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terça-feira, 8 de agosto de 2017

Segunda (GRANDE) Corrida das Festas da Praia - Crónica

Se qualquer um dos presentes na Monumental Praça de Toiros “Ilha Terceira” tinha alguma espécie de dúvida existencial em relação à sua afición, a grande corrida a que se assistiu encarregou-se de a desfazer. O que se passou na tarde de 7 de Agosto de 2017 foi um daqueles espectáculos que fazem aficionados. Sem dúvida uma das melhores a que já se assistiu no redondel angrense.

Comemoraram-se os 10 anos de existência do Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande. Despediu-se o Cabo-fundador Filipe Pires que, no início do festejo, foi agraciado pela Câmara Municipal da Praia da Vitória com a Medalha de Prata de Mérito Cultural.

O curro (e que curro!!) era da ganadaria de António Silva. Imponentes, sérios, nobres, com tranco e a pedir contas aos Cavaleiros Luís Rouxinol, Tiago Pamplona e João Moura Jr. Destaque para os exemplares lidados em 5º e 6º lugar. A ganadera Sofia Silva Fava foi chamada à praça (e bem!) por duas vezes.

Luís Rouxinol abriu com uma lide regular, frente a um oponente (AS, nº3, 518Kg) com muita mobilidade e entrega. Esteve bem na preparação das cravagens, mas a evidente falta de rodagem das montadas que trouxe à ilha Terceira não possibilitou que a lide rompesse para um patamar de triunfo. Com o segundo exemplar de António Silva (nº22, 520Kg) trouxe ao de cima toda a sua veterania e tirou partido da nobreza e da entrega do toiro. Andou sempre ligado e por altura do 5º ferro curto, que cravou de forma irrepreensível, já o público era seu. Terminou em apoteose com um violino e um ferro de palmo de levantar praça.

Tiago Pamplona esteve triunfal em ambas as lides. O exemplar nº 32 (AS, 476Kg) era sério e tinha ímpeto, pecando apenas por se adiantar um pouco à montada. Teve duração e investiu sempre a galope. De tal facto, tirou partido o Cavaleiro que rubricou uma boa lide, mostrando-se entendedor e bregando de forma eficaz e muito cingida, transmitindo emoção. Destaque para o grande ferro com que encerrou. O segundo do seu lote era bravo da ponta dos pitons à extremidade da cauda. Um toiro sempre em crescendo de comportamento, com tranco e a cobrar do toureiro. Daqueles toiros que separam os verdadeiros toureiros daqueles que pensam que o são. Uma vez mais o Marialva do Posto Santo esteve por cima! Muito correcto na preparação das sortes, executou vistosos terra-a-terra nos cites para depois cravar a gosto e a preceito. É pena que exista tanto mar entre o território continental e a ilha Terceira. Caso contrário Tiago Pamplona andaria a competir nos principais carteis.

João Moura Jr. esteve a bom nível diante do nº17 (AS, 488Kg). O toiro entregou-se sem complicar. Moura Jr. andou bem na brega e corretíssimo nas cravagens. Lidou a gosto um bom exemplar. Pena que, sem culpa alguma do Cavaleiro, numa das cravagens o ferro tenha batido noutro já colocado e após ter caído na arena, tenha ficado cravado na pá do toiro, o que induziu algum do público em erro. Tal facto fez com que parte da assistência se tivesse retraído, amornando o ambiente da lide. O segundo do seu lote tinha muita, mas muita classe. Nobre e encastado, entregou-se à lide por inteiro. Moura Jr. mostrou todo o valor do apelido que carrega e agarrou, também ele, o triunfo. Andou cingido nas bregas com galope a duas pistas e ferro após ferro foi levando os tendidos ao rubro. Terminou com a assistência em delírio após cravagem de três palmitos seguidos e em circular.

Mas a tarde era dos Amadores do Ramo Grande. Muitos foram os que estiveram fardados na arena. Antigos e actuais elementos do “grupo da Praia”. Neste dia de aniversário, Filipe Pires passou a chefia do grupo a Manuel Pires, após a pega ao 5º toiro. O dia era, como é normal, agridoce. O público juntou-se à festa e honrou o GFARG, ajudando assim a amenizar o amargo da despedida.
Antes, estiveram na cara dos toiros Luís Valadão que se fechou à segunda com garra e querer, depois de na primeira tentativa o toiro ter tirado a cara no momento da reunião. Daniel Brasil esteve eficaz e fechou-se à primeira com valentia. Carlos Silva corrigiu a forma de trazer o touro toureado e fechou-se à segunda numa boa pega a mostrar vontade. Alex Rocha, à primeira, mostrou todas as suas qualidades e efectuou uma grande pega. Na sua última pega, antes de assumir a chefia do grupo, Manuel Pires esteve de novo enorme. Foi levado contra as tábuas e aguentou horrores até que o grupo se recompusesse do embate violento. Desta pega, o ainda Cabo, Filipe Pires saiu com um corte na têmpora direita. César Pires fechou a corrida com uma boa pega à primeira, aguentado uma viagem difícil.

O espectáculo foi dirigido com sapiência por Rogério Silva, sendo assessorado por José Paulo Lima. Abrilhantou, de forma superior, a Banda da Sociedade Filarmónica Espírito Santo da Agualva, dirigida pelo Maestro Hélder Lourenço.


Bruno Bettencourt
Foto: António Valinho

Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense em Abiúl


Após uma passagem de triunfo por França, o Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense apresentou-se na segunda corrida da Feira de Abiul onde pegou em solitário um curro de Murteira Grave, deixando bom ambiente pelo seu desempenho.
Afonso Carreira em crónica publicada no portal Tauronews, relatou o seguinte:
"[...] As pegas tiveram a cargo do Grupo de Forcados da Tertúlia Tauromáquica Terceicerense, o qual se apresentou de luto pelo falecimento dos antigos forcados Paulinho Magalhães e António Ortiz. Por eles a equipa da Tauronews gostaria de dar os seus sentimentos a todo o grupo, família e amigos dos mesmos. [...]

À cara do astado foi o experiente João Ávila, que pegou à primeira sem grandes dificuldades, contado com uma boa ajuda por parte do grupo. Há forcados que pela sua arte e técnica fazem a pega parecer fácil, foi o que se passou nesta 1ª da tarde.[...]

Pegar um toiro por si só já não é fácil, ainda para mais um com quase 700kg de peso e que na lide a cavalo pouco colaborou… Esteve imponente o forcado Açoreano Luís Cunha no que toca a valentia e garra. Consumaram apenas à 3ª tentava já a desgosto com uma oportuna 1ª ajuda.[...]

