quarta-feira, 30 de junho de 2010
terça-feira, 29 de junho de 2010
Perera na Feira de S. João 2010
Lide de Perera frente ao exemplar "Impacientado" nº11 da Ganadaria Rego Botelho, no dia 20 de Junho.
Imagens: Festa Brava - RTP-Açores
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Triunfo de Pamplona na última tarde das Sanjoaninas
Dia 27 de Junho, 18h30. Ao som de “Morena de mi copla” iniciam-se as cortesias, desfilando na arena da Praça de Toiros “Ilha Terceira” os cavaleiros Tiago Pamplona, Tiago Carreiras e o praticante João Pamplona. Os forcados do Grupo de Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense e Antonio Ferrera para a lide apeada. Nos curros estavam toiros de Rego Botelho (RB) e da Casa Agrícola José Albino Fernandes (JAF).
Antes do início da primeira lide e já com Tiago Pamplona em praça, foi efectuada justa homenagem a Raul Pamplona, falecido no passado mês de Abril. Em nome da família, João Carlos Pamplona recebeu uma placa evocativa que lhe foi entregue pela Comissão de Tauromaquia das Sanjoaninas 2010.
Com um ferro a Porta-Gaiola, Tiago Pamplona enfeitou o “Quimero” (nº254, 460Kg, JAF). Apesar de pouco encastado, o toiro desde cedo mostrou-se voluntarioso entregando-se à lide. Boa nota para os restantes 2 compridos cravados. O cavaleiro mostrou que também é possível brilhar na cravagem comprida, desde que esta não seja efectuada a despachar. Nos curtos foi continuando a desenvolver uma lide em plano superior, cravando como mandam as regras do bom toureio à portuguesa. Colocou o toiro criteriosamente nos terrenos. Encerrou a lide com dois palmitos que encantaram as bancadas. Na segunda lide, frente ao “Bandarilho” (nº21, 480Kg, RB), mostrou mais do mesmo. Tira partido da colaboração do oponente e depois de um primeiro comprido dianteiro, corrige-se e entrega-se. Vai traçando os andamentos na medida certa e crava a gosto, de frente ou recorrendo aos Violinos que já são sua imagem de marca.
O “Quitapolvos” (nº243, 480Kg, JAF) tinha um nome tão curioso como a sua falta de nobreza. Tiago Carreiras recebeu-o com um bom ferro comprido, procurando desde logo cativar a assistência. Desenvolveu uma lide em crescendo, mas sem a tal pontinha que permitisse romper em pleno. Citou e deixou bons ferros no morrilho do oponente, exceptuando-se o 3º ferro que curiosamente ficou cravado na madeira de outro que já havia sido. O pequeno Carreiras agigantou-se na preparação das viagens e nos remates das sortes, sempre animados. Na sua segunda lide andou bem, no entanto a não suplantar a anterior prestação. O “Rilvito” (nº30, 435Kg, RB) foi cumprindo o que lhe era pedido. Novamente assiste-se a um marialva que procura imprimir movimento à lide, cravando correctamente e recriando-se nos remates. Lide a proporcionar alguns bons momentos de toureio equestre.
