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segunda-feira, 27 de novembro de 2017
terça-feira, 2 de agosto de 2016
Triunfo com “P” maiúsculo: Passanha, Pamplona e Pires
Uma praça cheia assistiu aos triunfos da ganadaria Passanha, do Cavaleiro João Pamplona e de Manuel Pires do Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande. A Praça de Toiros “Ilha Terceira” acolheu desta forma mais uma edição da Corrida Concurso integrada nas Festas da Praia.
O curro era das ganadarias de Passanha (P), Casa Agrícola José Albino Fernandes (JAF) e Herdeiros de Ezequiel Rodrigues (ER). Apresentou-se desigual em termos morfológicos, no entanto, ao nível do comportamento todos cumpriram sem criar grandes dificuldades aos Cavaleiros. A destacar o de Passanha lidado em terceiro lugar.
Três bons ferros compridos, cravados por António Telles, abriram praça e foram o mote para uma boa lide a dar vantagens ao exemplar ER (nº339, 419Kg). O toiro investia de pronto, mas revelou-se distraído. Apesar de diminuído da mão direita, não se negou à luta. O da Torrinha foi-lhe entrando pelos terrenos, consentindo a investida no momento das reuniões e templando o ímpeto do oponente. Utilizou apenas uma montada durante a lide. Frente ao segundo do seu lote (P, nº104, 556Kg) chegou mais às bancadas. Lidou com maestria, mostrando o porquê de ser o expoente máximo do classicismo equestre português. O toiro apesar de ter uma investida curta na reunião foi colaborando, crescendo em termos de comportamento. Destaque para os dois ferros curtos com que encerrou a lide.
A presença de Ana Batista começou de forma um pouco nervosa. Aliada à dificuldade de colocação dos ferros compridos, pareceu haver algum problema no arpão dos mesmos. A lide resultou irregular e desacertada, encontrando-se apenas no final da mesma. Mexeu pouco com o oponente (JAF, nº393, 483Kg) que não complicou a tarefa, ficando reservado mercê da falta de uma lide mais adequada. Frente ao ER (nº330, 442Kg) esteve bem melhor. Em plano ascendente, foi palmilhando terreno e entendendo o toiro que também foi melhorando de comportamento, apesar da tendência em tapar-se na reunião. Muito correcta nas cravagens e a fazer vibrar as bancadas com os dois ferros com que encerrou a sua prestação.
João Pamplona agarrou a assistência logo na cravagem comprida. Sempre muito comunicativo, não tardou em ter as hostes do redondel angrense do seu lado. O toiro (P, nº118, 505Kg) foi-se alegrando ao longo da lide investindo de pronto e de forma franca. O Cavaleiro da Quinta do Malhinha esteve correcto na generalidade dos curtos. A cada cravagem faziam-se ouvir as bancadas, estando assim aberto o caminho para o triunfo. Destaque para a forma como escolheu os terrenos e para a forma como se adornou nas bregas. Apesar de menos emotiva, a lide frente ao JAF (nº365, 428Kg) também conquistou a preferência do público. Uma lide mais serena e igualmente eficaz, diante de um oponente que se prestou bem à luta investindo sempre que lhe era pedido. Uma nota positiva para o facto de em nenhuma das lides se ter deixado levar pela euforia do triunfo, não acedendo aos típicos “mais um”, quando se preparava para sair da arena.
O Grupo de Forcados Amadores de Lisboa revelou alguma ineficácia técnica na sua presença em terras açorianas. Duarte Mira pegou à segunda sem dificuldades, após uma primeira tentativa em que esteve mal na cara do toiro. Pedro Gil fechou-se à segunda com uma boa pega, depois do toiro lhe ter metido mal a cara na primeira vez que lá foi. João Galamba esteve precipitado na cara do toiro à primeira tentativa, agarrando o toiro a sesgo e à meia volta após três ensejos que apenas serviram para o brutalizar fisicamente. Pelo Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande pegou César Pires que se fechou bem à primeira, sem dificuldade. Luís Valadão, também à primeira, efectuou uma grande pega à córnea e a fechar o espectáculo, Manuel Pires fechou-se à primeira naquela que foi a pega da noite. Aguentou um derrote por alto e nunca mais largou o toiro que teimava em levá-lo para fora do grupo. Destaque para o primeiro ajuda que foi fundamental na realização da pega.
