
É comum a comunidade taurina questionar o momento atual da carreira do
primeiro Matador de Touros açoriano, Mário Miguel. Retirado das arenas
há algumas temporadas, o talentoso diestro, e também cavaleiro
tauromáquico de Alternativa, está radicado em Jacarta (Indonésia), e
tem-se dedicado, com o sucesso que a seguir se explica, ao ensino de
cavalos:
"O meu trabalho nesta parte do mundo é ensinar cavalos e
formar cavaleiros. Fazemos espetáculos, com exibições de alta escola, e
participamos igualmente em competições de Dressage", explicou Mário
Miguel.
A participação mais recente foi no "World Dressage
Challenge", uma organização da Fédération Equestre Internationale (FEI),
que é um campeonato por regiões. Mário Miguel integrou o Grupo 8, que
junta Indonésia, Singapura, Tailândia e Índia.
"São provas avaliadas
por juízes internacionais, nomeados pela FEI, e que se dividem por
diferentes classes, cada uma delas com o seu grau de dificuldade",
explicou. Em 2015, aquele agrupamento disputou-se em Jakarta, Singapura,
Nova Déli, Bangalore e Bangkok.
Mário Miguel participou pela
primeira vez naquele campeonato como cavaleiro - uma vez que em edições
anteriores o fizera apenas como treinador -, e os resultados foram
excelentes:
"Competi na classe mais alta, a 'Prix St. Georges
(PSG)', e ganhei-a aqui na Indonésia e também no Over All do campeonato.
Refira-se que o cavalo com que ganhei, de nome Urânio, é um Lusitano de
Portugal, treinado por mim", referiu o terceirense.
"Na mesma
classe, mas em Advance, tivemos resultados muito bons, conquistados
pelos meus alunos, que montaram cavalos ensinados por mim e pela minha
mulher (Luísa Valença). Em PSG obtive, como treinador, o 1.º, o 4.º e o
8.º lugares. Em Advance chegámos ao 2.º,5.º e 8.º lugares. São
classificações mais do que honrosas e que traduzem muitos anos de
trabalho", frisou Mário Miguel.
O cavaleiro lembrou que, "já em 2014 obtivemos um 1.º, um 3.º, um 5.º e um 9.º lugares em PSG, e um 2.º e 4.º em Advance".
E
recorda uma história curiosa, relativa à competição de 2013: "Tive um
aluno que ganhou em PSG, e uma aluna de Singapura que foi segunda. Para a
sua preparação, desloquei-me durante dois anos àquele cidade-estado, a
cada três semanas, para treiná-la".
Para exemplificar o grau de
competitividade destas competições, Mário Miguel adiantou-nos que "cada
país elege uma equipa de quatro elementos. E eu fiz parte também da
equipa da Indonésia e fomos últimos. Isso dá uma ideia da qualidade
destas classificações individuais, porque os outros países foram
efetivamente mais fortes, e têm-no sido nos últimos anos. Ou seja, a
concorrência é mesmo muito apertada", desabafou.
Nas breves
declarações trocadas, Mário Miguel não escondeu que a Festa Brava lhe
faz falta, confessando até que "do que tenho mesmo saudades é de tourear
a pé". Será caso para acrescentarmos que também nós partilhamos dessa
já quase nostalgia...
Os pontos altos de Mário Miguel
Mário Miguel Simão Fernandes Silva nasceu na Terceira, a 15 de outubro
de 1978. Desde cedo se destacou nas práticas tauromáquicas, seguindo a
tradição familiar, e a sua estreia como cavaleiro praticante na Praça de
Toiros Ilha Terceira, no início da década de 90, é uma das boas
memórias da aficion local.
Entre as suas passagens pelas praças
nacionais e estrangeiras, há a recordar o dia 4 de junho de 1998, quando
lidou a solo, na Praça de Toiros do Campo Pequeno, seis toiros da
Ganadaria Palha, três como cavaleiro praticante e os restantes três como
aspirante a novilheiro.
Quase um ano depois, a 27 de maio de 1999,
foi o conceituado Luís Miguel da Veiga a apadrinhar a sua Alternativa
como Cavaleiro, também no Campo Pequeno. A 27 de agosto de 2006, na
Praça de Toiros de Cuellar, Mário Miguel tirou a sua Alternativa como
Matador de Toiros, tendo sido Alfonso Romero o seu padrinho. Tornou-se
assim o primeiro em Portugal a ter Alternativa como Cavaleiro e como
Matador de Toiros.
Miguel Sousa Azevedo