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quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Rego Botelho adquire novos sementais









A ganadaria Rego Botelho adquiriu dois sementais que chegaram à ilha Terceira no dia 30 de Outubro de 2019. Da ganadaria de São Torcato veio um exemplar de 5 anos, de nome "Vingado", enquanto que da ganadaria Calejo Pires chegou o "Rosito", um exemplar de 3 anos. Esta é uma aposta da ganadaria da divisa alva e celeste com vista ao melhoramento da selecção que é feita nos terrenos da Caldeira do Guilherme Moniz.

A ganadaria São Torcato é uma das ganadarias referência no mundo taurino, com antiguidade de 1976. Os exemplares que ostentam a Cruz de Malta representam um encaste com características próprias. Sendo uma ganadaria "fechada", todo o efectivo teve como origem um único semental, procedendo de Pinto Barreiros via Oliveira Irmãos e Cabral Ascenção.

Com antiguidade fixada em 2013, a ganadaria de Calejo Pires tem procedência Nuñez del Cuvillo (Osborne e várias linhas Domecq) e apesar de recente, já tem provas dadas.  Este ano de 2019, em Agosto, estreou-se de forma auspiciosa com um curro completo no Campo Pequenos.

Bruno Bettencourt
Fotos: Fernando Pavão

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Lide de Jabato, o semental nº23 adquirido pela ganadaria JAF


O semental "Jabato" que acompanhou este lote de fêmeas, adquiridas pela Casa Agricola José Albino Fernandes, tem o nº 23, também da ganadaria de Santiago Domecq, e foi indultado por Pepín Liria na corrida da sua despedida que aconteceu na Praça de Toiros de Abarán, na tarde de 27 de Setembro de 2018.
Aqui fica o vídeo da lide aquele que foi o quinto toiro daquela tarde.

Foto: Nuna Faria

Santiago Domecq na Ilha Terceira




O longínquo ano de 1910 marcou o início das importações de Gado Bovino de Lide para os Açores, mais concretamente para a Ilha Terceira, influenciando de forma cabal os espectáculos taurinos enraizados neste povo a meio Atlântico. João Coelho Pacheco, abastado lavrador terceirense, beneficiou o seu efectivo com um semental continental, seguindo-lhe as pisadas ilustres ganaderos como Sieuve de Meneses, Fernandes Miranda, Diniz Fernandes, Castro Parreira, Casa Agricola José Albino Fernandes e Rego Botelho. O século XX marcou um marcado aumento da qualidade de lide das reses insulares, percebendo-se desde logo as sucessivas melhorias zootécnicas que estas importações originaram.

O mês de Outubro, no que à festa de toiros Açoriana diz respeito, fica marcado pela aquisição de um lote de vacas e semental a uma das ganaderias espanholas mais conceituadas (Santiago Domecq), por parte da ganaderia açoriana de Albino Fernandes.

As 32 vacas de ventre que chegaram à Ilha Terceia, algumas delas já com crias, têm na sua génese reatas das melhores linhas ganaderas espanholas de encaste Domecq. De referir que o semental que acompanhou este lote de fêmeas tem o nº 23, também da ganaderia de Santiago Domecq, indultado por Pepín Liria na corrida da sua despedida.

De lembrar que a ganaderia terceirense possui dois efectivos, um destinado aos arraiais de tourada à corda (criados em separado) e outro mais adequado para os festejos em praça onde este grupo de animais recém-chegado se vai inserir. Esta aquisição é um reforço na qualidade da aptidão dos animais JAF para o toureio a pé satisfazendo as figuras do toureio que pisam à arena terceirense.

Esta aposta no futuro marcará, sem dúvida, o futuro da tauromaquia terceirense no que diz respeito à manutenção da actividade ganadera na Ilha Terceira e nos Açores. Nas palavras do ganadero António Ferreira " é a aposta na linha que mais agrada nesta casa ganadera, numa aquisição de qualidade que com sorte e engenho dará cunho da boa genética que possui. Será uma forma de oferecermos ainda mais qualidade à afición terceirense no que diz respeito aos espectáculos na praça". Esta aposta é segundo palavras do ganadero " uma aposta nos festejos na Monumental Ilha Terceira (e outras praças açorianas) e também a outras praças continentais...".

