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quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Ciclo de Tentas Comentadas 2018 de luxo com os irmãos Jiménez

Os dois toureiros Javier Jiménez e Borja Jiménez actuaram de forma brilhante no passado fim-de-semana no habitual Ciclo de Tentas Comentadas que se realiza há mais de uma década na Ilha Terceira.

Este ano os aficionados terceirenses, e também outros vindos de Portugal continental, tiveram a oportunidade de assistir a um conjunto de tentas de elevada categoria, quer pela qualidade das reses apresentadas pelas ganaderias locais, assim como, pela forma exímia como toureiros, picadores e bandarilheiros realizaram os tentaderos. Javier Jiménez e Borja Jiménez, irmãos vindos de Espartinas (Sevilha) evidenciaram notável conhecimento do toiro e seus terrenos, assim como um toureio templado carregado de técnica e sentimento, fazendo deliciar a assistência.

Notável também foi a forma como grande parte das novilhas foi colocada para o cavalo de picar dos picadores Simão Neves e José Faveira, em que, na maioria das vezes os toureiros e também os bandarilheiros José Muñoz “Perico” e Gonçalo Toste colocaram as reses com apenas um ou dois lances de capote.

No comportamento das novilhas, a ganaderia de Rego Botelho teve animais de grande qualidade, assim como a de Francisco Sousa apresentou-se com exemplares de boas virtudes. Por sua vez, a de João Gaspar, que apenas participou com duas novilhas durante o ciclo, teve um resultado menos positivo.

Como habitual, o conceituado aficionado Maurício do Vale, regressou à Ilha Terceira, para durante mais um fim-de-semana, entre as praças de tentas das freguesias de São Bento, Doze Ribeiras e Terra-Chã, e também Praça de Toiros Ilha Terceira, voltar a transmitir conhecimentos aos aficionados que assistiram a mais um Ciclo de Tentas Comentadas.

O Ciclo de Tentas Comentadas 2018, este ano organizado pelas ganaderias locais de Rego Botelho, João Gaspar, Francisco Sousa, juntas de freguesia de São Bento, Doze Ribeiras e Terra-Chã, e Tertúlia Tauromáquica Terceirense, e com colaboração da Sociedade Tauromáquica Progresso Terceirense, lembrou ainda o Ex-presidente da Tertúlia Tauromáquica Terceirense Sr. Francisco Noronha, com um sentido minuto de silêncio nas tentas de abertura e de encerramento do ciclo, pelo seu falecimento no passado dia 16 de Outubro.

















segunda-feira, 29 de outubro de 2018

João Pedro Silva triunfador em Lisboa

Já são conhecidos os nomes dos triunfadores da temporada lisboeta. A lista com os nomes distinguidos foi dada a conhecer através do canal "Campo Pequeno TV". Entre os premiados há a destacar o nome de João Pedro Silva, bandarilheiro terceirense que integra a quadrilha do Cavaleiro Rui Salvador.

O "Açoriano", como é mais conhecido, tem-se afirmado cada vez mais no panorama taurino nacional sendo, consequentemente, respeitado entre os seus pares. Possuidor de uma intuição inata e de um grande sentido de lide, é exímio no tércio de bandarilhas, sendo igualmente poderoso com o capote, elevando a outro nível a presença dos toureiros de prata em praça. Esta distinção, atribuída pelos desempenhos na principal praça do país, no ano em que o bandarilheiro celebra 10 anos de alternativa, vem reconhecer todas as qualidades de João Pedro Silva, assim como enaltecer a tauromaquia terceirense e as suas gentes.

O  júri que atribuiu as distinções foi composto pelo Dr. Vasco Lucas, João Queiroz, Patrícia Sardinha e Luís Cochicho.

Assim sendo, a lista completa de distinguidos é a seguinte:

Melhor ganadaria – Pinto Barreiros
Melhor toiro para lide a cavalo – Pinto Barreiros
Melhor toiro para lide a pé – São Torcato
Ganadaria melhor apresentada – Murteira Grave
Toiro melhor apresentado – Murteira Grave
Melhor lide a cavalo – Duarte Pinto Melhor
Melhor Pega – Francisco Faria (Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira)
Melhor Grupo de Forcados – Amadores de Vila Franca de Xira Melhor
Melhor lide a Pé – António João Ferreira (Tojó)
Melhor peão de brega em «ex aequo» – João Pedro Silva e Cláudio Miguel 
Melhor par de bandarilhas – João Ferreira

Bruno Bettencourt
Foto:
Paulo Gil

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Espectáculo misto - última da Feira de São João - vídeo


quinta-feira, 28 de junho de 2018

2ª Corrida da Feira de São João - Video


quarta-feira, 27 de junho de 2018

Muito tourei(r)o para pouco touro – 2ª da Feira de S. João


Quando a fonte é escassa, a sede nunca ficará saciada por completo. Assim espelhou a tarde/noite que recebeu o anunciado “Grandioso Espectáculo” integrado na Feira de São João de 2018. Daniel Luque, Tomás Campos e Roca Rey. Cartel sonante para as lides de um curro de utreros de Rego Botelho. Sentia-se a espectativa de quem queria assistir ao vivo aos desempenhos, especialmente de Rey, a nova coqueluche do toureio mundial. Cerca de três quartos de praça ansiavam e as quadrilhas teimaram em permanecer no pátio. Ao terceiro aviso lá se vislumbraram os intervenientes em plena arena da Monumental “Ilha Terceira”.

