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domingo, 2 de abril de 2023

Apresentação da Feira de S. João 2023


Foi no Centro Cultural de Congressos de Angra do Heroísmo, local onde outrora foi a Praça de Toiros de São João, que decorreu a apresentação do maior certame taurino dos Açores e um dos mais importantes de Portugal, de forma notável e com grande categoria.

Perante uma sala cheia de aficionados, o Presidente da Tertúlia Tauromáquica Terceirense Lino Pires e o Vice-Presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo Guido Teles abriram uma sessão de apresentação inovadora dos carteis das Sanjoaninas, que contou com a presença total dos intervenientes da feira, que já haviam sido apresentados previamente nas redes sociais da organização, na maioria pessoalmente e os restantes através de mensagens vídeo na sua maioria por videochamada direta.
Em todos os momentos o evento prendeu a atenção da centena e meia de pessoas preencheram as cadeiras da sala. Os aficionados presentes deliciaram-se com a interatividade do modelo de uma apresentação que contou com uma participação muito ativa de artistas e ganadeiros, e além do mais, cheia de recursos de multimédia que permitiu trazer à sala vídeos dos imponentes toiros a serem lidados nas três corridas anunciadas para os dias 24, 25 de junho e 1 de julho.
Além da apresentação da feira taurina, foram ainda apresentados os festejos de tauromaquia popular, entre eles, duas espera de gado, sendo uma delas para crianças e três touradas à corda. Do mesmo modo foi apresentado o cartel da tradicional tourada das crianças, agendada para 27 de junho, que contará com a presença do cavaleiro amador Juan de José, o bezerrista João Prates e o Grupo Juvenil dos Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense.
No final da apresentação de grande categoria a organização convidou aficionados, artistas e ganadeiros para um convívio com beberete, onde todos, de uma forma amigável e descontraída puderam partilhar o gosto comum de falar de toiros.
Abaixo os carteis da Feira Taurina de São João 2023:
24 junho – 18h00 – Corrida dos 50 Anos do GFATTT – Cavaleiros: António Ribeiro Telles, Tiago Pamplona e Francisco Palha. Forcados: Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense. Ganadaria: Veiga Teixeira.
25 junho – 18h30 – Corrida do Emigrante – Cavaleiros: Francisco Palha, João Pamplona e António Telles (filho). Forcados: Grupo de Forcados Amadores de Turlock e Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande. Ganadaria: Casa Agrícola José Albino Fernandes e João Gaspar.
01 julho – 18h30 – Grandiosa Corrida Mista – Cavaleiro: António Ribeiro Telles. Forcados: Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense. Matadores: Luís David Adame e Joaquim Ribeiro Cuqui. Ganadaria: Rego Botelho.

Fonte: Tertúlia Tauromáquica Terceirense

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

PROTOIRO ouvida no Parlamento Açoriano em defesa da Tauromaquia


No passado dia 10 de Fevereiro, a PROTOIRO foi ouvida na Comissão de Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa Regional dos Açores no âmbito de uma proposta legislativa regional do PAN que "Determina o fim das touradas e prevê apoios aos trabalhadores e à reconversão das praças de touros."


Helder Milheiro, o Secretário-Geral da Federação PROTOIRO, foi ouvido a pedido da Comissão tendo feito uma exposição do contexto cultural da tauromaquia no nosso país, dos dados científicos sobre a relação entre os menores e a tauromaquia e uma análise jurídica sobre o enquadramento da tauromaquia e das suas diversas expressões (de praça e populares) no sistema jurídico e constitucional do nosso país. 

Seguiram-se várias rondas de perguntas realizadas pelos deputados Pedro Pinto (CDS), Vera Pires (BE) e Nídia Inácio (PSD) que foram respondidas pelo Secretário-geral da PROTOIRO. O deputado único do PAN não marcou presença na audição. 

Helder Milheiro reforçou a inconstitucionalidade da proposta do PAN, que pretende proibir direitos e liberdades fundamentais protegidos pela constituição, como o direito à cultura que inclui o direito à criação e fruição cultural, tal com diversas sentenças judiciais o afirmam, tendo citado vários exemplos, como o da sentença do Tribunal Fiscal e Administrativo do Porto que em 2019 sentenciou que "atento o reconhecimento jurídico da dimensão cultural das touradas, o exercício da actividade tauromáquica ou, se se quiser, “o direito à tourada”, se integra no âmbito da “liberdade de criação cultural”, que é um dos “direitos, liberdades e garantias” consagrados na Constituição (artigo 42.º)”. “A liberdade de criação cultural é aqui configurada, pela sua colocação sistemática e íntima conexão com a liberdade de consciência e com a liberdade de expressão, fundamentalmente, como um direito de defesa, como direito à livre criação cultural sem impedimentos ou ingerências.” “O “direito às touradas”, enquanto dimensão do direito à criação e à fruição cultural, é protegido por normas jurídicas de carácter vinculativo, quer a nível europeu quer a nível estadual.”

