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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Tríptico triunfal - Crónica da terceira Corrida da Feira de S. João 2026




Diz-se que o melhor da festa é esperar por ela. Também o é mas, o melhor desta Feira de S. João de 2026, foi o viver a Festa! João Moura Jr., João Ribeiro Telles, Fernando Adrián, os Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT) e os Amadores do Ramo Grande (GFARG) fecharam a Feira diante de exemplares de Rego Botelho (RB) e João Gaspar (JG), precisamente no dia do S. João, 24 de Junho.

João Moura Jr. enfrentou um nobre JG (N°43, 498kg) que saía de largo numa viagem recta. Uma sorte de gaiola vistosa iniciou uma boa lide que, com bom entendimento, tirou partido do toiro e foi explanando todo o toureio e forma de estar na arena de Moura. Reuniões e remates justíssimos, para gáudio da assistência. Rubricou a sua passagem por esta edição da Feira com uma actuação de nível superior. O RB (N°63, 567kg) carregava nas sortes e veio a mais ao longo da contenda, dando bom jogo. O Cavaleiro interessou-o e cravou com batidas templadas ao piton contrário. Cada passagem fazia eco nas bancadas, com destaque para o 3° ferro curto. Esteve criterioso nas escolhas de terrenos e fechou com duas mourinhas que lhe renderam larga ovação.

João Ribeiro Telles recebeu o JG (N°26, 575kg) à porta dos curros. A um exemplar cumpridor, que se foi entregando nobremente, aplicou uma lide de ligação que terminou em grande plano. Lidou a gosto, com ferros emotivos que não deixaram indiferentes os setores da praça. Sortes bem preparadas e com grande conexão com o toiro. O segundo do seu lote era o "Lancero" (RB, N°62, 514kg). Bem apresentado, com codicia, saía de pronto, carregava na reunião e teve imensa duração. Resumindo: era bravo! E brava foi a lide triunfal. Iniciou à porta "dos sustos" para a desenhar com sortes em terrenos de compromisso, rematadas com bregas milimétricas. O 2° ferro curto foi uma sorte de catálogo, a consentir a investida do toiro e a aguentá-lo debaixo do braço. Volta para a ganadera no final da lide.

O Matador Fernando Adrián teve matéria prima para mostrar o toureio que traz dentro de si. O RB (N°70, 440kg) foi melhorando ao longo da lide, investindo com nobreza e recorrido. Com o Capote esteve reservado. Destaque para o bom tércio de bandarilhas por Pablo Gallego e João Pedro Silva "Açoriano". Lide de entrega e poderio onde Adrián fixou o compasso e foi desenhando séries com plasticidade e profundidade, baseando-se essencialmente na mão direita. Sofreu uma voltareta que se veio a revelar sem consequências. O segundo (RB, N°69, 479kg) trazia as mesmas características do anterior, mas era mais codicioso e entregou-se logo de início. Lanceou à Verónica para, depois, com a Muleta oferecer uma muito boa lide onde o temple foi palavra de ordem. Tirou partido de tudo o que o exemplar da divisa azul e branca trazia dentro. Séries profundas, ligadas e com repetição espalharam o perfume do toureio do Matador madrileno.

Tomás Cunha, pelo GFATTT, abriu praça com uma rija pega à primeira, sendo bem ajudado. Francisco Matos foi colhido com gravidade diante do 4° da tarde e foi dobrado por Eduardo Rico que resolveu a sesgo numa pega em que foi fulcral a intervenção do primeiro ajuda Fernando "Mangueira" Ferreira.
Pelo GFARG Rui Dinis (cabo) fechou-se bem à primeira sem dificuldades e com boa intervenção do grupo. Luís Valadão saiu lesionado após duas tentativas. Na dobra, Gonçalo Batista resolveu bem numa pega a sesgo.

A Corrida foi dirigida por Ricardo Costa com a assessoria de Vielmino Ventura. Abrilhantou a Banda da Sociedade Filarmónica Rainha Santa Isabel das Doze Ribeiras.

Bruno Bettencourt 
Fotos: Tertúlia Tauromáquica Terceirense

terça-feira, 23 de junho de 2026

O brilho de Pamplona e o brio de Pérez - Crónica da segunda Corrida da Feira de S. João 2026


Segundo dia de Feira de S. João, primeira Corrida Mista do certame e, novamente, muito público a mostrar que a tauromaquia é parte constituinte do ser terceirense. João Moura Jr., João Pamplona, Marco Pérez, Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT) e Amadores de Turlock (GFAT). Casa Agrícola José Albino Fernandes (JAF) e João Gaspar (JG).

O JAF (N°256, 480kg) fixou-se e cumpriu, com durabilidade, apesar das parcas forças. João Moura Jr. interpretou-o e desenhou uma lide de entendimento, adequando os tempos ao toiro, cuidando-o com temple e cadência. Recriou-se na cara do oponente, chegando às bancadas que cedo lhe tributaram ovações. O segundo do seu lote (JG) viria a lesionar-se no início da cravagem dos curtos e a organização permitiu que fosse lidado o sobrero. O JG (N°38 415kg) era impetuoso e vinha de largo com velocidade. Tinha muitas teclas e foi-se parando nos médios, no final. Recebeu-o com uma sorte de gaiola emotiva, para depois prosseguir com uma boa lide, ajustando as montadas às exigências, mas sem romper totalmente.

João Pamplona recebeu um toiro JG (N°24, 510kg) que tinha tanto de beleza física como de comportamento. Recebeu-o com sorte de gaiola bem desenhada, fazendo antever uma lide em plano superior. Tirou partido do oponente e agarrou as bancadas. Muito correcto na escolha de terrenos e justo nas cravagens, saiu sob forte ovação, após cravagem de um explosivo ferro de palmo. O JAF (N°278, 467kg) era muito bom. Investia em todos os terrenos, de forma recta, clara e com transmissão. Em sintonia, o Cavaleiro da Quinta do Malhinha rubricou uma grande lide. Um primeiro ferro curto à meia volta, daria o mote para uma série de cravagens com nota elevada. Arriscou e transmitiu emoção. A sua forma segura e clássica de equitador, aliou-se à irreverência e raça toureira que ecoou nas bancadas e resultou em duas voltas à arena.

Marco Pérez apresentou-se como Matador na ilha Terceira, após ter passado pela mesma arena há alguns anos. Teve pela frente dois exemplares JAF (N°312, 447kg e N°310, 433kg). O que lhes faltava em força sobrava em nobreza. Viagens rectas e templadas, com destaque para o segundo do lote que teve mais duração e ainda mais maneabilidade. Na primeira faena assistiu-se a um toureio de recorte fino quer com o Capote, como com a Muleta. Acoplou-se ao toiro e mostrou que vinha para triunfar. Destaca-se uma bonita série pela direita, rematada com um infinito passe de peito. Com o segundo exemplar citou a meia altura, rentabilizando as condições do toiro e fazendo-o durar. Mostrou o seu poderio com a flanela vermelha, imprimindo profundidade a cada passagem do hastado. Deu tempo e espaço, criando faena onde muitos teriam dificuldade. No final, duas voltas à arena.