Esta aposta de qualidade enche de esperança os aficionados terceirenses entusiastas da festa no seguimento da procura da melhores aptidões de lide da raça bovina de lide terceirense.


José Paulo Lima
Fotos: Nuna Nunes

Fonte: Diário Insular

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Toiros para a Corrida das Festas da Praia (fotos)

Aqui ficam as fotos dos exemplares da Ganadarias de David Ribeiro Telles e de Rego Botelho que serão lidados na Corrida das Festas da Praia.







Fotos: D.R.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Faleceu o "Tio Humberto"


A Festa Brava açoriana perdeu hoje um dos seus ícones: faleceu o ganadero Humberto Filipe, o Tio Humberto, após doença prolongada.

O também chamado "Ganadero do povo" das Cinco Ribeiras, de nome completo Filipe Humberto Lourenço de Sousa, iniciou a sua ganadaria em 1983 através da aquisição de um semental e vacas de José Albino Fernandes, assim como vacas de Ezequiel Rodrigues. Mais tarde, foram introduzidos exemplares de Victor Mendes e novilhos de Duarte Pires.

A toda a família e amigos, as mais sentidas condolências.

Bruno Bettencourt
Foto: Pedro Correia

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Rego Botelho, Pamplona e Vila Franca – 1ª da Feira de S. João

Começou a Feira de S. João 2017! Começou com o emblemático Concurso de Ganadarias no dia do santo que lhe dá o nome. Uma praça cheia assistiu a uma tarde de toiros que decorreu num ritmo muito agradável. Em disputa os prémios para Melhor Toiro, Melhor Apresentação, Melhor Lide e para Melhor Grupo de Forcados, prémio que vem substituir (e bem!) o até agora Prémio para Melhor Pega.

O primeiro da tarde ostentava o ferro de Murteira Grave (nº50, 492Kg). Este “cinqueño” era muito harmonioso, mas ficou-se por aí a qualidade demonstrada. A início parecia ter problemas de visão, mas os problemas eram bem maiores do que isso. Virou a cara à luta e por três vezes o toiro se deitou na arena. Este comportamento invulgar deixa a desconfiança da existência de alguma debilidade física. Manuel Telles Bastos nada pode fazer. Iniciou com três curtos e ainda cravou um curto após tentar sacar água daquele poço vazio.

O exemplar de Rego Botelho (nº66 532Kg) haveria de apagar a imagem do toiro anterior. Saiu alegre e com som a mostrar muita codícia. Não se ressentiu dos castigos e arrancava-se de largo aos cites, empregando-se até ao final da lide. Aliado a tudo isto, o trapio e a bonita presença física deste exemplar. Marcos Bastinhas esperou-o na porta dos curros e mostrou querer agarrar o triunfo, e a assistência, logo de início. Uma lide em crescendo que transpirou a “marca Bastinhas” por todos os poros. O Cavaleiro de Elvas deu sempre vantagens ao oponente, no entanto algumas das sortes pecam pelas passagens em falso e pelas cravagens aliviadas. Encerrou com um bom par de bandarilhas.

Da Casa Agrícola José Albino Fernandes (nº416, 493Kg) saiu um exemplar harmonioso e bastante em tipo da ganadaria. O toiro investiu sempre sem complicar. No final da lide foi ficando curto de investida, tapando-se, no entanto sem nunca complicar. João Pamplona recebeu-o com um bom ferro à “Porta Gaiola”, mostrando que também ele ali estava por mérito próprio. Lide onde a ligação com o público foi crescendo e, ferro após ferro, o perfume do triunfo foi-se fazendo sentir. Esteve lidador, a mexer com o toiro e não se limitando a cravar.

