A aposta foi feita e o toureio de Ismael Martín trouxe a vitória. O poderio, aliado ao fino recorte artístico, embalou e arrebatou a Praça de Toiros “Ilha Terceira” no decorrer da “Grandiosa Novilhada” do Ramo Grande, incluída na Semana Cultural dos Biscoitos. Abreviado com o Capote, ainda assim mostrou muito temple com Paróns e Verónicas. O Rego Botelho (RB) (nº1, 443kg) borralho de pelagem entregou-se com nobreza numa lide que teve o seu primeiro momento de explosão durante o tércio de bandarilhas, protagonizado pelo Matador salmantino. Com a Muleta, e de joelhos, passou o oponente pelas costas, fazendo parar corações. Foi-se afirmando por ambos os lados e terminou com uma grande série pela direita, cada vez mais justa, não se livrando de uma voltareta sem consequências. O exemplar da Casa Agrícola José Albino Fernandes (JAF) (nº315, 458kg) tinha mais ligação na investida, era nobre e com recorrido, ainda que parco de forças. O Matador cuidou-o e foi-lhe dando espaço. Novamente majestoso com as bandarilhas, baseou a lide na mão direita, desenhando sentidas séries com a flanela rubra. Com lentidão, leveza e profundidade, acoplou-se ao exemplar da divisa verde e vermelha rubricando uma lide premiada com duas voltas à arena.
Voltando ao início, Miguel Moura abriu praça diante de um exemplar de João Gaspar (JG) (nº40, 505kg) que se prestou ao desafio, cumprindo, mas sem romper. Com um ferro à porta gaiola, iniciou uma lide em bom plano onde esteve patente a escola que lhe corre nas veias. Entendimento e correcta escolha de terrenos que, resultaram em boas reuniões. Destaque para o quarto ferro curto, à meia volta, após uma brega cingida que percorreu mais de meia praça. A segunda actuação de Moura esteve uns furos mais acima, frente a um RB (nº81, 417kg) que tinha génio. O novilho-toiro entregou-se, ainda que por vezes fosse brusco na investida. Bem na preparação das sortes, tirou o que de bom havia dentro do oponente, chegando às bancadas, em especial durante as bregas “mouristas”.
António Prates estreou-se na ilha
Terceira frente a um JAF (nº313, 457kg) que se revelou bruto no início, mas
veio a melhorar o comportamento ao longo da lide cumprindo o que lhe era
exeigido. Também em crescendo esteve o cavaleiro. Após refrear algum nervosismo
inicial, mostrou discernimento e, entendendo o exemplar que tinha pela frente, explanou
algum do seu toureio numa lide que agradou a assistência. Fechou o espectáculo
frente ao sobrero (JG, nº 46, 497kg). Se era bonito e imponente, também era
reservado. Fez querença nos tércios, só saindo pela certa e se lhe pisassem os
terrenos. Lide de entrega por Prates que, apesar de correcto nas sortes, não
conseguiu dar a volta, em pleno, a um exemplar que, de bravo, tinha pouco mais do
que a raça.
As pegas estiveram a cargo do
Grupo de Forcados Amadores de Lisboa e Amadores do Ramo Grande. Pelo grupo da
capital, pegaram Duarte Nascimento, à primeira e sem dificuldade, aguentando a
viagem ensarilhada do novilho-toiro; José Batista, fechou-se à primeira, numa
boa pega a aguentar derrotes. Pelo Ramo Grande, Pedro Pereira consumou ao
primeiro intento, numa boa pega, de poder. Rui Dinis, dobrou Gonçalo Batista
que saiu maltratado após três tentativas e resolveu, a sesgo, fechando a noite.
Após as cortesias, assistiu-se à
entrega de lembranças a todos os intervenientes. A direcção esteve a cargo de
Ricardo Costa, sendo assessorado por José Paulo Lima. Esta organização da União
Tauromáquica do Ramo Grande foi abrilhantada (e bem!) pela Banda da Associação
Filarmónica Cultural e Recreativa Santa Bárbara da Fonte do Bastardo.
Uma nota final para os animais lidados:
apesar da designação do espectáculo e da idade dos mesmos, assistiu-se à
presença de hastados com peso e trapio, ao nível de uma corrida com toiros de
outra idade.
Bruno Bettencourt
Foto: Paulo Gil





