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sexta-feira, 12 de julho de 2019

Fotos da Corrida de Homenagem aos Açores












Fotos: Francisco Henriques/Campo Pequeno

Ecos da Corrida de Homenagem aos Açores


Ontem, dia 11 de Julho de 2019 a Praça de Toiros do Campo Pequeno recebeu a denominada "Corrida Concurso de Pegas de Homenagem à Região Autónoma dos Açores". Os Açores e a ilha Terceira, em particular, estiveram muito bem representados pelo Cavaleiro Tiago Pamplona, que confirmou a alternativa e também pelos Grupos de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense e do Ramo Grande, que a par dos Amadores de Beja, disputaram o prémio para melhor pega. Abrilhantou a corrida, a Banda da Sociedade Filarmónica Rainha Santa Isabel das Doze Ribeiras.

Em praça estiveram ainda os Cavaleiros Ana Batista, Filipe Gonçalves, Manuel Telles Bastos, Miguel Moura e João Salgueiro da Costa. Foram lidados toiros de Eng. Jorge Carvalho, cuja ganadaria celebra 50 anos e se estreou com um curro na praça de Lisboa.

Antes das cortesias, desfilou a Marcha dos Veteranos com o tema "Cavaleiros da Terceira". 

O prémio para melhor pega foi ganho por Manuel Pires, cabo do Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande.

Aqui se transcreve o que foi dito, sobre os artistas açorianos, pelos orgãos de comunicação da especialidade (em actualização ao longo do dia):

Toureio.com (Hugo Calado)
"[...] Foi uma Triunfal confirmação de alternativa de Tiago Pamplona, uma lide correta e isenta de falhas brindada a Marcos Bastinhas, para um Cavaleiro pouco placeado, actuação fortemente aplaudida pelo público que preenchia três quartos das bancadas da praça Lisboeta, com enorme presença de público Açoreano. Foi premiado com volta que deu acompanhado do forcado Francisco Matos da Tertúlia Tauromaquica Terceirense que executou a primeira pega da noite à primeira tentativa.[...]
César Pires dos Amadores do Ramo Grande que executou uma grande pega ao primeiro intento.[...]
Luís Sousa dos forcados da Tertúlia Tauromaquica Terceirense fechou-se com galhardia à primeira tentativa.[...]
Manuel Pires cabo dos forcados do Ramo Grande executou uma grande pega ao primeiro intento, foi premiado com volta com petição de segunda tendo agradecido nos médios, resultando também esta pega na vencedora do prémio em disputa.[...]
Todas as lides foram abrilhantadas por música primorosamente executada pela Filarmónica Açoreana das Doze Ribeiras da Ilha Terceira.[...]"

Mundotoro.com (Francisco Morgado)
"[...] Como es preceptivo en las confirmaciones de alternativa, Tiago Pamplona abrió el festejo , en una ceremonia hecha por Ana Batista con el testimonio de todos los demás artistas. Su enemigo salió noble y suave, permitiéndole desarrollar su toreo templado y clásico, tomando distancias en las ciudades para atacar siempre de frente, quebrando en el pitón de salida con torería. Tiago Pamplona llegó preparado y con poso hasta este momento, pisando el mismo escenario que su padre, cuando aquí también apareció en 1983. Una noche feliz, soñada y merecida por este profesional que supera todos los inconvenientes de la insularidad, con entrega y afición.[...]
Actuaron además, tres grupos de forcados, dos de ellos de la Isla Terceira. El grupo Tertulia Tauromáquica Terceirense fue cohesivo y eficaz en sus intervenciones, dejó constancia de su voluntad, en dos pegas bien hechas. Los Forcados de Ramo Grande fueron los principales protagonistas de una gran pega de su comandante, Manuel Pires, quien realizó una intervención técnicamente perfecta, pero de difícil ejecución.[...]"

Farpas Blogue (Miguel Alvarenga)
"Manuel Pires, cabo do Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande (da Praia da Vitória, Ilha Terceira) ganhou com todo o merecimento e justiça o Concurso de Pegas de ontem à noite no Campo Pequeno, pela poderosa, técnica e perfeita pega que fez ao quinto toiro da corrida em que se prestou homenagem à aficion açoreana.
Os três grupos - Tertúlia Terceirense, Ramo Grande e Beja - tiveram uma noite de triunfo com seis pegas à primeira aos exigentes e sérios toiros do Engº Jorge de Carvalho. O júri que decidiu por unanimidade [...] distinguir a pega de Manuel Pires como a melhor da noite era composto por quem sabe da arte: José Fernando Potier, José Luis Gomes e Tiago Prestes, a direcção da Associação Nacional de Grupos de Forcados.
E nós reafirmamos aquilo que aqui temos escrito várias vezes: Manuel Pires é um dos maiores forcados da actualidade."