Pelo GFATTT, João Bettencourt consumou à segunda, sendo bem ajudado. Tomás Costa resolveu à terceira com ajudas carregadas. Com a jaqueta do GFAT, Fábio Vieira fechou-se à primeira sem dificuldades. Bryce Rocha, à segunda, fechou-se numa rija pega, rubricando a presença do grupo cinquentenário na Feira de S. João.

A corrida foi dirigida por Leandro Pires, assessorado por José Paulo Lima. Abrilhantou a centenária Banda da Sociedade Filarmónica Recreio Serretense.


Bruno Bettencourt 

Foto: Tertúlia Tauromáquica Terceirense

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Outra vez Moura - Crónica da primeira corrida da Feira de S. João 2026


Angra do Heroísmo materializou, uma vez mais, o porquê de ser um contínuo coração pulsante no meio do Atlântico. A celebração de S. João Batista invadiu a cidade e a ilha, trazendo com ela a Feira taurina que ostenta o nome do patrono popular.

"Lotação esgotada"! Estas duas palavras, encimando a Porta Grande da Praça de Toiros "Ilha Terceira", receberam todos aqueles que ali se encontravam para assistir à Corrida à Portuguesa no dia 21 de Junho. O entusiasmo e a expectativa eram palpáveis. Os nomes de Tiago Pamplona, João Moura Jr., João Ribeiro Telles, Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT) e Amadores de Turlock (GFAT), Rego Botelho (RB) e João Gaspar (JG), enchiam um cartaz deveras apelativo.

Tiago Pamplona abriu a corrida que marcou os seus 20 anos de alternativa. Duas décadas de dedicação, resiliência e afirmação, honrando uma dinastia e a terra que o viu nascer. Foram precisamente as características referidas que marcaram a sua primeira lide. O RB (n°74, 460kg) vinha bem apresentado, mas tinha algumas dificuldades de visão, mercê da conformação dos pitons. Com debilidade de forças, pedia que o provocassem e, ainda assim, arrancava tarde. Lide de entendimento a trazer o toiro com medidas tiradas, mexendo-lhe nas querenças e metendo-o na luta, ainda que, por vezes, algumas das sortes não resultassem em pleno. Com o bonito, volumoso e sério JG (n°44, 539kg) a história seria outra. Um bom toiro e uma lide em plano de triunfo. O Cavaleiro foi palmilhado terreno e, a cada ferro, foi fazendo ouvir as bancadas. Se iniciou a série de curtos com um grande ferro a respeitar os tempos do toiro, terminou com um ferro de palmo que fez levantar a assistência numa explosão de emoção.

João Moura Jr. entrou em praça trazendo à lembrança a encerrona que protagonizou em 2025. Se bem lembrou, melhor o executou. Era bonito e bravo o JG (n°41, 476kg), com uma entrega constante até ao fim da lide. Pela frente teve a arte mourista que lhe rubricou uma lide triunfante, fazendo tremer a praça. Bregas e remates justíssimos e ferros de tirar a respiração, como foi o caso do 3° curto, à meia volta e em terrenos apertadíssimos, junto à porta dos curros. A dose havia de ser repetida no ferro seguinte, ainda que noutros terrenos, e a Praça ia vindo abaixo. O RB (n°61, 503kg) não comprometeu, colaborou e metia bem a cara. Moura Jr. leu-o de imediato e, logo chegou ao público com com batidas templadas e cravagens a aguentar a viagem impetuosa do toiro. Duas mourinhas e o público em delírio encerraram a lide.

João Ribeiro Telles mostrou inteligência ao perceber as condicionantes do oponente. O RB (n°64, 464kg) tinha chispa e vontade de investir, no entanto, transpareceu dificuldades morfológicas que lhe condicionavam o ímpeto na investida. Telles esperou-o à porta dos curros, dobrou-se a receber e foi cuidando do toiro, conseguindo que este tivesse a duração pretendida. Remates cingidos, a rubricar sortes onde estiveram patentes todos os tempos e cadências de forma correcta. Fechou uma boa lide com um melhor ferro curto. E porque há dias desafiantes, foi recolhido o último da tarde/noite (JG) para ser substituído pelo sobrero RB (n°41, 519kg). O toiro, que viria a dar água pela barba à forcadagem, perdeu o gás bastante cedo, ficando-se em curto, indo só pela certa e não carregando as sortes. Dois ferros compridos e três curtos resumem a lide possível diante de um oponente sem grandes possibilidades.

Na forcadagem, viveram-se muitos dos sentimentos que alimentam a Festa e esta forma de arte: glória, superação, camaradagem, susto e sofrimento. Pelo GFATTT despediu-se um dos grandes forcados da ilha Terceira, Carlos Vieira "Cabeça". O mais velho de uma família de 5 irmãos forcados, fechou-se à primeira numa grande pega em que foi levado pelo alto e aguentou duros derrotes até chegar à preciosa ajuda do grupo. Bernardo Belerique (cabo), à primeira, respeitou os tempos, consentiu a viagem e trouxe o toiro toureado até se fechar com máxima eficácia. Deu uma aula. João Vieira "Cabeça" saiu em maca (felizmente sem consequências), após duas tentativas em que aguentou barbaridades e que quase se transformaram naquela que poderia ser a pega da Feira. Na dobra, Francisco Matos resolveu com ajudas carregadas.

Pelo GFAT que está em ano de Bodas de Ouro, Sérgio Tirado resolveu à segunda, aguentando a paragem do toiro a meio da viagem e a fechar-se com eficácia. Joey Pereira fechou-se com raça à segunda mostrando muito querer. Aaron Teixeira encontrou um comboio de alta velocidade pela frente. Duas tentativas em que o grupo foi sendo despejado com derrotes altos e, no final das quais, foram saindo forcados lesionados. David Sanchez substituiu o colega que saiu maltratado e fechou-se a sesgo com valentia e as ajudas carregadas.

A corrida dirigida, diligentemente, por Ricardo Costa, assessorado por Vielmino Ventura contou com um minuto de silêncio, no início, em homenagem a António Vielmino Ventura, José Alpoim Bruges e António Silveira Dinis, figuras ligadas à tauromaquia, recentemente falecidos. Homenagens ao GFAT pelos 50 anos de história a elevar a arte de pegar toiros, desde os EUA, nas mais diversas praças mundiais e a Tiago Pamplona pelos 20 anos de alternativa como Cavaleiro Tauromáquico. Entre as lembranças entregues, destaque para o pasodoble "Glória na Arena - Tiago Pamplona" da autoria de Hélder Linhares, oferecido pela família do Cavaleiro e estreado pela Banda do Senhor Santo Cristo de Toronto que abrilhantou a corrida.

Bruno Bettencourt 

Foto: Tertúlia Tauromáquica Terceirense 

quarta-feira, 25 de junho de 2025

Sobraram Toureiros e brilharam Forcados - Crónica da Corrida Mista da Feira de São João 2025



Eram grandes as expectativas para a Corrida Mista que encerrou a Feira de São João de 2025, precisamente no dia dedicado ao patrono da festa, 24 de Junho. Os aficionados traziam na lembrança o desenrolar da segunda Corrida do certame e, nas bancadas, verificou-se uma afluência como há muito não se via neste formato de Corrida.