Daniel Luque regressou a Angra do Heroísmo e abriu praça diante de um exemplar (nº98, 516Kg) brusco e com meias investida, que metia a cara por alto. Lide com pouca história onde sobressaiu a vontade e capacidade de entrega do Matador, que usou de todos os recursos para sacar água de um poço vazio. Com o segundo do seu lote (nº13, 460Kg), ainda conseguiu algum luzimento toureando pela direita. No entanto, a cada passagem pela flanela, o novilho foi perdendo o ímpeto inicial.

Tomás Campos mostrou entrega, procurando explanar um pouco da sua arte diante de um exemplar (nº12, 496Kg) com investidas incertas e que ora se desligava, ora procurava o vulto. Ainda assim conseguiu sacar uma boa série de Derechazos com alguma ligação. Destaque para o primeiro par de bandarilhas cravado por João Pedro Silva. Diante do quinto da noite (nº15, 454Kg), voltou a assistir-se a uma lide de insistência, novamente diante de um adversário que foi perdendo capacidades até rachar. Apesar de toda a entrega, terá prolongado em demasia a lide. Ficaram na retina algumas Chicuelinas que tiveram que ser abreviadas.

Era em Roca Rey que caía a maior expectativa, mas como também foi referido no início, quando a fonte é escassa… E escassos foram igualmente os exemplares do seu lote. O seu primeiro (nº18, 455Kg), pareceu querer entregar-se, mas ao fim de algumas viagens, foi-se deixando ficar em curto. Nota de realce para duas séries, por ambos os lados, com profundidade e temple. Por momentos teve a capacidade de disfarçar os defeitos do produto da divisa azul e branca. Deu volta à arena, que terá sido um pouco forçada. Encerrou a corrida diante do utrero mais volumoso (nº3, 534Kg). Iniciou por Verónicas e cingidas Chicuelinas rematadas com vistoso Manguerazo de Villalta. A lide prometia, pelo galope demonstrado a início pelo “Macendado”. Foi de pouca dura. Logo igualou os irmãos de camada. Algumas séries pela direita e Naturais sem grande expressão a encerrar a contenda.

Mário Martins foi o director de corrida, sendo assessorado pelo médico veterinário Vielmino Ventura. Abrilhantou, a Banda da Sociedade Filarmónica Recreio de Santa Bárbara. Voltando ao que referi aquando da crónica da primeira corrida: assim sim! Muito boa interpretação musical, efectuada num volume adequado à circunstância.

Bruno Bettencourt
Foto: André Pimentel

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Ciclo de tentas comentadas


terça-feira, 4 de julho de 2017

Garrido (e) mais completo – 4º da Feira de S. João


Um curro de Rego Botelho encerrou a Feira de S. João 2017. Lide apeada a cargo de Román, José Garrido e Joaquin Galdós.

O primeiro exemplar da tarde (RB, nº93, 522Kg) mostrou-se distraído e brusco, acabando por se entregar no decorrer da lide, mercê do desempenho do Matador. Román esteve variado com o Capote, mostrando recursos e querer dar espectáculo. Com a Muleta lidou sempre no centro da arena, com ofício e a dar tudo para tudo tirar do oponente. Lidou maioritariamente pela direita, de forma cada vez mais templada. O seu segundo (RB, nº83, 431Kg) era nobre, com algum recorrido, vindo a rachar no final. O Matador imprimiu maior profundidade na lide. Esta resultou com bastante duração, ficando na retina a entrega do Toureiro através de bons pormenores com a Muleta.

José Garrido tirou bom partido dos exemplares que lhe couberam em sorte. O primeiro (RB, nº92, 458Kg) era muito voluntarioso, indo ao cite com nobreza e codícia. A lide mostrou a plasticidade e os pormenores artísticos que Garrido emprega. Esteve “mandão” com a Muleta e mostrou o porquê de ser apontado como uma das grandes figuras do toureio. Uma grande lide terminada com circulares invertidos junto às tábuas. O seu segundo (RB, nº73, 502Kg) também se entregava à luta, vindo a rachar no final. O Matador agarrou o oponente e toureou a gosto, recriando-se e mostrando a sua arte. Uma boa lide encerrada com Bernardinas que chegaram às bancadas. Neste toiro, Garrido desafiou os alternantes para o tércio de bandarilhas. O mesmo foi cumprido de forma desigual.