Para a cara foi Francisco Tomás que por duas vezes não se conseguiu fechar na cara do toiro, sendo que na última dá a sensação de ser pisado ao mesmo tempo que o toiro derrota o que acabaria por deixar o forcado inanimado na arena. Foi dobrado pelo companheiro que pegou à terceira com ajudas redobradas.[...]

Para a cara (do quinto da tarde) foi Tomás Ortiz, que pegou ao primeiro intento sem grande dificuldade numa pega tecnicamente perfeita. [...]

Uma nota especial aos Forcados da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, que por ventura pelo facto de não termos oportunidade de os ver tantas vezes, ficamos sempre regalados pela técnica, valentia e afición que este Grupo da Ilha Terceira impõe nas suas actuações. São sem dúvida uma das bandeiras daquela ilha por esse mundo do fora.[...]"

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Há 10 anos foi assim...

Recuando 10 anos nas crónicas aqui publicadas, encontramos a seguinte passagem, referente à corrida de Estreia do Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande: 


"E porque a noite era da forcadagem, assistiu-se a grandes pegas. Nuno Pires brinda a Duarte Bettencourt, mentor destes Forcados Amadores do Ramo Grande, e consuma a pega inaugural do grupo com grande valentia fechando-se à primeira tentativa numa rija pega de fazer levantar os tendidos. Realce para a excelente 1ª ajuda do Cabo Filipe Pires. Na segunda pega da tarde, Alexander Rocha, após ter sido posto fora da cara do toiro na 1ª tentativa, executa uma pega primorosa, aguenta violento derrote, sendo muito bem ajudado pelo grupo que de pronto se fecha para a consumação. Por fim, a pega da noite efectuada por Manuel Pires. O forcado fecha-se muito bem, entra pelo grupo dentro e levanta as bancadas numa explosão de aplausos. O Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande deixou muito boa nota, verificando-se que têm sentido, união e conhecimento."

Bruno Bettencourt

HOJE - Corrida de comemoração do 10º Aniversário do Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande

É hoje que se celebra o 10º Aniversário do Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande. A Corrida conta ainda com a passagem da chefia do grupo. A Jaqueta de Cabo será entregue pelo Fundador Filipe Pires a Manuel Pires que a partir de hoje conduzirá o grupo que enverga a cor da bandeira do Divino Espírito Santo nas jaquetas.


domingo, 6 de agosto de 2017

Primeira Corrida das Festas da Praia - Crónica

Uma corrida de bom nível marcou o regresso do formato de dois eventos à Feira das Festas da Praia. Os toiros da Casa Agrícola José Albino Fernandes (JAF), Luís Rocha (LR) e Silva Herculano (SH) não complicaram, excepção para o segundo da tarde que se foi parando de forma evidente.


João Moura Jr. abriu praça diante de um exemplar imponente de cara (LR, nº57, 489Kg). O toiro era bom, codicioso e entregou-se na medida certa. Após cravagens menos luzidas nos compridos, palmilhou uma lide de triunfo a cada ferro curto e a cada brega. O estilo não engana, era um Moura a cavalo e aquela garupa era um Capote pleno de temple. Destaque para o segundo curto, a consentir a entrada do toiro. Frente ao exemplar SH (nº159, 476Kg) manteve a bitola. O toiro foi a menos ao longo da lide mas, ainda assim, o Cavaleiro procurou sacar o que de melhor este trazia dentro e chegou às bancadas com os ferros de palmo com que encerrou a função.

A João Pamplona calhou a fava e o brinde. O seu primeiro oponente mostrou bons modos na primeira metade da lide, mas depois perdeu ímpeto e fechou-se. O ginete procurou ligar-se ao toiro e com isto contornar as dificuldades. Ficou a sensação de ter tido alguma dificuldade na escolha de terrenos, frente a um oponente que pedia que lhe pisassem a sua zona de conforto e o tirassem de lá. João andou esforçado e isso foi reconhecido pelo público. O JAF (nº428, 528Kg) que lhe coube em sorte era feito de outra cepa. Volumoso e com pata, investia com alegria, entregando-se da forma como fazem os toiros bons: do início ao fim. Após afinar a velocidade, o Cavaleiro ligou-se ao toiro e ao público. Esteve lidador, trazendo ao de cima o bom toureiro e o bom equitador que é. Uma boa lide que encerrou com um grande ferro curto, preparado, cravado e rematado como mandam as regras.

Luís Rouxinol Jr. apresentou-se na Monumental “Ilha Terceira” mostrando todos os predicados de alguém que pode vir a ser figura. Mostrou bons modos na sua primeira lide. O público acolheu bem uma lide agradável e com bons pormenores. O toiro (LR, nº47, 419Kg) apesar de ter alguma falta de força, não comprometeu e deixou-se lidar. Rouxinol esteve muito correcto na cravagem dos curtos, destacando-se o 2º ferro. Quando preparava a cravagem do primeiro ferro comprido ao exemplar JAF (nº417, 523Kg), com que encerrou a corrida, a montada escorrega, resultando na queda do cavaleiro. Viveram-se alguns momentos de apuro, mas sem quaisquer consequências. O “pequeno” Rouxinol recompôs-se e mostrou maturidade. O toiro entregava-se e esteve sempre metido na lide. O Cavaleiro aproveitou bem a colaboração do oponente e novamente mostrou as suas qualidades. Apesar de tudo, fica a ideia que o toiro pedia mais labor.

Nas pegas estiveram três Grupos de Forcados Amadores. Por S. Manços pegou José Quintas à primeira, numa boa pega a aguentar derrote e Pedro Fonseca que à segunda resolveu com a ajuda um pouco carregada. O grupo de Arronches teve em praça João Rosa, que realizou uma grande pega à primeira, templando bem a investida do toiro, fechando-se de forma correcta e Luís Marques que se fechou à segunda sem dificuldade. O Ramo Grande esteve representado por André Lourenço que após alguns problemas, fechou-se à segunda sem mácula.
No final da corrida haveria de se assistir a um monumento à forcadagem: a pega de Manuel Pires! Forcado sereno e de olhos vivos, caminhou para o toiro como é seu habito. Aguentou a investida e depois de se fechar, toiro e forcado tornaram-se um só. Grandes, violentos e sucessivos derrotes por alto e a pega a consumar-se de uma forma que não surpreende. Não surpreende, porque sempre que Manuel Pires salta à arena mostra toda a sua raça e valentia, brindando quem assiste com grandes desempenhos. É, sem dúvida alguma, um forcado que qualquer grupo gostaria de ter e um dos grandes forcados da actualidade, dentro e fora da arena. O Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande ficará assim em boas mãos, aquando da passagem de Cabo. E como uma pega não se faz só com o forcado da cara, fica ainda o destaque para a preciosa intervenção do primeiro ajuda ao qual se seguiu o resto do grupo, de forma eficaz.