Dirigiu a corrida, com critério, Carlos João Ávila sendo assessorado pelo médico-veterinário José Paulo Lima. Abrilhantou, de forma eficaz, a banda da Sociedade Progresso Lajense.
O júri constituído por António Lopes, António Rijo e Duarte Bettencourt, decidiu:
- Melhor lide a cavalo: João Pamplona (lide ao 3º da ordem)
- Melhor Pega: Manuel Pires (GFARG)
- Melhor Apresentação: Passanha (nº104, 556Kg) lidado em 4º lugar
- Melhor Toiro: Passanha (nº118, 505Kg), lidado em 3º lugar
Bruno Bettencourt
Foto: António Valinho
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
A ilha Terceira no "Signes du toro"
Foi exibida uma reportagem sobre a tauromaquia açoriana no programa " Signes du toro" da televisão francesa.
Há alguns dias atrás, também o canal espanhol "Canal + Toros", havia emitido uma reportagem realizada na ilha Terceira.
Assista aqui à reportagem da televisão francesa:
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
quinta-feira, 19 de junho de 2014
A arte de Rui Lopes
Rui Lopes despertou para o gosto pelos cavalos desde muito cedo no Centro
Equestre "O Ilhéu", localizado na Ladeira Grande (freguesia da Ribeirinha), que
é propriedade da família.
"Aprendi a montar muito cedo e sempre gostei muito de touros. Quando tinha 14 anos fui convidado para participar como cavaleiro na Tourada dos Estudantes", recordou.
Considera que a Tourada de Estudantes, uma iniciativa que decorre em Angra do Heroísmo há várias décadas, no Carnaval, tem permitido a muitos jovens que gostam da tauromaquia fazer a sua estreia num redondel antes de passarem pela experiência de enfrentar touros "a sério".
"Julgo que todos os toureiros da Terceira passaram pela Tourada do Estudantes ", referiu.
Após essa experiência, surgiram então os primeiros convites para participar em corridas como cavaleiro.
"Fui-me envolvendo de tal maneira que a determinada altura tomei a decisão de avançar no sentido de me dedicar com mais intensidade ao treino e a tudo aquilo que tem a ver com o que é necessário para se poder ser um cavaleiro tauromáquico", disse.
O cavaleiro, natural de Angra do Heroísmo, prestou provas como praticante, a 21 de maio de 2006 (com 17 anos de idade), no Festival do Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense.
Nos anos seguintes, o jovem cavaleiro terceirense obteve alguns triunfos nas praças, conseguindo em alguns casos estar num nível superior em competição com nomes conhecidos no meio tauromáquico nacional.
Depois de ter participado em diversas corridas nos Açores e em praças dos Estados Unidos e Canadá, Rui Lopes decidiu avançar no sentido de tomar a alternativa como cavaleiro profissional.
Durante a Feira Tauromáquica do Atlântico, integrada nas Sanjoaninas 2010, Rui Lopes prestou provas para a alternativa a 24 de junho, tendo como padrinho o cavaleiro Rui Fernandes.
Desde dessa data, Rui Lopes passou a ser o quinto cavaleiro de alternativa dos Açores, depois de João Carlos Pamplona, João Miranda, Mário Miguel e Tiago Pamplona. Posteriormente, João Pamplona (filho de João Carlos Pamplona), também recebeu a alternativa como cavaleiro na Praça de Touros da Ilha Terceira, a 22 de junho de 2013.
Na corrida integrada nas Festas da Praia 2013, realizada a 05 de agosto, Rui Lopes venceu o prémio para a melhor lide a cavalo numa disputa com Rui Salvador e Luís Rouxinol.
No que se refere à possibilidade de participar em corridas nas praças do continente, revelou que já surgiram alguns convites nesse sentido, mas os elevados custos com o transporte de cavalos e condições inviabilizaram essas possibilidades.
No entanto, Rui Lopes frisou que é preciso ter em conta que na Terceira existe uma das praças do país por onde já passaram alguns dos melhores cavaleiros e toureiros a pé mundiais e que existe na ilha "um público muito conhecedor e exigente" que não tolera algumas falhas que, por vezes, surgem até mesmo no Campo Pequeno.
"Aprendi a montar muito cedo e sempre gostei muito de touros. Quando tinha 14 anos fui convidado para participar como cavaleiro na Tourada dos Estudantes", recordou.