A lide equestre esteve a cargo de Tiago Pamplona. O primeiro do seu lote foi recolhido após ter partido uma haste ao embater na trincheira. Os dois oponentes de Rego Botelho (RB) que teve pela frente (nº38, 457Kg; nº47, 465Kg), eram bonitos, mas desluzidos de comportamento. Apresentaram pouca mobilidade e defendiam-se. Duas lides de entrega e maturidade, marcaram a presença do Cavaleiro terceirense. Ligou-se aos oponentes, mexeu com eles e foi-lhes tapando as debilidades, trazendo os toiros ao seu mando. A destacar o ferro curto com que fechou a sua primeira lide. Já é um lugar comum, mas nunca é demais afirmar que é diante de toiros com menos transmissão e mais complicação, que se vê a qualidade de um toureiro. Assim foi e Tiago saiu claramente por cima dos seus oponentes.

O Matador Manuel Escribano regressou à Praça de Toiros “Ilha Terceira” e enfrentou dois RB (nº42, 482Kg; nº43, 469Kg) que cedo se revelaram bruscos de investida e acabaram por se desligar. Procurou experimentar e conduzir os toiros por ambos os lados, na Muleta, mas não foi possível sacar séries com ligação e profundidade. A destacar os pares de bandarilhas com que brindou a assistência.

Emílio de Justo estreou-se na ilha Terceira diante de dois RB (nº45, 485€; nº37, 454Kg). Tal como os outros exemplares lidados a pé, demonstraram poucas condições de lide. O segundo do lote mostrou alguma codícia no Capote, mas na Muleta, acabou por rachar, saindo solto a cada par de muletazos. Justo provou-os e baixou a mão. Lidou em toda a arena, dando espaço e vantagens aos oponentes mas, também aqui, não foi possível assistir-se a toureio com ligação.

As pegas haviam de trazer mais algum brilho a um espectáculo que se foi tornando morno. Pelo Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, foram solistas Miguel Faria, com uma grande pega, muito bem ajudada, à primeira e Guilherme Dotti, que se fechou de forma enorme, aguentando um embate violento e um derrote por cima.

Nota para a emotiva despedida do Bandarilheiro Terceirense José Luís Leonardo que, sem o ter anunciado previamente, cortou a coleta naquela que é a sua arena. Merecida volta e ovação por parte da assistência aquele que, durante largos anos, honrou com eficiência a tauromaquia terceirense, vestindo de seda e prata.

Leandro Pires dirigiu a Corrida, sendo assessorado por Vielmino Ventura. Abrilhantou, artisticamente, a Banda da Associação Cultural do Porto Judeu.


Bruno Bettencourt

Foto: Fernando Pavão

segunda-feira, 23 de junho de 2025

Os heróis e os predestinados, serão sempre lembrados - crónica da segunda Corrida da Feira de São João 2025




"[...] Porque dos feitos grandes, da ousadia

Forte e famosa, o mundo está guardando

O prémio lá no fim, bem merecido,

Com fama grande e nome alto e subido."

Luís de Camões in "Os Lusíadas" (canto IX, est. 88)

 

A Ilha dos Amores, descrita por Camões, serviu de mote para a edição das Sanjoaninas 2025. Nessa passagem dos Lusíadas, está descrito como Tétis mostrou a Vasco da Gama a “máquina do mundo”, ou seja, o universo e os locais do mundo onde o povo português iria alcançar grandes vitórias. Assim aconteceu na tarde histórica do dia 22 de junho de 2025, na Praça de Toiros "Ilha Terceira". Uma grande vitória! Uma página de ouro da história da tauromaquia deste país de navegadores... e de "gente de toiros".

Lotação Esgotada! O anúncio feito na véspera já era bom prenuncio!

Concurso de Ganadarias com exemplares de Rego Botelho (RB), Casa Agrícola José Albino Fernandes (JAF) e João Gaspar (JG), João Moura Jr a lidar em solitário, mudança de Cabo no Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT). Tudo parecia encaixar-se para uma tarde memorável. Uma tarde daquelas que serão recordadas e relatadas por muitos anos. E assim foi!!

Comecemos por João Moura Jr. A arte, o génio, o engenho, a entrega, o poder e a maestria foram deixadas na arena de Angra do Heroísmo. O Cavaleiro abriu a alma e deixou que todos admirassem tudo aquilo que traz dentro de si. Um colosso da arte de Marialva. Um verdadeiro centauro!

Cedo agarrou a assistência. O exemplar de RB (nº44, 497kg) estava muito bem rematado e era bonito, com cara e fino recorte. Saía de largo ao cite e colaborou com o que lhe era pedido. Moura abriu a caixa e foi lançando o perfume que se sentiu durante toda a corrida. Cravagens correctas e sempre com as medidas bem tiradas, encimadas por remates e bregas “à Moura” disfrutando da montada, uma verdadeira extensão do seu corpo.

O segundo era de JAF (nº255, 436kg). Era bonito e saiu com muita pata. Cedo mostrou cansaço e falta de força. Apesar dos bons modos que foi mantendo, foi-se reservando. João dobrou-se bem com ele na saída e aguentou o ímpeto do toiro, ao milímetro. Lidou a dar primazia ao oponente e a cuidá-lo. Manteve a tónica: bregas e cravagens de levantar praça!

O “Poeta” (JG, nº16, 515Kg) saiu em terceiro lugar. Bem apresentado e em tipo do encaste, entrou em praça com codícia. Investidas nobres e com ritmo revelaram o bravo toiro que ali estava. O triunfo também já ali estava. Entendimento e entrega, por parte do Cavaleiro, ao toiro que tinha pela frente. Começou com um ferro em “sorte de gaiola” que fez estremecer a praça. Mais réplicas viriam de seguida. Nos curtos, foi impossível ficar indiferente ao segundo ferro cravado. Metido em terrenos do toiro, cravagem e remate daqueles que apenas estão ao alcance dos predestinados. A praça estremeceu e os corações pararam! A encerrar, nova réplica: que “mourinha”, que remate, que pintura… A praça entrou em ebulição!

O quarto ostentava a divisa azul e branca de RB (nº56, 514kg). Foi indo ao cite e carregando as sortes, mas cedo começou a reservar-se vindo a menos, sem comprometer. Uma boa lide a mostrar que há ofício. Com o desenrolar da mesma, houve que ir tirando água do poço e contrariar as reservas do toiro.

O quinto (JAF, nº235, 439kg) saiu com gás! Foi esperado à porta dos curros pelo cavaleiro que o dominou até aos limites do impensável. O toiro foi-se mostrando desigual, mas encontrou rumo e veio a mais. Lide poderosa a tocar as teclas do toiro numa harmonia triunfal. Duas “mourinhas” a encerrar que provocaram nova explosão de emoção e alegria!