"Três grandes grupos de forcados - Tertúlia Terceirense, Ramo Grande e Beja - e seis magníficas pegas todas elas à primeira, frente a toiros sérios, exigentes e duros da ganadaria do Engº Jorge de Carvalho, marcaram ontem o Concurso de Ganadarias do Campo Pequeno na noite em que se prestou justíssima homenagem à afición dos Açores, com muitos aficionados das ilhas e sobretudo da Terceira nas bancadas. Manuel Pires, cabo dos Amadores do Ramo Grande, forcado de eleição, um dos maiores do momento, ganhou, como já referimos, o prémio que estava em disputa, pela grande pega que fez ao quinto toiro da noite.

A primeira pega da noite esteve ontem a cargo do valente Francisco Matos dos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense. Pega de grande emoção pela violência com que o toiro investiu, com o forcado e o grupo a aguentarem barbaridades sem nunca desarmar e também com uma oportuna ajuda do eficiente bandarilheiro da quadrilha de Tiago Pamplona [...].

Perfeita, dura e emotiva a segunda pega da noite, na primeira intervenção do grupo terceirense do Ramo Grande, executada por César Pires, um forcado de méritos consagrados, primo do cabo Manuel Pires. Muito bem no cite e a recuar, fechou-se com galhardia e decisão, o primeiro ajuda esteve brilhante e eficaz e o grupo ajudou em peso e com coesão. Uma grande pega. O forcado deu aplaudida volta à arena com Ana Batista e a ganadera Raquel de Carvalho.

A quarta pega da noite, segunda do Grupo da Tertúlia Terceirense, esteve a cargo de Luis Sousa e foi mais uma pega a todos os títulos brilhante pela forma como ele esteve, como citou, como recuou mandando e como se fechou, com os companheiros a ajudarem na perfeição.

Manuel Pires é um dos maiores forcados do momento. Já lhe vimos pegas espectaculares nos Açores e no ano passado em Vila Franca, onde ganhou o prémio da melhor pega da Feira de Outubro. Ontem no Campo Pequeno voltou a estar enorme e fez um pegão que foi muito justamente premiado como o melhor da noite, levando para a Praia da Vitória o troféu deste Concurso de Pegas com toda a justiça e todo o merecimento. Manuel esteve bonito, sereno e garboso a citar, recuou toureando e mandando na investida do toiro, fechou-se com braços de ferro, aguentou a fortíssima investida e o derrote para baixo e depois o grupo esteve grande a ajudar. Deu aplaudida volta à arena com Miguel Moura e ainda exigiram a sua presença no centro da arena para uma última e calorosa ovação de reconhecimento pela grande pega que executou e brindou a seu primo Filipe Pires, seu antecessor no comando do grupo, de que fora cabo fundador."

Tauronews (Bernardo Salgueiro Patinhas)
"[...]Aportaram nas águas calmas de Lisboa as Gentes dos Açores para celebrar as suas Ilhas, a sua afición e a Tauromaquia, meia casa foi a lotação do Campo Pequeno, preenchida com muitos insulares que vieram homenagear o seu Arquipélago. Em ambiente de festa desfilou uma marcha popular do exterior para o interior dando o mote a uma noite entretida e de justíssima homenagem continental a um arquipélago e uma Ilha em particular, a Terceira, que pode ser a região com maior atividade tauromáquica do Mundo e sem dúvida o sitio com mais aficionados por m2. [...]
Por confirmar alternativa, abriu a noite o Cavaleiro Insular Tiago Pamplona, com honras de amadrinhamento de Ana Batista.
Tocou-lhe o touro mais colaborador, galopando por trás e investindo sem se emparelhar, fixo no cavalo, investia pior nos capotes, rebrincado e violento, pondo as mãos por diante, mas veio de menos a mais, melhorando e corrigindo as investidas e no cavalo foi sempre constante, voluntário e com investidas a direito e transmissão.
Boa lide, com muito recetividade nas bancadas, ferros distintos, cavalos bem postos e um toureio assentado e merecedor de mais oportunidades.[...]

Noite de seis pegas efetuadas à primeira tentativa, com prestações coletivas muito sólidas o que poderia ter dificultado a vida ao Júri, Direção da ANGF, Senhores José Luís Gomes, José Fernando Potier e Tiago Prestes. Não existem pegas iguais, mas podemos dizer que foi uma noite muito homogénea também neste setor, quer pelo comportamento dos touros, todos colocados na querença natural, contrários aos curros, cinco com saídas prontas, pelo caminho entrando pelos grupos e sem protestar, apenas o quinto se pegou mais ao chão, mais tardo e obrigou o forcado a pisar a sua jurisdição, após reunião foi também o que protestou com o forcado na cara.

