quinta-feira, 25 de junho de 2026
Tríptico triunfal - Crónica da terceira Corrida da Feira de S. João 2026
terça-feira, 23 de junho de 2026
O brilho de Pamplona e o brio de Pérez - Crónica da segunda Corrida da Feira de S. João 2026
Segundo dia de Feira de S. João, primeira Corrida Mista do certame e, novamente, muito público a mostrar que a tauromaquia é parte constituinte do ser terceirense. João Moura Jr., João Pamplona, Marco Pérez, Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT) e Amadores de Turlock (GFAT). Casa Agrícola José Albino Fernandes (JAF) e João Gaspar (JG).
O JAF (N°256, 480kg) fixou-se e cumpriu, com durabilidade, apesar das parcas forças. João Moura Jr. interpretou-o e desenhou uma lide de entendimento, adequando os tempos ao toiro, cuidando-o com temple e cadência. Recriou-se na cara do oponente, chegando às bancadas que cedo lhe tributaram ovações. O segundo do seu lote (JG) viria a lesionar-se no início da cravagem dos curtos e a organização permitiu que fosse lidado o sobrero. O JG (N°38 415kg) era impetuoso e vinha de largo com velocidade. Tinha muitas teclas e foi-se parando nos médios, no final. Recebeu-o com uma sorte de gaiola emotiva, para depois prosseguir com uma boa lide, ajustando as montadas às exigências, mas sem romper totalmente.
João Pamplona recebeu um toiro JG (N°24, 510kg) que tinha tanto de beleza física como de comportamento. Recebeu-o com sorte de gaiola bem desenhada, fazendo antever uma lide em plano superior. Tirou partido do oponente e agarrou as bancadas. Muito correcto na escolha de terrenos e justo nas cravagens, saiu sob forte ovação, após cravagem de um explosivo ferro de palmo. O JAF (N°278, 467kg) era muito bom. Investia em todos os terrenos, de forma recta, clara e com transmissão. Em sintonia, o Cavaleiro da Quinta do Malhinha rubricou uma grande lide. Um primeiro ferro curto à meia volta, daria o mote para uma série de cravagens com nota elevada. Arriscou e transmitiu emoção. A sua forma segura e clássica de equitador, aliou-se à irreverência e raça toureira que ecoou nas bancadas e resultou em duas voltas à arena.
Marco Pérez apresentou-se como Matador na ilha Terceira, após ter passado pela mesma arena há alguns anos. Teve pela frente dois exemplares JAF (N°312, 447kg e N°310, 433kg). O que lhes faltava em força sobrava em nobreza. Viagens rectas e templadas, com destaque para o segundo do lote que teve mais duração e ainda mais maneabilidade. Na primeira faena assistiu-se a um toureio de recorte fino quer com o Capote, como com a Muleta. Acoplou-se ao toiro e mostrou que vinha para triunfar. Destaca-se uma bonita série pela direita, rematada com um infinito passe de peito. Com o segundo exemplar citou a meia altura, rentabilizando as condições do toiro e fazendo-o durar. Mostrou o seu poderio com a flanela vermelha, imprimindo profundidade a cada passagem do hastado. Deu tempo e espaço, criando faena onde muitos teriam dificuldade. No final, duas voltas à arena.
Pelo GFATTT, João Bettencourt consumou à segunda, sendo bem ajudado. Tomás Costa resolveu à terceira com ajudas carregadas. Com a jaqueta do GFAT, Fábio Vieira fechou-se à primeira sem dificuldades. Bryce Rocha, à segunda, fechou-se numa rija pega, rubricando a presença do grupo cinquentenário na Feira de S. João.
A corrida foi dirigida por Leandro Pires, assessorado por José Paulo Lima. Abrilhantou a centenária Banda da Sociedade Filarmónica Recreio Serretense.
Bruno Bettencourt
Foto: Tertúlia Tauromáquica Terceirense
segunda-feira, 22 de junho de 2026
Outra vez Moura - Crónica da primeira corrida da Feira de S. João 2026
Angra do Heroísmo materializou, uma vez mais, o porquê de ser um contínuo coração pulsante no meio do Atlântico. A celebração de S. João Batista invadiu a cidade e a ilha, trazendo com ela a Feira taurina que ostenta o nome do patrono popular.
"Lotação esgotada"! Estas duas palavras, encimando a Porta Grande da Praça de Toiros "Ilha Terceira", receberam todos aqueles que ali se encontravam para assistir à Corrida à Portuguesa no dia 21 de Junho. O entusiasmo e a expectativa eram palpáveis. Os nomes de Tiago Pamplona, João Moura Jr., João Ribeiro Telles, Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT) e Amadores de Turlock (GFAT), Rego Botelho (RB) e João Gaspar (JG), enchiam um cartaz deveras apelativo.
