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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Espectáculo Misto de sabor agradável – 2ª da Feira de São João


Decorreu em ritmo agradável aquela que foi a segunda corrida da Feira de São João 2017. A Monumental “Ilha Terceira”, com as bancadas bem compostas, acolheu o espectáculo misto com Marcos Bastinhas, Álvaro Lorenzo e Ginés Marin. Dois toiros da Casa Agrícola José Albino Fernandes (JAF) para a lide equestre e quatro de Falé Filipe (FF) para o toureio a pé.

Marcos Bastinhas recebeu o primeiro da tarde (JAF, nº431, 522Kg), uma estampa que revelou muito boas condições de lide, empregando-se e indo a galope com bravura. O Cavaleiro de Elvas superou as suas prestações do dia anterior. Lide séria e emotiva, com um toureio mais pausado, sem recorrer a adornos desnecessários. Lidou praticamente sempre com a mesma montada durante toda a lide, rubricando cravagens poderosas nos curtos, dando sempre vantagens ao oponente. O seu segundo toiro (JAF, nº426, 474Kg) também cumpriu e mostrou-se lutador. A lide aqui resultou em menor plano, com cravagens bastante irregulares resultantes de quarteios mal medidos após batidas ao pitón contrário. Fechou com um violino que chegou bem às bancadas.

Álvaro Lorenzo provou o oponente (FF, nº46, 472Kg) com o Capote, para depois dar lugar ao tércio de Bandarilhas onde se destacou João Pedro Silva. Com a Muleta foi encaminhando o oponente que, apesar de muito brusco pela esquerda, se foi entregando à lide com alguma nobreza. Uma lide de entrega onde se mostrou trabalhador, baseando a contenda na mão direita, mostrando profundidade e bons pormenores artísticos. Posteriormente haveria de lidar aquele que foi o melhor exemplar da tarde (FF, nº29, 494Kg). Este, entregou-se com recorrido durante toda a lide e sem nunca parar de investir. Houvesse mais tempo de lide no regulamento e mais investida haveria. O Matador tirou partido destas condições e foi passeando a flanela vermelha por ambos os lados. A cada passe, o temple e a profundidade iam aumentando, assistindo-se a belos momentos de arte e ofício. Terminou, adornando-se por Luquecinas e fazendo vibrar a assistência. Lorenzo mostrou muito boas maneiras nesta sua passagem pela ilha Terceira.

Com Ginés Marin vinha a expectativa alimentada pelo grande momento que atravessa na sua carreira. O seu primeiro oponente (FF, nº16, 476Kg) empregava-se, mas a falta de força condicionou-lhe a forma de investir e consequentemente o desenrolar da lide. O ofício iniciou-se com uma vistosa série de Verónicas. No tércio de bandarilhas, destacou-se Gonçalo Toste. Com a Muleta foi corrigindo a altura da mão, de forma a auxiliar o exemplar de Falé Filipe e assim evitar que este caísse por terra. A faena desenrolou-se por ambos os lados e ao longo da zona de sombra, terminando à porta dos curros. Marin mostrou-se um toureiro de recursos, capaz de contornar as dificuldades que lhe são colocadas e ao mesmo tempo conseguir sacar o que de bom o toiro tinha. Falta de força também tinha o exemplar com que fechou a corrida (FF, nº2, 487Kg). Apesar disso, entregou-se com nobreza, superando as condicionantes físicas. Com a mão esquerda, o Matador foi expondo quietude em cada uma das viagens. Citou por ambos os lados e arrimou-se, mas sem nunca conseguir romper para uma lide plena de triunfo.

As duas pegas da tarde ficaram a cargo do Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT). Francisco Matos pegou à segunda com uma primeira ajuda de grande nível por parte de Fernando “Mangueira”. A segunda da tarde ficou a cargo de Helénio Melo que se fechou com valentia ao segundo intento, fazendo assim a sua despedida, ao fim de 25 anos de forcado!!
Uma nota para este que é um dos forcados históricos do GFATT, um dos mais rijos da geração que nos últimos anos tem entregue a jaqueta. Com todo o mérito, o seu percurso ficará registado na galeria dos maiores forcados desta ilha!

Mário Martins dirigiu a corrida, sendo assessorado por José Paulo Lima. Abrilhantou a Banda da Sociedade Filarmónica da Serreta.