A corrida foi dirigida por Mário Martins que foi assessorado por Vielmino Ventura. Abrilhantou a Banda Filarmónica de Santo António de Cambridge.

E porque se tratava de uma Corrida Concurso, o júri composto por Francisco Parreira, José Luis Figueiredo e Diogo Passanha, deliberou:

- Melhor Toiro: “Joanito”, nº428, 528Kg, Casa Agrícola José Albino Fernandes
- Melhor apresentação: “Joanito”, nº428, 528Kg, Casa Agrícola José Albino Fernandes
- Melhor lide a cavalo: João Moura Jr. (lide ao primeiro exemplar da corrida)
- Melhor Pega: Manuel Pires (GFARG)


Bruno Bettencourt
Foto: Paulo Gil

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Festas da Praia - outdoors da feira taurina





Feira Taurina das Festas da Praia 2017 - bilheteiras abertas


terça-feira, 4 de julho de 2017

Garrido (e) mais completo – 4º da Feira de S. João


Um curro de Rego Botelho encerrou a Feira de S. João 2017. Lide apeada a cargo de Román, José Garrido e Joaquin Galdós.

O primeiro exemplar da tarde (RB, nº93, 522Kg) mostrou-se distraído e brusco, acabando por se entregar no decorrer da lide, mercê do desempenho do Matador. Román esteve variado com o Capote, mostrando recursos e querer dar espectáculo. Com a Muleta lidou sempre no centro da arena, com ofício e a dar tudo para tudo tirar do oponente. Lidou maioritariamente pela direita, de forma cada vez mais templada. O seu segundo (RB, nº83, 431Kg) era nobre, com algum recorrido, vindo a rachar no final. O Matador imprimiu maior profundidade na lide. Esta resultou com bastante duração, ficando na retina a entrega do Toureiro através de bons pormenores com a Muleta.

José Garrido tirou bom partido dos exemplares que lhe couberam em sorte. O primeiro (RB, nº92, 458Kg) era muito voluntarioso, indo ao cite com nobreza e codícia. A lide mostrou a plasticidade e os pormenores artísticos que Garrido emprega. Esteve “mandão” com a Muleta e mostrou o porquê de ser apontado como uma das grandes figuras do toureio. Uma grande lide terminada com circulares invertidos junto às tábuas. O seu segundo (RB, nº73, 502Kg) também se entregava à luta, vindo a rachar no final. O Matador agarrou o oponente e toureou a gosto, recriando-se e mostrando a sua arte. Uma boa lide encerrada com Bernardinas que chegaram às bancadas. Neste toiro, Garrido desafiou os alternantes para o tércio de bandarilhas. O mesmo foi cumprido de forma desigual.

Joaquín Galdós recebeu um exemplar (RB, nº77, 516Kg) bruto e sem recorrido. Ensinou-o a investir para depois mostrar um toureio de quietude e proximidade. Mostrou algumas dificuldades em medir as distâncias, ainda assim mostrou bons pormenores numa lide de altos e baixos. O último do espectáculo (RB, nº91, 507Kg), revelou-se o exemplar com melhores condições de lide. Duração de investida e nobreza que foram aproveitadas por Galdós. Lidou com seriedade e poder. Novamente fez-se mostrar através de um toureio de proximidade e quietude, pisando terrenos de compromisso. Terminou por Luquesinas, adornando assim uma boa lide. Neste último também foram os matadores a cumprir o tércio de bandarilhas, tendo resultado novamente desigual.

Uma vez mais, os bandarilheiros açorianos estiveram num patamar superior. João Pedro Silva e Jorge Silva executaram os melhores pares da tarde. Já é normal assistir-se a um bom desempenho dos locais, o que tem (entre muitos outros) o benefício de fazer com que o público seja cada vez mais exigente com os de fora.

A corrida foi dirigida por Carlos João Ávila que se despediu do cargo após 20 anos de funções. Apenas um reparo para a dúvida em relação ao critério utilizado para atribuição de música durante as lides. Foi assessorado por José Paulo Lima.

Abrilhantou a Banda da Sociedade Filarmónica rainha Santa Isabel da Doze Ribeiras. Abrilhantou e bem! Se na corrida anterior a música tinha estado em excesso, aqui as interpretações foram executadas na medida certa, com o volume certo, a complementar as lides!

Antes do início do espectáculo, foi homenageado o Matador californiano e luso-descendente Dennis Borba pelos seus 30 anos de Alternativa. Durante o intervalo, foi homenageado Carlos João Ávila pelos seus 20 anos de Director de Corridas e por todo o precioso contributo que tem dado à Festa Brava nos Açores.


Bruno Bettencourt
Foto: António Valinho

domingo, 2 de julho de 2017

Triunfaram os clássicos na Corrida de Gala – 3ª Corrida da Feira de S. João

Doze anos depois, o Neto deu início às Cortesias na Monumental “Ilha Terceira”. A Corrida de Gala Antiga Portuguesa teve assim o seu início com o ritual alusivo à época.

Toiros de João Gaspar e Francisco Sousa. De tricórnio Tiago Pamplona, Manuel Telles Bastos e Miguel Moura. De jaqueta enramada, os Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT) e os Amadores do Ramo Grande (GFARG).

Não interessa como se começa, mas como se acaba! Este bem podia ser o resumo da noite de Tiago Pamplona. Após a recolha do toiro (FS, nº15, 410Kg) que se inutilizou, depois da cravagem de dois compridos, recebeu o segundo do seu lote com uma lide em crescendo. O toiro (JG, nº27, 515Kg) era volumoso e entregou-se com codícia, tendo tido duração. O Marialva do Posto Santo procurou o triunfo e mostrou boa ligação com o público. Esteve criterioso na escolha de terrenos e mostrou os seus dotes de excelente equitador. Encerrou uma lide triunfal com um excelente ferro curto ao estribo, antecedido por uma viagem plena de temple. Nota para o facto de ter saído da arena no momento certo sem se deixar deslumbrar pelo pedido de “mais um”!