Joaquín Galdós recebeu um exemplar (RB, nº77, 516Kg) bruto e sem recorrido. Ensinou-o a investir para depois mostrar um toureio de quietude e proximidade. Mostrou algumas dificuldades em medir as distâncias, ainda assim mostrou bons pormenores numa lide de altos e baixos. O último do espectáculo (RB, nº91, 507Kg), revelou-se o exemplar com melhores condições de lide. Duração de investida e nobreza que foram aproveitadas por Galdós. Lidou com seriedade e poder. Novamente fez-se mostrar através de um toureio de proximidade e quietude, pisando terrenos de compromisso. Terminou por Luquesinas, adornando assim uma boa lide. Neste último também foram os matadores a cumprir o tércio de bandarilhas, tendo resultado novamente desigual.

Uma vez mais, os bandarilheiros açorianos estiveram num patamar superior. João Pedro Silva e Jorge Silva executaram os melhores pares da tarde. Já é normal assistir-se a um bom desempenho dos locais, o que tem (entre muitos outros) o benefício de fazer com que o público seja cada vez mais exigente com os de fora.

A corrida foi dirigida por Carlos João Ávila que se despediu do cargo após 20 anos de funções. Apenas um reparo para a dúvida em relação ao critério utilizado para atribuição de música durante as lides. Foi assessorado por José Paulo Lima.

Abrilhantou a Banda da Sociedade Filarmónica rainha Santa Isabel da Doze Ribeiras. Abrilhantou e bem! Se na corrida anterior a música tinha estado em excesso, aqui as interpretações foram executadas na medida certa, com o volume certo, a complementar as lides!

Antes do início do espectáculo, foi homenageado o Matador californiano e luso-descendente Dennis Borba pelos seus 30 anos de Alternativa. Durante o intervalo, foi homenageado Carlos João Ávila pelos seus 20 anos de Director de Corridas e por todo o precioso contributo que tem dado à Festa Brava nos Açores.


Bruno Bettencourt
Foto: António Valinho

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

O matador açoriano que vive em Jacarta



A oito fusos horários da ilha Terceira, onde nasceu, e a 30 horas de viagens de avião de Portugal,Mário Miguel Silva garante que está adaptado a Jacarta, onde vive com a mulher e a filha há sete anos. "Estando inserido no mundo dos cavalos 24 horas por dia, sete dias por semana, trabalhar na Indonésia, na Tailândia, nos EUA ou no Polo Norte é estarmos bem", diz o cavaleiro português, de 38 anos.

Uma década depois de se tornar o primeiro matador de touros açoriano, tirando alternativa na praça de Valladolid, Espanha, a 26 de agosto de 2006, Mário Miguel trocou a arena pela pista, trabalhando para Prabowo Subianto, que foi candidato presidencial em 2014 e é um dos homens mais poderosos da Indonésia. Além de tratar dos seus cavalos, o português está a formar alunos para a modalidade olímpica da dressage, dominada por europeus. 

Ensinar outros a levar o cavalo a fazer movimentos graciosos é natural para quem começou a tourear aos 11 anos, arrancando a carreira que o fez passar de Angra do Heroísmo para o Campo Pequeno e daí para Espanha, França, Califórnia e América do Sul. E em que, além de lidar os touros, aprendeu muito de equitação. "É um prolongamento do trabalho do mestre Luís Valença, que é a divulgação da arte equestre e da cultura portuguesa", explica, referindo-se ao sogro, um dos grandes nomes da equitação.

As ligações familiares ajudaram-no a iniciar a nova carreira. Tendo feito a última corrida nos Açores, em 2009, a transição para a dressage foi o passo lógico para quem se dedica a negociar cavalos. "Já devemos ter levado cerca de 30 para a Tailândia . Agora devemos levar outros 30 para a Indonésia. Alguns estão virados para o cavalo norte-europeu, mas maioritariamente levamos o nosso lusitano." São animais que podem custar entre 10 e 100 mil euros, consoante a pureza da raça e os feitos dos antepassados.

Construir uma relação entre cavalo e cavaleiro em que os dois até parecem ser um é algo que Mário Miguel classifica de "difícil facilidade". "Vem de muitos anos de treino em conjunto, e com a arte equestre do cavaleiro que evolui ao longo dos anos mais a linguagem se desenvolve. A certa altura já parece telepatia. Tudo sai redondo e bonito", diz o cavaleiro, que tal como a mulher, Luísa Valença, dá o exemplo a alunos que já representam a Indonésia em competições internacionais.

QUESTÃO DE CARÁTER
Caráter é aquilo que exige aos animais que leva para a Ásia, numa prospeção que o obriga - "e ainda bem", realça - a vir a Portugal várias vezes por ano. "Podemos estar à procura de um cavalo superbonito, muito bem andado e ensinado, mas se tiver mau caráter vai criar problemas muito depressa", adverte, na medida em que "um cavalo com caráter difícil" pode prejudicar a forma como os lusitanos são vistos entre pessoas que têm "menos anos de cultura equestre".

