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terça-feira, 23 de junho de 2026

O brilho de Pamplona e o brio de Pérez - Crónica da segunda Corrida da Feira de S. João 2026


Segundo dia de Feira de S. João, primeira Corrida Mista do certame e, novamente, muito público a mostrar que a tauromaquia é parte constituinte do ser terceirense. João Moura Jr., João Pamplona, Marco Pérez, Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT) e Amadores de Turlock (GFAT). Casa Agrícola José Albino Fernandes (JAF) e João Gaspar (JG).

O JAF (N°256, 480kg) fixou-se e cumpriu, com durabilidade, apesar das parcas forças. João Moura Jr. interpretou-o e desenhou uma lide de entendimento, adequando os tempos ao toiro, cuidando-o com temple e cadência. Recriou-se na cara do oponente, chegando às bancadas que cedo lhe tributaram ovações. O segundo do seu lote (JG) viria a lesionar-se no início da cravagem dos curtos e a organização permitiu que fosse lidado o sobrero. O JG (N°38 415kg) era impetuoso e vinha de largo com velocidade. Tinha muitas teclas e foi-se parando nos médios, no final. Recebeu-o com uma sorte de gaiola emotiva, para depois prosseguir com uma boa lide, ajustando as montadas às exigências, mas sem romper totalmente.

João Pamplona recebeu um toiro JG (N°24, 510kg) que tinha tanto de beleza física como de comportamento. Recebeu-o com sorte de gaiola bem desenhada, fazendo antever uma lide em plano superior. Tirou partido do oponente e agarrou as bancadas. Muito correcto na escolha de terrenos e justo nas cravagens, saiu sob forte ovação, após cravagem de um explosivo ferro de palmo. O JAF (N°278, 467kg) era muito bom. Investia em todos os terrenos, de forma recta, clara e com transmissão. Em sintonia, o Cavaleiro da Quinta do Malhinha rubricou uma grande lide. Um primeiro ferro curto à meia volta, daria o mote para uma série de cravagens com nota elevada. Arriscou e transmitiu emoção. A sua forma segura e clássica de equitador, aliou-se à irreverência e raça toureira que ecoou nas bancadas e resultou em duas voltas à arena.

Marco Pérez apresentou-se como Matador na ilha Terceira, após ter passado pela mesma arena há alguns anos. Teve pela frente dois exemplares JAF (N°312, 447kg e N°310, 433kg). O que lhes faltava em força sobrava em nobreza. Viagens rectas e templadas, com destaque para o segundo do lote que teve mais duração e ainda mais maneabilidade. Na primeira faena assistiu-se a um toureio de recorte fino quer com o Capote, como com a Muleta. Acoplou-se ao toiro e mostrou que vinha para triunfar. Destaca-se uma bonita série pela direita, rematada com um infinito passe de peito. Com o segundo exemplar citou a meia altura, rentabilizando as condições do toiro e fazendo-o durar. Mostrou o seu poderio com a flanela vermelha, imprimindo profundidade a cada passagem do hastado. Deu tempo e espaço, criando faena onde muitos teriam dificuldade. No final, duas voltas à arena.

Pelo GFATTT, João Bettencourt consumou à segunda, sendo bem ajudado. Tomás Costa resolveu à terceira com ajudas carregadas. Com a jaqueta do GFAT, Fábio Vieira fechou-se à primeira sem dificuldades. Bryce Rocha, à segunda, fechou-se numa rija pega, rubricando a presença do grupo cinquentenário na Feira de S. João.

A corrida foi dirigida por Leandro Pires, assessorado por José Paulo Lima. Abrilhantou a centenária Banda da Sociedade Filarmónica Recreio Serretense.


Bruno Bettencourt 

Foto: Tertúlia Tauromáquica Terceirense

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