A fechar, saiu à arena um lindo JG (nº30, 483Kg). Pleno de nobreza e com ímpeto na investida, trouxe a chave de ouro a João Moura Jr. Os corações e o tempo pararam, a cada cravagem e cada vez que o toiro era trazido embebido no estribo daquele “cavalo-muleta”. O Cavaleiro estava com os olhos marejados de água e de sal… A assistência também… Quem assistia, queria que o tempo parasse e aquele momento heroico nunca mais acabasse. Haveria de vir Tétis recebê-lo como fez a outro herói. Como fez a Vasco da Gama que está igualmente imortalizado nesta cidade Património Mundial. Que lide… Que lides… Que Mestre… Assim se abriu a Porta da Glória, a Porta Grande e Triunfal da Praça de Toiros “Ilha Terceira” para que, em ombros, saísse por ela um dos eleitos pelos deuses.

 A tarde também foi de forcadagem. O GFATTT pegou em solitário, em dia festivo. Abriu praça João Vieira, numa pega correctíssima e de poder, à primeira.

João Pedro Ávila abraçou valentemente o segundo da tarde ao primeiro intento, naquela que seria a sua última pega como Cabo do grupo. De notar o pormenor da quase totalidade da formação ser composta por antigos forcados, da geração do homem que foi à cara.

Bernardo Belerique recebeu o comando do grupo, assim como fez ao toiro que tinha pela frente. À primeira, com uma rija pega.

Francisco Matos realizou um pegão à segunda, aguentando derrotes violentos.

João Bettencourt, de forma eficiente e limpa, fechou-se à primeira.

Carlos Vieira deu vantagens e fechou-se, à primeira, numa grande pega.

Ricardo Costa dirigiu a corrida, de forma diligente, sendo assessorado por Vielmino Ventura.

Abrilhantou (e bem!) a Banda Filarmónica da Sociedade Recreio da Terra-Chã.

O júri, composto por um representante de cada uma das ganadarias em praça decidiu:

- Prémio de Apresentação: “Poeta”, n16, 515Kg de João Gaspar.

- Melhor Toiro: “Poeta”, n16, 515Kg de João Gaspar.


Bruno Bettencourt

domingo, 22 de junho de 2025

A classe de Brito Paes e a raça de João Vitorino - Crónica da primeira Corrida da Feira de S. João 2025


Junho em Angra do Heroísmo, ilha Terceira. Verão, Sanjoaninas, Feira de São João. Neste ano de 2025 a regra continua a cumprir-se. Que bonita e tão bem cuidada está a Praça de Toiros “Ilha Terceira”. Mais bonita ainda esteve no dia 21 de Junho. Praça cheia para assistir à Corrida à Portuguesa que abriu a Feira de 2025. Três toiros da Casa Agrícola José Albino Fernandes (JAF) e outros tantos de João Gaspar (JG). João Pamplona, Joaquim Brito Paes e Tristão Ribeiro Telles na disputa do prémio para a Melhor Lide a Cavalo. Grupos de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT), Ramo Grande (GFARG) e Merced (GFAM) (Califórnia) a ombrear para o prémio de Melhor Pega.

O primeiro exemplar JG (nº25, 532kg) era uma estampa. Era nobre de investida, mas pedia que lhe pisassem os terrenos. Foi-se parando, mostrando querenças nos tércios. João Pamplona cravou “à porta gaiola” e foi-lhe mexendo com o conforto, mostrando a sua forma de lidar. Correcto nas bregas e com as cravagens, rematou as sortes com o seu estilo alegre que, cedo, entusiasmou as bancadas. Uma boa lide que se iria repetir diante do quarto da ordem. O JAF (nº277, 484kg) investia sem prolongar a intensidade após as cravagens. Foi melhorando o comportamento com o decorrer da lide, proporcionando bom jogo. O Cavaleiro do Posto Santo mostrou saber e entrega. Correcto na escolha de terrenos, entendeu o oponente e recriou-se nas cravagens, destacando-se o quarto ferro curto que ecoou nos sectores da praça. Encerrou esta sua participação com um ferro de palmo.

A tarde foi de juventude e de estreias. Joaquim Brito Paes apresentou-se no redondel angrense com uma lide de muita classe e entrega. Pela frente teve um exemplar JAF (nº254, 490kg) daqueles que fazem aficionados: bonito, de encher o olho, e bravo. Bravo de uma ponta à outra. Investidas a galope com nobreza e durabilidade. Após os compridos, Brito Paes desenhou uma lide a dar vantagens ao toiro e a cravar com o desplante das batidas ao pitón contrário. Dobrou-se nos remates para gaudio dos espectadores. Em praça esteve o verdadeiro equilíbrio entre o espírito combativo deste toiro de nome “Corcito” e a serenidade da arte deste Cavaleiro de dinastia. Uma lide triunfal a coroar esta sua estreia.  O JG (nº37, 497kg) era nobre e voluntarioso empregando-se na lide. O Cavaleiro tirou partido das boas condições do oponente e cumpriu todos os predicados que constituem uma boa lide. Correcto nas cravagens e nas preparações das mesmas, voltou a mostrar o seu talento, ainda que sem superar a sua primeira prestação.

Tristão Ribeiro Telles, outra das estreias da tarde, esteve algo irregular diante dos seus oponentes. O seu primeiro (JAF, nº269, 449kg) saiu com gás e, apesar de se ter revelado codicioso durante a contenda, foi-se parando. Tristão mostrou pormenores de toureio e, acima de tudo, vontade em romper, no entanto, não conseguiu uma lide com ligação e ritmo. O segundo do seu lote, último da corrida, era outro toiro “de catálogo”: muito bem apresentado e bravo. Reservou-se, por momentos, fruto de uma queda na arena, mas logo retomou o ritmo da investida e a intensidade que imprimia nas viagens. Lide esforçada, mas com algum desacerto por parte do Cavaleiro.

Pelo GFATTT esteve na cara do toiro João Silva que após a pega se despediu do seu grupo. Consumou à primeira com raça e boa ajuda do grupo. Tomás Costa, após ser despejado com um violento derrote, enfrentou o toiro em mais 4 tentativas, tendo saído lesionado. Foi dobrado por Heitor Dias que, a sesgo, resolveu à 6ª tentativa.

O GFARG teve a infelicidade de ver condicionada a sua primeira prestação. O toiro (JAF, nº254, 490kg) derrotou na trincheira, ao ser colocado para a pega, e partiu uma haste. Pega de cernelha por Pedro Pereira e Délcio Gomes que, após uma tentativa, se revelou inviável devido às condições do toiro. Gonçalo Batista pegou à quarta tentativa após ter saído da cara do toiro, por violento derrote, na primeira tentativa.

Pelo GFAM António Melo resolveu à primeira com uma rija pega, sendo bem ajudado pelo grupo. João Vitorino fechou a tarde, já noite, com uma grande pega à primeira, levantando a praça.

No início da Corrida foi guardado um minuto de silêncio em memória de João Miranda, Cavaleiro de Alternativa e antigo Forcado recentemente falecido. No intervalo do evento, foi homenageado o Cavaleiro Rui Salvador que, há menos de um ano, se despediu das arenas.

A Corrida foi dirigida por Leando Pires, coadjuvado por José Paulo Lima. A abrilhantar esteve a Banda Filarmónica Lira Açoriana de Livingstone (Califórnia).

