About

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

O Jubilado, os Doutores, o Caloiro e o Emérito – Corrida das Festas da Praia 2018


A veterania e o peso da experiência podem manifestar-se de formas completamente opostas. A Corrida das Festas da Praia foi cenário da materialização desta premissa, numa tarde/noite de praça cheia. Melhor o veterano de jaqueta enramada, pior o de casaca azul e ouro.

Ganadarias de Rego Botelho e Passanha para João Moura, Tiago Pamplona, João Ribeiro Telles e Manuel Sousa (amador). Pegas a cargo dos Grupos de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT), do Ramo Grande (GFARG) e de Beja (GFAB).

João Moura abriu praça e foi homenageado pelo 40º aniversário da sua alternativa. Momento emotivo onde se ouviu, no sistema de som da praça, uma resenha dos seus feitos enquanto figura mundial do toureio. Teve por diante um exemplar RB (nº95, 510Kg) de boa apresentação, mas escasso de força e que se foi defendendo. O Mestre de Monforte, não o foi. Mostrou o entendimento que a já referida veterania e o peso da experiência conferem, estando correcto nas cravagens, mas apenas isso. Rubricou uma não-lide desluzida e sem história, onde se limitou a cravar. Com o exemplar Passanha (nº83, 555Kg) o Maestro não mudou de tom. O toiro carregava pouco, mas merecia outra lide, que o alegrasse e o fizesse romper. Nesta passagem pela ilha Terceira, Moura foi a antítese da razão pela qual se tornou símbolo e revolucionário do toureio equestre mundial. Duas lides sem lidar, sem explanar toureio. O seu toureio de magia parece ter sido jubilado há algum tempo.

Era pequenote o lote de Tiago Pamplona, quer em tamanho como em comportamento. O Cavaleiro angrense andou por cima de ambos. O seu primeiro RB (nº87, 488Kg) deu boa réplica, apesar de por vezes se parar na reunião. Pamplona entregou-se como é seu hábito e agarrou o público. Mostrou-se e mostrou que nem a geografia é impedimento para, em termos de qualidade, se andar no patamar superior da cavalaria nacional. Correctíssimo nas bregas e nas escolhas de terreno, apesar de alguns momentos de irregularidade nos tempos e nas medidas dos quarteios. O RB (nº5, 436Kg), segundo do lote, mostrou-se impetuoso na saída mas cedo perdeu o gás, parando-se e enquerençando nos terrenos dos tércios. O Cavaleiro deu-lhe a volta e com uma boa lide foi tapando os defeitos do oponente ao mexer-lhe com os terrenos. Corrigiu-se e andou correctíssimo nas abordagens, saindo em plano superior. Destaque para o ferro curto com que encerrou a lide: de alto a baixo, ao estribo e em zona de compromisso, a levar ao rubro a assistência.

A João Ribeiro Telles havia de calhar o lote mais desluzido em termos de comportamento. O RB (nº96, 466Kg) era manso e, como tal, virava a cara à luta desligando-se desde cedo. Mas, como se costuma dizer, são estas as situações ideias para se perceber a qualidade de um toureiro. João Telles tem-na e mostrou-a! Cadenciou a sua prestação e, tempo após tempo, foi mostrando a sua entrega e saber. Deu vantagens ao oponente, bregou-o na medida certa e foi contornando todas as dificuldades impostas pelo mansote. Lide inteligente onde mostrou o porquê de ser uma das figuras da nova geração. O Passanha (nº64, 498kg) que lhe coube em sorte parecia ter problemas de visão. O Cavaleiro conduziu-o com a voz e o toiro foi-se entregando. Telles rompeu para o triunfo com uma lide em crescendo que fez eco nas bancadas. Esteve variado nas sortes, agarrando em definitivo a assistência. A destacar o terceiro ferro curto, pleno de emoção e executado como mandam as verdadeiras regras do toureio equestre.