Apesar de a dressage ser dominada por cavalos do Norte da Europa preparados para o picadeiro de 20 por 60 metros, aquilo que procura são "cavalos muito guerreiros, com um coração muito grande, que suportam muitas pressões sem fazerem asneiras". E Mário Miguel Silva crê que os lusitanos são versáteis ao ponto de se adaptarem a pistas e regras feitas com outros em mente.

É a ele que cabe a última triagem dos animais comprados pelos clientes asiáticos. "É o retoque final depois de passarem por vários filtros. Venho cá, monto, experimento e vejo o caráter de cada um para apurar se se coaduna com o aluno a que é destinado", afirma, embora escolher um cavalo com potencial seja apenas um primeiro passo para chegar ao mais alto nível.

"Podemos sempre realizar-nos no cavalo em muitas vertentes", afirma, avançando exemplos na sua família. Ninguém foi tourear, mas a sobrinha mais velha vai no terceiro campeonato europeu de dressage, competindo ao nível de grande prémio, e o sobrinho mais novo prepara o segundo europeu. "Vivem em casa do avô toda a arte equestre", diz o matador .

PATRÃO POLÉMICO
Apesar da experiência e dos resultados, Mário Miguel Silva ri-se com a ideia de que o patrão o veja como um ‘Mourinho da dressage’. "Sou muito jovem. Na arte equestre há um processo de evolução e de aprendizagem. Ainda hoje o meu sogro, com 70 anos, diz que aprende todos os dias. Ser um Mourinho da arte equestre... Não é por aí", responde, reconhecendo que o convite para trabalhar em Jacarta se deve ao conhecimento da sua trajetória de cavaleiro tauromáquico, matador de touros e cavaleiro equitador. "Acho que me tem ainda em boa conta...", resume, sorridente.

Prabowo Subianto, além de genro de Suharto, ditador já falecido que governou a Indonésia durante 30 anos, é tão poderoso quanto polémico no país. E está ligado à ocupação de Timor-Leste enquanto um dos mais jovens comandantes das forças especiais invasoras. Homens sob o seu comando embrenharam–se na ilha em 1978 para emboscar e matar o ex-primeiro-ministro timorense Nicolau dos Reis Lobato, cujo cadáver foi levado para Díli.

Apesar disso, Mário Miguel Silva diz que conhece alguns timorenses que preferiram ficar na Indonésia após a independência da ex-colónia portuguesa e garante que a sua nacionalidade nunca foi um problema em Jacarta. Mais falado, mas em Portugal, foi o seu nome e o da mulher no âmbito da investigação aos ‘Panama Papers’, visto que ambos apareceram numa lista de titulares da sociedade offshore, o que o cavaleiro justifica com o facto de terem deixado de trabalhar e de pagar impostos em Portugal.

SAUDADES DOS TOUROS
Sem nunca ter anunciado o fim de uma carreira ligada à Monumental da Ilha Terceira e à Praça do Campo Pequeno, onde fez a alternativa de cavaleiro tauromáquico, Mário Miguel admite ter saudades da adrenalina que sentia e que até o levou a tornar-se matador. "Quem nasce toureiro, morre toureiro. Há sempre a chama que mantemos viva. Mas não passa de uma ilusão", afirma, deixando a porta entreaberta para participar num festival relacionado com uma das "causas nobres que a festa dos touros acompanha, apadrinha e suporta".

Na Indonésia também há quem lhe faça perguntas acerca do passado, ainda que a tauromaquia "seja difícil de ser percebida por alguém que nunca lhe foi exposto, ou por quem a exposição possa ter sido menos positiva ou só negativa". E garante que estaria pronto a ensinar um dos seus alunos de dressage a tourear.

Depois de ter montado mais cavalos do que consegue precisar, ainda que aponte para "umas boas centenas", Mário Miguel já disse à filha, que começou a montar há pouco tempo, para fazer registos. "Como é muito organizada e boa aluna, pedi que fizesse um diário. Daqui a meia dúzia de anos já não consegue contar os cavalos", diz quem não consegue indicar o animal que mais o marcou. Até porque "o meu próximo cavalo é que vai ser o melhor".

Texto: Leonardo Ralha
Fonte e foto: Correio da Manhã

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O bandarilheiro João Pedro Silva "Açoreano" em entrevista


Um dos mais talentosos Bandarilheiros da sua geração, exímio com o Capote e com as Bandarilhas, João Pedro Silva de apodo "Açoreano", é natural da ilha Terceira.

Recentemente galardoado pela Tertúlia Tauromáquica Festa Brava com o troféu de Melhor Bandarilheiro e Peão de Brega de 2016, esteve à conversa no programa "Terceira Dimensão" da AzoresTV, numa entrevista com a assinatura da jornalista Sónia Bettencourt.

 

Foto: Bruno Bettencourt

sábado, 25 de junho de 2016

Video resumo da primeira Corrida da Feira de S. João 2016


Aqui fica o video com o resumo da primeira corrida da Feira de São João:


Leal de novo – crónica da primeira da Feira de S. João

A Feira de S. João de 2016 em Angra do Heroísmo, já começou! No dia 24 de Junho, pelas 18h30, iniciaram-se as cortesias do anunciado “Grandioso Espectáculo” com os Matadores Daniel Luque, Juan Leal e José Garrido. Lidaram-se novilhos de Rego Botelho, bem apresentados e morfologicamente muito em tipo da ganadaria.