Bruno Bettencourt
Foto: André Pimentel

Rego Botelho, Pamplona e Vila Franca – a 1ª da Feira de S. João

Começou a Feira de S. João 2017! Começou com o emblemático Concurso de Ganadarias no dia do santo que lhe dá o nome. Uma praça cheia assistiu a uma tarde de toiros que decorreu num ritmo muito agradável. Em disputa os prémios para Melhor Toiro, Melhor Apresentação, Melhor Lide e para Melhor Grupo de Forcados, prémio que vem substituir (e bem!) o até agora Prémio para Melhor Pega.

O primeiro da tarde ostentava o ferro de Murteira Grave (nº50, 492Kg). Este “cinqueño” era muito harmonioso, mas ficou-se por aí a qualidade demonstrada. A início parecia ter problemas de visão, mas os problemas eram bem maiores do que isso. Virou a cara à luta e por três vezes o toiro se deitou na arena. Este comportamento invulgar deixa a desconfiança da existência de alguma debilidade física. Manuel Telles Bastos nada pode fazer. Iniciou com três curtos e ainda cravou um curto após tentar sacar água daquele poço vazio.

O exemplar de Rego Botelho (nº66 532Kg) haveria de apagar a imagem do toiro anterior. Saiu alegre e com som a mostrar muita codícia. Não se ressentiu dos castigos e arrancava-se de largo aos cites, empregando-se até ao final da lide. Aliado a tudo isto, o trapio e a bonita presença física deste exemplar. Marcos Bastinhas esperou-o na porta dos curros e mostrou querer agarrar o triunfo, e a assistência, logo de início. Uma lide em crescendo que transpirou a “marca Bastinhas” por todos os poros. O Cavaleiro de Elvas deu sempre vantagens ao oponente, no entanto algumas das sortes pecam pelas passagens em falso e pelas cravagens aliviadas. Encerrou com um bom par de bandarilhas.

Da Casa Agrícola José Albino Fernandes (nº416, 493Kg) saiu um exemplar harmonioso e bastante em tipo da ganadaria. O toiro investiu sempre sem complicar. No final da lide foi ficando curto de investida, tapando-se, no entanto sem nunca complicar. João Pamplona recebeu-o com um bom ferro à “Porta Gaiola”, mostrando que também ele ali estava por mérito próprio. Lide onde a ligação com o público foi crescendo e, ferro após ferro, o perfume do triunfo foi-se fazendo sentir. Esteve lidador, a mexer com o toiro e não se limitando a cravar.

O exemplar jorgense de Álvaro Amarante (nº155, 403Kg) marcou a estreia da ganadaria da ilha do dragão nesta Feira. Era bonito e muito “bem desenhado” apesar de ter menos volume. Trazia ímpeto e, apesar de ter perdido algum fogo com o desenrolar da lide, cumpriu e mostrou bons modos, mas foi-se defendendo por alto no decorrer da lide. Aqui, Manuel Telles Bastos já conseguiu mostrar algum do toureio que traz dentro de si. Andou ligado ao hastado e, apesar de algum desacerto na cravagem, acabou por realizar uma boa lide onde se destacam os 3º e 4º ferros curtos, cravados como mandam os cânones da cavalaria portuguesa.

O exemplar de João Gaspar (nº30, 526Kg) encheu os olhos à assistência. Bonito e volumoso. Revelou bom andamento e entrega durante o desenrolar da lide. No final da lide foi-se parando e mostrando o andamento típico do encaste murube, ao qual pertence. Marcos Bastinhas montou um vistoso Palomino e procurou dar espectáculo com adornos à boa maneira espanhola. Tentou agarrar o público através das piruetas e dos câmbios em cima dos terrenos do toiro. Faltou o fundamental: cravou e não lidou!

Era de Francisco Sousa (nº16, 419Kg) o último da tarde. Saiu alegre e com pata, mostrando codícia na investida. A meio da lide deu alguns sinais de perda de ímpeto, encurtecendo a investida, no entanto, despertou novamente e voltou a entrar na luta com a bravura inicial. João Pamplona tirou partido das condições do toiro da divisa verde e lilás. Indo em crescendo, foi galvanizando as bancadas. Esteve bem na escolha de terrenos, lidando a gosto. O seu 4º ferro foi o melhor da tarde! Muito bem esteve o mais novo cavaleiro da Quinta do Malhinha!