É sabido que o público da ilha Terceira acolhe de forma especial os Matadores-bandarilheiros. Com Antonio Ferrera não foi diferente. Por Verónicas e plásticas Navarras foi provado o “Jasmim” (nº2, 545Kg, RB). Nas bandarilhas o diestro agarrou os sectores da praça para não mais os largar. Com a sua característica exuberância deixa dois pares de Poder-a-poder para encerrar com um bom par a esperar junto a tábuas. Mostra entendimento do toiro e dos seus terrenos. O hastado foi-se mostrando querenças, saindo por vezes desligado das sortes. O diestro lanceou por Verónicas e após pedir que a banda de música parasse de tocar, mostra poder e pisa os terrenos do toiro para sacar a este o que de melhor tinha. Com a mão direita desenha uma boa série rematada com Circular e Passe de peito. Trocou de mão e foi conduzindo através de Naturais ajudados. Com as bancadas à sua mercê, encerra com Derechazos “Mirando al tendido” e Circulares, antes de simular a Sorte suprema. O segundo do lote (nº16, 465Kg, RB) prestou-se à luta apesar de ter ido a menos. Com o capote viram-se Verónicas traçadas por Ferrera. No tércio de Bandarilhas voltou a agarrar ovação. Encerra com sorte cambiada após um par de cravagens de Poder-a-poder. Fazendo uso da flanela rubra mostra-se aguerrido e vai cativando o toiro com tandas de Derechazos de bom nível. Novamente pede que pare o Pasodoble e prova com a mão esquerda. Andou por cima do oponente durante a lide. Nota negativa para a segunda volta despropositada dada pelo Matador. Talvez quis tentar a sua sorte após ter assistido à forma quase forçada com que foi aberta a Porta Grande a Perera.
João Pamplona encerrou a corrida frente ao “Quiton” (nº 228, 430Kg, JAF). O animal mostrou-se áspero carregando apenas pela certa. O mais novo do clã Pamplona foi procurando uma lide alegre como é seu apanágio, no entanto andou desacertado nas cravagens. Aliada a alguma velocidade nas viagens, esteve a dificuldade em mandar nas bregas e assim colocar o toiro nos melhores terrenos.
Nas pegas viu-se do melhor e o pior desta Feira. Leonardo Gonçalves fechou-se bem à segunda tentativa. O Cabo Adalberto Belerique fechou-se à córnea para consumar de forma poderosa a pega ao segundo da tarde. José Vicente esteve correctíssimo na cara do toiro aguentando alguns derrotes para se fechar na pega da corrida. Com o 5º toiro viriam as complicações. Helénio Melo ao segundo intento é despejado por alto após violento embate, sendo dobrado por João Pedro Ávila. Á quinta tentativa e quando o coração já falava mais alto do que a razão, o forcado sai maltratado recolhendo à enfermaria com suspeita de lesões internas que mais tarde se viriam, infelizmente, a confirmar. Marco Sousa, com o grupo carregado, resolveu numa extenuante 7ª tentativa. A pegar o último da tarde, já noite, Gonçalo Toste fecha-se numa boa pega à barbela, à segunda.
Bruno Bettencourt
domingo, 27 de junho de 2010
Concurso de Ganadarias 2010
Uma vez mais praça cheia em dia de Concurso de Ganadarias, não fossem os aficionados terceirenses devotos dos toiros e partidários aguerridos das mais diversas ganadarias locais.
A anunciada corrida à portuguesa do dia 26 de Junho contava com a disputa entre os ferros de Rego Botelho (RB), Casa Agrícola José Albino Fernandes (JAF) e Herdeiros de Ezequiel Rodrigues (ER).
Frente a um pequeno exemplar de ER (nº264, 370Kg), sobre o qual se falará no final desta crónica, Rui Fernandes rubricou mais uma prestação desluzida nesta Feira de S. João. Talvez com a pressa de apanhar o voo para Lisboa, motivo que mais uma vez levou a alterações na ordem das lides, o cavaleiro limitou-se a despachar serviço. Apesar da fraca apresentação, o toiro prestou-se à luta. O Cavaleiro cumpriu a obrigação e após ferros compridos de boa nota, crava 3 curtos que resultaram um pouco traseiros. Mexeu com o toiro nas bregas, mas sempre sem dar brilho à contenda. O nº3 RB 525Kg foi o segundo do seu lote. O toiro foi-se mostrando um pouco distraído durante a lide. Fernandes deixou 2 ferros de castigo para na cravagem curta o desacerto ser por demais evidente, alternando-se os ferros traseiros com os descaídos. Andou com o toiro mas foi pouco eficiente na escolha de terrenos e posteriormente nas cravagens.
