numa dura pega.

Expectativa em relação à presença de El Juli. De bordeaux e ouro recebe, por bonitas Verónicas, o nº486 (475Kg). Tércio de bandarilhas, irregular, por parte dos subalternos. Com a muleta, apoia-se nas tábuas e faz passar o toiro pela flanela. Desenvolve a lide, intercalando séries pela direita e pela esquerda. O toiro por vezes parava-se durante a viagem tornando a investida pouco clara. O diestro ensina-o a investir e prova-o de praça a praça. Com bonita série de Derechazos, aos quais se seguiram Estatuários, encerra uma primeira lide bastante agradável.
Toca o trompete de Paulo Borges e sai pela porta dos curros o “Guarda” nº474 (530Kg). O diestro desenha por Verónicas e prossegue com vistosas Chicuelinas rematadas com um Larga. Novamente se viu do melhor e do pior nas bandarilhas. Repetindo o que havia escrito na crónica da corrida do dia 24 de Junho: bons toiros aliados a um matador com entrega e saber, neste caso de excelência, resultam em momentos de pura arte. O toiro era de uma entrega fenomenal, pleno de nobreza e bravura, excepcional. O madrileno prova-o pela direita desenhando duas séries de Derechazos muito templadas e aguentando de forma poderosa. Fazem-se ouvir os primeiros “Olé!”. Com a mão esquerda, cita de largo e arrima-se com duas séries de Naturais de fino recorte. A partir daqui, assistiu-se a uma das mais sublimes faenas que alguma vez se desenrolaram em praças açorianas e nomeadamente na Praça de Toiros “Ilha Terceira”. El Juli carrega o semblante, arma a muleta e deixa na retina de toda a assistência 3 poderosíssimas séries de Derechazos. Com a mão baixa, um toiro que não se cansava de investir e uma profundidade toureira, leva o oponente embebido na flanela. Já com os tendidos rendidos à sua maestria, termina esta verdadeira obra-prima com circulares magistrais. No final chamada à arena e volta para o ganadero.
Com o último do seu lote, nº478 (425Kg), esteve igualmente superior. Apesar das condições do toiro não serem tão boas como as do anterior, entregava-se à lide proporcionando bom jogo. A este “Helano”, principalmente, alguns puyazos teriam ajudado. Com o Capote viram-se Verónicas rematadas com meia-Verónica. Ao quite, o matador Salvador Ruano (presente para o caso de qualquer eventualidade) lanceou por tímidas Verónicas. Não havendo duas sem três, mais um irregular tércio de bandarilhas. Com a muleta, traça novamente sentidas séries por ambos os lados. Cita de largo e leva o toiro embebido até ao fim das viagens. Termina a faena com imponentes séries de Derechazos sempre ligados e de fazer levantar as bancadas. Mostrou diversos recursos e o conhecimento característico dos grandes mestres. Termina a lide, e depois da simulação da Sorte Suprema, levando o toiro até à porta dos curros para ser recolhido. No final volta em ombros e saída pela Porta Grande sob forte aclamação.

Bruno Bettencourt

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