Daniel Luque recebeu com o Capote, desenhando uma série cingida de Chicuelinas. Com a Muleta, provou o oponente por ambos os lados, no entanto baseou a lide na mão direita. O nº57 (450Kg, RB) não se negava à luta, no entanto foi ficando em curto, revelando sempre bastante aspereza ao derrotar no engano. Luque mostrou o seu toureio, pena que não tivesse havido mais nobreza por parte do novilho. Com o “Descornado” (nº64, 462Kg, RB) esteve num patamar superior ao anterior. O borralho tinha recorrido e nobreza de investida. No início da lide abriu a unha do membro anterior esquerdo, mas isso não foi impedimento para a sua investida continua. O Matador de Gerena armou taco e com a muleta conseguiu chegar às bancadas. Duas séries de Derechazos templados e profundos, marcaram uma lide em crescendo que terminou com Luquesinas. Apesar do desempenho artístico e da entrega, a segunda volta à arena não teve cabimento.

Juan Leal já goza de grande popularidade entre a afición terceirense. Por vários momentos vem à ilha Terceira e, aliado a isso, já começa a perceber a receita ideal para agarrar o triunfo em terras atlânticas. Entrega e dedicação são dois pontos fundamentais. Se assim o sabe, assim o executou diante do “Lagunero” (nº53, 506Kg, RB). O hastado tinha muito boas condições de lide. Investida longa (que veio a ficar em curto) nobreza e entrega. Foi recebido por Cordobinas às quais se seguiram as sempre vistosas Zapopinas que chegaram aos sectores. Com a Muleta recebeu o oponente pelas costas para depois seguir toureando pela direita, baixando a mão e templando a gosto. A cada cite foi fechando o compasso e dando cada vez mais plasticidade à função. No final desta lide triunfal, sofre uma voltareta quando simulava a morte e, após ter embatido no solo, perdeu a noção de espaço e equilíbrio, mas sem consequências de maior. A sua segunda lide diante do nº58 (526Kg, RB) tem pouca história. O novilho lesionou-se num dos membros anteriores e foi recolhido. Fica o destaque dos dois pares cravados pelo Bandarilheiro João Pedro Silva que agradeceu de Montera em mão.

Para José Garrido estava anunciado o nº65 (530Kg, RB). O novilho pouco depois de ter saído nos curros embateu violentamente num burladero, tendo lesionado a medula e caído praticamente morto. Saiu então o sobrero (nº51, 484Kg, RB). O novilho era bisco e cumpriu bem o que lhe era pedido. Foi recebido de joelhos com uma Larga Cambiada seguindo-se uma série de Verónicas. Com a muleta Garrido esteve eficiente, no entanto as séries resultaram pouco ligadas, mercê da aparente falta de força do novilho. O Matador deveria ter dado mais espaço ao oponente. O toureio quer-se cingido, mas nem sempre é possível. Ainda assim o jovem Matador mostrou querer, numa lide que resultou agradável. O nº55 (530Kg, RB) que lidou em segundo lugar veio destoar um pouco o comportamento dos irmãos de camada. Saía solto das sortes não permitindo a conexão necessária. O Matador começou por prová-lo por ambos os lados, e procurou ligar-se. Já perto do final da lide, o novilho lesionou-se num dos membros e teve que ser recolhido.

Destaque ainda para Gonçalo Toste que tomou a Alternativa de Bandarilheiro Professional.

Duas considerações finais que se impõe: à vista fica a ideia que o piso da arena da Monumental Ilha Terceira está demasiado solto. As lesões verificadas nos animais poderão estar relacionadas com tal facto, uma vez que as mesmas ocorreram sempre durante investidas circulares em que os novilhos ficavam com os membros presos na quantidade abundante de piso solto.
É urgente que quem está na trincheira perceba que não se pode movimentar de ânimo leve durante as lides. Existem burladeros na trincheira para que as pessoas se coloquem ou, caso não exista espaço, encostem-se à parede. Não se percebe como é que não se toma uma atitude em relação a quem está na trincheira, sem saber lá estar.

Dirigiu a corrida, com critério, Carlos João Ávila, tendo sido assessorado pelo médico-veterinário Vielmino Ventura. Abrilhantou (e bem!) a Banda da Associação Cultural do Porto Judeu. Assim se mostra que as bandas estão presentes para acompanhar o espectáculo no plano certo, não para se sobrepor sonoramente a todo o resto.


Bruno Bettencourt
Foto: António Valinho

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Faena de Escribano a "Cobradiezmos"

O dia 13 de Abril será mais um dia para a história da tauromaquia. Manuel Escribano indultou o toiro "Cobradiezmos" nº37 (562Kg) da ganadaria de Victorino Martin Andrés, na Praça de Toiros de Sevilha. Um toiro que é o verdadeiro exemplo daquilo que se procura num toiro de lide.
Este foi o segundo indulto em mais de 200 anos de história da Praça de Toiros da Real Maestranza de Caballería de Sevilha.