No final, o júri, que foi constituído por um representante de cada um dos Cavaleiros e de cada um dos Grupos de Forcados, decidiu:

- Prémio para melhor lide: Joaquim Brito Paes pela lide ao segundo toiro da Corrida;

- Prémio para melhor pega: João Vitorino, Grupo de forcados Amadores de Merced.


Bruno Bettencourt

Foto: Fernando Pavão

quinta-feira, 12 de junho de 2025

Curro para a Corrida Concurso de Ganadarias da Feira de S. João 2025

Já são conhecidas as imagens dos 6 exemplares que estarão em praça no próximo dia 22, na Corrida Concurso de Ganadarias da Feira de S. João 2025. Este formato de corrida regressas assim à principal Feira açoriana. Estarão em concurso as Ganadarias de Rego Botelho, Casa Agrícola José Albino Fernandes e João Gaspar.

Esta Corrida terá ainda a aliciante de todos os toiros serem lidados por João Moura Jr que realizará assim a primeira "encerrona" em terras atlânticas. Nessa mesma tarde, haverá mudança de comando no Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense. O Cabo João Pedro Ávila passará o testemunho a Bernardo Belerique.








quarta-feira, 11 de junho de 2025

Quadra de João Moura Jr já está na ilha Terceira

Já se encontra na ilha Terceira a quadra de cavalos do Cavaleiro João Moura, que o irá acompanhar na "encerrona" da "Corrida Concurso de Ganadarias" da feira de São João, que se realizará no próximo dia 22 de Junho:
















segunda-feira, 7 de abril de 2025

Feira de São João 2025

 



domingo, 23 de junho de 2024

Bom toureio, para todos os gostos – Crónica da primeira corrida da Feira de São João 2024


Praça cheia e ambiente de festa nas cercanias da Monumental Praça de Toiros “Ilha Terceira”, faziam antever a corrida de grande nível que inaugurou a Feira de S. João de 2024. O nome do Santo padroeiro das festas, foi mote em termos de Cavaleiros e Ganadero.

João Moura Jr. abriu praça com uma lide agradável. Esperou o oponente e, após dois compridos muito correctos, desenvolveu o labor a tirar partido das condições do toiro. Bem nas bregas e na escolha de terrenos, foi aquecendo a assistência com o desenho das sortes. O exemplar de João Gaspar (JG, nº7, 510Kg), vinha bem apresentado e em tipo da ganadaria, tal como os restantes exemplares. Cumpriu com o galope típico do encaste, tendo vindo a perder ímpeto com o decorrer da lide. Frente ao bonito “Canário” (JG, nº6, 478Kg), Moura agarrou o triunfo e não o largou. O toiro tinha bons modos, saindo de pronto, apesar de carregar pouco na reunião. Uma lide superior onde o Cavaleiro mostrou a sua arte e o porquê de ser figura. Sortes com os tempos bem marcados, cravagens de fazer parar relógios e bregas cingidas. Destaque para o terceiro ferro curto, uma verdadeira lição! Terminou com uma mourinha que fez enorme eco na assistência.

João Ribeiro Telles foi à porta dos curros esperar o JG (nº13, 475Kg). Um oponente que pedia entendimento e que usassem os botões certos. Cumpriu, apesar das investidas menos claras nas reuniões. O Cavaleiro entendeu-o e andou sempre ligado, procurando trazer à tona o melhor som do toiro. Rubricou bons momentos de toureio numa lide regular. Diante do segundo do seu lote, corrigiu a mão e foi lidando na medida certa. Uma lide em crescendo, marcada por bregas muito correctas e que terminou com dois ferros de emoção, tapando algumas debilidades no comportamento do toiro. O hastado (JG, nº15, 462Kg) tinha modos, mas saía das sortes e não rematava. Apesar de ir ao cite, cedo desligava.

João Pamplona viu o primeiro do seu lote ser recolhido por se ter lesionado num dos membros anteriores. O compasso de espera, normal, entre a recolha e saída do sobrero (JG, nº98, 544Kg), fizeram notar um pequeno arrefecimento nas hostes. O toiro, o maior de todos, foi bom, tinha transmissão e deu-se por inteiro ao Cavaleiro. O da Quinta do Malhinha voltou a elevar a temperatura no redondel, com o desenrolar da lide. Ferro após ferro foi-se mostrando, terminando a lide com boa nota e com destaque para toda a envolvência do seu terceiro ferro curto. A finalizar a corrida, havia de receber o melhor exemplar (JG, nº 14, 450Kg). O toiro tinha codícia, indo de pronto e carregando as sortes. Para um bom bravo, uma lide de bom plano e ao gosto da assistência. Sortes bem desenhadas e a colher tudo o que dava o oponente. Encerrou com um ferro de palmo que levantou os sectores.

Na cara dos João Gaspar, estiveram os Forcados Amadores do Ramo Grande e os Amadores de Merced (Califórnia). Num ano em que o grupo do Ramo Grande terá mudança de Cabo, foi precisamente o actual líder Manuel Pires que colocou o barrete para se despedir desta feira onde alcançou muitos triunfos. Pegou à primeira, corrigindo-se no momento do abraço e fechando-se com a eficácia que lhe é reconhecida. Rui Dinis, que será o próximo homem a liderar o “grupo da Praia” efectuou uma grande pega à primeira, aguentando uma viagem em que foi trazido pelo alto. Gonçalo Batista efectuou a pega da tarde, à primeira. Fechou-se com valentia e aguentou a fugida do toiro ao grupo. A destacar o desempenho do primeiro ajuda Pedro Pereira, que foi fulcral para o desempenho do grupo.

Pelo grupo da Califórnia, António Melo fechou-se à primeira de forma valente, trazendo o toiro bem toureado e sendo bem ajudado pelo grupo. João Vitorino, também ao primeiro intento, foi muito eficaz e fechou-se com brio. A fechar, Aaron Sauer pegou à segunda com o grupo a mostrar bem os seus pergaminhos.

Dirigiu a corrida, de forma correcta, o novel director Ricardo Costa, sendo coadjuvado pelo médico veterinário Vielmino Ventura. Abrilhantou com nota(s) elevada, a Banda Filarmónica Portuguesa de Tulare.

Bruno Bettencourt

Foto: António Valinho

segunda-feira, 18 de março de 2024

Apresentação da Feira de São João 2024


O grande auditório do Centro Cultural de Congressos de Angra do Heroísmo, local da antiga Praça de Toiros de S. João, encheu-se para a apresentação daquela que continua a ser o principal acontecimento taurino dos Açores e um dos mais importantes de Portugal.

Com a presença de muitos dos intervenientes da Feira a realizar este ano, com quem os aficionados presentes puderam interagir, foram apresentadas as três corridas que constam do cartaz, assim teremos:

22 de Junho – 18h30 – Grandiosa Corrida de Toiros – Cavaleiros: João Moura Jr., João Ribeiro Telles e João Pamplona. Forcados: Grupo de Forcados Amadores da do Ramo Grande e Amadores de Merced. Ganadaria: João Gaspar.