Pegaram pela Tertúlia Tauromáquica Terceirense Francisco Matos, o primeiro e Luís Sousa, o quarto, pelo Ramo Grande, César Pires e Manuel Pires, este o justo vencedor do troféu em disputa na pega do quinto, pelas especificidades que mostrámos em cima, teve que pisar terrenos de compromisso, mandar mais na investida do touro e trazê-lo para dentro do grupo, para além de ter feito tudo isto bem, ainda se trancou sem benevolências. [...]

Todos os forcados citaram com tranquilidade e sem alardes ou precipitações, dando tempo aos touros, ao público e à própria pega, sem excessos. Os grupos ajudaram bem, havendo uma ou outra abertura sem consequências, os touros vieram todos para dentro dos grupos, e as seis pegas à primeira igualmente bem rematadas, até com alguma ousadia, pelos respetivos rabejadores. Volta para todos, acompanhados dos cavaleiros e chamada aos médios a Manel Pires.[...]"

Foto: D.R.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Peso dos toiros para hoje no Campo Pequeno

Já é conhecido o peso dos toiros da Ganadaria do Eng. Jorge de Carvalho que foram aprovados para a "corrida açoriana" que hoje se realiza no Campo Pequeno.











Toiros do Eng. Jorge de Carvalho para hoje no Campo Pequeno







Em declarações ao blogue "Farpas Blogue", o ganadero caracterizou estes exemplares da seguinte forma:
"Estes toiros são filhos de três sementais: o 88, o 156 e o 214. O 88 foi lidado pelo Rui Salvador, no Cartaxo em 2013. Foi um toiro que respondia aos cites com alegria e carregava após os ferros. Tem 75% de sangue Oliveira e Irmãos e 25% de sangue Charrua. O 156 ganhou o concurso de ganadarias de 6 de Outubro de 2013, nas Caldas da Rainha. É filho de uma vaca de ferro Simão Malta e do “Douradinho”, ferro Oliveira e Irmãos. O 214, de nome “Malhinhas”, foi lidado na Vidigueira, em Julho de 2007 e, ao ser tentado, resultou excelente na sorte de varas, vindo a dar óptimos descendentes.

Mas vejamos agora os seis toiros um por um, todos eles com o algarismo 5 na espádua, portanto, animais nascidos em 2015 e com 4 anos cumpridos. O 83, “Avestruz”, é filho do 156 e por parte da mãe herdou uma genética excelente; o 84, o “Costureiro I”, é filho do semental 88; o 86, o “Faisão”, é filho do semental 156; o 89, o “Costureiro II”, é filho do semental 88 e possui muito boa genética por parte da mãe; o 90, o ”Andorinho”, é filho do semental 214 e com excelente genética por parte da mãe (ferro Cabral Ascensão); e, finalmente, o 99, o “Rola”, com bom trapio e boa genética, filho do semental 88. Com base apenas na genética de cada um dos toiros em análise, diria que, estamos em presença de um curro de grande homogeneidade com cinco deles (83, 86, 89, 90 e 99) num patamar muito elevado."


Fotos: D.R./Campo Pequeno

Corrida do Campo Pequeno em directo no RCA

O Rádio Clube de Angra irá transmitir em directo do Campo Pequeno, a "Corrida de Homenagem à Região Autónoma dos Açores.

A equipa constituída por Pedro Ferreira, Francisco Morgado e Mário Rodrigues que nos últimos anos tem levado à emissão as corridas da Feira de S. João, estará no redondel lisboeta para que todos aqueles a quem não foi possível deslocar-se a Lisboa, fiquem a par das ocorrências do espectáculo. Assim, a partir das 20h15 (hora dos Açores) será possível ouvir o decorrer do evento através do RCA em 101.1, 94.7 ou 89.6 FM, no site rcangra.pt ou nas aplicações para sistemas operativos iOS ou Android.

A emissora regional a destacar-se uma vez mais, a nível nacional, na promoção, defesa e divulgação da Festa Brava!!

Dia histórico, hoje no Campo Pequeno

Hoje, dia 11 de Julho de 2019, será mais um dia histórico a entrar nos anais da Tauromaquia Açoriana. A Praça de Toiros do Campo Pequeno irá receber a denominada "Corrida Concurso de Pegas de Homenagem à Região Autónoma dos Açores".