Tiago Pamplona abriu a corrida que marcou os seus 20 anos de alternativa. Duas décadas de dedicação, resiliência e afirmação, honrando uma dinastia e a terra que o viu nascer. Foram precisamente as características referidas que marcaram a sua primeira lide. O RB (n°74, 460kg) vinha bem apresentado, mas tinha algumas dificuldades de visão, mercê da conformação dos pitons. Com debilidade de forças, pedia que o provocassem e, ainda assim, arrancava tarde. Lide de entendimento a trazer o toiro com medidas tiradas, mexendo-lhe nas querenças e metendo-o na luta, ainda que, por vezes, algumas das sortes não resultassem em pleno. Com o bonito, volumoso e sério JG (n°44, 539kg) a história seria outra. Um bom toiro e uma lide em plano de triunfo. O Cavaleiro foi palmilhado terreno e, a cada ferro, foi fazendo ouvir as bancadas. Se iniciou a série de curtos com um grande ferro a respeitar os tempos do toiro, terminou com um ferro de palmo que fez levantar a assistência numa explosão de emoção.
João Moura Jr. entrou em praça trazendo à lembrança a encerrona que protagonizou em 2025. Se bem lembrou, melhor o executou. Era bonito e bravo o JG (n°41, 476kg), com uma entrega constante até ao fim da lide. Pela frente teve a arte mourista que lhe rubricou uma lide triunfante, fazendo tremer a praça. Bregas e remates justíssimos e ferros de tirar a respiração, como foi o caso do 3° curto, à meia volta e em terrenos apertadíssimos, junto à porta dos curros. A dose havia de ser repetida no ferro seguinte, ainda que noutros terrenos, e a Praça ia vindo abaixo. O RB (n°61, 503kg) não comprometeu, colaborou e metia bem a cara. Moura Jr. leu-o de imediato e, logo chegou ao público com com batidas templadas e cravagens a aguentar a viagem impetuosa do toiro. Duas mourinhas e o público em delírio encerraram a lide.
João Ribeiro Telles mostrou inteligência ao perceber as condicionantes do oponente. O RB (n°64, 464kg) tinha chispa e vontade de investir, no entanto, transpareceu dificuldades morfológicas que lhe condicionavam o ímpeto na investida. Telles esperou-o à porta dos curros, dobrou-se a receber e foi cuidando do toiro, conseguindo que este tivesse a duração pretendida. Remates cingidos, a rubricar sortes onde estiveram patentes todos os tempos e cadências de forma correcta. Fechou uma boa lide com um melhor ferro curto. E porque há dias desafiantes, foi recolhido o último da tarde/noite (JG) para ser substituído pelo sobrero RB (n°41, 519kg). O toiro, que viria a dar água pela barba à forcadagem, perdeu o gás bastante cedo, ficando-se em curto, indo só pela certa e não carregando as sortes. Dois ferros compridos e três curtos resumem a lide possível diante de um oponente sem grandes possibilidades.
Na forcadagem, viveram-se muitos dos sentimentos que alimentam a Festa e esta forma de arte: glória, superação, camaradagem, susto e sofrimento. Pelo GFATTT despediu-se um dos grandes forcados da ilha Terceira, Carlos Vieira "Cabeça". O mais velho de uma família de 5 irmãos forcados, fechou-se à primeira numa grande pega em que foi levado pelo alto e aguentou duros derrotes até chegar à preciosa ajuda do grupo. Bernardo Belerique (cabo), à primeira, respeitou os tempos, consentiu a viagem e trouxe o toiro toureado até se fechar com máxima eficácia. Deu uma aula. João Vieira "Cabeça" saiu em maca (felizmente sem consequências), após duas tentativas em que aguentou barbaridades e que quase se transformaram naquela que poderia ser a pega da Feira. Na dobra, Francisco Matos resolveu com ajudas carregadas.
Pelo GFAT que está em ano de Bodas de Ouro, Sérgio Tirado resolveu à segunda, aguentando a paragem do toiro a meio da viagem e a fechar-se com eficácia. Joey Pereira fechou-se com raça à segunda mostrando muito querer. Aaron Teixeira encontrou um comboio de alta velocidade pela frente. Duas tentativas em que o grupo foi sendo despejado com derrotes altos e, no final das quais, foram saindo forcados lesionados. David Sanchez substituiu o colega que saiu maltratado e fechou-se a sesgo com valentia e as ajudas carregadas.
A corrida dirigida, diligentemente, por Ricardo Costa, assessorado por Vielmino Ventura contou com um minuto de silêncio, no início, em homenagem a António Vielmino Ventura, José Alpoim Bruges e António Silveira Dinis, figuras ligadas à tauromaquia, recentemente falecidos. Homenagens ao GFAT pelos 50 anos de história a elevar a arte de pegar toiros, desde os EUA, nas mais diversas praças mundiais e a Tiago Pamplona pelos 20 anos de alternativa como Cavaleiro Tauromáquico. Entre as lembranças entregues, destaque para o pasodoble "Glória na Arena - Tiago Pamplona" da autoria de Hélder Linhares, oferecido pela família do Cavaleiro e estreado pela Banda do Senhor Santo Cristo de Toronto que abrilhantou a corrida.
Bruno Bettencourt
Foto: Tertúlia Tauromáquica Terceirense