Manuel Telles Bastos lidou um exemplar (FS, nº11, 436Kg) cumpridor que se foi defendendo em alguns momentos, mas sem complicar. Uma lide de entrega e saber, a trazer ao de cima as qualidades do toiro e a romper para o triunfo. Mostrou bonitos pormenores do classicismo que o caracteriza, aliando a sua maestria de equitador à intuição de lidador. O toiro (JG, nº28, 433Kg), com que encerrou a sua participação na Feira, saiu com pata e revelou-se muito andarilho, tendo dificuldade em fixar-se. Há a destacar a cravagem correctíssima dos compridos e a precisão milimétrica com que cravou cada uma das farpas, durante toda a lide. Mostrou-se entendedor do oponente e optou por uma lide de proximidade, pisando os terrenos do toiro e lidando ao melhor estilo português.

A Miguel Moura calhou o lote menos luzido, mas que ainda assim cumpriu sem complicar muito. O primeiro toiro (JG, nº18, 433Kg) era voluntarioso, mas viria a rachar no final. Moura foi desenrolando a lide com bons pormenores. Uma lide à maneira da escola mourista a chegar bem ao público. Pecou por ter prolongado a lide em demasia. O último toiro (FS, nº7, 494Kg) era distraído e parava-se na reunião, saindo desligado das sortes. Fica a sensação que o Cavaleiro o podia ter alegrado mais. A lide resultou sem som e própria para hipertensos. Algum luzimento no final, mas sem grande transmissão à assistência.

Nas pegas destacaram-se Daniel Brasil do GFARG e Francisco Matos do GFATTT. Ambos realizaram rijas pegas, à primeira, a aguentar bem e a mostrar querer ficar na cara do toiro! Pegaram ainda Luís Sousa (GFATTT) à segunda e a sesgo, Rui Dinis (GFARG) que com uma boa pega se fechou à segunda tentativa e João Pedro Ávila (GFATTT) à segunda com uma boa ajuda do grupo.

A corrida foi dirigida com diligência por Rogério Silva, sendo assessorado por Vielmino Ventura.
Abrilhantou a Banda Filarmónica Divino Espírito Santo de Artesia. Um reparo para o facto de ter havido alguma falta de moderação no volume da interpretação musical. Não está em causa a qualidade da banda, que é de facto muito boa, mas numa praça de toiros a banda deve complementar e não se sobrepor a todo o resto.


Bruno Bettencourt
Foto: André Pimentel

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Amadores do Ramo Grande - despedida do Cabo Filipe Pires

O Cabo do Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande, Filipe Pires, irá despedir-se no dia em que o grupo comemora 10 anos de existência, 7 de Agosto de 2017. 

O mesmo emitiu o seguinte comunicado: 

"Chegou a Hora…

Ao longo de dez anos comandei com enorme prazer e orgulho um fabuloso grupo de homens. Ano após ano, crescendo e atingindo diferentes objetivos por nós traçados, por vezes mesmo, até alguns sonhos por nós idealizados. Passei os melhores momentos da minha vida…
Nunca é fácil “dizer adeus”, mas julgo que é o momento oportuno. Foi uma decisão consciente e com a segurança de deixar um sucessor à altura, por isso em conjunto com os meus amigos, decidi que a 7 de agosto de 2017 passo a chefia do grupo ao Manuel Pires. Forcado no qual confio tamanha responsabilidade. No entanto, estarei sempre com o grupo e prestando-lhe todo o apoio necessário.
Agradeço a todos que me ajudaram ao longo destes dez anos de aventura que foram fantásticos…
Vou disfrutar das corridas que ainda restam e tenho grande expectativa e esperança num futuro risonho para o GFRG.

Obrigado sempre GFARG 
 O Cabo Filipe Pires"

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Festival de Capinhas - Hoje às 18h30!


segunda-feira, 26 de junho de 2017

Espectáculo Misto de sabor agradável – 2ª da Feira de São João


Decorreu em ritmo agradável aquela que foi a segunda corrida da Feira de São João 2017. A Monumental “Ilha Terceira”, com as bancadas bem compostas, acolheu o espectáculo misto com Marcos Bastinhas, Álvaro Lorenzo e Ginés Marin. Dois toiros da Casa Agrícola José Albino Fernandes (JAF) para a lide equestre e quatro de Falé Filipe (FF) para o toureio a pé.

Marcos Bastinhas recebeu o primeiro da tarde (JAF, nº431, 522Kg), uma estampa que revelou muito boas condições de lide, empregando-se e indo a galope com bravura. O Cavaleiro de Elvas superou as suas prestações do dia anterior. Lide séria e emotiva, com um toureio mais pausado, sem recorrer a adornos desnecessários. Lidou praticamente sempre com a mesma montada durante toda a lide, rubricando cravagens poderosas nos curtos, dando sempre vantagens ao oponente. O seu segundo toiro (JAF, nº426, 474Kg) também cumpriu e mostrou-se lutador. A lide aqui resultou em menor plano, com cravagens bastante irregulares resultantes de quarteios mal medidos após batidas ao pitón contrário. Fechou com um violino que chegou bem às bancadas.

Álvaro Lorenzo provou o oponente (FF, nº46, 472Kg) com o Capote, para depois dar lugar ao tércio de Bandarilhas onde se destacou João Pedro Silva. Com a Muleta foi encaminhando o oponente que, apesar de muito brusco pela esquerda, se foi entregando à lide com alguma nobreza. Uma lide de entrega onde se mostrou trabalhador, baseando a contenda na mão direita, mostrando profundidade e bons pormenores artísticos. Posteriormente haveria de lidar aquele que foi o melhor exemplar da tarde (FF, nº29, 494Kg). Este, entregou-se com recorrido durante toda a lide e sem nunca parar de investir. Houvesse mais tempo de lide no regulamento e mais investida haveria. O Matador tirou partido destas condições e foi passeando a flanela vermelha por ambos os lados. A cada passe, o temple e a profundidade iam aumentando, assistindo-se a belos momentos de arte e ofício. Terminou, adornando-se por Luquecinas e fazendo vibrar a assistência. Lorenzo mostrou muito boas maneiras nesta sua passagem pela ilha Terceira.