Os Açores e a ilha Terceira, em particular, estarão representados pelo Cavaleiro Tiago Pamplona que irá fazer a confirmação da sua alternativa, na Catedral do Toureio Equestre. Nas pegas e a disputar o prémio da noite, estarão os Grupos de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense e do Ramo Grande. A abrilhantar a corrida, estará a Banda da Sociedade Filarmónica Rainha Santa Isabel das Doze Ribeiras.

Em praça estarão ainda os Cavaleiros Ana Batista, Filipe Gonçalves, Manuel Telles Bastos, Miguel Moura e João Salgueiro da Costa. Na disputa com os grupos terceirenses, estarão os Forcados Amadores de Beja. Serão lidados toiros de Eng. Jorge Carvalho, cuja ganadaria celebra 50 anos.

Na arena lisboeta desfilará ainda a Marcha dos Veteranos de 2019, intitulada "Cavaleiros da Terceira".


quinta-feira, 4 de julho de 2019

Corrida Mista em S. Jorge


segunda-feira, 1 de julho de 2019

Encerramento de bom nível – Quarta corrida da Feira de S. João 2019


A edição de 2019 de Feira de S. João encerrou a bom nível: Corrida à Portuguesa onde desfilaram Cavaleiros e Forcados ao gosto da afición local.

Filipe Gonçalves repetiu a sua presença no certame abrindo com uma boa lide, sempre em crescendo. O exemplar da Casa Agrícola José Albino Fernandes (JAF, nº81, 483Kg) entregou-se bem à luta e o Cavaleiro tirou partido. Bem nas bregas e na colocação do oponente, esteve correcto nas cravagens, baseando-se essencialmente em viagens com batida ao piton contrário. A destacar o terceiro ferro curto em que faz o movimento de câmbio no último instante, dando vantagem ao toiro antes da cravagem. Com o segundo do seu lote esteve menos regular. O toiro de João Gaspar (JG, nº38, 514Kg) tinha agressividade e metia a cara bem alta no momento da reunião. Aqui, a opção dos ferros a câmbio nem sempre resultou, mas ainda assim proporcionou momentos de emoção, como aconteceu com a segunda cravagem curta. Um ferro “impossível” a aguentar o derrote do toiro, ao ponto de este lhe rasgar o forro da casaca. Gonçalves a deixar boa imagem nesta sua passagem pelo redondel angrense.

João Pamplona esteve muito correcto diante do seu primeiro oponente (JAF, nº49, 516Kg). O toiro entregou-se com nobreza e permitiu uma boa ligação com o Cavaleiro. Boa preparação das sortes e abordagens bem desenhadas, ainda que alguns ferros tenham resultado descaídos. O Cavaleiro da Quinta do Malhinha conseguiu galvanizar a assistência com o seu toureio, mostrando-se a bom nível. O segundo do seu lote (JG, nº39, 444Kg) trazia outro tipo de exigências. Entregava-se, mas carregava pouco as sortes. Lide de muito querer e a procurar romper. Agarrou o público e, com uma prestação bastante emotiva, entregou-se por completo. Uma vez mais, a mostrar entendimento, “toureria” e o facto de ser um bom equitador. A par da prestação do irmão Tiago e daquilo a que se tem assistido nos últimos anos, não fora a quantidade de mar que separa esta ilha do resto do mundo e, talvez, o nome Pamplona fosse decididamente sinónimo de figura, no panorama taurino!

Como não houve dois sem três, João Salgueiro da Costa também esteve num bom patamar. O toiro (JAF, nº30, 483Kg) tinha “bom fundo” entregando-se a toda a linha. Lide em crescendo que rompeu definitivamente a partir do terceiro ferro curto. O Cavaleiro recriou-se nas bregas e sacou o que havia no toiro. Correcto nas cravagens onde, em alguns casos, pisou terrenos de compromisso. No final da lide ressentiu-se de um toque do toiro no estribo direito. Mais tarde viria a confirmar-se uma fractura no tornozelo. Ainda assim, Salgueiro da Costa lidou o segundo que lhe coube em sorte. O toiro (JG, nº40, 588Kg) nunca se entregou verdadeiramente à lide, mostrando-se áspero e violento. Lide trabalhosa, fazendo esquecer o facto de estar diminuído fisicamente e consequentemente, montar utilizando apenas um estribo. Finalizou com um grande ferro curto a aguentar a investida alta do toiro, debaixo do braço.