Considera que a Tourada de Estudantes, uma iniciativa que decorre em Angra do Heroísmo há várias décadas, no Carnaval, tem permitido a muitos jovens que gostam da tauromaquia fazer a sua estreia num redondel antes de passarem pela experiência de enfrentar touros "a sério".
"Julgo que todos os toureiros da Terceira passaram pela Tourada do Estudantes ", referiu.
Após essa experiência, surgiram então os primeiros convites para participar em corridas como cavaleiro.
"Fui-me envolvendo de tal maneira que a determinada altura tomei a decisão de avançar no sentido de me dedicar com mais intensidade ao treino e a tudo aquilo que tem a ver com o que é necessário para se poder ser um cavaleiro tauromáquico", disse.
O cavaleiro, natural de Angra do Heroísmo, prestou provas como praticante, a 21 de maio de 2006 (com 17 anos de idade), no Festival do Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense.
Nos anos seguintes, o jovem cavaleiro terceirense obteve alguns triunfos nas praças, conseguindo em alguns casos estar num nível superior em competição com nomes conhecidos no meio tauromáquico nacional.
Depois de ter participado em diversas corridas nos Açores e em praças dos Estados Unidos e Canadá, Rui Lopes decidiu avançar no sentido de tomar a alternativa como cavaleiro profissional.
Durante a Feira Tauromáquica do Atlântico, integrada nas Sanjoaninas 2010, Rui Lopes prestou provas para a alternativa a 24 de junho, tendo como padrinho o cavaleiro Rui Fernandes.
Desde dessa data, Rui Lopes passou a ser o quinto cavaleiro de alternativa dos Açores, depois de João Carlos Pamplona, João Miranda, Mário Miguel e Tiago Pamplona. Posteriormente, João Pamplona (filho de João Carlos Pamplona), também recebeu a alternativa como cavaleiro na Praça de Touros da Ilha Terceira, a 22 de junho de 2013.
Na corrida integrada nas Festas da Praia 2013, realizada a 05 de agosto, Rui Lopes venceu o prémio para a melhor lide a cavalo numa disputa com Rui Salvador e Luís Rouxinol.
No que se refere à possibilidade de participar em corridas nas praças do continente, revelou que já surgiram alguns convites nesse sentido, mas os elevados custos com o transporte de cavalos e condições inviabilizaram essas possibilidades.
No entanto, Rui Lopes frisou que é preciso ter em conta que na Terceira existe uma das praças do país por onde já passaram alguns dos melhores cavaleiros e toureiros a pé mundiais e que existe na ilha "um público muito conhecedor e exigente" que não tolera algumas falhas que, por vezes, surgem até mesmo no Campo Pequeno.
PREPARAÇÃO
Quando conversámos com Rui Lopes, o cavaleiro tinha acabado de efetuar um treino com um touro na Praça de Touros da Ilha Terceira, tendo em vista preparar a sua participação na corrida da Feira de São João que se realiza a 24 de junho.
"Temos que manter uma rotina que passa por montar todos os dias, manter os cavalos a um bom nível e procurar outros que possam ser utilizados para o toureio. A partir de fevereiro ou março de cada ano começamos os treinos tendo em vista preparar a nova época ", afirmou.
Tendo em conta os custos que estão associados à atividade de cavaleiro tauromáquico, Rui Lopes entende que "é muito difícil" que possa surgir novos valores na Terceira nos próximos anos.
No que se refere ao surgimento de novos valores no continente, assegurou que se trata de um processo natural de renovação da tauromaquia nacional.
Por outro lado, Rui Lopes pretende também dedicar algum tempo à equitação tendo em vista a participação em provas desportivas.
"Tenho participado em algumas provas regionais para além de fazer outras atividades relacionadas com cavalos", acrescentou.
| Reportagem: | Helena Fagundes | |
| Fotografia: | António Araújo |
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Encerramento do III Fórum Mundial da Cultura Taurina
A meio da manhã de domingo, dois filósofos, um cirurgião e um jornalista reuniram-se numa última mesa redonda, comentando o discurso de José Tomás, quando recebeu o prémio Paquiro no palácio da Bolsa, em Madrid e que veio a resultar na publicação de um livro intitulado Diálogo com Navegante, toiro que colheu o matador em Aguascalientes, no México em 2010.