Com Ginés Marin vinha a expectativa alimentada pelo grande momento que atravessa na sua carreira. O seu primeiro oponente (FF, nº16, 476Kg) empregava-se, mas a falta de força condicionou-lhe a forma de investir e consequentemente o desenrolar da lide. O ofício iniciou-se com uma vistosa série de Verónicas. No tércio de bandarilhas, destacou-se Gonçalo Toste. Com a Muleta foi corrigindo a altura da mão, de forma a auxiliar o exemplar de Falé Filipe e assim evitar que este caísse por terra. A faena desenrolou-se por ambos os lados e ao longo da zona de sombra, terminando à porta dos curros. Marin mostrou-se um toureiro de recursos, capaz de contornar as dificuldades que lhe são colocadas e ao mesmo tempo conseguir sacar o que de bom o toiro tinha. Falta de força também tinha o exemplar com que fechou a corrida (FF, nº2, 487Kg). Apesar disso, entregou-se com nobreza, superando as condicionantes físicas. Com a mão esquerda, o Matador foi expondo quietude em cada uma das viagens. Citou por ambos os lados e arrimou-se, mas sem nunca conseguir romper para uma lide plena de triunfo.

As duas pegas da tarde ficaram a cargo do Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT). Francisco Matos pegou à segunda com uma primeira ajuda de grande nível por parte de Fernando “Mangueira”. A segunda da tarde ficou a cargo de Helénio Melo que se fechou com valentia ao segundo intento, fazendo assim a sua despedida, ao fim de 25 anos de forcado!!
Uma nota para este que é um dos forcados históricos do GFATT, um dos mais rijos da geração que nos últimos anos tem entregue a jaqueta. Com todo o mérito, o seu percurso ficará registado na galeria dos maiores forcados desta ilha!

Mário Martins dirigiu a corrida, sendo assessorado por José Paulo Lima. Abrilhantou a Banda da Sociedade Filarmónica da Serreta.

Bruno Bettencourt
Foto: André Pimentel

Rego Botelho, Pamplona e Vila Franca – 1ª da Feira de S. João

Começou a Feira de S. João 2017! Começou com o emblemático Concurso de Ganadarias no dia do santo que lhe dá o nome. Uma praça cheia assistiu a uma tarde de toiros que decorreu num ritmo muito agradável. Em disputa os prémios para Melhor Toiro, Melhor Apresentação, Melhor Lide e para Melhor Grupo de Forcados, prémio que vem substituir (e bem!) o até agora Prémio para Melhor Pega.

O primeiro da tarde ostentava o ferro de Murteira Grave (nº50, 492Kg). Este “cinqueño” era muito harmonioso, mas ficou-se por aí a qualidade demonstrada. A início parecia ter problemas de visão, mas os problemas eram bem maiores do que isso. Virou a cara à luta e por três vezes o toiro se deitou na arena. Este comportamento invulgar deixa a desconfiança da existência de alguma debilidade física. Manuel Telles Bastos nada pode fazer. Iniciou com três curtos e ainda cravou um curto após tentar sacar água daquele poço vazio.

O exemplar de Rego Botelho (nº66 532Kg) haveria de apagar a imagem do toiro anterior. Saiu alegre e com som a mostrar muita codícia. Não se ressentiu dos castigos e arrancava-se de largo aos cites, empregando-se até ao final da lide. Aliado a tudo isto, o trapio e a bonita presença física deste exemplar. Marcos Bastinhas esperou-o na porta dos curros e mostrou querer agarrar o triunfo, e a assistência, logo de início. Uma lide em crescendo que transpirou a “marca Bastinhas” por todos os poros. O Cavaleiro de Elvas deu sempre vantagens ao oponente, no entanto algumas das sortes pecam pelas passagens em falso e pelas cravagens aliviadas. Encerrou com um bom par de bandarilhas.

Da Casa Agrícola José Albino Fernandes (nº416, 493Kg) saiu um exemplar harmonioso e bastante em tipo da ganadaria. O toiro investiu sempre sem complicar. No final da lide foi ficando curto de investida, tapando-se, no entanto sem nunca complicar. João Pamplona recebeu-o com um bom ferro à “Porta Gaiola”, mostrando que também ele ali estava por mérito próprio. Lide onde a ligação com o público foi crescendo e, ferro após ferro, o perfume do triunfo foi-se fazendo sentir. Esteve lidador, a mexer com o toiro e não se limitando a cravar.

O exemplar jorgense de Álvaro Amarante (nº155, 403Kg) marcou a estreia da ganadaria da ilha do dragão nesta Feira. Era bonito e muito “bem desenhado” apesar de ter menos volume. Trazia ímpeto e, apesar de ter perdido algum fogo com o desenrolar da lide, cumpriu e mostrou bons modos, mas foi-se defendendo por alto no decorrer da lide. Aqui, Manuel Telles Bastos já conseguiu mostrar algum do toureio que traz dentro de si. Andou ligado ao hastado e, apesar de algum desacerto na cravagem, acabou por realizar uma boa lide onde se destacam os 3º e 4º ferros curtos, cravados como mandam os cânones da cavalaria portuguesa.

O exemplar de João Gaspar (nº30, 526Kg) encheu os olhos à assistência. Bonito e volumoso. Revelou bom andamento e entrega durante o desenrolar da lide. No final da lide foi-se parando e mostrando o andamento típico do encaste murube, ao qual pertence. Marcos Bastinhas montou um vistoso Palomino e procurou dar espectáculo com adornos à boa maneira espanhola. Tentou agarrar o público através das piruetas e dos câmbios em cima dos terrenos do toiro. Faltou o fundamental: cravou e não lidou!

Era de Francisco Sousa (nº16, 419Kg) o último da tarde. Saiu alegre e com pata, mostrando codícia na investida. A meio da lide deu alguns sinais de perda de ímpeto, encurtecendo a investida, no entanto, despertou novamente e voltou a entrar na luta com a bravura inicial. João Pamplona tirou partido das condições do toiro da divisa verde e lilás. Indo em crescendo, foi galvanizando as bancadas. Esteve bem na escolha de terrenos, lidando a gosto. O seu 4º ferro foi o melhor da tarde! Muito bem esteve o mais novo cavaleiro da Quinta do Malhinha!

Como já foi referido, este ano esteve em disputa o prémio para “Melhor Grupo”, destacando assim todo o desempenho dos forcados ao logo da corrida. Pelos Amadores de Vila Franca estiveram na cara: Márcio Francisco, que aguentou a viagem ensarilhada do toiro e se fechou à primeira, Francisco Farinha, que à segunda aguentou um derrote muito alto e se fechou com querer, e Rui Godinho, numa boa pega à primeira, sem dificuldade. Pelos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, pegaram: Luís Cunha, à terceira, após duas tentativas em que sentiu dificuldade em medir a investida do toiro, João Silva (a dobrar Carlos Vieira que saiu lesionado) com querer a fechar-se com valentia e com preciosa ajuda do grupo e, por fim, Luís Sousa numa grande pega à segunda tentativa.