Como já foi referido, este ano esteve em disputa o prémio para “Melhor Grupo”, destacando assim todo o desempenho dos forcados ao logo da corrida. Pelos Amadores de Vila Franca estiveram na cara: Márcio Francisco, que aguentou a viagem ensarilhada do toiro e se fechou à primeira, Francisco Farinha, que à segunda aguentou um derrote muito alto e se fechou com querer, e Rui Godinho, numa boa pega à primeira, sem dificuldade. Pelos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, pegaram: Luís Cunha, à terceira, após duas tentativas em que sentiu dificuldade em medir a investida do toiro, João Silva (a dobrar Carlos Vieira que saiu lesionado) com querer a fechar-se com valentia e com preciosa ajuda do grupo e, por fim, Luís Sousa numa grande pega à segunda tentativa.

Uma nota final apenas para referir um aspecto que foi por demais evidente nesta corrida: se até há algum tempo era pontual o uso de ferramentas auxiliares, hoje parece ter-se generalizado o uso de gamarras e serretas. Nesta corrida concurso, não chega a uma mão cheia o nº de montadas que não tinha pelo menos uma gamarra. As qualidades de equitador dos intervenientes são conhecidas de todos, mas usar e abusar de “travões auxiliares” tira-lhes todo o brio.

A corrida foi dirigida por Rogério Silva, assessorado por Vielmino Ventura. Abrilhantou a Banda da Sociedade Filarmónica Espírito Santo da Agualva.

Foram distribuídos assim os prémios:

- Melhor toiro: “Bandeirote”, nº 66, 532kg, Rego Botelho
- Melhor apresentação: “Bandeirote”, nº 66, 532kg, Rego Botelho
- Melhor lide: João Pamplona
- Melhor grupo de forcados: Amadores de Vila Franca de Xira

Bruno Bettencourt
Foto: António Valinho

sábado, 24 de junho de 2017

Feira de São João 2017 - Começa hoje!!


terça-feira, 9 de maio de 2017

Amadores da Tertúlia em destaque em Elvas

O Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense esteve em plano de destaque, no passado dia 6 de Maio, na corrida realizada no Coliseu Comendador Romão de Almeida, em Elvas. Foram realizadas duas pegas à primeira por intermédio de Francisco Matos e Luis Baldaya Cunha. Em toda a imprensa da especialidade é evidenciada a actuação do grupo terceirense, referindo-se a coesão do grupo e a eficiência das ajudas assim como o desempenho dos forcados da cara.


O cartel contava com os Cavaleiros João Moura Caetano, Marcos Bastinhas e Miguel Moura. Os toiros eram da Ganadaria de Pinto Barreiros. Pegaram ainda os Grupos de Forcados Amadores Académicos de Elvas e de Coimbra.

Bruno Bettencourt
Fotos: Maria Mil-Homens

sexta-feira, 28 de abril de 2017

"Vamos falar de toiros" em S. Brás


terça-feira, 11 de abril de 2017

Feira de São João 2017 - cartaz


Apresentação da Feira de São João 2017

 A apresentação do cartaz da Feira de S. João 2017 ocorreu na manhã de 11 de Abril no Salão Nobre da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo.
Coube a Arlindo Teles, Presidente da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, entidade organizadora do certame, a apresentação do mesmo. A Feira, orçada em perto de 280.000 euros, conta com a realização de 4 espectáculos em praça, retomando assim o “modelo tradicional” da feira, ao contrário dos anos anteriores. Segundo a organização, a realização de mais uma corrida espelha o facto das ganadarias locais estarem melhor preparadas ao nível do número de efectivos e por outro lado constitui uma maior oportunidade para os artistas locais.
Assim sendo, e em termos de corridas, será mantida a Corrida Concurso de Ganadarias (dia 24 de Junho), um Espectáculo Misto (dia 25 de Junho), uma Corrida de Gala à Antiga Portuguesa (dia 30 de Junho) e a finalizar, um espectáculo apeado intitulado “Grandioso Espectáculo” (dia 02 de Julho) que tem sido a “grande bandeira de promoção internacional desta Feira”.

No cartaz destacam-se os nomes de Ginés Marín e José Garrido no toureio a pé, Manuel Telles Bastos, Marcos Bastinhas e Tiago Pamplona, no que ao toureio equestre diz respeito. O Cavaleiro Miguel Moura fará a sua estreia nesta feira. Serão lidados ao longo da Feira toiros das ganadarias de Murteira Grave, Rego Botelho, Casa Agrícola José Albino Fernandes, Álvaro Amarante (que se estreia nesta feira), João Gaspar e Francisco Sousa (triunfadora da edição de 2016). Em praça estarão ainda os Grupos de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, Tertúlia Tauromáquica Terceirense e Ramo Grande.