Rogélio Perez Cano, cirurgião particular de José Tomás e director da fundação com o nome do toureiro, assistiu à cornada daquela tarde e pôde testemunhar que tudo o que Tomás referiu naquele discurso é de uma integral verdade e corresponde a uma visão mais transcendental de um toureio com o toiro que quase lhe tirou a vida. “Os valores do valor”, tema desta mesa redonda, assentam assim como uma luva ao navegante e ao seu lidador.
Araceli Alonso, pensadora francesa na Universidade da Sorbonne, que também participa nesta publicação, chamou a atenção para a referência de solidariedade que o toureiro fez ao destinar o valor do prémio a duas instituições que acudem a carenciados de comida. Ainda e mais uma vez o valor dos toureiros transformado em ajuda humanitária.
Francis Wolff, inglês de nascimento, também filósofo, mas a viver e trabalhar em Paris, quis centrar a sua intervenção no facto do Tomás considerar que no decorrer do seu diálogo com o toiro que o feriu ter transformado o seu desagrado inicial em compreensão pelo que lhe aconteceu. “Tomás ultrapassou a simples descrição dos factos para um patamar de os tentar entender, como seja o de justificar o acto da colhida como o saldo de uma factura pendente que todos os toureiros e toiros têm entre si”.
Paco Aguado, jornalista taurino e profundo conhecedor do tema, moderou com maestria esta mesa redenda, ele que no livro que mencionamos também aduziu um texto entitulado “Verdades sobre a arena”. O interessante deste livro resulta das reflexões que os vários colaboradores fazem das partes do discurso do matador madrileno, naquela tarde que deveria ser apenas tarde de prémios e nada mais e se converteu por fim em tema de conversa que chega agora a um forúm mundial.
O último acto deste encontro, que assim diz adeus a esta ilha - que segundo as palavras de Miguel Sousa Tavares - “é um pedaço de lua caida na imensidão deste mar” foi a leitura das conclusões deste III Fórum, onde se cruzaram sensibilidades opiniões e onde se procurou dar um passo à frente em prol da consolidação e das raizes dos povos dos paises onde existe o gosto comum pela tauromaquia.
Conclusões do III Fórum Mundial da Cultura Taurina
Desde a Ilha Terceira, capital taurina do Atlântico, os congressistas, participantes e organizadores do III Fórum Mundial da Cultura Taurina, uma vez concluídas as três jornadas de debate sobre a transcendência da tauromaquia na sociedade do século XXI, chegamos às seguintes conclusões:
Que a festa dos toiros se sustém sobre a base de valores essenciais que, embora possam ter perdido vigência na chamada era da globalização, seguem oferecendo vivos exemplos de ética e autenticidade.
Contra o doutrinamento do politicamente correto, a tauromaquia mantém-se como um experiência de beleza, paixão e inteligência que deveria ganhar espaço como modelo de comportamento para uma sociedade que vai perdendo as suas referências essenciais.
Os valores humanos, ecológicos, culturais, sociais, económicos, educativos e éticos que afloram de maneira evidente nos distintos ritos taurinos representam por si mesmos uma lição de vida, uma perfeita guia alternativa à deriva desumanizadora dos difíceis tempos actuais.
É por tanto, obrigação das gentes do toiro, tanto profissionais como aficionados, difundir com orgulho todos os valores deste legado cultural de séculos com uma atitude positiva e sem complexos, reivindicando-os entre os indiferentes e frente aos seus opositores como argumentos incontestáveis que desmontam as manipuladas campanhas que buscam a desaparição da festa.
É assim que, numa frase de um dos palestrantes desta edição, como indígenas da Terceira e de todos os países taurinos, muitos milhões de pessoas em todo o mundo necessitamos do toiro, esse animal admirável, para seguir sentindo-nos vivos.
Com esse mesmo afã, com o que se passou a designar como o espírito dos Açores, os organizadores deste Fórum Mundial da Cultura Taurina voltam a incitá-los para dentro de dois anos, em Angra do Heroísmo, centro geográfico do universo taurino, continuar a alimentar esta nossa irmanada paixão com mais trabalho e novas reflexões.
sábado, 25 de janeiro de 2014
Os protagonistas da arena falaram durante a tarde deste segundo dia
Os matadores de toiros José Luís Bote, El Fundi e Cristina Sanchez, assim como vários forcados portugueses, dividiram as atenções da plateia neste segundo dia do III Fórum da Cultura Taurina que se realiza na Ilha Terceira, Açores.