Luís Rouxinol armou taco e frente a um bravo exemplar de JAF ( nº245, 435Kg) delineou uma lide alegre que foi chegando às bancadas. Ferragem comprida na medida certa. Cravagens rigorosas e a dar espectáculo. Do final fica o desacerto das bandarilhas. Após 2 meios pares, limita-se a deixar cair um terceiro em cima do morrilho. O quinto da ordem, o “Tombado” (nº495, 525Kg, RB), tinha tanto de bonito como de bravo. Desde logo mostrou sentido na investida e o marialva tirou algum partido desse facto. Na cravagem andou regular, destacando-se o 3º ferro curto por ter sido aquele que não foi cravado a cilhas passadas. Apesar da boa lide efectuada, fica a sensação que havia mais que poderia ter sido feito. A pecar o recurso excessivo aos ladeios que apesar de arrancarem palmas fáceis, por vezes resultam em toques e igualmente tiram verdade à arte equestre.
Tiago Carreiras apresentou-se à aficion terceirense com uma lide em crescendo. Frente a um exemplar ER (420Kg, nº247) foi desenhando uma lide da qual se realça a forma vistosa como remata as cravagens. Pena o excesso de velocidade impresso nas viagens, facto que resultou em cravagens traseiras. Tal como no exemplar anterior, andou bem nas bregas e na colocação do segundo do seu lote (nº250, 440Kg, JAF). Apesar de não romper em bravura, o toiro apresentou bons modos durante a lide. O cavaleiro esteve menos eficiente na cravagem comprida. Com os curtos voltou a pautar as ferragens pela velocidade em demasia. A excepção vai para o 4º ferro curto cravado ao estribo de alto a baixo.
No campo da forcadagem, Luís Cunha dos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT) pegou com muita segurança ao primeiro intento. Pelos Amadores de Turlock (GFAT) George Martins, também à primeira fechou-se sem dificuldade numa boa pega. Aquela que viria a ser a pega da tarde foi efectuada por Manuel Pires dos Amadores do Ramo Grande (GFARG). Fechou-se de forma poderosa sem nunca largar a cara do oponente, mesmo depois deste ter dado uma cabriola e ter caído com forte impacto. Tomás Ortins do GFATTT aguentou uma longa viagem na cara do toiro fechando-se bem à primeira. Grande pega a de Michael Lopes do GFAT à segunda tentativa ao aguentar inúmeros derrotes com o toiro a fugir ao grupo. Aqui o público a ir ao rubro com a característica forma de rabejar de Américo Cunha, antigo forcado do GFATTT e agora nas fileiras do grupo norte-americano. A finalizar, e numa pega com o grupo carregado, Nuno Pires do GFARG pegou ao terceiro intento.
No final: Prémio de Melhor Lide a Cavalo para Luís Rouxinol (pela lide ao 5º da ordem), Melhor Pega para Manuel Pires do GFARG, Prémio de Apresentação e Prémio de Bravura para o nº 495 RB “Tombado (5º da ordem).
Não se entende como é que um Decreto Legislativo Regional (nº11/2010/A) vem permitir aquilo que à partida não é permitido e ao mesmo tempo contradizer-se. Se na alínea b) do art.º 30 do referido decreto está escrito “Em praças de 2.ª categoria devem ter pelo menos 4 anos de idade e 400 kg de peso;”, o ponto 5 da alínea d) do art.º 73 permite contornar essa imposição “O ganadeiro incorre em contra-ordenação punível com coima de € 500 a € 2500 […]”. O ganadero Herdeiros de Ezequiel Rodrigues assumiu a responsabilidade e abriu a Corrida Concurso de Ganadaria um toiro pequenote com 370Kg. O exemplar que teria sido rejeitado em várias praças, foi vaiado veemente à saída dos curros.
Bruno Bettencourt