Uma nota final apenas para referir um aspecto que foi por demais evidente nesta corrida: se até há algum tempo era pontual o uso de ferramentas auxiliares, hoje parece ter-se generalizado o uso de gamarras e serretas. Nesta corrida concurso, não chega a uma mão cheia o nº de montadas que não tinha pelo menos uma gamarra. As qualidades de equitador dos intervenientes são conhecidas de todos, mas usar e abusar de “travões auxiliares” tira-lhes todo o brio.

A corrida foi dirigida por Rogério Silva, assessorado por Vielmino Ventura. Abrilhantou a Banda da Sociedade Filarmónica Espírito Santo da Agualva.

Foram distribuídos assim os prémios:

- Melhor toiro: “Bandeirote”, nº 66, 532kg, Rego Botelho
- Melhor apresentação: “Bandeirote”, nº 66, 532kg, Rego Botelho
- Melhor lide: João Pamplona
- Melhor grupo de forcados: Amadores de Vila Franca de Xira

Bruno Bettencourt
Foto: António Valinho

sábado, 24 de junho de 2017

Feira de São João 2017 - Começa hoje!!


terça-feira, 9 de maio de 2017

Amadores da Tertúlia em destaque em Elvas

O Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense esteve em plano de destaque, no passado dia 6 de Maio, na corrida realizada no Coliseu Comendador Romão de Almeida, em Elvas. Foram realizadas duas pegas à primeira por intermédio de Francisco Matos e Luis Baldaya Cunha. Em toda a imprensa da especialidade é evidenciada a actuação do grupo terceirense, referindo-se a coesão do grupo e a eficiência das ajudas assim como o desempenho dos forcados da cara.


O cartel contava com os Cavaleiros João Moura Caetano, Marcos Bastinhas e Miguel Moura. Os toiros eram da Ganadaria de Pinto Barreiros. Pegaram ainda os Grupos de Forcados Amadores Académicos de Elvas e de Coimbra.

Bruno Bettencourt
Fotos: Maria Mil-Homens

sexta-feira, 28 de abril de 2017

"Vamos falar de toiros" em S. Brás


terça-feira, 11 de abril de 2017

Feira de São João 2017 - cartaz


Apresentação da Feira de São João 2017

 A apresentação do cartaz da Feira de S. João 2017 ocorreu na manhã de 11 de Abril no Salão Nobre da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo.
Coube a Arlindo Teles, Presidente da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, entidade organizadora do certame, a apresentação do mesmo. A Feira, orçada em perto de 280.000 euros, conta com a realização de 4 espectáculos em praça, retomando assim o “modelo tradicional” da feira, ao contrário dos anos anteriores. Segundo a organização, a realização de mais uma corrida espelha o facto das ganadarias locais estarem melhor preparadas ao nível do número de efectivos e por outro lado constitui uma maior oportunidade para os artistas locais.
Assim sendo, e em termos de corridas, será mantida a Corrida Concurso de Ganadarias (dia 24 de Junho), um Espectáculo Misto (dia 25 de Junho), uma Corrida de Gala à Antiga Portuguesa (dia 30 de Junho) e a finalizar, um espectáculo apeado intitulado “Grandioso Espectáculo” (dia 02 de Julho) que tem sido a “grande bandeira de promoção internacional desta Feira”.

No cartaz destacam-se os nomes de Ginés Marín e José Garrido no toureio a pé, Manuel Telles Bastos, Marcos Bastinhas e Tiago Pamplona, no que ao toureio equestre diz respeito. O Cavaleiro Miguel Moura fará a sua estreia nesta feira. Serão lidados ao longo da Feira toiros das ganadarias de Murteira Grave, Rego Botelho, Casa Agrícola José Albino Fernandes, Álvaro Amarante (que se estreia nesta feira), João Gaspar e Francisco Sousa (triunfadora da edição de 2016). Em praça estarão ainda os Grupos de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, Tertúlia Tauromáquica Terceirense e Ramo Grande.

Em relação à restante composição da Feira de São João, realizar-se-á o habitual “Espectáculo da Juventude” na Praça de Toiros “Ilha Terceira”, no dia 28 de Junho. Serão lidados novilhos de Rego Botelho e actuará ainda o Grupo Juvenil do GFATTT a par de uma jovem promessa do toureio equestre e do toureio apeado. Haverão ainda actividades na arena para os mais novos.
Os espectáculos de tauromaquia popular contam com as tradicionais Esperas de Gado (dia 24 e dia 26 para crianças), Touradas à Corda nas Doze Ribeiras, nos Altares e a tradicional Tourada no Porto das Pipas. Estes eventos contarão com exemplares de diversas divisas terceirenses.

Ainda, segundo a organização, o reflexo das apostas efectuadas nesta feira, em anos anteriores, vai-se sentindo cada vez mais ao nível do turismo taurino. Este ano são vários os grupos que se deslocarão à ilha propositadamente para assistir aos eventos da feira. Em termos de retorno económico, calcula-se que sejam gerados 115.500 euros para a economia local.

FEIRA DE SÃO JOÃO 2017

CONCURSO DE GANADARIAS
Dia 24 de Junho, 18h00

-TOIROS-
Murteira Grave
Rego Botelho
Casa Agrícola José Albino Fernandes
Álvaro Amarante
João Gaspar
Francisco Sousa

-CAVALEIROS-
Manuel Telles Bastos
Marcos Bastinhas
João Pamplona

-FORCADOS-
Amadores de Vila Franca de Xira
Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense

-BANDA-
Sociedade Filarmónica Espírito Santo da Agualva


ESPECTÁCULO MISTO
Dia 25 de Junho, 18h00

-TOIROS-
Casa Agrícola José Albino Fernandes

-CAVALEIRO-
Marcos Bastinhas

-MATADORES-
Álvaro Lorenzo
Ginés Marín

-FORCADOS-
Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense

-BANDA-
Sociedade Filarmónica Recreio Serretense


CORRIDA DE GALA À ANTIGA PORTUGUESA
Dia 30 de Junho, 22h00

-TOIROS-
João Gaspar
Francisco Sousa

-CAVALEIROS-
Tiago Pamplona
Manuel Telles Bastos
Miguel Moura

-FORCADOS-
Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense
Amadores do Ramo Grande

-BANDA-
Filarmónica Artesia Divino Espírito Santo


GRANDIOSO ESPECTÁCULO
Dia 02 de Julho, 18h00
-TOIROS-
Rego Botelho

-MATADORES-
Román José Garrido
Joaquín Galdós

-BANDA-
Sociedade Filarmónica Rainha Santa Isabel das Doze Ribeiras

Bruno Bettencourt

domingo, 2 de abril de 2017

Feira Taurina das Festas da Praia 2017

Os cavaleiros nacionais Luís Rouxinol, João Moura Jr e Luís Rouxinol Jr e os cavaleiros terceirenses João Pamplona e Tiago Pamplona marcam presença na Feira das Festas da Praia que, este ano, conta com duas corridas, estando a primeira marcada para o dia 04 de agosto, às 18h30. No dia 07 de agosto, à mesma hora, decorrerá ainda a corrida que assinala o 10º aniversário do Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande. O cartaz da Feira, que terá lugar na Praça de Toiros da Ilha Terceira, foi apresentado, em conferência de imprensa, na passada terça-feira, 28, no foyer do Auditório do Ramo Grande.