Em relação à restante composição da Feira de São João, realizar-se-á o habitual “Espectáculo da Juventude” na Praça de Toiros “Ilha Terceira”, no dia 28 de Junho. Serão lidados novilhos de Rego Botelho e actuará ainda o Grupo Juvenil do GFATTT a par de uma jovem promessa do toureio equestre e do toureio apeado. Haverão ainda actividades na arena para os mais novos.
Os espectáculos de tauromaquia popular contam com as tradicionais Esperas de Gado (dia 24 e dia 26 para crianças), Touradas à Corda nas Doze Ribeiras, nos Altares e a tradicional Tourada no Porto das Pipas. Estes eventos contarão com exemplares de diversas divisas terceirenses.

Ainda, segundo a organização, o reflexo das apostas efectuadas nesta feira, em anos anteriores, vai-se sentindo cada vez mais ao nível do turismo taurino. Este ano são vários os grupos que se deslocarão à ilha propositadamente para assistir aos eventos da feira. Em termos de retorno económico, calcula-se que sejam gerados 115.500 euros para a economia local.

FEIRA DE SÃO JOÃO 2017

CONCURSO DE GANADARIAS
Dia 24 de Junho, 18h00

-TOIROS-
Murteira Grave
Rego Botelho
Casa Agrícola José Albino Fernandes
Álvaro Amarante
João Gaspar
Francisco Sousa

-CAVALEIROS-
Manuel Telles Bastos
Marcos Bastinhas
João Pamplona

-FORCADOS-
Amadores de Vila Franca de Xira
Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense

-BANDA-
Sociedade Filarmónica Espírito Santo da Agualva


ESPECTÁCULO MISTO
Dia 25 de Junho, 18h00

-TOIROS-
Casa Agrícola José Albino Fernandes

-CAVALEIRO-
Marcos Bastinhas

-MATADORES-
Álvaro Lorenzo
Ginés Marín

-FORCADOS-
Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense

-BANDA-
Sociedade Filarmónica Recreio Serretense


CORRIDA DE GALA À ANTIGA PORTUGUESA
Dia 30 de Junho, 22h00

-TOIROS-
João Gaspar
Francisco Sousa

-CAVALEIROS-
Tiago Pamplona
Manuel Telles Bastos
Miguel Moura

-FORCADOS-
Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense
Amadores do Ramo Grande

-BANDA-
Filarmónica Artesia Divino Espírito Santo


GRANDIOSO ESPECTÁCULO
Dia 02 de Julho, 18h00
-TOIROS-
Rego Botelho

-MATADORES-
Román José Garrido
Joaquín Galdós

-BANDA-
Sociedade Filarmónica Rainha Santa Isabel das Doze Ribeiras

Bruno Bettencourt

domingo, 2 de abril de 2017

Feira Taurina das Festas da Praia 2017

Os cavaleiros nacionais Luís Rouxinol, João Moura Jr e Luís Rouxinol Jr e os cavaleiros terceirenses João Pamplona e Tiago Pamplona marcam presença na Feira das Festas da Praia que, este ano, conta com duas corridas, estando a primeira marcada para o dia 04 de agosto, às 18h30. No dia 07 de agosto, à mesma hora, decorrerá ainda a corrida que assinala o 10º aniversário do Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande. O cartaz da Feira, que terá lugar na Praça de Toiros da Ilha Terceira, foi apresentado, em conferência de imprensa, na passada terça-feira, 28, no foyer do Auditório do Ramo Grande.