Aqui fica o video completo da faena de Escribano a "Cobradiezmos".

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Ciclo de Tentas Comentadas

Com o inicio do defeso, (re)começam as lides campestres na ilha Terceira, neste sentido, realizar-se-á a 9ª edição do Ciclo de Tentas Comentadas, uma organização conjunta que reúne a Tertúlia Tauromáquica Terceirense com as ganadarias participantes assim como as Juntas de Freguesia dos locais onde as mesmas se irão realizar. Importante veículo de aprendizagem e compreensão dos aspectos de selecção do gado bravo, este evento vem de encontro a um dos aspectos amplamente debatido no mundo taurino: a criação e formação de verdadeiros aficionados.
Este IX Ciclo de Tentas Comentadas ocorrerá nos dias 17 e 18 de Outubro, nos tentaderos as Doze Ribeiras, (dia 17, às 11h00), Santa Bárbara (dia 17, às 17h00), Tentadero da Terra-Chã (dia 18, às 11h00) e na Praça de Toiros Ilha Terceira (dia 18, às 17h00).
Estarão em avaliação exemplares de Francisco Sousa, Rego Botelho, Casa Agrícola José Albino Fernandes e João Gaspar. Desempenharão função os Matadores Ambel Posada e Posada de Maravillas, assim como os Picadores Simão Neves e José Faveira. A par desta tarefa campera, haverá actuação do Cavaleiro Rui Lopes. Estarão também presentes o Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, assim como os Bandarilheiros naturais da ilha Terceira. A comentar estará o crítico taurino Sr. Maurício do Vale.
Bruno Bettencourt

domingo, 28 de junho de 2015

A lealdade de Juan (parte II) - Porta Grande

Não é toureiro quem quer, mas sim quem pode. A afición terceirense sente isso e valoriza-o. Mais do que se deixar embalar pela cadência de um lance pleno de temple, ou pela plasticidade da flanela rubra ante a fúria de um bravo, esta emociona-se com a entrega de um toureiro. Foi assim que Juan Leal tocou fundo nos quase ¾ de casa que estavam na Praça de Toiros “Ilha Terceira” no passado dia 28 de Junho. Uma tarde ventosa em que a chuva caiu até pouco antes do início da corrida. A Feira era a de S. João e, a confirmar o nome do patrono, Juan foi levado em ombros como se estivesse a ser passeado num andor.
O triunfo ganhou cor no segundo do seu lote, um Jandilla (J) (nº100, 460Kg) que investia a galope e de forma repetida, nunca virando a cara à luta. O melhor exemplar da tarde. O diestro francês foi recebê-lo à porta dos curros, de joelhos, com uma larga afarolada, lance que repetiu já com o oponente em praça. Continuou lanceando sempre de joelhos em terra fazendo soar a primeira ovação da tarde. Após alguma chicuelinas bem desenhadas, prossegiu por zapopinas rematadas com nova larga de joelhos. No remate é colhido na zona do tronco e temeu-se alguma gravidade, mas logo se levantou e continuou lanceando para delírio da assistência. A praça era sua. Com a muleta, baseou-se na mão direita. Sacou séries de derechazos com temple e profundidade, as quais foi intercalando com circulares invertidos. Terminou, com bernardinas, uma lide triunfal que levantou as bancadas e lhe proporcionou duas voltas à arena. Para que esta função fosse mais completa, João Pedro Silva “Açoreano” e Gonçalo Toste estiverem em grande plano nas bandarilhas, ainda que o primeiro não se tivesse livrado de um valente susto após a cravagem do seu segundo par.
No primeiro do seu lote (Rego Botelho (RB), nº 46, 475Kg), Leal já havia mostrado que vinha para triunfar. Ante um exemplar que se metia por dentro e procurava o vulto quando lidado pela esquerda, o Matador arriscou e foi ao limite, traçando uma lide agradável que chegou às bancadas, fruto da sua entrega e persistência.

Diego Urdiales abriu praça diante de um RB (nº42, 415Kg) distraído que foi melhorando um pouco ao longo da lide, até ter rachado. O de La Rioja entregou-se e apesar da pouca réplica do oponente, escolheu os terrenos e tapou alguns dos defeitos do hastado, sacou-lhe a atenção e desenhou séries pela direita, de grande valor. O exemplar de J (nº 97, 445Kg), que lidou já na segunda parte, investia com a cara a meia altura e por vezes saía das sortes, vindo a menos. Urdiales procurou corrigi-lo lanceando com o Capote por baixo, repetindo-o com a Muleta. Deu vantagens ao novilho na escolha de terrenos e procurou sobressair com algumas séries de interesse, no entanto, a matéria-prima que tinha por diante não permitia melhor.