O Cavaleiro luso-americano Manuel Sousa prestou prova para Cavaleiro Praticante diante do “Tordo” (RB, nº10, 441Kg), perfilando-se como o caloiro entre um consagrado e dois dos Doutores da arte equestre nacional. É notória a vontade do Cavaleiro, mas também o é o facto de acusar o nervosismo e, com isso, expor a sua pouca experiência. É um Cavaleiro jovem e com uma larga margem de progressão (assim lhe transmitam bons conhecimentos) no entanto, ainda está aquém do exigido para o que se quer de um Cavaleiro Praticante. Ficam na retina as duas cravagens com que encerrou a lide, nas quais mostrou mais discernimento e vontade de arriscar.

Um dos grandes momentos do espectáculo havia sido antevisto no cartaz da corrida: a despedida do incontornável Américo Cunha, o forcado que prova que os homens não se medem aos palmos. Após 35 anos em que representou 3 grupos de forcados, com a sua forma peculiar de estar na arena, decidiu retirar-se e fê-lo de forma magistral ao serviço do GFARG. Mostrou o que de melhor a veterania e o peso da experiência conferem. Chamou o segundo toiro da corrida e ao primeiro intento fechou-se de forma correctíssima aguentando um derrote por alto e não mais largando. A pega da tarde a levantar as bancadas numa ovação explosiva. Américo Cunha passou assim a emérito. Uma palavra para o grande desempenho do primeiro ajuda, Vítor Enes, que foi fulcral no desfecho da mesma. A noite não esteve de feição para os forcados. Ora pelo comportamento dos toiros, ora por falta de grupo nas ajudas ou por culpa dos forcados da cara, muitas foram as tentativas. Pelo GFATTT estiveram em praça Luís Cunha que consumou à terceira com ajudas carregadas, Tomás Ortins que à primeira se fechou numa boa e correcta pega e Luís Sousa que à terceira fez uso das ajudas carregadas para consumar. Pelo GFARG, além do já mencionado Américo Cunha, esteve em praça Rui Dinis que aguentou uma investida ensarilhada e se fechou à primeira. O GFAB apresentou-se com Bento Costa que resolveu à terceira, já com as ajudas em cima, e Luís Eugénio que a sesgo e à quarta tentativa se fechou na cara do toiro.

Antes do início das cortesias, realizou-se um respeitoso minuto de silêncio em memória do ganadero Filipe Humberto Sousa (Humberto Filipe), figura emblemática da tauromaquia terceirense, recentemente falecido.

O espectáculo foi dirigido por Rogério Silva que esteve díspar quanto aos critérios de atribuição de música às lides. A assessoria veterinária esteve a cargo de Vielmino Ventura.

Abrilhantou (e bem!) a banda da Associação Filarmónica Cultural e Recreativa Santa Bárbara, da Fonte do Bastardo.

Bruno Bettencourt
Foto: Paulo Gil

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Faleceu o "Tio Humberto"


A Festa Brava açoriana perdeu hoje um dos seus ícones: faleceu o ganadero Humberto Filipe, o Tio Humberto, após doença prolongada.

O também chamado "Ganadero do povo" das Cinco Ribeiras, de nome completo Filipe Humberto Lourenço de Sousa, iniciou a sua ganadaria em 1983 através da aquisição de um semental e vacas de José Albino Fernandes, assim como vacas de Ezequiel Rodrigues. Mais tarde, foram introduzidos exemplares de Victor Mendes e novilhos de Duarte Pires.

A toda a família e amigos, as mais sentidas condolências.

Bruno Bettencourt
Foto: Pedro Correia

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Espectáculo misto - última da Feira de São João - vídeo


Escribano escreveu com pena de ouro – 4ª da Feira de São João 2018


Espectáculo de encerramento da edição de 2018 da Feira de São João. Anunciados os nomes de Vitor Ribeiro, Manuel Escribano e Jesús Enrique Colombo. Um cartel misto para enfrentar um curro da divisa verde rubra da Casa Agrícola José Albino Fernandes. Para as pegas perfilaram-se os homens do Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande.