O exemplar jorgense de Álvaro Amarante (nº155, 403Kg) marcou a estreia da ganadaria da ilha do dragão nesta Feira. Era bonito e muito “bem desenhado” apesar de ter menos volume. Trazia ímpeto e, apesar de ter perdido algum fogo com o desenrolar da lide, cumpriu e mostrou bons modos, mas foi-se defendendo por alto no decorrer da lide. Aqui, Manuel Telles Bastos já conseguiu mostrar algum do toureio que traz dentro de si. Andou ligado ao hastado e, apesar de algum desacerto na cravagem, acabou por realizar uma boa lide onde se destacam os 3º e 4º ferros curtos, cravados como mandam os cânones da cavalaria portuguesa.

O exemplar de João Gaspar (nº30, 526Kg) encheu os olhos à assistência. Bonito e volumoso. Revelou bom andamento e entrega durante o desenrolar da lide. No final da lide foi-se parando e mostrando o andamento típico do encaste murube, ao qual pertence. Marcos Bastinhas montou um vistoso Palomino e procurou dar espectáculo com adornos à boa maneira espanhola. Tentou agarrar o público através das piruetas e dos câmbios em cima dos terrenos do toiro. Faltou o fundamental: cravou e não lidou!

Era de Francisco Sousa (nº16, 419Kg) o último da tarde. Saiu alegre e com pata, mostrando codícia na investida. A meio da lide deu alguns sinais de perda de ímpeto, encurtecendo a investida, no entanto, despertou novamente e voltou a entrar na luta com a bravura inicial. João Pamplona tirou partido das condições do toiro da divisa verde e lilás. Indo em crescendo, foi galvanizando as bancadas. Esteve bem na escolha de terrenos, lidando a gosto. O seu 4º ferro foi o melhor da tarde! Muito bem esteve o mais novo cavaleiro da Quinta do Malhinha!

Como já foi referido, este ano esteve em disputa o prémio para “Melhor Grupo”, destacando assim todo o desempenho dos forcados ao logo da corrida. Pelos Amadores de Vila Franca estiveram na cara: Márcio Francisco, que aguentou a viagem ensarilhada do toiro e se fechou à primeira, Francisco Farinha, que à segunda aguentou um derrote muito alto e se fechou com querer, e Rui Godinho, numa boa pega à primeira, sem dificuldade. Pelos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, pegaram: Luís Cunha, à terceira, após duas tentativas em que sentiu dificuldade em medir a investida do toiro, João Silva (a dobrar Carlos Vieira que saiu lesionado) com querer a fechar-se com valentia e com preciosa ajuda do grupo e, por fim, Luís Sousa numa grande pega à segunda tentativa.

Uma nota final apenas para referir um aspecto que foi por demais evidente nesta corrida: se até há algum tempo era pontual o uso de ferramentas auxiliares, hoje parece ter-se generalizado o uso de gamarras e serretas. Nesta corrida concurso, não chega a uma mão cheia o nº de montadas que não tinha pelo menos uma gamarra. As qualidades de equitador dos intervenientes são conhecidas de todos, mas usar e abusar de “travões auxiliares” tira-lhes todo o brio.

A corrida foi dirigida por Rogério Silva, assessorado por Vielmino Ventura. Abrilhantou a Banda da Sociedade Filarmónica Espírito Santo da Agualva.

Foram distribuídos assim os prémios:

- Melhor toiro: “Bandeirote”, nº 66, 532kg, Rego Botelho
- Melhor apresentação: “Bandeirote”, nº 66, 532kg, Rego Botelho
- Melhor lide: João Pamplona
- Melhor grupo de forcados: Amadores de Vila Franca de Xira

Bruno Bettencourt
Foto: António Valinho

domingo, 26 de junho de 2016

“Oceano” de bravura – crónica da segunda da Feira de S. João

A sair de largo ao cite, pleno de codícia, investida vibrante e sonora que se prolongou até ao final. Foi assim o “Oceano” da ganadaria de Francisco Sousa (nº2, 454Kg). O ferro mais antigo da ilha Terceira fez a sua estreia em corridas oficiais da forma mais auspiciosa! Antiguidade de 25 de Junho de 2016 que fica assim registada com a melhor das recordações. E dele tirou partido Marcos Bastinhas. Uma lide superior com cites de praça a praça a galvanizar a assistência. O toiro deu-lhe tudo e ele tudo agarrou. Sortes plenas de verdade e emoção. Desnecessária a volta á arena acompanhado de duas das montadas. 