24 de Junho – 18h30 – Grandioso Mano-a-Mano – Cavaleiros: Tiago Pamplona e João Moura Jr. Forcados: Grupo de Forcados Amadores de Alcochete e Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense. Ganadaria: Rego Botelho.

25 de Junho – 19h30 – Grandiosa Corrida Mista – Cavaleiro: João Ribeiro Telles. Forcados: Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense. Matadores: Javier Jiménez e Borja Jiménez. Ganadaria: Casa Agrícola José Albino Fernandes.

Fazem ainda parte deste certame as Touradas à Corda e Esperas de Gado que serão distribuídas da seguinte forma:

24 de Junho – 13h00 - Espera de Gado no Alto das Covas – Eliseu Gomes

26 de Junho – 18h00 - Tourada à Corda no Largo da Igreja na Serreta – Rego Botelho, Casa Agrícola José Albino Fernandes, Herdeiros de Ezequiel Rodrigues e Humberto Filipe

27 de Junho – 12h00 - Espera de Gado Infantil na Rua de São João – Eliseu Gomes

28 de Junho – 18h00 - Tourada à Corda no Largo da Igreja na Feteira – Francisco Sousa, João Gaspar, Francisco Pereira e José Mendes

29 de Junho – 18h00 - Tourada à Corda no Lameirinho – Manuel João Rocha e António Lúcio Ferreira

 

domingo, 2 de julho de 2023

Toiros de sobra e ouro nas mãos de Belerique – Crónica da terceira Corrida da Feira de S. João 2023


Dúvidas houvesse, a afluência de público aos eventos de Feira de S. João 2023 (espectáculos de “tauromaquia popular” incluídos) são a prova da vitalidade da Festa Brava nesta ilha que é o Coração da Tauromaquia Atlântica. A anunciada “Grandiosa Corrida Mista”, modelo do agrado da afición local, não foi excepção: 3/4 de praça para assistir aos desempenhos de António Ribeiro Telles, Luís David Adame, Joaquim Ribeiro “Cuqui” e do Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense. A completar, os elementos centrais de toda esta equação que vieram da Caldeira Guilherme Moniz, ostentando ferro e divisa da ganadaria terceirense de Rego Botelho.

Comecemos pelo curro: seis exemplares de grande apresentação e seriedade. Manejáveis, revelando bom comportamento, destacando-se com menos brilho, o quinto da ordem. E se apenas um toiro é destacado por um menor desempenho, há que dizer que, no caso dos restantes, por vezes sobrou toiro…. Tanto que se pode e podia ter feito com as sobras…

Em melhor plano do que na primeira Corrida da Feira, António Telles abriu praça com uma lide que a espaços foi chegando à assistência. Diligente na escolha de terrenos, foi corrigindo a mão, alcançando cravagens de boa nota e com verdade. Frente ao quarto da ordem, ao qual cravou à porta-gaiola, esteve num patamar superior. Tirou partido do toiro e foi cravando em terrenos de compromisso com destaque para o 2º ferro curto, ao estribo e à boa maneira portuguesa. Quando a lide caminhava para o final, pediu autorização e chamou à praça o outro António, o filho que era seu “sobressaliente” na corrida. Uma surpresa para a assistência e um momento bonito, apanágio dessa universidade que é a Herdade da Torrinha. Pena as cravagens não terem resultado em pleno e no ritmo expectável. Terão pecado pelo prolongamento da função, apesar de se perceber o entusiasmo. No final, um “Centurion” (nº2, 495Kg) que muito jeito teria dado às tropas de César: aguentou a cravagem de 11(!) arpões e nunca virou a cara, investindo sempre de forma franca.

Pegas do GFATTT frente a toiros sérios. Francisco Matos resolveu à quarta tentativa, a sesgo e com ajudas carregadas, após tentativas em que aguentou duros derrotes por baixo de um sério “cinqueño” que foi aprendendo e descompondo o grupo. Bernardo Belerique havia de trazer a chave dourada para trancar em beleza esta Feira dos 50 anos do “grupo da tertúlia”. Uma pega daquelas que não se esquecem: saída pronta do toiro, o forcado a aguentar-se e a fechar-se no momento certo. Uma vez mais, Fernando Ferreira “Mangueira” a mostrar o porquê de ser um primeiro ajuda de referência na forcadagem deste país: no momento certo, e irrepreensível, a possibilitar o consumar de uma pega de querer. Após ser levado até às tábuas, o forcado da cara aguentou a fuga do toiro que pareceu interminável, até o grupo se fechar de forma triunfal. Duas voltas para Belerique, sendo acompanhado na segunda, a pedido da assistência, pelo “bom gigante” Fernando Ferreira.

Luis David Adame pisou a arena angrense 15 anos depois do seu irmão Joselito. O Matador mexicano mostrou recursos com o Capote, quer na lide dos seus toiros, quer indo ao quite nos toiros do companheiro de cartel. Verónicas, Chicuelinas, Largas de Joelhos, Tafarellas, Calecerinas e Zapopinas foram desenhadas pelo capote de forro azul-celeste. Bastante desluzido com as bandarilhas, empenhou a muleta e começou, por Derechazos, a traçar uma lide que teve momentos de interesse e temple artístico, ficando as vistosas Manoletinas com que encerrou. Ficou por explorar com mais afinco o lado esquerdo do oponente. Frente ao segundo do seu lote, destaca-se o desempenho de João Pedo Silva, com dois grandes pares de bandarilhas e de Diogo Coelho com igual prestação empunhando a parelha de ferros. O Matador baseou a (quase) lide na mão direita. A registar a entrega do matador que, apesar de tudo, não conseguiu séries com grande ligação, mercê de um exemplar que saía desligado. O toiro foi escolhendo os terrenos e o Matador acabou a citar à porta dos curros, terminando com pouca história.

Joaquim Ribeiro “Cuqui” procurou meter-se na disputa pelo triunfo, nesta sua apresentação de “luces” em Angra do Heroísmo. Com o Capote, entre outros lances já referidos acima, destaca-se a quietude e o poder das suas Verónicas. Compartilhou o tércio de bandarilhas com Fernando Fetal que esteve na ilha Terceira para prestar prova de Alternativa de Bandarilheiro. Fetal esteve superior no primeiro e terceiro par cravado. Cuqui deixou boa nota, explanando a plasticidade do seu toureio. Lidou por ambos os lados, destacando-se uma bonita e cingida série de Naturais. A cada passe foi ficando cada vez mais profundo e templado, diante de um toiro que se entregou de pronto e com recorrido, a pedir mais. Diante do último exemplar da corrida, esteve desinspirado com as bandarilhas, recorrendo a um último par "de violino" para procurar compensar os lapsos anteriores. Na saída do tércio, não se livrou de um momento de apuro, tendo sido levado por terra diante das hastes do oponente. Terá sofrido um “puntazo” no glúteo direito. Não acusou o toque. Mostrou recursos toureiros, indo de encontro ao que de melhor tinha este “Czar” (nº98, 533Kg) de Rego Botelho. Lide variada com as duas mãos a fazer soar tímidos “Olés” na assistência. No final, recolheu à enfermaria pelo próprio pé.