Disse Milheiro que "A todos nos indignaria se aqui estivéssemos a debater uma proposta de proibição do teatro ou da literatura nos Açores, ou a proibição da cultura judaica ou outra, pois a mesma indignação nos tem de assaltar no projecto em apreço, pois pretende proibir, dentro de um espírito anti democrático, intolerante e inconstitucional, a liberdade cultural dos portugueses e dos açorianos em particular."

Rematou afirmando que "sejamos claros: o problema do PAN não são as touradas, o problema do PAN é a liberdade dos outros cidadãos."

No âmbito dos trabalhos da Comissão serão ouvidas outras entidades não existindo ainda data agendada para a discussão e votação do projecto no plenário da Assembleia Legislativa Regional dos Açores. 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Feira Taurina da Ilha Graciosa 2023


 

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Já são conhecidos os nomes dos Cavaleiros para a Feira de S. João 2023


A Tertúlia Tauromáquica Terceirense acaba de anunciar os nomes dos Cavaleiros que estarão presentes na Feira de S. João 2023. Assim, segundo aquela que é a entidade organizadora da Feira, António Telles será cabeça de cartaz, trazendo classe e charme às Sanjoaninas 2023.

Reforçando a Feira Taurina como um marco de extrema importância e notoriedade no panorama nacional tauromáquico, declaram que "continua a imperar o cuidado e dedo cirúrgico no que toca às escolhas que compõem os cartéis de tão relevante certame taurino."
No que diz respeito à vertente do toureio a cavalo, estão alinhavados e firmados os nomes que em Junho de 2023 farão cortesias na Praça de Toiros da Ilha Terceira. De uma das dinastias mais carismáticas do país, com pergaminhos e uma história inolvidável, o “doutorado” António Ribeiro Telles regressa à arena insular e apresenta à aficción, terceirense o filho homónimo António Ribeiro Telles, Filho, que começa a traçar a sua carreira, sendo uma forte promessa da arte marialva.

Não menos relevante, e de uma casa também ela bastante acarinhada, alinham Tiago Pamplona e João Pamplona. Os irmãos da Quinta do Malhinha são peça fulcral e presença com tradição nas Sanjoaninas. Depois de mais uma temporada de grande nível, onde rodou pelas principais praças do país e com triunfos importantes, remata a feira e junta-se ao elenco o valoroso cavaleiro Francisco Palha.

A Feira Taurina das Sanjoaninas é uma organização da Tertúlia Tauromáquica Terceirense e da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo. Ficam assim lançados os dados para o que aí vem em Junho próximo.

Foto: António Valinho

terça-feira, 9 de agosto de 2022

Tiago Pamplona triunfal na Praia 2022


A polémica e as incidências também tornam os acontecimentos apetecíveis. A Corrida das Festas da Praia de 2022, organizada pela Tertúlia Tauromáquica Praiense, englobou todos esses ingredientes, aos quais se juntou um punhado de chuva e trovoada, em consonância com tudo o que se disse e escreveu sobre a mesma. Após adiamento, esta aconteceu no dia 8 de Agosto, um dia após se celebrarem 15 anos do regresso das corridas ao programa das festas do concelho de Nemésio. O confronto entre duas casas de toureiros a cavalo, dois grupos de forcados cuja génese é partilhada e três das mais destacadas ganadarias açorianas foram argumentos mais do que suficientes para que se registasse bem mais de meia casa, ainda que a ameaça da chuva que marcou os dias anteriores ainda se sentisse.

Abriu praça João Salgueiro que, ao fim de alguns anos, regressava assim à ilha Terceira e a um evento de onde saiu triunfador por diversas vezes. Lidou com acerto e mostrou os predicados da sua veterania. Destaque para a cravagem do quarto ferro curto, a entrar pelo toiro (João Gaspar, nº80, 458kg). O hastado estava muito bem apresentado e, apesar de se mostrar reservado em alguns momentos, cumpriu e permitiu que o Cavaleiro encerrasse a função em bom plano.