A forcadagem esteve representada pelos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, Ramo Grande e Luso-Americanos. Pela “Tertúlia” pegaram Tomás Ortins, à segunda com ajudas carregadas, depois de ter saído maltratado da primeira tentativa e Francisco Matos, que com uma boa pega à primeira, quebrou o enguiço que perseguiu o grupo durante esta feira. Pelo Ramo Grande, Luís Valadão resolveu à terceira, aguentando uma fuga do toiro ao grupo e André Lourenço fechou-se à primeira com uma grande e correctíssima pega. Os Amadores Luso-Americanos apresentaram-se com o Cabo Michael Lopes que, à segunda, efectuou uma grande pega, a mostrar querer e a fazer explodir a assistência. Pelo grupo, esteve ainda em praça Manuel Cabral que, diante de um toiro violento, apenas conseguiu resolver à quinta tentativa a sesgo.

Esta última Corrida foi dirigida por Rogério Silva que foi assessorado por Vielmino Ventura. Abrilhantou a Banda da Sociedade Filarmónica Nova Aliança de São José na Califórnia.

Bruno Bettencourt
Foto: Fernando Pavão

sábado, 29 de junho de 2019

Quebra de enguiço – Terceira Corrida da Feira de S. João 2019


Foi necessária a lesão de um toiro para que se assistisse (finalmente!) a momentos de bom toureio apeado na arena da Monumental “Ilha Terceira”, neste ano de 2019. A obra foi assinada por Escribano, Manuel. A matéria-prima trazia a divisa alva e celeste de Rego Botelho (RB), o “Maninho” (nº28, 488kg). Lidava-se o quinto da ordem e havia a lembrança, em segredo, que no hay quinto malo. O toiro (RB, nº37, 425Kg) é recebido pelo Matador de Gerena com uma larga cambiada de joelhos e, logo após os primeiros lances de capote, percebe-se que o hastado não se encontrava nas melhores condições, claudicando da mão esquerda. Sob protestos das bancadas, a direcção de corrida decidiu aguentá-lo em praça até á cravagem do primeiro par de bandarilhas. Ordenada a recolha, surge então o referido “Maninho” com uma saída fulgurante. Toiro morfologicamente muito bonito e pleno de nobreza e codícia. A fazer lembrar os dois “Guardas”, toiros que ficaram na memória de todos. Escribano tirou partido do oponente e bordou toureio. Andou profundo e templado, especialmente pela direita, adornando-se no final por Manoletinas. Com uma lide que rompeu para o triunfo, agarrou a assistência que estava sequiosa de assistir a uma boa contenda por parte dos seguidores da arte de Montes. O primeiro exemplar que lidou, vinha da casa de José Luís Cochicho (JLC, nº10, 401kg) e foi-se ficando em curto, após uma boa réplica inicial. Destaca-se o tércio de bandarilhas, numa lide com pouca história onde, mercê das condições do oponente, não foi possível desenhar-se séries com sequência. 

Pepe Moral teve igualmente pela frente, um lote de comportamento desigual. Conseguiu contornar as dificuldades impostas pelo terceiro da ordem (JLC, nº7, 411Kg) e obrigou-o a entregar-se até ao final. Lide de muita entrega e querer, onde se vislumbrou passes de interesse por ambos os lados. Ao longo das séries foi baixando a mão, imprimindo profundidade às viagens. O segundo do seu lote (RB, nº34, 453Kg) apresentava poucas soluções. Um toiro brusco e que não humilhava, fez com que o Matador o testasse por ambos os lados, mas sem conseguir sacar nada potável daquele poço.

Porque se tratava de um “Espectáculo Misto”, as lides equestres estiveram a cargo de João Moura Jr. que enfrentou dois exemplares de João Gaspar. Abriu praça com uma lide muito correcta e com ligação, diante de um exemplar (nº44, 496Kg) que rachou após o segundo ferro curto, descaindo para tábuas. O Cavaleiro entendeu bem os problemas do toiro e encontrou solução. Mostrou recursos e a razão de ser apontado como uma das figuras da nova geração. Encerrou com 3 bons ferros a sesgo, obrigando o toiro a investir. O segundo do lote (nº47, 524Kg) era sério e pedia contas. Novamente, Moura Jr., em plano superior. Acoplou-se e lidou a gosto, estando muito correcto e variado nas cravagens. Bons ferros a consentir as investidas e escolhas acertadas dos terrenos. Nota ainda para uma tentativa de “mourinha” que não resultou em pleno, mas que não manchou de todo o desempenho. 

Se o enguiço se quebrou no toureio apeado, o mesmo não aconteceu para os Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, em termos de pegas à primeira. Estiveram na cara dos toiros César Santos que à segunda resolveu com uma grande pega à córnea e Luís Cunha que ao terceiro intento resolveu com uma boa prestação dos ajudas.