“Este ano, optámos por realizar duas corridas no âmbito da comemoração do 10º aniversário do Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande, neste sentido reforçarmos a nossa aposta na tauromaquia, uma vertente essencial ao sucesso das Festas da Praia. Considerando que vivemos numa terra de aficionados, é importante valorizarmos as nossas tradições”, destacou o vereador da Cultura do Município da Praia da Vitória, Tibério Dinis.
“É com muito orgulho que celebramos os 10 anos de existência do Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande, que tem efetuado um excelente trabalho na componente tauromáquica, participando em feiras por todo o país e representando a Praia da Vitória”, enfatizou.
“Uma das nossas maiores preocupações é a sustentabilidade das corridas. Neste sentido, importa referir que o modelo de sustentabilidade que temos utilizado, ao longo dos anos, tem funcionado, visto que há uma grande adesão por parte da comunidade, temos garantido grandes praças, com muito público e espetáculos de enorme qualidade. As corridas estão orçadas em 50 e 70 mil euros, respetivamente, sendo a receita igual à despesa, garantido a sua sustentabilidade”, explicou.
“Para terminar, gostaria de salientar que estamos a aguardar a resposta da Assembleia Legislativa Regional para alteração do regulamento das touradas. A tourada do areal também não cumpriria com os requisitos, mas avançámos com um processo para a tornar tourada tradicional e esta será realizada, como habitualmente, tendo em conta que é considerada uma tourada tradicional, aliás, com décadas de existência. Esperemos então que a entidade competente proceda em prol da festa brava e altere o regulamento para que possamos promover ainda mais a festa brava”, concluiu.

Filipe Pires, cabo do Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande apresentou os programas das corridas, realçando os cavaleiros de renome que as integram.
“Na primeira corrida, temos o João Moura Jr, um cavaleiro que celebra 10 anos de alternativa, destacando-se nas praças de Espanha; o João Pamplona, um jovem de cá, que tem demonstrado um grande empenho nas corridas em que participa, tendo sido o grande vencedor da última edição das Festas da Praia; e o Luís Rouxinol Jr, filho de outro grande cavaleiro (Luís Rouxinol), que vem pela primeira vez à ilha Terceira e tem participado em corridas realizadas em França, Portugal e nos Estados Unidos. Nesta corrida, as pegas serão feitas pelo nosso grupo e pelo Grupo de Forcados Amadores de São Manços, um grupo com 52 anos de história, que já percorreu as grandes praças de Portugal, fazendo digressões em países como Espanha, França e México. Haverá ainda um concurso de ganadarias, no qual participarão dois toiros da Casa Agrícola José Albino Fernandes e dois toiros da Ganadaria Silva Herculano. A noite será abrilhantada pela Filarmónica de Santo António, de Cambridge”, referenciou.
“No que diz respeito à corrida do dia 07, contamos com a presença de um dos mais conceituados cavaleiros de Portugal, Luís Rouxinol, que comemora os seus 30 anos de alternativa. Participam também na corrida o Tiago Pamplona, outro jovem da terra, que tem percorrido as grandes feiras dos Açores e algumas do continente, e o João Moura Jr. A pega em solitário será realizada pelo nosso grupo, o que constitui um desafio para nós. Mais tarde, atuará a Filarmónica Espírito Santo da Agualva. Relativamente aos toiros em praça, estes provêm da Ganadaria Herdeiros Dr. António Silva. ”, acrescentou.
Para Francisco Godinho, presidente da Tertúlia Tauromáquica Praiense, “é um grande orgulho para nós voltar a organizar as touradas à corda que decorrerão durante as Festas. Deste modo, gostaria de dirigir um agradecimento à Câmara Municipal da Praia da Vitória pela confiança depositada na nossa associação”.

No âmbito dos eventos tauromáquicos previstos para a 28ª edição das Festas da Praia, terá lugar no Juncal, no dia 07 de agosto, uma vacada, pelas 18h00, que estará a cargo da Ganadaria Humberto Filipe. No dia 08, haverá tourada, à mesma hora, com toiros da mesma ganadaria, estando agendada, para o dia 09, uma excursão ao mato, pelas 10h00, seguindo-se, pelas 18h00, uma tourada da Casa Agrícola José Albino Fernandes.
A 10, decorrerá uma tourada nas Quatro Ribeiras, às 18h00. A tourada à moda antiga terá lugar na Rua Padre Rocha de Sousa (caminho do cemitério), no dia 11, pelas 18h00.
Para o dia 13, está agendada a tradicional tourada no areal da Praia da Vitória, às 18h00, com toiros da Ganadaria Ezequiel Rodrigues.

No que concerne aos bilhetes para as corridas, estes podem ser adquiridos a partir do dia 03 de julho, na Academia de Juventude e das Artes da Ilha Terceira e posteriormente no Secretariado das Festas da Praia, localizado na Praça Francisco Ornelas da Câmara, assim como na Rua Direita (em frente à loja Basílio Simões), em Angra do Heroísmo.



terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

O matador açoriano que vive em Jacarta



A oito fusos horários da ilha Terceira, onde nasceu, e a 30 horas de viagens de avião de Portugal,Mário Miguel Silva garante que está adaptado a Jacarta, onde vive com a mulher e a filha há sete anos. "Estando inserido no mundo dos cavalos 24 horas por dia, sete dias por semana, trabalhar na Indonésia, na Tailândia, nos EUA ou no Polo Norte é estarmos bem", diz o cavaleiro português, de 38 anos.