A tarde abriu com o exemplar nº3 (528Kg). O toiro foi-se defendendo e andou um pouco desligado parecendo, por vezes, ter dificuldades de visão. Vítor Ribeiro foi palmilhando terreno através de uma lide de entrega, procurando compensar as dificuldades impostas por um oponente desinteressado. Bem nas cravagens, andando sempre acoplado e a interessar o toiro. O nº18 (450Kg) trazia melhores modos. Apesar de andarilho entregou-se, mas começou a defender-se no final, mercê de alguma dificuldade adquirida na mão esquerda. O Cavaleiro da Caparica esteve em plano de triunfo. Explanou o seu toureio de forma correcta, andou bem nas bregas e cravou de praça a praça, dando todas as vantagens ao toiro. Destaque para o 3º ferro curto de alto nível.

O Matador Manuel Escribano mostrou ofício e saber diante do nº28 (518Kg). O utrero teve uma saída fulgurante, levantando um dos burladeros. Apesar de por vezes sair solto dos lances, metia bem a cara e acorria aos cites. O toureiro sacou-lhe tudo o que tinha. Andou sortido com o capote, partilhando depois o tércio de bandarilhas com Colombo. Iniciou com uma boa série de Naturais, provando-o de igual modo pelo lado direito. Sacou assim séries de recorte artístico e com boa ligação. O quinto da tarde (nº32, 426Kg) haveria de dar confirmação ao ditado, tendo sido o exemplar com melhor jogo. Codicioso na investida e a mostrar algum recorrido. Escribano recebeu-o com uma larga de joelhos para depois seguir por Verónicas, Chicuelinas e Calaserinas. Com as bandarilhas esteve irrepreensível, fazendo-se chegar à assistência. Já com a muleta, esteve triunfal. Aproveitou o exemplar que tinha por diante, baixou a mão e desenhou séries de naturais com muita profundidade. Também por Derechazos seguiu transmitindo emoção, arrimando-se e mostrando os bons modos que tem dentro e o bom matador que é. Encerrou com Manoletinas bem cingidas.

Jesús Enrique Colombo teve tarde agridoce. O primeiro do seu lote partiu uma haste e teve que ser recolhido, tendo de lidar o sobrero (nº24, 454Kg). Apesar de pequeno e escorrido de carnes, deu muito boa réplica, investindo do início ao fim. Recebeu-o com larga de joelhos e depois lanceou por Verónicas e Navarras rematadas com manguerazo de Villalta. Repartiu com Escribano o tércio de bandarilhas. Com a muleta mostrou-se artista e um Matador de recursos, evidenciando o porquê de ser promessa. Esteve sempre ligado com o público, trastejando por ambos os lados. Destaque para uma das suas séries de Naturais, plena de temple. Recebeu o seu segundo (nº23, 513Kg) com Verónicas e Chicuelinas muito cingidas. Nas bandarilhas mostrou desacerto. O hastado ia investindo de pronto, até que partiu um dos pitons depois de embater num pilar da trincheira, tendo de ser recolhido interrompendo assim a lide.

Para as pegas esteve em praça Manuel Pires que, depois do toiro lhe ter metido a cara alta ao primeiro intento, fechou-se numa grande pega à segunda, a mostrar uns braços enormes e aguentando-se na cara do toiro com a raça que lhe é característica. Daniel Brasil pegou à primeira executando uma boa pega onde foi muito bem ajudado pelo grupo.

A direcção da corrida esteve a cargo de Rogério Silva, assessorado pelo médico veterinário José Paulo Lima. Abrilhantou a Banda da Sociedade Filarmónica União Católica da Serra da Ribeirinha.

Bruno Bettencourt
Foto: Fernando Pavão

Fábio Magalhães no Concurso Internacional de Recortadores (video)


Assista através do link: https://www.facebook.com/RaboTorto.BlogueTauromaquico/videos/2065027883533774/ a alguns momentos do Capinha Fábio Magalhães no Concurso Internacional de Recortadores em Vila Franca de Xira.

sábado, 30 de junho de 2018

Corrida Concurso de Ganadarias - Video


Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More