Corrida dirigida por Mário Martins, sendo assessorado pelo médico veterinário Vielmino Ventura. A abrilhantar, brilhantemente, a Banda da Feira de S. João sob a batuta do Maestro Durval Festa.

Uma nota para a organização desta Feira de S. João 2023, a Tertúlia Tauromáquica Terceirense em parceria com a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo. Uma feira bem montada e triunfal em termos de assistências registadas, mantendo-se como um certame de referência no panorama taurino nacional e renovando o constante pulsar deste Coração da Tauromaquia Atlântica.

Oportunamente serão anunciados os nomes dos vencedores dos troféus da Feira: Bravura, Apresentação, Melhor pega, Melhor lide a Cavalo, Melhor lide apeada e Triunfador da Feira.

Bruno Bettencourt
Foto:
Fernando Pavão


 

domingo, 25 de junho de 2023

50 anos de ramagens na ilha Terceira – Crónica da primeira Corrida da Feira de S. João 2023


Dia de S. João é sinónimo de Corrida grande em Angra do Heroísmo. Uma praça praticamente esgotada, como não se via há mais de 2 décadas, celebrou os 50 anos de história do Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense. Em praça, com os homens da jaqueta da Tertúlia, estiveram António Telles, Tiago Pamplona e Francisco Palha, diante de um curro de Veiga Teixeira muito bem rematado.

O “Gallito” (nº775, 574Kg) foi-se parando no centro da arena defendendo-se e cortando-se nas reuniões. António Telles empregou-lhe uma lide de paciência e, fazendo uso de toda a sua maestria, mexeu-lhe com os terrenos e foi consentindo as investidas na colocação dos ferros. A destacar o 4º ferro curto a aguentar a investida áspera do toiro. A lide possível, mercê das condições do oponente. O segundo do seu lote (nº767, 522Kg) pedia que lhe pisassem os terrenos, indo a menos ao longo da lide, investindo pela certa e com arreões. Apesar das complicações apresentadas pelo toiro, o Mestre da Torrinha possibilitou o vislumbre de alguns momentos interessantes de toureio equestre.

Tiago Pamplona esteve em plano de triunfo. Com um lote de toiros cumpridores, conquistou a assistência da Monumental “Ilha Terceira”. O primeiro (nº798, 530Kg) carregava pouco na reunião, no entanto não comprometeu a contenda. O Marialva do Posto Santo recriou-se nas bregas, andando cingido numa lide de entrega que resultou e deixou vontade de perceber o que viria na sua segunda aparição. As espectativas não saíram goradas. O toiro (nº788, 565Kg) foi crescendo ao longo da lide, indo ao cite com ímpeto e nobreza. O Cavaleio entendeu-o e ajudou-o a crescer em termos de comportamento. Tirou partido das condições do hastado que tinha pela frente e rubricou a lide da tarde, com grande correcção na preparação e cravagem dos ferros.

Francisco Palha teve pela frente aquele que terá sido o lote menos luzidio. Com o seu primeiro (nº803, 566Kg), procurou ligar-se e interessar o toiro, no entanto não conseguiu dar-lhe a volta por completo. Não se livrou de alguns toques na montada com o desenrolar da função. O toiro foi-se degradando em comportamento, até se fixar em terrenos de tércios, saindo só pela certa e desligando-se em seguida. Fechou praça diante de um exemplar (nº 777, 597Kg) que mostrou bons modos, inicialmente, vindo depois a ficar cada vez mais curto nas viagens.  Lide esforçada, mas pouco inspirada quanto à escolha de terrenos.    

Em ano dourado, o GFATTT saiu triunfador, com quatro pegas efectuadas à primeira e um desempenho muito coeso nas ajudas. Para inaugurar as celebrações, o Cabo João Pedro Ávila, fez as honras da casa. Após duas tentativas em que o grupo não ajudou da melhor forma e findas as quais saiu em maca, com um olho maltratado, decidiu dar o exemplo. Voltou de imediato à arena, consumando à terceira com ajudas carregadas. Carlos Vieira esteve muito bem na cara, arrancando uma grande pega com a preciosa ajuda do grupo. João Silva resolveu sem dificuldades e com ajudas um pouco carregadas. Tomás Ortins arrancou uma pega vistosa, estando o grupo em destaque nas ajudas. Francisco Matos esteve valente ao consumar uma grande pega. Bernardo Belerique fechou com uma boa pega à segunda, tendo para isso contribuído a excelente intervenção do primeiro ajuda Fernando Ferreira “Mangueira”. Nota para muitos forcados já retirados que integraram as formações para as pegas.

Dirigiu a corrida, com acerto, o Director Mário Martins, com assessoria do médico veterinário Vielmino Ventura. Abrilhantou (bem!) a Banda da Feira de S. João.

Bruno Bettencourt


domingo, 2 de abril de 2023

Apresentação da Feira de S. João 2023


Foi no Centro Cultural de Congressos de Angra do Heroísmo, local onde outrora foi a Praça de Toiros de São João, que decorreu a apresentação do maior certame taurino dos Açores e um dos mais importantes de Portugal, de forma notável e com grande categoria.

Perante uma sala cheia de aficionados, o Presidente da Tertúlia Tauromáquica Terceirense Lino Pires e o Vice-Presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo Guido Teles abriram uma sessão de apresentação inovadora dos carteis das Sanjoaninas, que contou com a presença total dos intervenientes da feira, que já haviam sido apresentados previamente nas redes sociais da organização, na maioria pessoalmente e os restantes através de mensagens vídeo na sua maioria por videochamada direta.
Em todos os momentos o evento prendeu a atenção da centena e meia de pessoas preencheram as cadeiras da sala. Os aficionados presentes deliciaram-se com a interatividade do modelo de uma apresentação que contou com uma participação muito ativa de artistas e ganadeiros, e além do mais, cheia de recursos de multimédia que permitiu trazer à sala vídeos dos imponentes toiros a serem lidados nas três corridas anunciadas para os dias 24, 25 de junho e 1 de julho.
Além da apresentação da feira taurina, foram ainda apresentados os festejos de tauromaquia popular, entre eles, duas espera de gado, sendo uma delas para crianças e três touradas à corda. Do mesmo modo foi apresentado o cartel da tradicional tourada das crianças, agendada para 27 de junho, que contará com a presença do cavaleiro amador Juan de José, o bezerrista João Prates e o Grupo Juvenil dos Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense.
No final da apresentação de grande categoria a organização convidou aficionados, artistas e ganadeiros para um convívio com beberete, onde todos, de uma forma amigável e descontraída puderam partilhar o gosto comum de falar de toiros.
Abaixo os carteis da Feira Taurina de São João 2023:
24 junho – 18h00 – Corrida dos 50 Anos do GFATTT – Cavaleiros: António Ribeiro Telles, Tiago Pamplona e Francisco Palha. Forcados: Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense. Ganadaria: Veiga Teixeira.
25 junho – 18h30 – Corrida do Emigrante – Cavaleiros: Francisco Palha, João Pamplona e António Telles (filho). Forcados: Grupo de Forcados Amadores de Turlock e Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande. Ganadaria: Casa Agrícola José Albino Fernandes e João Gaspar.
01 julho – 18h30 – Grandiosa Corrida Mista – Cavaleiro: António Ribeiro Telles. Forcados: Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense. Matadores: Luís David Adame e Joaquim Ribeiro Cuqui. Ganadaria: Rego Botelho.