Uma década depois de se tornar o primeiro matador de touros açoriano, tirando alternativa na praça de Valladolid, Espanha, a 26 de agosto de 2006, Mário Miguel trocou a arena pela pista, trabalhando para Prabowo Subianto, que foi candidato presidencial em 2014 e é um dos homens mais poderosos da Indonésia. Além de tratar dos seus cavalos, o português está a formar alunos para a modalidade olímpica da dressage, dominada por europeus. 

Ensinar outros a levar o cavalo a fazer movimentos graciosos é natural para quem começou a tourear aos 11 anos, arrancando a carreira que o fez passar de Angra do Heroísmo para o Campo Pequeno e daí para Espanha, França, Califórnia e América do Sul. E em que, além de lidar os touros, aprendeu muito de equitação. "É um prolongamento do trabalho do mestre Luís Valença, que é a divulgação da arte equestre e da cultura portuguesa", explica, referindo-se ao sogro, um dos grandes nomes da equitação.

As ligações familiares ajudaram-no a iniciar a nova carreira. Tendo feito a última corrida nos Açores, em 2009, a transição para a dressage foi o passo lógico para quem se dedica a negociar cavalos. "Já devemos ter levado cerca de 30 para a Tailândia . Agora devemos levar outros 30 para a Indonésia. Alguns estão virados para o cavalo norte-europeu, mas maioritariamente levamos o nosso lusitano." São animais que podem custar entre 10 e 100 mil euros, consoante a pureza da raça e os feitos dos antepassados.

Construir uma relação entre cavalo e cavaleiro em que os dois até parecem ser um é algo que Mário Miguel classifica de "difícil facilidade". "Vem de muitos anos de treino em conjunto, e com a arte equestre do cavaleiro que evolui ao longo dos anos mais a linguagem se desenvolve. A certa altura já parece telepatia. Tudo sai redondo e bonito", diz o cavaleiro, que tal como a mulher, Luísa Valença, dá o exemplo a alunos que já representam a Indonésia em competições internacionais.

QUESTÃO DE CARÁTER
Caráter é aquilo que exige aos animais que leva para a Ásia, numa prospeção que o obriga - "e ainda bem", realça - a vir a Portugal várias vezes por ano. "Podemos estar à procura de um cavalo superbonito, muito bem andado e ensinado, mas se tiver mau caráter vai criar problemas muito depressa", adverte, na medida em que "um cavalo com caráter difícil" pode prejudicar a forma como os lusitanos são vistos entre pessoas que têm "menos anos de cultura equestre".

Apesar de a dressage ser dominada por cavalos do Norte da Europa preparados para o picadeiro de 20 por 60 metros, aquilo que procura são "cavalos muito guerreiros, com um coração muito grande, que suportam muitas pressões sem fazerem asneiras". E Mário Miguel Silva crê que os lusitanos são versáteis ao ponto de se adaptarem a pistas e regras feitas com outros em mente.

É a ele que cabe a última triagem dos animais comprados pelos clientes asiáticos. "É o retoque final depois de passarem por vários filtros. Venho cá, monto, experimento e vejo o caráter de cada um para apurar se se coaduna com o aluno a que é destinado", afirma, embora escolher um cavalo com potencial seja apenas um primeiro passo para chegar ao mais alto nível.

"Podemos sempre realizar-nos no cavalo em muitas vertentes", afirma, avançando exemplos na sua família. Ninguém foi tourear, mas a sobrinha mais velha vai no terceiro campeonato europeu de dressage, competindo ao nível de grande prémio, e o sobrinho mais novo prepara o segundo europeu. "Vivem em casa do avô toda a arte equestre", diz o matador .

PATRÃO POLÉMICO
Apesar da experiência e dos resultados, Mário Miguel Silva ri-se com a ideia de que o patrão o veja como um ‘Mourinho da dressage’. "Sou muito jovem. Na arte equestre há um processo de evolução e de aprendizagem. Ainda hoje o meu sogro, com 70 anos, diz que aprende todos os dias. Ser um Mourinho da arte equestre... Não é por aí", responde, reconhecendo que o convite para trabalhar em Jacarta se deve ao conhecimento da sua trajetória de cavaleiro tauromáquico, matador de touros e cavaleiro equitador. "Acho que me tem ainda em boa conta...", resume, sorridente.

Prabowo Subianto, além de genro de Suharto, ditador já falecido que governou a Indonésia durante 30 anos, é tão poderoso quanto polémico no país. E está ligado à ocupação de Timor-Leste enquanto um dos mais jovens comandantes das forças especiais invasoras. Homens sob o seu comando embrenharam–se na ilha em 1978 para emboscar e matar o ex-primeiro-ministro timorense Nicolau dos Reis Lobato, cujo cadáver foi levado para Díli.

Apesar disso, Mário Miguel Silva diz que conhece alguns timorenses que preferiram ficar na Indonésia após a independência da ex-colónia portuguesa e garante que a sua nacionalidade nunca foi um problema em Jacarta. Mais falado, mas em Portugal, foi o seu nome e o da mulher no âmbito da investigação aos ‘Panama Papers’, visto que ambos apareceram numa lista de titulares da sociedade offshore, o que o cavaleiro justifica com o facto de terem deixado de trabalhar e de pagar impostos em Portugal.

SAUDADES DOS TOUROS
Sem nunca ter anunciado o fim de uma carreira ligada à Monumental da Ilha Terceira e à Praça do Campo Pequeno, onde fez a alternativa de cavaleiro tauromáquico, Mário Miguel admite ter saudades da adrenalina que sentia e que até o levou a tornar-se matador. "Quem nasce toureiro, morre toureiro. Há sempre a chama que mantemos viva. Mas não passa de uma ilusão", afirma, deixando a porta entreaberta para participar num festival relacionado com uma das "causas nobres que a festa dos touros acompanha, apadrinha e suporta".

Na Indonésia também há quem lhe faça perguntas acerca do passado, ainda que a tauromaquia "seja difícil de ser percebida por alguém que nunca lhe foi exposto, ou por quem a exposição possa ter sido menos positiva ou só negativa". E garante que estaria pronto a ensinar um dos seus alunos de dressage a tourear.

Depois de ter montado mais cavalos do que consegue precisar, ainda que aponte para "umas boas centenas", Mário Miguel já disse à filha, que começou a montar há pouco tempo, para fazer registos. "Como é muito organizada e boa aluna, pedi que fizesse um diário. Daqui a meia dúzia de anos já não consegue contar os cavalos", diz quem não consegue indicar o animal que mais o marcou. Até porque "o meu próximo cavalo é que vai ser o melhor".

Texto: Leonardo Ralha
Fonte e foto: Correio da Manhã

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