A Jiménez Fortes coube o lote de menor qualidade. O RB (nº30, 465kg) era bonito e deu boas indicações na saída, no entanto foi ficando curto de investida, metia-se por dentro e derrotava alto pela esquerda. A iniciar o tércio de Muleta, o Matador foi destapado pelo vento e foi volteado sofrendo um “puntazo” na coxa direita. Esteve laborioso e procurou fazer o que era possível diante de um novilho que não transmitia. Prolongou a lide em demasia. Na sua segunda aparição em praça, esteve em melhor plano. O novilho (J, nº16, 495Kg) foi dando boa réplica de início permitindo duas séries pela direita com bom ritmo e bem ligadas, no entanto havia de encurtecer a investida. Terminou assim a sua presença com uma lide agradável mas sem grandes motivos de realce.

Em dia de aniversário, Manuel Dias Gomes apresentou-se em Portugal como Matador de toiros. Diante de um exemplar RB (nº44, 430Kg) rubricou uma grande lide. Tirou partido das boas condições do oponente e com a mão direita imprimiu profundidade e arte, fixando o pé e fechando o compasso ao longo das séries. Mostrou entrega, saber e vontade de triunfar. O seu segundo (RB, nº45, 520Kg) era mais desluzido do que o anterior. Manteve sempre a cara a meia altura. Uma vez mais, Dias Gomes andou acoplado ao novilho. A destacar uma das séries de derechazos, longa, cingida e plena de temple. Apesar da entrega, não suplantou a sua primeira lide.

Voltando ao princípio, a corrida dirigida por Carlos João Ávila assessorado pelo Dr. José Paulo Lima, iniciou-se com um “passeíllo” onde estiveram incluídos picadores. Apesar de ser discutível esta inclusão, tendo em conta a proibição da sorte de varas há já alguns anos nos Açores, não deixa de ser uma presença simbólica e até uma forma de protesto, aliada às raias que se encontravam desenhadas na arena. Se nas corridas de Gala à Antiga Portuguesa, as cortesias são plenas de simbolismo e evocação de tempos idos, o mesmo também poderá acontecer nas corridas em que só actuem Matadores de toiros, as corridas “à espanhola”.

Abrilhantou a Banda da Sociedade Filarmónica Rainha Santa Isabel das Doze Ribeiras.


Bruno Bettencourt

quinta-feira, 25 de junho de 2015

II Corrida da História

Hoje, dia 25 de Junho, acontecerá a projecção de mais um momento taurino intitulado "Corrida da História". O evento, com entrada gratuita, terá lugar no Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo e decorrerá de acordo com o cartaz em baixo.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Comprometida a presença de Ferrera na Feira de S. João

A presença do Matador António Ferrera na Feira de S. João foi comprometida após a colhida sofrida ontem, Domingo, em Muro. Quando se preparava para matar o segundo toiro do seu lote, o Diestro "extremaño" foi violentamente tocado.
Segundo avançam o portal MundoToro.com e o jornal espanhol ABC, foi confirmada, após exame radiológico, uma fractura com deslocamento no rádio do braço direito.
Segundo os mesmo orgão de comunicação, o Matador que é anunciado como cabeça de cartaz da Corrida do próximo dia 28 de Julho e que neste momento atravessa um grande momento, terá que interromper a temporada.
Citando o diário ABC, "irá perder, de momento, a Feira de San Juan de Badajoz, na próxima quarta-feira, a corrida de dia 28 nos Açores, a presença na Feira de San Fermín (Pamplona) a 8 de Julho [...] e a corrida com "vitorinos" em Mont de Marsan a 26 de Julho [...]"


Bruno Bettencourt
Foto: Edgardo Vieira

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A respeito do "Ciclo de Tentas Comentadas"...


A ilha dos toiros, vista por quem a visitou...

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Ciclo de Tentas Comentadas - 2014

A Tertúlia Tauromáquica Terceirense leva a efeito a realização de mais um Ciclo de Tentas Comentadas. desta feita a 8ª edição. Importante veículo de aprendizagem e compreensão dos aspectos de selecção do gado bravo, este evento vem de encontro a um dos aspectos amplamente debatido no mundo taurino: a criação e formação de verdadeiros aficionados.
 
Este VIII Ciclo de Tentas Comentadas ocorrerá nos dias 17, 18 e 19 de Outubro, nos tentaderos de Santa Bárbara, (dia 17, às 18h00), Doze Ribeiras (dia 18, às 11h00), Praça desmontável da Agualva (dia 18, às 17h00), Terra-Chã (dia 19, às 11h00) e na Praça de Toiros Ilha Terceira (dia 19, às 17h00).
 
