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terça-feira, 3 de agosto de 2010

Triunfo de Salgueiro da Costa nas Festas da Praia

Publicado a 03 de Agosto de 2010
Mais de ¾ de praça para assistir à corrida do dia 1 de Agosto integrada nas Festas da Praia 2010. João Salgueiro e João Salgueiro da Costa a cavalo, enquanto Oliva Soto se encarregou da lide apeada. Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense (GFATTT) e Amadores do Ramo Grande (GFARG). Foram lidadas as divisas de Rego Botelho (RB), Casa Agrícola José Albino Fernandes (JAF) e Irmãos Toste (IT).

João Salgueiro entrou em praça montando o Moranguito para receber o “Quimo” (JAF, nº259, 415Kg). O toiro, apesar da sua nobreza de investida, desde cedo se mostrou andarilho tendo ao longo da lide dificuldade em colocar-se para as sortes. Após uma eternidade a galope, o Cavaleiro colocou a cravagem de castigo. Já com o Chaplin iniciou a segunda parte da lide com 2 ferros de boa nota, para depois decrescer ao longo da função. Muitas das vezes foi notória a falta de colaboração do cavalo aquando das viagens para as cravagens. Encerrou a lide com mais dois curtos. No final opta, e bem, por não dar volta à arena. O “Malandro” (IT, nº102, 495Kg), que foi o segundo do seu lote, mostrou-se voluntarioso durante a lide. Novamente com a mesma montada de saída, deixou dois compridos à meia volta. Algumas notas de interesse ficaram da segunda parte da peleja, a destacar o 2º ferro cravado em curto e alguma da brega efectuada. Das bancadas iam surgindo aplausos que não espelhavam o que se passava na arena. Cada vez mais, os menos entendidos se deliciam com piruetas e outros adornos que tais, em vez de todo o resto que é essencial.

A debutar no redondel angrense, João Salgueiro da Costa recebeu o seu primeiro oponente (JAF, nº274, 445Kg) montando o Don Juan. O toiro logo se mostrou desligado e distraído investindo só pela certa, reflectindo sinais de mansidão. Após dois ferros compridos, o Marialva troca para o Mon Cherry e foi traçando uma lide na qual foi procurando andar sempre em cima do toiro, pisando-lhe os terrenos no momento das sortes. Uma lide de mérito encerrada com um bom ferro curto, mesmo com as dificuldades impostas pelo oponente. A confirmação como triunfador da corrida viria com a lide do “Pirata” (IT, nº94, 490Kg). O toiro apresentou algumas dificuldades defendendo-se nos tércios e mostrando pouco andamento. Salgueiro da Costa foi indo em crescendo, uma vez mais com a colaboração das mesmas montadas. Dois bons ferros compridos seguidos de quatro cravagens curtas de onde se destaca o segundo de alto a baixo após consentir a investida do hastado. Esteve bem nas bregas e entrou pelo toiro na medida certa, conseguindo assim sacar o que de melhor havia no animal da divisa azul e amarela.

Em tauromaquia é hábito dizer-se que um toureiro não pode brilhar quando lhe falta matéria-prima para poder desenvolver a sua arte, e quando o inverso acontece? A Oliva Soto, no seu primeiro toiro, o “Cotorrito” (RB, nº24, 480Kg), foi oferecida uma tela em branco da melhor qualidade, assim como tintas e pincéis do melhor. Com o capote lanceou por Verónicas de boa nota e Delantales rematados com duas meias Verónicas e Larga por alto. Já com a muleta, o artista, talvez pensando que se encontrava perante uma assistência de míopes, limitou-se a passar o pincel pela tela sem se preocupar em usar a tinta, resultado: uma lide sem história perante um adversário que apresentava grandes condições de bravura e nobreza, uma tela em branco. Uma lide sem temple e algo confusa (chegando por vezes o Matador a destapar-se), perante um toiro que se arrancava de largo e galopava ao cite. O toiro apresentava uma grande profundidade de investida pela esquerda que mesmo assim não foi aproveitada. Assobios no final da lide. O segundo do seu lote (RB, nº37, 445Kg) não tinha tão bons atributos mas apesar de alguns momentos de distracção e menor recorrido, deixou-se lidar. O diestro andou um pouco mais trabalhador. Provou-o com o capote desenhando Parons seguidos de tímidas Chicuelinas. Com a muleta citou pela direita demonstrando mais temple e profundidade, apesar da viagem curta do oponente. O Matador mostrou um pouco mais de querer e o toiro foi crescendo com ele. Por Naturais desenhou aquela que talvez tenha sido a série mais bem conseguida. Encerrou a faena por Manoletinas.

No campo da forcadagem assistiu-se a 4 pegas ao primeiro intento. Tomás Ortins do GFATTT deu vantagem ao oponente fechando-se bem à barbela. André Parreira do GFARG realizou uma rija pega aguentando a investida sendo levado até às tábuas. José Vicente do GFATTT mandou e consentiu bem a viagem fechando-se numa boa pega. Alex Rocha do GFARG finalizou a noite de pegas à córnea, sem dificuldade.

Nota final para a poderosa interpretação da Banda Filarmónica da Sociedade Progresso Lajense, sob a batuta do maestro Evandro Machado. Assim o espectáculo tem outro brilho!

Bruno Bettencourt

2 comentários (Dê a sua opinião):

Ó senhores, mas que engraçado é constatar a descrição do desempenho dos intervenientes nesta corrida. De salientar que até está relativamente bem executada, porém tenho só uma ligeira dificuldade em perceber qual a dificuldade de dizer/escrever que determinados toiros, de determinadas ganadarias, tem comportamentos de mansos??
E relativamente ao matador de toiros Oliva Souto, a 1ª “tela” que lhe foi dada realmente até era executável, no entanto a ultima “tela” (toiro) tinha uma base para pintura de má qualidade comprometendo a pintura do artista, ou seja, o toiro tinha comportamentos de manso. Este comportamento também se verificou no 5º toiro da corrida, mas é mais simpático escrever “O toiro apresentou algumas dificuldades defendendo-se nos tércios e mostrando pouco andamento”.
Peço desculpa, mas este é um reparo que faço pois situações destas acontecem na nossa festa há muito tempo, o que não se percebe.
Contudo, não é meu intuito ofender ninguém, esta é a minha singela opinião e sentimento.

Sr. José Cabral, em primeiro lugar agradeço o seu comentário.
A crónica reflecte uma opinião meramente pessoal daquilo a que assisti no decorrer da Corrida. Pessoalmente não tenho qualquer tipo de dificuldade em etiquetar de manso um toiro, seja ele de que ganadaria for, até porque (como se diz na Terceira) não sou partidário de nenhuma ganadaria em particular. Uma vez mais agradeço o seu comentário, já que é através do confronto de opiniões que se vai aprendendo e crescendo ao nível do conhecimento.
Cumprimentos,
Bruno Bettencourt

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