O evento foi dirigido por Mário Martins, assessorado por Vielmino Ventura. Abrilhantou a Banda da Sociedade Filarmónica Rainha Santa Isabel das Doze Ribeiras. Nota final para o tempo de intervalo.

Uma nota final em relação ao tempo de intervalo: é de facto necessária uma pausa no decorrer dos espectáculos, mas não com esta dimensão temporal. A assistência perde ligação e as corridas prolongam-se em demasia.

Bruno Bettencourt
Foto: Fernando Pavão

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Resumo do Espectáculo para Idosos e Crianças realizado no dia 26 de Junho - Feira de S. João 2019




Foto: D.R.

Resumo do Grandioso Espectáculo realizado no dia 24 de Junho - Feira de S. João 2019




Foto: António Valinho

Resumo do Concurso de Ganadarias realizado no dia 22 de Junho - Feira de S. João 2019




Foto: António Valinho

terça-feira, 11 de junho de 2019

Pamplonas e Amadores do Ramo Grande na Califórnia


Os irmãos Tiago e João Pamplona, assim como o Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande, estarão na Califórnia onde, no próximo dia 17 de Junho, participarão na Corrida que se realizará na Praça de Toiros de Stevinson Pentecost.
A corrida que terá início às 19h00 (hora da Califórnia) contará com o seguinte cartel:

Cavaleiros
Joe Correia
Tiago Pamplona
João Pamplona
João Soller Garcia
Manuel Sousa
Duarte Fernandes

Forcados
Aposento de Turlock
Amadores do Ramo Grande
Amadores de Merced
Amadores de Escalon
Amadores Luso-Americanos
Amadores do Canadá 

Ganadarias
Pico dos Padres
Frank Borba e filho
Joe Rocha
São Pedro
Casa Agrícola Machado
Açoreana


Foto: D. R.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Feira de S. João 2019 - exemplares para a Corrida Concurso

As fotos dos exemplares a serem lidados no próximo dia 22 de Junho, na Corrida Concurso de Ganaderias da Feira de São João 2019.






quinta-feira, 6 de junho de 2019

Feira de São João 2019


Rabo Torto - Blogue Tauromáquico de regresso e para ficar!


No dia 7 de Outubro de 2006 nasceu o "Rabo Torto - Blogue Tauromáquico". Este espaço surgiu no seguimento de um sítio na internet que eu havia criado em 2004 chamado "O Sítio da Terra", que se debruçava sobre diversas temáticas da cultura terceirense. Entre essas temáticas, uma das minhas grandes paixões: a tauromaquia.

Devido à facilidade de actualização de conteúdos inerente a um blogue, e num período anterior à proliferação das redes sociais, surge então o "Rabo Torto", dedicando-se em exclusivo ao mundo do toiro e do cavalo, incidindo essencialmente sobre a realidade açoriana. Este espaço surge como um local de aprendizagem, onde cada publicação sempre me obrigou a estudar mais sobre este mundo mágico. Este espaço permite-me e permitiu-me rasgar novos horizontes (alguns dos quais nem me passavam pela cabeça!) e  com isto foi-me fazendo crescer como aficionado, dando-me uma visão mais global relativamente a todas as virtudes, mas também ao que existe de menos bom na Festa.

Naquele dia foi publicado o seguinte texto:
"Agora nasce mais um blog! Um blog que estará associado, essencialmente, a aspectos ligados à Festa Brava, mas não só. Este será um espaço sem obrigações e sem pretensões. Não se pretende que seja um local onde se encontrem grandes opiniões, críticas ou notícias (embora também possam aparecer). Aqui encontrar-se-á apenas aquilo que no momento surgir e for oportuno escrever. Fica a promessa de este espaço ser actualizado com frequência. Se tal não se cumprir, a sua existência e permanência não se justificará."

Hoje, 13 anos e 8 meses depois, a mesma premissa mantém-se. Nos últimos meses, o “Rabo Torto – Blogue Tauromáquico” foi alvo de dois bloqueios por tentativas de ataque. O último dos quais no mês de Janeiro de 2019, durando até Junho. A mesma situação já tinha acontecido em 2011. Estes bloqueios impossibilitaram a publicação de muitas e muitas informações sobre a tauromaquia açoriana. Não sou jornalista nem crítico taurino, mas como referi anteriormente, as publicações neste espaço ajudam-me a crescer como aficionado. Pode parecer uma abordagem egoísta e um pouco narcisista, mas se formos a pensar bem, os blogues são isto mesmo: pessoais!