Mas voltemos à ordem cronológica da “Corrida Concurso de Ganaderias” inserida na Feira de São João 2016. No início das cortesias fez-se um minuto de silêncio em memória de Mestre David Ribeiro Telles.

Gilberto Filipe enfrentou um bonito exemplar de Juan Pedro Domecq (nº125, 460Kg). O toiro apesar de parecer mostrar alguma querença, respondia bem ao cite e foi colaborante. Filipe mostrou que estava para triunfar e esteve correcto na abordagem das sortes e nas escolhas dos terrenos. Destaque para o quarto ferro curto. O segundo do seu lote era da Casa Agrícola José Albino Fernandes (nº397, 503Kg). Um toiro muito em tipo da ganadaria e a entregar-se, investindo de pronto. O Cavaleiro andou um pouco aquém da sua primeira lide. Apesar de lidar de forma correcta, prolongou para além do aceitável. É verdade que há um tempo regulamentar de lide, mas não é cravar em quantidade que conta.

Tiago Pamplona mostrou o toureio que lhe corre nas veias. Celebra 10 anos de alternativa e os anos vêm mostrando o seu valor. Lidou um exemplar de Murteira Grave (nº42, 434Kg) que de início parecia estar diminuído em termos de visão. Foi-se fixando ao longo da lide indo ao cite e cumprindo. Tiago lidou a gosto, muito correcto nas cravagens e na brega, chegando ao público. Um boa lide marcada pelos 2º, 3º e 4º ferros curtos. Era da ganadaria de João Gaspar (nº15, 573Kg) o segundo do seu lote. O murube era volumoso e colaborante, investindo quando lhe era exigido. O Marialva da Quinta do Malhinha superou-se e preparava-se para rubricar uma lide triunfal. Três bons ferros curtos a dar vantagens e a tirar partido das boas condições do oponente. Por azar o toiro havia de se lesionar num dos membros, obrigando a abreviar a lide.

Voltando a Marcos Bastinhas, esperou à porta dos curros o nº35 (567Kg) de Rego Botelho. O toiro não dificultou, no entanto era tardo a sair ao cite. Bastinhas foi palmilhando a lide sempre em crescendo até conseguir agarrar a assistência. Compreendeu bem as necessidades do toiro e cravou entrando em terrenos de compromisso. Encerrou com um par de bandarilhas em terrenos de dentro.

Nas pegas estiveram em competição o Grupo de Forcados Amadores de Santarém (GFAS) e o Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT). Pelo GFAS saltaram à arena David Inácio que se fechou à córnea ao primeiro intento com o grupo a ajudar bem, João Brito que pegou à terceira com ajudas carregadas após ter sofrido violentos derrotes nas tentativas anteriores e o Cabo João Grave que se fechou à primeira com uma boa pega a mostrar técnica e valor. Pelo GFATTT abriu praça Helénio Melo que realizou uma grande pega à primeira aguentando derrotes e a aguentar-se bem fechado, João Pedro Ávila à primeira fechou-se com toda a sua experiência sendo levado até às tábuas e aguentando a violência dos embates, Luís Cunha pegou à segunda com uma boa pega após ter sido derrotado na tentativa anterior.

Dirigiu a corrida o estreante director Rogério Silva, antigo Bandarilheiro, sendo assessorado pelo médico-veterinário José Paulo Lima. Abrilhantou a Banda da Sociedade Musical da Terra-Chã.

No final o júri deliberou:
- Melhor Lide a Cavalo: Marcos Bastinhas (pela lide ao 6º da ordem) 
- Melhor Pega: João Pedro Ávila (GFATTT)
- Melhor Apresentação: “Espia”, nº125 da ganadaria de Juan Pedro Domecq
- Melhor Toiro: “Oceano”, nº2 da ganadaria Francisco Sousa

Bruno Bettencourt
Foto: António Valinho

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Europa vota contra apoios à criação do touro bravo

O Parlamento Europeu aprovou, esta quarta-feira, uma emenda que proíbe o uso de fundos da Política Agrária Comum (PAC) para subsidiar a "reprodução ou criação de touros destinados às actividades de tauromaquia".
A proposta apresentada pelo grupo parlamentar dos Verdes foi aprovadas com 438 votos a favor, 199 contra e 55 abstenções.