Tiago Pamplona rubricou, na arena da sua terra, uma das suas lides mais completas. O toiro (Rego Botelho, nº73, 455kg) era distraído e pedia que se ligassem a ele. Tiago assim o fez: andou cingido de forma a não o deixar enquerençar e a despertar-lhe o interesse. Lidar é isto, não é cravar “apenas”. Acerto na escolha de terrenos, viagens ajustadas à medida do toiro, cravagens ao milímetro e uma boa ligação com as bancadas, elevaram o Marialva do Posto Santo para o plano de triunfador da tarde. Não há que lamentar nem dissertar sobre o oceano enquanto barreira para algumas oportunidades. Se com o oceano se assiste a este nível artístico, não fosse ele impedimento e, com toda a certeza, Tiago seria nome grado e constante nas arenas deste país.

Do mesmo filão vem João Pamplona. Esperou pelo oponente à saída e mostrou ao que vinha. Após um início de lide menos sereno, releu o toiro (JG, nº77, 443kg) e lidou ao seu estilo, de forma alegre e eficiente. O oponente carregava pouco nas sortes e pedia que lhe pisassem os terrenos. João mexeu-o e saiu por cima sob agrado da assistência.

A encerrar as lides individuais, João Salgueiro da Costa recebeu o exemplar de José Albino Fernandes (JAF) com uma cravagem traseira, vindo a confirmar-se a lesão do toiro e consequente substituição pelo sobrero (RB, nº77, 480kg). O toiro era bisco e fechado do piton esquerdo. O que tinha de menos agradável em termos de córnea, compensou em comportamento. Cumpridor e com codícia, era mandão e dono dos seus terrenos. Salgueiro da Costa foi lidando em crescendo e entrando pelo toiro, trazendo emoção às sortes. Saiu em patamar elevado e a deixar bom ambiente.

Nas lides a duo abriram pai e filho da casa Salgueiro. Ficaram na retina algumas cravagens, diante de um toiro (RB, nº81, 505kg), distraído de início, a precisar que lhe dessem andamento para se mostrar em pleno. Apesar dos 10(!) ferros cravados, este chegou à pega “quase inteiro”. Destacou-se o entrosamento e desempenho dos irmãos Pamplona diante de um exemplar (JAF, nº138, 490kg) que era áspero e metia a cara alto, mas que se entregou à contenda com ímpeto. Lidaram de forma síncrona e com brilho, adornando-se e fechando a corrida em bom nível.

Grupos de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense e Amadores de Turlock. Pelo grupo da ilha Terceira perfilaram-se Alexandre Vieira, à primeira a aguentar, com valentia, a fugida ao grupo; Carlos Vieira à primeira, aguentou um derrote por alto e fechou-se sendo bem ajudado pelo grupo; Francisco Matos consumou à primeira de forma eficiente e a suportar a viagem, com as ajudas a não facilitarem de inicio. Uma breve nota para a colocação dos ajudas para este quinto toiro: leitura corretíssima das condições do toiro que, como já foi referido, chegou “quase inteiro” à pega e, deste modo, encurtaram as distâncias. Por vezes há que privilegiar a eficiência em detrimento da espectacularidade! Pelos homens da Califórnia estiveram na cara do toiro Joe Parreira que pegou à primeira com acerto e determinação, sendo muito bem ajudado pelo grupo; Jason McDonald saiu lesionado após duas tentativas diante de um toiro desconfortável de cara. Na dobra, David Sanchez agarrou, a sesgo, à sua terceira tentativa, numa altura em que já tinha sido esgotado o tempo e a porta dos curros já se encontrava aberta. Steven Camboia fechou a corrida à segunda com uma rija pega.

Dirigiu a corrida, com condescendência, Mário Martins, sendo assessorado por Vielmino Ventura. Abrilhantou, com brilho, a Banda da Associação Filarmónica Cultural Recreativa Santa Barbara Fonte do Bastardo.

Bruno Bettencourt
Foto:
CMPV

sábado, 25 de junho de 2022

No dia do Santo, triunfou João… - Crónica da Corrida de encerramento da Feira de S. João 2022



Dia de S. João, dia maior das Sanjoaninas celebradas em sua honra, o dia seguinte à mais longa noite do calendário festivo açoriano, dia apetecível para a afición local. Cerca de 3/4 de casa para acolher os protagonistas: João Moura Jr., José Garrido, João Silva “Juanito”, Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT) e um curro de toiros e utreros de Rego Botelho (RB).