Neste mês de Junho, mês maior para a tauromaquia açoriana, o “Rabo Torto – Blogue Tauromáquico” regressa e espero que, a haver períodos de ausência de publicações, os mesmos se devam a indisponibilidade pessoal e não a bloqueios por acção de terceiros!

Já agora, a título de curiosidade e porque muitas pessoas me perguntam o porquê do nome deste blogue, deixo aqui uma breve descrição do Dr. Leite Pacheco de 1903: “… depois da introdução do gado bravo na ilha Terceira, tornou-se indispensável a selecção de uma raça canina que dispusesse de extraordinária força física, boas aptidões olfactivas e que fosse instintivamente dominadora com o gado. Uma raça com tais características seria a ideal para o auxílio dos pastores quando tivessem que manejar o gado nas criações do interior da ilha, marcadas por superfícies acidentadas que tornavam ainda mais árduo o trabalho dos homens do mato.” Esse cão era o Cão de Fila da Terceira (vulgarmente conhecido como Rabo Torto).

Bruno Bettencourt

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Em Junho - noite açoriana no Campo Pequeno


Apesar de ainda faltar a confirmação de alguns pormenores, tudo leva a crer que a 6 de Junho, na Praça de Toiros do Campo Pequeno, se irá realizar uma corrida à portuguesa de homenagem à aficion dos Açores. Será a terceira corrida da temporada de 2019 no redondel lisboeta. Ao que tudo indica, o cartel contará com  6 cavaleiros, sendo um deles Tiago Pamplona, que ali confirmará a sua alternativa. As pegas estarão a cargo dos grupos de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense e Amadores do Ramo Grande.

Foto: D.R.

Ramo Grande premiado em Vila Franca


 
O Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande foi distinguido pelo Clube Taurino Vilafranquense como Triunfador para a Melhor Pega realizada na Praça de Toiros "Palha Blanco". A pega premiada foi realizada por Manuel Pires, cabo do grupo terceirense.
Os prémios serão entregues no próximo dia 9 de Março, aquando do jantar de aniversário daquele clube.


Recorde-se que a pega premiada foi efectuada no dia 7 de Outubro de 2018 durante a Corrida Concurso de Ganadarias, integrada na Feira de Outubro de Vila Franca de Xira. Foram lidados exemplares de Veiga Teixeira, António Silva, Passanha, São Torcato, Higino Soveral e Silva Herculano. A cavalo estiveram Manuel Telles Bastos, Francisco Palha e Luis Rouxinol Jr.
Na disputa com os rapazes do Ramo Grande, estiveram os Grupos de Forcados Amadores do Ribatejo e do Aposento do Barreto Verde.


Rabo Torto de regresso



As publicações no Rabo Torto - Blogue Tauromáquico estão de volta.
Após mais de um mês, durante o qual a plataforma de acesso ao blogue foi alvo de bloqueio por ataque informático, este blogue taurino está de volta com algumas notícias do meio tauromáquico açoriano.


Ainda não foi desta!

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Toureiro Equestre, quo vadis?


As tradições, a arte, tudo o que nos rodeia, evolui. Se não o fazem, acabam por se ir perdendo no horizonte da memória. A tauromaquia não foge a este princípio. Há que evoluir, há que procurar novos motivos de interesse, mas também há algo que jamais se pode perder: as bases, a essência e os princípios. Tudo isto parece um pouco contraditório, mas é importante que se tenha consciência de que há uma fronteira muito ténue entre o que se entende por evolução e aquilo que é a transformação/desvirtuação. Serve esta pequena introdução para que se reflicta um pouco sobre o actual panorama do Toureio Equestre em Portugal.

Neste momento, e cada vez mais, é debatida a forma de atrair mais aficionados às praças de toiros, mediante a apresentação de cartéis aliciantes. O que é facto é que a chamada “nova geração” não tem tido o condão de arrastar multidões. O toureio nacional parece estar adormecido, faltando figuras que arrastem multidões. Ainda são os nomes da “geração de ouro” que chamam o público às bancadas (quando chamam!). Não há aqui qualquer tipo de saudosismo ou apologia do “antigamente”, mas a realidade é que não tem havido evolução que cative de forma verdadeira e com emoção, quem assiste. Cada vez mais assistimos a imitações. Imitações que pura e simplesmente descartam as já referidas bases e essência. Tudo ao abrigo de uma pretensa evolução que não passa de um desvirtuar das regras mais elementares. É claro que existem excepções e, ainda bem que as há! Mas o problema é mesmo esse: são excepções, não são a maioria.