“Este ano, optámos por realizar duas corridas no âmbito da comemoração do 10º aniversário do Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande, neste sentido reforçarmos a nossa aposta na tauromaquia, uma vertente essencial ao sucesso das Festas da Praia. Considerando que vivemos numa terra de aficionados, é importante valorizarmos as nossas tradições”, destacou o vereador da Cultura do Município da Praia da Vitória, Tibério Dinis.
“É com muito orgulho que celebramos os 10 anos de existência do Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande, que tem efetuado um excelente trabalho na componente tauromáquica, participando em feiras por todo o país e representando a Praia da Vitória”, enfatizou.
“Uma das nossas maiores preocupações é a sustentabilidade das corridas. Neste sentido, importa referir que o modelo de sustentabilidade que temos utilizado, ao longo dos anos, tem funcionado, visto que há uma grande adesão por parte da comunidade, temos garantido grandes praças, com muito público e espetáculos de enorme qualidade. As corridas estão orçadas em 50 e 70 mil euros, respetivamente, sendo a receita igual à despesa, garantido a sua sustentabilidade”, explicou.
“Para terminar, gostaria de salientar que estamos a aguardar a resposta da Assembleia Legislativa Regional para alteração do regulamento das touradas. A tourada do areal também não cumpriria com os requisitos, mas avançámos com um processo para a tornar tourada tradicional e esta será realizada, como habitualmente, tendo em conta que é considerada uma tourada tradicional, aliás, com décadas de existência. Esperemos então que a entidade competente proceda em prol da festa brava e altere o regulamento para que possamos promover ainda mais a festa brava”, concluiu.

Filipe Pires, cabo do Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande apresentou os programas das corridas, realçando os cavaleiros de renome que as integram.
“Na primeira corrida, temos o João Moura Jr, um cavaleiro que celebra 10 anos de alternativa, destacando-se nas praças de Espanha; o João Pamplona, um jovem de cá, que tem demonstrado um grande empenho nas corridas em que participa, tendo sido o grande vencedor da última edição das Festas da Praia; e o Luís Rouxinol Jr, filho de outro grande cavaleiro (Luís Rouxinol), que vem pela primeira vez à ilha Terceira e tem participado em corridas realizadas em França, Portugal e nos Estados Unidos. Nesta corrida, as pegas serão feitas pelo nosso grupo e pelo Grupo de Forcados Amadores de São Manços, um grupo com 52 anos de história, que já percorreu as grandes praças de Portugal, fazendo digressões em países como Espanha, França e México. Haverá ainda um concurso de ganadarias, no qual participarão dois toiros da Casa Agrícola José Albino Fernandes e dois toiros da Ganadaria Silva Herculano. A noite será abrilhantada pela Filarmónica de Santo António, de Cambridge”, referenciou.
“No que diz respeito à corrida do dia 07, contamos com a presença de um dos mais conceituados cavaleiros de Portugal, Luís Rouxinol, que comemora os seus 30 anos de alternativa. Participam também na corrida o Tiago Pamplona, outro jovem da terra, que tem percorrido as grandes feiras dos Açores e algumas do continente, e o João Moura Jr. A pega em solitário será realizada pelo nosso grupo, o que constitui um desafio para nós. Mais tarde, atuará a Filarmónica Espírito Santo da Agualva. Relativamente aos toiros em praça, estes provêm da Ganadaria Herdeiros Dr. António Silva. ”, acrescentou.
Para Francisco Godinho, presidente da Tertúlia Tauromáquica Praiense, “é um grande orgulho para nós voltar a organizar as touradas à corda que decorrerão durante as Festas. Deste modo, gostaria de dirigir um agradecimento à Câmara Municipal da Praia da Vitória pela confiança depositada na nossa associação”.

No âmbito dos eventos tauromáquicos previstos para a 28ª edição das Festas da Praia, terá lugar no Juncal, no dia 07 de agosto, uma vacada, pelas 18h00, que estará a cargo da Ganadaria Humberto Filipe. No dia 08, haverá tourada, à mesma hora, com toiros da mesma ganadaria, estando agendada, para o dia 09, uma excursão ao mato, pelas 10h00, seguindo-se, pelas 18h00, uma tourada da Casa Agrícola José Albino Fernandes.
A 10, decorrerá uma tourada nas Quatro Ribeiras, às 18h00. A tourada à moda antiga terá lugar na Rua Padre Rocha de Sousa (caminho do cemitério), no dia 11, pelas 18h00.
Para o dia 13, está agendada a tradicional tourada no areal da Praia da Vitória, às 18h00, com toiros da Ganadaria Ezequiel Rodrigues.

No que concerne aos bilhetes para as corridas, estes podem ser adquiridos a partir do dia 03 de julho, na Academia de Juventude e das Artes da Ilha Terceira e posteriormente no Secretariado das Festas da Praia, localizado na Praça Francisco Ornelas da Câmara, assim como na Rua Direita (em frente à loja Basílio Simões), em Angra do Heroísmo.



terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

O matador açoriano que vive em Jacarta



A oito fusos horários da ilha Terceira, onde nasceu, e a 30 horas de viagens de avião de Portugal,Mário Miguel Silva garante que está adaptado a Jacarta, onde vive com a mulher e a filha há sete anos. "Estando inserido no mundo dos cavalos 24 horas por dia, sete dias por semana, trabalhar na Indonésia, na Tailândia, nos EUA ou no Polo Norte é estarmos bem", diz o cavaleiro português, de 38 anos.