Uma proposta que pedia que os fundos não fossem "usados para financiar as actividades letais de tauromaquia" foi também aprovada no Parlamento Europeu, tendo por base a Convenção Europeia para a Protecção dos Animais nas Explorações de Criação, numa decisão que afecta as corridas de touros.

No caso dos Açores, em particular, se esta medida vier a ser implementada tal como tem sido noticiada, irá certamente pôr em causa a continuidade de algumas das ganadarias locais.

Fonte: Diário de Notícias

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Ciclo de Tentas Comentadas

Com o inicio do defeso, (re)começam as lides campestres na ilha Terceira, neste sentido, realizar-se-á a 9ª edição do Ciclo de Tentas Comentadas, uma organização conjunta que reúne a Tertúlia Tauromáquica Terceirense com as ganadarias participantes assim como as Juntas de Freguesia dos locais onde as mesmas se irão realizar. Importante veículo de aprendizagem e compreensão dos aspectos de selecção do gado bravo, este evento vem de encontro a um dos aspectos amplamente debatido no mundo taurino: a criação e formação de verdadeiros aficionados.
Este IX Ciclo de Tentas Comentadas ocorrerá nos dias 17 e 18 de Outubro, nos tentaderos as Doze Ribeiras, (dia 17, às 11h00), Santa Bárbara (dia 17, às 17h00), Tentadero da Terra-Chã (dia 18, às 11h00) e na Praça de Toiros Ilha Terceira (dia 18, às 17h00).
Estarão em avaliação exemplares de Francisco Sousa, Rego Botelho, Casa Agrícola José Albino Fernandes e João Gaspar. Desempenharão função os Matadores Ambel Posada e Posada de Maravillas, assim como os Picadores Simão Neves e José Faveira. A par desta tarefa campera, haverá actuação do Cavaleiro Rui Lopes. Estarão também presentes o Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, assim como os Bandarilheiros naturais da ilha Terceira. A comentar estará o crítico taurino Sr. Maurício do Vale.
Bruno Bettencourt

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Bravura. Ontem ou hoje?

Em tauromaquia, falar ou procurar definir “bravura” tende a ser um assunto fracturante. Quando se procura fazê-lo ao nível da Tourada à Corda, as diferenças de opinião alargam-se ainda mais. É comum ouvir-se que “antigamente é que existiam touros bons!” Será que sim!? Atrevo-me a dizer que sempre existiram toiros “bons” e toiros “maus”. A genética tem destas maravilhas: nem sempre é possível controlar um punhado de genes, principalmente quando se fala na selecção do Toiro Bravo (aqui o Bravo refere-se a raça, porque sim, Bravos são todos desde a nascença).

Apesar de muitas das actuais ganadarias existentes na ilha Terceira partilharem uma mesma proveniência (em maior ou menor grau), é um facto que o passar dos anos trouxe mais conhecimento, maiores cuidados com a selecção de gado bravo e algumas “experiências com castas exóticas”. Tudo isto resultou numa maior ou menor alteração do ponto de vista morfológico. Ao nível do comportamento poder-se-á dizer que alguma da “aspereza” que costuma ser atribuída ao chamado “gado da terra” foi sendo arredondada por influência de outras castas. Tudo isto é válido, mas é preciso não esquecer um aspecto fundamental que se torna ainda mais relevante na Tourada à Corda: a imprevisibilidade do ambiente em que o toiro estará inserido. Por melhor que seja feita a selecção, tudo o que se possa passar num arraial não é controlável, ao contrário do que acontece na arena de uma Praça de Toiros. Por melhor que seja a predisposição genética, a sua manifestação irá ser condicionada pelos factores ambientais. O Toiro Bravo não é excepção. Um parêntese para dizer que a palavra “ambiental” se refere a todas as influências externas a que o animal estará sujeito ao longo da vida.