Portugal assiste a uma espécie de “mais do mesmo”, com a agravante de esse “mesmo” estar esbatido. Há algumas décadas, assistiu-se à grande revolução do toureio equestre, facto tão badalado sempre que se fala em João Moura, seu autor. Houve realmente uma alteração de conceito, mas as bases sempre estiveram lá e foram respeitadas. Serviu esta acção do Cavaleiro de Monforte, para que também o toureio equestre evoluísse (e de que maneira) em Espanha. No entanto, agora deu-se uma espécie de efeito boomerang: muitos dos que por cá andam e vestem de casaca e tricórnio, parecem ter colocado de parte os fundamentos da Arte que elegeram, para se dedicarem ao que de menos verdadeiro vem do lado dos vizinhos Ibéricos. Há quem diga que é de facto uma questão de conceito. Talvez seja…

Tourear a cavalo não se resume à cravagem dos ferros. O momento da reunião, as sortes, aquela fracção de segundo interminável é o resultado máximo de toda uma série de momentos de preparação que são necessários e fundamentais. Exige-se a um Cavaleiro que saiba montar a cavalo. Não é possível alguém querer dominar o ímpeto e a investida de um toiro se não souber, antes de tudo, ligar-se à sua montada como se um fosse o prolongamento do corpo do outro. Hoje assiste-se a uma equitação pior, apesar de existirem cavalos cada vez melhores e com mais ferramentas. Hoje já ninguém vai buscar uma montada que anteriormente andou na lavoura, preso a um sacho. Hoje todos sabem a linhagem das suas montadas e escolhem-nas por isso. Curiosamente, os cavaleiros ditos “classicistas”, são aqueles que melhor equitação demonstram. São aqueles que de facto parecem um centauro em praça, mostrando uma união e um domínio tal com a montada, ao ponto de nem marcas de esporas se verem no final das lides.

Aliado a uma equitação mais deficitária, vem todo o resto. E quando acima referia que a cravagem do ferro é o resultado de toda uma preparação, também me referia à interpretação do comportamento do toiro. Há que observar o oponente, há que prová-lo com a montada, há que perceber quais os seus terrenos, há que mexer com o toiro e dar-lhe a lide adequada, não a que vem decorada de casa. Muitos destes aspectos têm-se perdido, parecendo que já muito poucos lidam. Talvez uma das razões para que isto aconteça, seja a escolha de encastes que, hoje em dia, já é regra para muitos. São poucos os que enfrentam qualquer encaste. Já quase não existem Cavaleiros que se formam para enfrentar qualquer toiro. Agora são formados toiros que sejam capazes de enfrentar qualquer Cavaleiro. Nem vale a pena estar a amaldiçoar o encaste Murube, tão de eleição dos Cavaleiros actuais. Os toiros-telecomandados e quase “costum-made”. Mas é maioritariamente com esses que se assiste ao que tem proliferado nas praças nacionais.

As lides (quando existem, na verdadeira acessão da palavra) são cada vez mais acessórias. Não se brega, não se escolhem bem os terrenos. Interessam sim, os adornos (muitos!), os números circenses do cavalinho. As sortes não são preparadas, interessando apenas cravar, de preferência com um câmbio gigante na cara de um toiro com pouco andamento, deixando o ferro quando o oponente já está quase para além da garupa. Rematar a sorte? Muito poucos sabem o que é! Assim se toureia… o público (todos nós!) … e o público gosta! O Cavaleiro explode de emoção e todos aplaudem uma obra distorcida. Deixou de ser a acção na arena a transmitir emoção, para ser o Cavaleiro com a sua euforia e exuberância de festejos a procurar transmiti-la à assistência. O público gosta…. Pois! Mas, depois de assistirem a duas ou três corridas em que tudo é igual, em que tudo está formatado e já se sabe ao que se vai, esse mesmo público começa a querer ver e sentir a verdadeira emoção. Se não a encontra, se não a consegue renovar, procura outro tipo de fonte e abandona as bancadas das praças de toiros.

É no toureio fundamental, na preparação das lides, no cravar ao estribo vencendo o piton, no enfrentar toiros de verdade que mostrem perigo, que está a “galinha dos ovos de oiro”. Sempre ali esteve, não são necessários outros artefactos. Há que evoluir, mas há que perceber que a verdadeira emoção, é aquela que resulta na transformação do verdadeiro perigo em momentos sublimes de arte. A verdadeira emoção é a que resulta da fusão do conhecimento e capacidade de entendimento Cavaleiro/Cavalo com o ímpeto bravio do toiro. São estes momentos de pura imprevisibilidade que fazem com que as pessoas queiram assistir a momentos irrepetíveis de forma repetida, sentindo a emoção e verdade que o toureiro a cavalo deve transmitir.

Bruno Bettencourt
Foto: Paulo Gil

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