Tanto uns como outros recordaram os exemplos múltiplos de valores que a tauromaquia lhes trouxe, tanto no plano profissional com principalmente no plano pessoal.
Os toureiros espanhois subiram ao palco, depois da exibição do filme “Tú Solo”, de Teo Escamilla, rodado sobre os primeiros tempos da Escola Taurina de Madrid, por onde aliás passaram os palestrantes, abordando o tema “dos Valores Educativos do Toureio, na Infância e Adolescência”.
Bote y Fundi, recentemente empossados como directores da escola, disseram da necessidade de passar aos jovens alunos os valores que então receberam e que muito lhes serviram ao longo da vida. Pela sua parte, Cristina Sanchez reafirmou que “o entusiasmo e o esforço que implica querer ser toureiro, também são fundamentais para aplicar em outras forma de vida e não só na arena. Por isso a escola de toureio de Madrid foi para ela não só um centro de aprendizagem profissional, mas ajudou-a e muito a preparar-se para o mundo”. E concluiu: “O querer ser toureiro é outra história, pois é uma profissão muito diferente de todas as outras. Mas realidade, nós os toureiros, somos uns priviligiados, por termos podido viver e sentir tantas emoções.graças ao toureio. Ele exige-te muito, mas também te dá tudo, quando te entregas”.
Na primeira mesa redonda da tarde, abordou-se o tema da Solidariedade na arena, com a participação de Simão Comenda, João Simões, Fernando Potier e Adalberto Belarique, o único que está no activo, como cabo do grupo da Tertúlia Terceirense.
Foram eloquentes os vários exemplos relatados por estes veteranos, vinculados a um companheirismo inviolável, como código de conduta entre os forcados portugueses.
“Quanto mais passa o tempo, mais me orgulho de ter sido forcado, fazendo parte desta familia, que reconhece os valores da ajuda, do amparo e da amizade, como parte essencial para o que pretendem fazer, que é divertirem-se a pegar os toiros, com arte e alegria”.
João Simões, antigo cabo do Grupo do Aposento da Moita, relatou vários incidentes que teve durante a sua passagem pelo grupo, explicando de que forma a solidariedade entre todos foi importante para os ultrapassar, realçando o recente acidente do forcado Nuno Mata, que ficou tetraplégico. O movimento que se gerou à sua volta, é uma lição de vida para todos.
Fernando Potier, que dirige agora os destinos da Associação Nacional dos Grupos de Forcados, afirmou que, “No caso particular dos forcados o essencial é ser humilde, porque o grupo está e estará sempre acima do individuo. Por isto, os forcados pensam mais nos outros do que em si próprios, actuam em muitas acções benéficas”.
Finalmente, Adalberto Belarique, explanou à assistencia a recente digressão do grupo por terras das Américas e os muitos casos que ali se deram que evidenciam a forma como ser solidário é sempre mais importante que ser heroi individual.
“A pega é, também ela, um acto solidário com oito homens que, ajudando-se uns aos outros, alcançam a imobilização do toiro de uma forma artística, que demonstra destreza e valor colectivo”
A real situação económica da festa brava – 2º dia de Fórum
Os trabalhos
deste segundo dia iniciaram-se com uma conferência sobre os Valores Económicos
da Tauromaquia pelo professor Juan Medina, professor de teoria económica da
Universidade da Extremadura – Badajoz.
Sob o tema
“Os Valores Sociais da Festa dos Toiros”, os participantes escutaram,
seguidamente, intervenções de três entidades portugueses e de um espanhol,
Alejandro Pizarroso, catedrático da Faculdade de Ciências da Informação
Complutense de Madrid que, com o seu verbo fácil, prendeu a atenção do auditório
e que foi aliás o primeiro a usar da palavra. “ O que nos
reune aqui? É certo que vivemos este espectáculo como a mais belas das artes!
Mas isso é pouco. Não temos tido a capacidade para romper este círculo fechado.
Porém, se queremos sobreviver socialmente, necessitamos de avançar com
profissionalismo para entrar nos grandes areópagos que hoje comandam o mundo”.