Passemos então a considerar esses factores. Como já foi referido, o passar dos anos trouxe mais conhecimento e com ele o progresso. A Tourada à Corda é uma manifestação de rua que se passa precisamente: na Rua. Aqui chegamos a um dos principais factores: o asfalto! Há que ter em conta que a locomoção dos animais é condicionada pela melhoria das nossas redes viárias. Quando o piso das mesmas era mais solto e mais suave, os desempenhos eram outros e o dito “andamento dos toiros” era mais do agrado de quem assistia, não se defendiam tanto.

A Tourada à Corda é uma manifestação do povo, para o povo. Pois é (e ainda bem que o é)! E do povo surgem os Capinhas, elementos essenciais da festa! Felizmente nos últimos anos tem-se verificado que os mesmos estão mais conscientes do espaço do toiro e não o “afogam” tanto. Ainda assim, o crescente número de corajosos, ao contrário do que se passava “no antigamente” que tantos gostam de exaltar, faz com que a tarefa do toiro seja mais dificultada. A “fama” de um toiro ou de um arraial é directamente proporcional ao número de Capinhas que lá estão. Por mais bravura que o toiro possa ter, não a consegue mostrar em pleno, quando tem uma multidão “em cima da cabeça”. Estes dois aspectos, aliados a muitos outros, fazem com que o cenário onde os toiros evoluem se tenha alterado. Desta forma não é possível comparar o que existia com o que existe actualmente. Ainda assim, e sob o risco da contradição, arrisco a dizer que hoje sim existem toiros bravos. Se são capazes de enfrentar os factores ambientais e deixar transparecer a sua bravura, então sim, hoje é que temos toiros bravos.

Não quero com estas últimas afirmações subestimar ou diminuir toda a história que a Tourada à Corda transporta. Há também o outro lado da moeda. A quase banalização deste tipo de espectáculo tem prejudicado a qualidade daquilo a que se assiste nos arraiais. Como já afirmei noutras ocasiões, o amor pelos toiros, sentido pelos terceirenses, e a ligação ao meio agrícola, trouxe a desvantagem de fazer proliferar o número de criadores, em demasia. Muitos dos quais possuem toiros de menor qualidade rejeitados por outros criadores. Em alguns destes exemplos, os anos trouxeram regressão. Cria-se o toiro porque se gosta, mas esquece-se de aliar o conhecimento a esse gosto.

Tudo isto está associado à valorização da forma cultural mais participada na ilha Terceira: a Tourada à Corda. É a simbiose toiro-homem que está na sua essência, por isso mesmo, ao contrário do que algumas vozes pretendem afirmar, não podemos olhar só para o elemento homem. Não é possível querer que, enquanto o povo se divertir que se aumentem as Touradas à Corda. É uma simbiose. Se esquecermos o outro aspeto fundamental: o Toiro, essa mesma simbiose deixa de existir, perdendo assim o seu significado.

Bruno Bettencourt
Foto: Samuel Fagundes

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Exemplares de RB para a Feira de S. João 2013

Aqui ficam algumas fotos de Edgar Vieira, disponibilizadas pela Tertúlia Tauromáquica Terceirense, relativas aos exemplares de Rego Botelho que serão lidados na Feira de S. João 2013.















quinta-feira, 13 de junho de 2013

Exemplares de JG para a Feira de S. João 2013

Aqui ficam algumas fotos de Edgar Vieira, disponibilizadas pela Tertúlia Tauromáquica Terceirense, relativas aos exemplares de João Gaspar que serão lidados na Feira de S. João 2013.




quarta-feira, 12 de junho de 2013

Exemplares da CAJAF para a Feira de S. João 2013

Aqui ficam algumas fotos de Edgar Vieira, disponibilizadas pela Tertúlia Tauromáquica Terceirense, relativas aos exemplares da Casa Agrícola José Albino Fernandes que serão lidados na Feira de S. João 2013.














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