
Para a história fica a imagem de
62 forcados fardados em plena arena. Gerações de homens que ao longo de 40 anos
viveram tardes de glória envergando a jaqueta do Grupo de Forcados Amadores da
Tertúlia Tauromáquica Terceirense. João Hermínio Ferreira, cabo fundador que
liderou de 1973 a 1989, António Baldaya de 1989 a 2001 e Adalberto Belerique de
2001 até à actualidade, encabeçaram, na arena, a apresentação dos homens de
jaqueta enramada e barrete verde.
Das pastagens da Casa Agrícola
José Albino Fernandes (JAF) vieram 6 exemplares que complicaram um pouco o
desenrolar das lides. De uma forma geral saíram distraídos, parados e
desligados. A merecer algum destaque o quinto e o sexto toiro, o “Soprano”
(nº335, 440Kg) e o “Sacristão” (nº322, 495Kg), respectivamente, que foram
crescendo de comportamento ao longo da lide proporcionando bom jogo.
João Salgueiro andou apagado
frente ao primeiro toiro da ordem. O exemplar que ostentava o ferro de Falé Filipe
(substituiu um toiro JAF que se inutilizou aquando da embolação) tinha nobreza,
mas era andarilho e por vezes tapava-se no momento das cravagens. No segundo
toiro do seu lote, o Cavaleiro de Valada do Ribatejo armou taco e ligou-se ao
oponente. O “Zamorino” uma vez mais a colaborar numa lide que foi sendo
palmilhada ferro a ferro até fazer vibrar as bancadas. Que coração toureiro tem
este cavalo. Salgueiro despediu-se assim da Feira de S. João 2013 com uma boa
lide em que andou sempre por cima do oponente.
Rui Lopes viu a sua primeira lide
ser abreviada por lesão do exemplar de JAF. Até ao momento da recolha daquele
que foi o segundo toiro da corrida, havia cravado 2 ferros curtos de boa nota.
Frente ao quinto toiro da tarde (segundo do seu lote) rubricou aquela que foi a
lide mais redonda da tarde. Tirou partido das melhores condições do oponente e
foi cravando a gosto. Correcto nas bregas, entendeu o toiro que tinha pela
frente e executou as viagens na medida certa. Destaque para o ferro curto com
que encerrou a lide. Montado no “Violino”, citou de largo, deu primazia ao
toiro, bateu ao piton contrário e ao milímetro consumou a reunião e a cravagem.
João Salgueiro da Costa teve uma
passagem demasiado discreta nesta Feira de S. João 2013. Frente ao seu primeiro
exemplar andou irregular na cravagem. O toiro foi decrescendo de comportamento
e ganhando querenças. Salgueiro da Costa nem sempre lhe conseguiu pisar os
terrenos como seria desejável. A fechar a corrida, no segundo do seu lote, sacou
novamente do “Mon Cheri” e com ele lidou do princípio ao fim. Uma vez mais
mostrou muita inconsistência nas cravagens. Apesar de ter procurado colocar o
toiro e terrenos diferentes, nunca conseguiu romper. E quando as coisas não
correm bem, tudo corre mal! Até o “Mon Cheri” teve um momento de desacerto,
negando-se numa das viagens. Este último exemplar de JAF merecia melhor lide,
faltou cavaleiro.
E a tarde foi sem dúvida alguma
dos Amadores da Tertúlia. Abriu as hostes Marco Sousa. Fechou-se de forma limpa,
ao primeiro intento, naquela que seria a última pega da sua longa carreira de
forcado. Despediu-se assim das arenas um dos grandes forcados da cara nascidos
na ilha Terceira. No final, volta triunfal daquele que era um dos mais humildes
e ao mesmo tempo mais carismático forcado do GFATTT. A destacar ainda Paulo
Evaristo, já retirado do activo, que rabejou este primeiro toiro.
Uma vez que o segundo toiro da
tarde foi recolhido por lesão, coube a Álvaro Dentinho pegar o terceiro da
ordem. Fê-lo ao primeiro intento com a qualidade que lhe é reconhecida. Um
forcado que ano após ano se vai afirmando como um “caras” de grande qualidade.
Adalberto Belerique deu o exemplo
e pegou o quarto da ordem ao primeiro intento, aguentado uma investida sonante
e um aperto contra o chão. Foi bem ajudado pelo grupo que, aliás, mostrou uma
grande coesão ao longo de toda a corrida. António Baldaya, anterior cabo do
grupo, rabejou e bem este exemplar, arrancando forte ovação das bancadas. Quem
sabe não esquece.
O já retirado Jorge Diniz deu de
novo uso ao barrete e pegou ao primeiro intento demonstrando muito boa forma e
a técnica que lhe era reconhecida. A rabejar esteve outro nome dos “antigos”,
Rui “Picão” Silva, forcado e bandarilheiro profissional, também já retirado.
Fechou a tarde José Vicente.
Aquele que é um dos homens de confiança do cabo, pegou de forma rija, à
primeira, o último toiro da corrida. Da formação fazia parte António Pontes, um
dos forcados da primeira geração do grupo aniversariante. Esteve também
presente o já retirado Marco Fontes que apesar de magoado numa das pernas não
deixou de dar o seu contributo e rabejou este último exemplar.
Foi sem dúvida uma corrida de
festa e emoções que foi dirigida por Carlos João Ávila assessorado pelo Dr.
Vielmino Ventura.
O GFATTT saiu da arena sob grande
ovação e sob os acordes da Banda Filarmónica Rainha Santa Isabel das Doze
Ribeiras que interpretou o pasodoble “Grupo De Forcados Amadores da Tertúlia
Tauromáquica Terceirense.
Bruno Bettencourt