Com efeito, se somos já hoje uma minoria, isso exige que façamos esforços
conjuntos para justificarmos a nossa permanência. “O primeiro
protagonista da festa é o toureiro, porque é o que cria arte. O segundo é o
toiro, produto do homem, posto ao seu serviço e que morre na arena por esta
causa. O terceiro é o público, que é quem paga. O quarto são os meios de
comunicação, que relatam os momentos e nos convidam a adivinhar o resto”. Controverso,
filósofo e pensador, deixou um traço sobre o tema, acrescentado com os oradores
seguintes.
Miguel Sousa
Tavares, advogado e escritor confessou-se bom aluno por estar neste forúm e
sobretudo pela oportunidade de estar neste território “bocado de lua caído no
meio do mar”. “Eu aceito
discutir sobre qualquer assunto, mas não aqueles que se põem num plano de
superioridade e que não pretendem trocar ideias, mas apenas vencer. Apesar da
minha ignorância, o que sei é que há muitos séculos que esta forma de
espectáculo inspiram os povos. A palavra proibir é a palavra mais perigosa do
dicionário”. Sousa
Tavares mostrou o lado do espectador não especialista, exaltou o fascínio da
corrida, mas sobretudo derramou o perfume do seu modo de escrever, lendo as
primeiras páginas do seu livro Rio das Flores, onde descreve as emoções
do protagonista do romance, ao ver a sua primeira corrida em Sevilha.
Hélder
Milheiro, licenciado em filosofia e membro da comissão executiva da Prótoiro,
abordou seguidamente este tema pelo angulo da perceção, realidade e comunicação
do valor social da festa. Recorrendo-se
aos resultados de uma sondagem efectuada em Portugal, 86% dos inquiridos são
contra a proibição da festa. 32% são aficionados; 20% são indiferentes e só 11%
são absolutamente contra. É necessário
criar, comunicar e gerir a marca tauromaquia às escalas nacionais, senão nos
meios generalistas, por oposição ao que é politicamente incorreto, então usando
os conteúdos de informação da net e da sua capacidade de difusão. Uma
abordagem moderna desta problemática poderá quebrar o ciclo de isolamento de
que nos queixamos.
O professor
Marco Gomes, do Agrupamento de Escolas de Alter do Chão, falou do projecto que
abraçou em comunhão com os alunos da sua escola, quando lhes perguntou daquilo
que eles gostavam. Como havia gosto pela tauromaquia, por estarem numa região
com raízes, criou-se um clube taurino da escola que tem proporcionado uma
escola de vida, através de visitas, palestras e outras actividades. Divulgar a
cultura taurina; incutir espirito de respeito; Fomentar o gosto pela actividade
em grupo; Valorizar o espirito de solidariedade; incentivar a leitura e a
escrita. Com estes
objectivos, em senso lato, a tauromaquia serve o valor social da festa e
sobretudo é uma semente que permite fazer, ou não, fazer novos e futuros
aficionados.
A sessão da
tarde deste segundo dia de trabalhos iciou-se com uma mesa redonda sobre os
valores da solidariedade na festa dos toiros, antigos forcados. E quem melhor
do que os forcados para falarem de solidariedade?
O moderador
Maurício Vale, introduziu o tema.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
América do Sul e França em destaque no primeiro dia de Fórum
Os valores integradores da festa nas Américas e a luta dos toureiros em França centraram as atenções dos assistentes a este primeiro dia do fórum realizado na ilha Terceira, nos Açores.
Uma mesa redonda onde participaram os represantantes do Equador, Colômbia e México. Santiago Aguilar, jornalista equatoriano foi empolgante ao descrever a luta dos aficionados do seu país, cujas raizes se encontram nas comunidades indigenas: “Das quinhentas ganadarias que existem no Equador, trezentas pertencem a estas comunidades, à frente das quais está um maioral designado naquele país como Chagra.
Mas a demagogia politica daquele país, considera, erradamente, o toureio como um costume imposto e mantido contra a cultura tradicional equatoriana, conclui Aguilar.
Por sua parte, Victor Diusabá, falou da permanência dos toiros na Colômbia como um acto de fé, assegurando que esta actividade tem estado, desde sempre, unida com a história do país. Por isso o encerramento da praça de toiros de Santamaria, na capital , Bogotá, ordenada pelo municipio é um grave atentado aos taurinos e ao cultural daquele país. A praça foi sempre um termómetro politico e social na capital onde governo e opositores iam medir a sua popularidade. Agora tudo depende do Tribunal Constitucional, sobre quem vai recair a decisão de validar, ou não a decisão do presidente da cidade.