Uma década depois de se tornar o primeiro matador de touros açoriano, tirando alternativa na praça de Valladolid, Espanha, a 26 de agosto de 2006, Mário Miguel trocou a arena pela pista, trabalhando para Prabowo Subianto, que foi candidato presidencial em 2014 e é um dos homens mais poderosos da Indonésia. Além de tratar dos seus cavalos, o português está a formar alunos para a modalidade olímpica da dressage, dominada por europeus. 

Ensinar outros a levar o cavalo a fazer movimentos graciosos é natural para quem começou a tourear aos 11 anos, arrancando a carreira que o fez passar de Angra do Heroísmo para o Campo Pequeno e daí para Espanha, França, Califórnia e América do Sul. E em que, além de lidar os touros, aprendeu muito de equitação. "É um prolongamento do trabalho do mestre Luís Valença, que é a divulgação da arte equestre e da cultura portuguesa", explica, referindo-se ao sogro, um dos grandes nomes da equitação.

As ligações familiares ajudaram-no a iniciar a nova carreira. Tendo feito a última corrida nos Açores, em 2009, a transição para a dressage foi o passo lógico para quem se dedica a negociar cavalos. "Já devemos ter levado cerca de 30 para a Tailândia . Agora devemos levar outros 30 para a Indonésia. Alguns estão virados para o cavalo norte-europeu, mas maioritariamente levamos o nosso lusitano." São animais que podem custar entre 10 e 100 mil euros, consoante a pureza da raça e os feitos dos antepassados.

Construir uma relação entre cavalo e cavaleiro em que os dois até parecem ser um é algo que Mário Miguel classifica de "difícil facilidade". "Vem de muitos anos de treino em conjunto, e com a arte equestre do cavaleiro que evolui ao longo dos anos mais a linguagem se desenvolve. A certa altura já parece telepatia. Tudo sai redondo e bonito", diz o cavaleiro, que tal como a mulher, Luísa Valença, dá o exemplo a alunos que já representam a Indonésia em competições internacionais.

QUESTÃO DE CARÁTER
Caráter é aquilo que exige aos animais que leva para a Ásia, numa prospeção que o obriga - "e ainda bem", realça - a vir a Portugal várias vezes por ano. "Podemos estar à procura de um cavalo superbonito, muito bem andado e ensinado, mas se tiver mau caráter vai criar problemas muito depressa", adverte, na medida em que "um cavalo com caráter difícil" pode prejudicar a forma como os lusitanos são vistos entre pessoas que têm "menos anos de cultura equestre".

Apesar de a dressage ser dominada por cavalos do Norte da Europa preparados para o picadeiro de 20 por 60 metros, aquilo que procura são "cavalos muito guerreiros, com um coração muito grande, que suportam muitas pressões sem fazerem asneiras". E Mário Miguel Silva crê que os lusitanos são versáteis ao ponto de se adaptarem a pistas e regras feitas com outros em mente.

É a ele que cabe a última triagem dos animais comprados pelos clientes asiáticos. "É o retoque final depois de passarem por vários filtros. Venho cá, monto, experimento e vejo o caráter de cada um para apurar se se coaduna com o aluno a que é destinado", afirma, embora escolher um cavalo com potencial seja apenas um primeiro passo para chegar ao mais alto nível.

"Podemos sempre realizar-nos no cavalo em muitas vertentes", afirma, avançando exemplos na sua família. Ninguém foi tourear, mas a sobrinha mais velha vai no terceiro campeonato europeu de dressage, competindo ao nível de grande prémio, e o sobrinho mais novo prepara o segundo europeu. "Vivem em casa do avô toda a arte equestre", diz o matador .

PATRÃO POLÉMICO
Apesar da experiência e dos resultados, Mário Miguel Silva ri-se com a ideia de que o patrão o veja como um ‘Mourinho da dressage’. "Sou muito jovem. Na arte equestre há um processo de evolução e de aprendizagem. Ainda hoje o meu sogro, com 70 anos, diz que aprende todos os dias. Ser um Mourinho da arte equestre... Não é por aí", responde, reconhecendo que o convite para trabalhar em Jacarta se deve ao conhecimento da sua trajetória de cavaleiro tauromáquico, matador de touros e cavaleiro equitador. "Acho que me tem ainda em boa conta...", resume, sorridente.