Fonte: Tertúlia Tauromáquica Terceirense

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Já são conhecidos os nomes dos Cavaleiros para a Feira de S. João 2023


A Tertúlia Tauromáquica Terceirense acaba de anunciar os nomes dos Cavaleiros que estarão presentes na Feira de S. João 2023. Assim, segundo aquela que é a entidade organizadora da Feira, António Telles será cabeça de cartaz, trazendo classe e charme às Sanjoaninas 2023.

Reforçando a Feira Taurina como um marco de extrema importância e notoriedade no panorama nacional tauromáquico, declaram que "continua a imperar o cuidado e dedo cirúrgico no que toca às escolhas que compõem os cartéis de tão relevante certame taurino."
No que diz respeito à vertente do toureio a cavalo, estão alinhavados e firmados os nomes que em Junho de 2023 farão cortesias na Praça de Toiros da Ilha Terceira. De uma das dinastias mais carismáticas do país, com pergaminhos e uma história inolvidável, o “doutorado” António Ribeiro Telles regressa à arena insular e apresenta à aficción, terceirense o filho homónimo António Ribeiro Telles, Filho, que começa a traçar a sua carreira, sendo uma forte promessa da arte marialva.

Não menos relevante, e de uma casa também ela bastante acarinhada, alinham Tiago Pamplona e João Pamplona. Os irmãos da Quinta do Malhinha são peça fulcral e presença com tradição nas Sanjoaninas. Depois de mais uma temporada de grande nível, onde rodou pelas principais praças do país e com triunfos importantes, remata a feira e junta-se ao elenco o valoroso cavaleiro Francisco Palha.

A Feira Taurina das Sanjoaninas é uma organização da Tertúlia Tauromáquica Terceirense e da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo. Ficam assim lançados os dados para o que aí vem em Junho próximo.

Foto: António Valinho

sábado, 25 de junho de 2022

No dia do Santo, triunfou João… - Crónica da Corrida de encerramento da Feira de S. João 2022



Dia de S. João, dia maior das Sanjoaninas celebradas em sua honra, o dia seguinte à mais longa noite do calendário festivo açoriano, dia apetecível para a afición local. Cerca de 3/4 de casa para acolher os protagonistas: João Moura Jr., José Garrido, João Silva “Juanito”, Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT) e um curro de toiros e utreros de Rego Botelho (RB).

O borralho “Hoganilero” (nº85, RB, 536Kg) era uma estampa. Carregava as sortes, mas saía desligado, pedindo que lhe pisassem os terrenos. João Moura Jr. entendeu-o e desenhou uma lide alegre onde compensou as dificuldades impostas pelo toiro, arrimando-se com bregas e remates cingidos. Destaque para o terceiro ferro curto, a quiebro, com um remate justíssimo nas distâncias. Recebeu o segundo do seu lote (nº65, RB, 529Kg) com um ferro à porta gaiola. O toiro saiu dos curros com uma das protecções deslocada, confirmando-se a quebra do piton esquerdo. Veio então o “Foguetón” (nº83, RB, 523Kg). Voluntarioso a cada cite, entregou-se à contenda, degradando-se no final da lide. O cavaleiro da Herdade das Arengozinhas desenvolveu a função com ferros a dar vantagens ao toiro, encerrando com duas Mourinas que se fizeram ecoar nas bancadas. Se nas lides de pouca história não são necessárias grandes palavras na sua descrição, nas de boa nota também não: uma lide triunfal em que bordou toureio, deixando a assistência aos seus pés.

Na cara dos toiros, os homens da jaqueta do GFATTT tiveram desfechos opostos. Diante do primeiro da tarde, Luís Sousa “Tony” esteve enorme. Uma grande pega à primeira onde, após aguentar a investida baixa do toiro que dificultou as ajudas, suporta uma viagem dura e com derrotes até o grupo fechar. Bernardo Belerique consumou à quinta tentativa, a sesgo, depois de ter sido despejado com violência nos intentos anteriores. Nota de realce para o facto de, apesar dos menos atentos terem pensado que a pega havia sido concluída à quarta tentativa, o grupo voltou a formar, uma vez que o forcado tinha ficado fora da cara.

O “Fastidioso” (nº89, RB, 454Kg) saíu para o Capote de José Garrido. Apesar de ter algum recorrido, era áspero e curto pela esquerda, vindo a rachar no final. Delantales de Garrido a receber e sonoras Gaoneras de Juanito, ao quite. Destaque para o desempenho dos Bandarilheiros João “Açoriano” Silva e Gonçalo Toste. Mostraram-se artistas e mostraram toda a sua qualidade nas cravagens. O Matador andou esforçado, baseando a lide na mão direita, dando vantagens e procurando profundidade a cada série. Lidou o toiro nos seus terrenos, sendo-lhe reconhecido o empenho pela assistência. Com o “Sentado” (nº100, RB, 455Kg) esteve mais artista. A início, o utrero investia a galope, empregando-se, vindo gradualmente a perder o ímpeto até rachar. Assistiu-se a uma Larga de joelhos e Calecerinas por Garrido e a Lopecinas, ao quite, por Juanito. Novamente os Bandarilheios em destaque, vindo “Açoriano” e Toste agradecer de Montera em mão. O de Badajoz conseguiu mostrar algum do toureio que tem dentro. Destaque para a terceira série de Derechazos com a mão baixa e muito temple a embeber bem o toiro. Terminou com vistosas Manoletinas.

Juanito pisou a arena terceirense com ganas de triunfo. O “Entusiasmado” (nº3, RB, 432Kg) era nobre e colaborante, permitindo séries com boa ligação. Paróns e Chicuelinas deram lugar ao bom tércio de Bandarilhas por Jorge Silva e Gonçalo Toste. Com a flanela vermelha, Juanito mostrou-se toureiro. Explorou os dois lados do oponente com séries templadas e profundas, tornando as viagens mais longas a cada passagem. Recriou-se com desplantes e ligou-se às bancadas, sacando tudo o que de bom havia no produto da divisa azul e branca. Mostrou o porquê de ter tantas esperanças depositadas em si. Recebeu o “Raton” (nº1, RB, 446Kg) à Porta Gaiola com uma Larga cambiada. Bruto e a protestar, o animal vindo da Caldeira foi-se desligando da peleja. Juanito provou-o e assistiu-se a alguns (poucos) momentos de realce, diante das poucas condições. Mérito ao toureiro por procurar sacar alguma água de um poço quase seco.

Após o intervalo, assistiu-se a uma homenagem prestada pela organização da Feira a José Parreira, embolador das praças de toiros açorianas há 25 anos.

Na direcção esteve Mário Martins assessorado por Vielmino Ventura. A abrilhantar, de forma irrepreensível, a Banda da Feira de S. João.

Bruno Bettencourt
Foto: André Pimentel 

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