Concluiu esta ronda dos aficionados americanos, António Labra, também ele jornalista e escritor azeteca. Fez uma extensa descrição histórica sobre a evolução do toureio mexicano, por onde trespassaram os nomes dos toureiros mais importantes daquele país.
No último acto do dia foi efectuada a projecção do fime “El combate de la Esperanza”, que relata a luta dos toureiros franceses, nos anos setenta, para se imporem no seus país, abrindo caminho que estaba muito ocupado pelos toureiros espanhois, com a presença do seu realizador Jacques Boyer e do matador francês Richard Milian, acompanhados do jornalista Vincent Bourg “Zocato”.
Um colóquio animado e muito natural, com referências a Simon Casas, Roberto Piles e os irmãos Montcouquiol. Estes foram os percussores para a óptima situação actual dos toureiros e do toureio em França.
Os valores ecológicos e culturais da ganadaria brava
Os benefícios ecológicos da criação do toiro de lide, na Ilha Terceira e a evolução da bravura como valor cultural, foram profundamente dissecados na sessão que decorreu na parte da manhã do primeiro dia do III Fórum Mundial da Cultura taurina, que se celebra entre hoje e próximo domingo nos Açores.
No auditório da localidade de Praia da Vitória, vários especialistas locais, ligados aos ensino superior, insistiram em realçar a natureza peculiar destas ilhas, desertas há cinco séculos, onde o fenómeno da povoação humana foi um desafio com a introdução do toiro bravo, logo nos seus inícios.
Segundo Eduardo Dias, biólogo e professor da Universidade dos Açores, “a introdução do toiro bravo perturbou sensivelmente a paisagem dominante, mas alterou para melhor a flora desta ilha”. Também Paulo Henrique Silva, etnógrafo e director do SIARAM, falando sobre a vida natural dos Açores, assegurou que, desde há 500 anos que o toiro bravo defende zonas muito importantes da Terceira, uma das partes da Europa de maior riqueza médio ambiental.
O historiador Maduro Dias, retomou uma frase do orador anterior e reafirmou-se “como indígena desta ilha, que necessita de toiros para viver”, centrando esta afirmação na história da identificação dos terceirenses com as ganadarias de bravo e com a tauromaquia, tanto na sua vida diária, como no ritmo do trabalho e do lazer, o que faz com que quase todos se considerem “uns seres privilegiados”.
Finalmente, Pedro Correia, a propósito do seu trabalho de tese em Ciências Agrárias, dissertou sobre a sustentabilidade da criação do toiro bravo nos Açores, fazendo uma evolução histórica das ganadarias terceirenses e dos seus encastes.
Estas comunicações foram antecedidas de uma sessão solene de abertura dos trabalhos deste forúm, onde participaram Nuno Lopes, Director Regional da Cultura, em representação do Governo rRgional e também representantes da Câmaras de Angra do Heroismo e Praia da Vitória.
No discurso de abertura deste Forum, o presidente da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, Arlindo Teles, assegurou que esta organização mantem a mesma ambição de há cinco anos, isto é, ajudar a festa, pesem embora as actuais dificuldades politicas e sociais.
Para Teles, este III Forum sobre a defesa dos valores da tauromaquia, “mais que uma reinvidicação da nossa cultura é uma afirmação da nossa identidade”.
O biólogo espanhol Fernando Gil Cabrera fechou as jornadas desta manhã, abordando o tema dos Valores Culturais da Criação do Toiro e sua Evolução Fisiológica”.
sexta-feira, 8 de março de 2013
Como se veste um Matador - bastidores da Festa II
Após a partilha de um video através do qual era possível observar o entrançar de um Cavalo de Toureio, aqui ficam novas imagens sobre os bastidores da Festa Brava. Neste video é possível observar todo o ritual que está inerente ao vestir do Traje de Luces por parte de um Matador de toiros ou Novilheiro. Todo o processo conta com a participação activa do Moço de Espadas.
































