Prabowo Subianto, além de genro de Suharto, ditador já falecido que governou a Indonésia durante 30 anos, é tão poderoso quanto polémico no país. E está ligado à ocupação de Timor-Leste enquanto um dos mais jovens comandantes das forças especiais invasoras. Homens sob o seu comando embrenharam–se na ilha em 1978 para emboscar e matar o ex-primeiro-ministro timorense Nicolau dos Reis Lobato, cujo cadáver foi levado para Díli.

Apesar disso, Mário Miguel Silva diz que conhece alguns timorenses que preferiram ficar na Indonésia após a independência da ex-colónia portuguesa e garante que a sua nacionalidade nunca foi um problema em Jacarta. Mais falado, mas em Portugal, foi o seu nome e o da mulher no âmbito da investigação aos ‘Panama Papers’, visto que ambos apareceram numa lista de titulares da sociedade offshore, o que o cavaleiro justifica com o facto de terem deixado de trabalhar e de pagar impostos em Portugal.

SAUDADES DOS TOUROS
Sem nunca ter anunciado o fim de uma carreira ligada à Monumental da Ilha Terceira e à Praça do Campo Pequeno, onde fez a alternativa de cavaleiro tauromáquico, Mário Miguel admite ter saudades da adrenalina que sentia e que até o levou a tornar-se matador. "Quem nasce toureiro, morre toureiro. Há sempre a chama que mantemos viva. Mas não passa de uma ilusão", afirma, deixando a porta entreaberta para participar num festival relacionado com uma das "causas nobres que a festa dos touros acompanha, apadrinha e suporta".

Na Indonésia também há quem lhe faça perguntas acerca do passado, ainda que a tauromaquia "seja difícil de ser percebida por alguém que nunca lhe foi exposto, ou por quem a exposição possa ter sido menos positiva ou só negativa". E garante que estaria pronto a ensinar um dos seus alunos de dressage a tourear.

Depois de ter montado mais cavalos do que consegue precisar, ainda que aponte para "umas boas centenas", Mário Miguel já disse à filha, que começou a montar há pouco tempo, para fazer registos. "Como é muito organizada e boa aluna, pedi que fizesse um diário. Daqui a meia dúzia de anos já não consegue contar os cavalos", diz quem não consegue indicar o animal que mais o marcou. Até porque "o meu próximo cavalo é que vai ser o melhor".

Texto: Leonardo Ralha
Fonte e foto: Correio da Manhã

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Edição nº27 do programa "Atlântida Taurina"

Foi para o ar, no Rádio Clube de Angra, mais uma edição do programa "Atlântida taurina" com apresentação de Miguel Sousa Azevedo e  edição de Pedro Ferreira. Neste edição:

- José Henrique Pimpão fala da Tourada à Corda, tradição que considera ser a primeira indústria da Ilha Terceira

- “Forcados Amadores de Turlock – A arte de bem pegar” é o título do livro de Liduíno Borba, que celebra os 40 anos do grupo da Califórnia

- O Aficionado da Semana é o primeiro cabo dos Forcados da Tertúlia Tauromáquica Terceirense João Hermínio

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O bandarilheiro João Pedro Silva "Açoreano" em entrevista


Um dos mais talentosos Bandarilheiros da sua geração, exímio com o Capote e com as Bandarilhas, João Pedro Silva de apodo "Açoreano", é natural da ilha Terceira.

Recentemente galardoado pela Tertúlia Tauromáquica Festa Brava com o troféu de Melhor Bandarilheiro e Peão de Brega de 2016, esteve à conversa no programa "Terceira Dimensão" da AzoresTV, numa entrevista com a assinatura da jornalista Sónia Bettencourt.

 

Foto: Bruno Bettencourt

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Faleceu o antigo forcado Paulo Magalhães



Faleceu o antigo Forcado Paulo Magalhães, antigo membro do Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (de 1979 a 1991), era um dos grandes nomes da forcadagem terceirense.
Era ainda proprietário do Museu Taurino com o seu nome, um espaço cheio de história.

Aqui fica a mais recente reportagem efectuada no referido espaço:



Fotos: D.R.

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