Estarão em avaliação exemplares de Francisco Sousa, Rego Botelho, Casa Agrícola José Albino Fernandes e João Gaspar. Desempenharão função os Matadores Diego Urdiales, Juan Leal, Paco Velásquez e o Novilheiro Manuel Dias Gomes, assim como os Picadores Simão Neves e José Faveira. A par desta tarefa campera, haverá actuação dos Cavaleiros Tiago Pamplona, Rui Lopes e João Pamplona. Estarão também presentes os Grupos de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense e do Ramo Grande. A comentar estará o crítico taurino Sr. Maurício do Vale.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Última Corrida da Feira de S. João 2014 - Video Resumo






A Lealdade de Juan - última corrida da Feira de S. João

A praça encheu para assistir à última Corrida da Feira de S. João 2014. O cartel era aliciante: Juan José Padilla, Miguel Angel Perera e Juan Leal, para lidar exemplares de Rego Botelho. Na generalidade, o curro da divisa azul e branca não serviu. Os exemplares que vieram da Caldeira do Guilherme Moniz revelaram comportamento que foi indo a menos.

Padilla encerrou-se com o pior lote da corrida. O seu primeiro (nº24, 495Kg) foi revelando uma investida curta pela direita, saindo solto dos lances. O Matador recebeu-o de joelhos com uma Larga Afarolada. Ainda o provou por Parons, antes de inicias o tércio de Bandarilhas. Cravou um par traseiro e depois, após alguma dificuldade em colocar o toiro, cravou um par de violino, a chegar às bancadas. Com a Muleta desenhou duas séries pela direita, mas sem grande ligação. Procurou testar o oponente por Naturais, mas este saía desinteressado da sorte. Lide possível com alguns (poucos) pormenores a assinalar. A história da lide do segundo do seu lote (nº17, 435Kg), é quase inexistente. Tentou iniciar por Verónicas, no entanto abreviou, dando lugar a um tércio de Bandarilhas executado sem nexo por parte dos seus subalternos. O toiro rachou cedo e o Matador não quis arriscar, mostrado não estar a gosto. Uns tímidos Derechazos e alguns passes de castigo encerraram a prestação de Padilla que foi sonoramente contestada.

Perera desenhou a lide possível diante de um exemplar (nº18, 465Kg) que se foi empregando de início, para depois vir a menos e a procurar a querença natural. Lanceou por Verónicas e ao quite saiu Juan Leal que por Gaoneras, mostrou que estava em praça para agarrar o triunfo. Fez soar a primeira ovação da tarde. Com a Muleta, Perera traçou alguns passes soltos, não tendo conseguido séries ligadas. Procurou dar vantagens ao toiro e lidou-o junto á querença. Foi uma lide sem muitas possibilidades. Com o quinto da tarde (nº26, 480Kg), já conseguiu bordar algum do seu toureio. Lanceou por Verónicas, por vezes prejudicadas pelo vento e ao quite, Juan Leal saiu de novo para, com Tafarellas, novamente mostrar ao que vinha. O toiro foi-se empregando e mostrou nobreza de investida, apesar de não ter durado até ao fim da lide. Destaque para 3 boas séries de Derechazos com profundidade e temple, aguentando por vezes alguns pequenos derrotes. Ainda tentou pela esquerda, mas o Naturais resultaram desligados. Não se livrou de uma voltareta, que o deixou tocado na perna direita. Boa lide a superar a sua primeira prestação.

O Matador Juan Leal debutava na Feira de S. João e cedo mostrou que estava por tudo. Se deu sinais de querer agarrar o triunfo, quando saiu ao quite de Capote durante as lides de Perera, com os seus toiros, denunciou este facto ainda mais. Arrimou-se com o Capote e iniciou a função, ante o primeiro exemplar (nº9, 505Kg), por Zapopinas (Lopecinas) rematadas com Revolera. Nas Bandarilhas, destaque para João Pedro Silva. Com Passes Cambiados iniciou a faena de Muleta. O toiro ia ficando em curto e por vezes cortava-se por dentro. Uma vez mais, o diestro francês a arrancar aplausos com Circulares invertidos. Por Bernardinas encerrou uma lide de entrega onde deu tudo de si e fez mais do que parecia ser possível. A encerrar a corrida, lidou o toiro que apresentou melhores condições (nº11, 460Kg). O toiro entregava-se e teve duração, no entanto, fica a sensação que após as duas voltaretas que deu, em resultado de ter ficado com os pitons presos na arena, perdeu um bocado da nobreza de investida e começou a defender-se mais. Leal recebeu-o de joelhos com Porta Gaiola. Continuou por Parons e Chicuelinas, bem cingidas. Nas Bandarilhas, o segundo e terceiro par, cravados respectivamente por Diogo Coelho e João Pedro Silva, foram de muito bom nível. Leal Iniciou a faena de Muleta com os joelhos em terra. Lidou com quietude, procurando conduzir o hastado por ambos os lados da flanela rubra. O toiro foi ficando em curto, mas o Matador esteve trabalhador, andando sempre entre os pitons. Sacou tudo o que havia naquele exemplar e foi levando a àgua ao seu moinho. Lide de muita entrega e valor. No final, duas voltas à arena.

Dirigiu Carlos João Ávila, que esteve pouco criterioso na atribuição de música, tendo sido assessorado pelo Dr. Vielmino Ventura. Abrilhantou a Banda da Sociedade Filarmónica Rainha Santa Isabel das Doze Ribeiras.


Bruno Bettencourt

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