O borralho “Hoganilero” (nº85, RB, 536Kg) era uma estampa. Carregava as sortes, mas saía desligado, pedindo que lhe pisassem os terrenos. João Moura Jr. entendeu-o e desenhou uma lide alegre onde compensou as dificuldades impostas pelo toiro, arrimando-se com bregas e remates cingidos. Destaque para o terceiro ferro curto, a quiebro, com um remate justíssimo nas distâncias. Recebeu o segundo do seu lote (nº65, RB, 529Kg) com um ferro à porta gaiola. O toiro saiu dos curros com uma das protecções deslocada, confirmando-se a quebra do piton esquerdo. Veio então o “Foguetón” (nº83, RB, 523Kg). Voluntarioso a cada cite, entregou-se à contenda, degradando-se no final da lide. O cavaleiro da Herdade das Arengozinhas desenvolveu a função com ferros a dar vantagens ao toiro, encerrando com duas Mourinas que se fizeram ecoar nas bancadas. Se nas lides de pouca história não são necessárias grandes palavras na sua descrição, nas de boa nota também não: uma lide triunfal em que bordou toureio, deixando a assistência aos seus pés.

Na cara dos toiros, os homens da jaqueta do GFATTT tiveram desfechos opostos. Diante do primeiro da tarde, Luís Sousa “Tony” esteve enorme. Uma grande pega à primeira onde, após aguentar a investida baixa do toiro que dificultou as ajudas, suporta uma viagem dura e com derrotes até o grupo fechar. Bernardo Belerique consumou à quinta tentativa, a sesgo, depois de ter sido despejado com violência nos intentos anteriores. Nota de realce para o facto de, apesar dos menos atentos terem pensado que a pega havia sido concluída à quarta tentativa, o grupo voltou a formar, uma vez que o forcado tinha ficado fora da cara.

O “Fastidioso” (nº89, RB, 454Kg) saíu para o Capote de José Garrido. Apesar de ter algum recorrido, era áspero e curto pela esquerda, vindo a rachar no final. Delantales de Garrido a receber e sonoras Gaoneras de Juanito, ao quite. Destaque para o desempenho dos Bandarilheiros João “Açoriano” Silva e Gonçalo Toste. Mostraram-se artistas e mostraram toda a sua qualidade nas cravagens. O Matador andou esforçado, baseando a lide na mão direita, dando vantagens e procurando profundidade a cada série. Lidou o toiro nos seus terrenos, sendo-lhe reconhecido o empenho pela assistência. Com o “Sentado” (nº100, RB, 455Kg) esteve mais artista. A início, o utrero investia a galope, empregando-se, vindo gradualmente a perder o ímpeto até rachar. Assistiu-se a uma Larga de joelhos e Calecerinas por Garrido e a Lopecinas, ao quite, por Juanito. Novamente os Bandarilheios em destaque, vindo “Açoriano” e Toste agradecer de Montera em mão. O de Badajoz conseguiu mostrar algum do toureio que tem dentro. Destaque para a terceira série de Derechazos com a mão baixa e muito temple a embeber bem o toiro. Terminou com vistosas Manoletinas.

Juanito pisou a arena terceirense com ganas de triunfo. O “Entusiasmado” (nº3, RB, 432Kg) era nobre e colaborante, permitindo séries com boa ligação. Paróns e Chicuelinas deram lugar ao bom tércio de Bandarilhas por Jorge Silva e Gonçalo Toste. Com a flanela vermelha, Juanito mostrou-se toureiro. Explorou os dois lados do oponente com séries templadas e profundas, tornando as viagens mais longas a cada passagem. Recriou-se com desplantes e ligou-se às bancadas, sacando tudo o que de bom havia no produto da divisa azul e branca. Mostrou o porquê de ter tantas esperanças depositadas em si. Recebeu o “Raton” (nº1, RB, 446Kg) à Porta Gaiola com uma Larga cambiada. Bruto e a protestar, o animal vindo da Caldeira foi-se desligando da peleja. Juanito provou-o e assistiu-se a alguns (poucos) momentos de realce, diante das poucas condições. Mérito ao toureiro por procurar sacar alguma água de um poço quase seco.

Após o intervalo, assistiu-se a uma homenagem prestada pela organização da Feira a José Parreira, embolador das praças de toiros açorianas há 25 anos.

Na direcção esteve Mário Martins assessorado por Vielmino Ventura. A abrilhantar, de forma irrepreensível, a Banda da Feira de S. João.

Bruno Bettencourt
Foto: André Pimentel 

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